Lábios Puros Para Ver o Rei – Sofonias 3 | Jônatas Hübner | IBNU
23/03/2026
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Isaías, no capítulo 6 do seu grande livro, [música] ele tem uma imagem espetacular do trono de Deus. Mas ao estar diante do trono, ele grita, ele diz: "Ai de mim, que sou um homem de lábios [música] impuros". Ele reconhece a sua fragilidade e o seu pecado. Mas Sofonias, lá no capítulo 3, [música] ele vai dizer que o próprio Deus vai vir para purificar os nossos lábios. E é sobre isso que nós vamos falar hoje. Baseado em Sofonias 3, [música] lábios puros para ver o rei. E então eu convido você a ser nosso parceiro se inscrevendo [música] aqui no canal caso você não tenha feito a inscrição. Também ativando o sininho para você [música] receber as notificações e curtindo e compartilhando [música] esse canal, esse vídeo, essa mensagem com todos aqueles que você quer abençoar. [música] Deus o abençoe. Seja muito bem-vindo a mais esse momento de reflexão aqui no canal da IBNU. Nesse período que nós estamos pensando um pouco mais sobre os ensinamentos profundos que nós podemos extrair da palavra de Deus. E quando a gente pensa em ensino na palavra de Deus, a gente pode muitas vezes já imaginar aqueles textos ou aquelas aqueles conjuntos de livros que vão melhorar ou que vão indicar um caminho mais correto para a nossa vida. Por exemplo, o que é chamado de literatura sapiencial, literatura de sabedoria ali no Antigo Testamento, que envolve o livro de Jó, envolve o livro de Salmos. Alguns salmos, não todos, mas alguns salmos são salmos de sabedoria. O livro de Provérbios, que talvez é o mais comum e o mais famoso de todos esses, e o livro de Eclesiastes. Mas há uma sabedoria que é para a nossa vida porque ela realinha os nossos passos, que vem de um período posterior a esses livros sapienciais, principalmente na escala da ordem dos livros na nossa Bíblia. a Bíblia, que nós chamamos de Bíblia cristã. Por que que eu tô falando isso? Porque aí já começa o nosso mês de ensino ou continua o nosso mês de ensino trazendo uma explicação para você. A ordem dos livros do Antigo Testamento que nós temos, ela difere em alguns aspectos da ordem que é eh seguida na Bíblia hebraica. Na Bíblia hebraica, você tem três blocos, três grandes conjuntos de livros que são nomeados de acordo com o conjunto. Então, por exemplo, você tem um acróstico que é chamado de Tanar ou Tanac, depender de como você pronuncia essa última letra. E o Tanar, ele é a junção de três grandes blocos de livros. Você vai ter a Torá, que são os cinco primeiros livros. Nós chamamos também de Pentateuco. Depois você tem os Neviim, que vem de Nabi ou de Navi, que é profeta em hebraico. Então, todos os escritos proféticos estão reunidos nesse bloco que vai desde Isaías até o último deles, que é Malaquias. E aí depois disso vem o que nós chamamos de ketuvim. Quetuvim é de escritos. E aí você tem todos os escritos históricos, escritos sapienciais, eh, e todos esses conjuntos que complementam a Bíblia hebraica. Não há diferença dos livros da Bíblia hebraica para a Bíblia cristã, com exceção da Bíblia que é utilizada dentro da Igreja Católica. A Igreja Católica possui mais seis livros que não foram inseridos na Bíblia hebraica, que são livros que t uma história por trás de não da do motivo de não terem sido inseridos esses livros. Eh, a gente pode lembrar que primeiro e segundo Macabeus, Judite, Tobias, alguns livros que pertencem à Bíblia católica, que nós também não temos na nossa Bíblia, a Bíblia protestante, porque na época da reforma protestante esses livros foram retirados do canon. E aí quando a gente vai pensar em ensino profético, muitas vezes a gente vai querer lembrar de elementos de correção, né? Os profetas são aqueles homens levantados por Deus na história de Israel para ensinar o povo, para orientar e principalmente alertar. A gente tem até uma palavra muito bonita, mais antiga, chamado admoestar. Eles ensinavam o povo o que o povo deveria fazer e apontavam: "Prestem atenção o que vocês estão fazendo. Olhem isso aqui. Isso aqui está muito errado. Deus não está se agradando do comportamento de vocês." E aí vários profetas, nós temos desde os profetas maiores com tanto quanto os profetas menores. Eh, e aí o a questão de ser maior ou de ser menor é justamente pelo rolo que eles pertenciam. Você tinha um rolo de profetas maiores que era de Isaías, Jeremias, Ezequiel, Oséias, Daniel. Esse era o rolo principal. E você tinha um segundo rolo que eram todos os outros profetas agrupados ali até o final. E nós vamos falar de um profeta hoje que não é tão visto assim, mas ele tem uma mensagem que ecoa em outros profetas com muita importância e relevância e nos ensina qual é o nosso papel, qual é a nossa função, qual é a nossa participação em todo esse processo redentivo que nós vamos aprender de toda a Bíblia. Ou seja, a Bíblia, ela é a o registro da história da redenção, da história da transformação da situação do ser humano diante do seu Deus criador. Ou seja, Deus cria todas as coisas, coloca o ser humano para cuidar dessa criação belíssima. E o texto bíblico vai na sua narrativa explicar que nós cometemos uma falha, nós decidimos caminhar num sentido paralelo à criação de Deus. E aí, por conta disso, nós fomos afastados dessa presença. Havia uma presença diária ali narrada no Gênesis, né? É lógico que a gente pode entender o Gênesis como uma um um uma história da criação e não necessariamente um registro histórico de de dados científicos. Não é esse o objetivo do livro. Mas ali mostra que por conta do erro da humanidade, nós fomos afastados da presença de Deus e nós agora estávamos condenados a sermos eliminados junto com a transgressão, o pecado, a morte, tudo aquilo que vai ser narrado lá em Apocalipse, lá no final do livro do Apocalipse. Mas Deus amou, Deus se direcionou e e se dirigiu a essa criação caída para resgatá-la. Isso tá lá no capítulo 3 de Gênesis e vai se desdobrar por toda a história bíblica. Mas nós vamos falar de um profeta chamado Sofonias. Não sei se você já ouviu esse nome, mas ele tá lá no texto bíblico. É um dos profetas menores e a sua mensagem é muito importante para a gente, tanto hoje como também para o desdobramento da história. Nós vamos falar sobre lábios puros para ver o rei, baseado no capítulo 3 de Sofonias. E o que que esse capítulo três vai nos dizer? Ele, eu peço que você preste atenção na nossa leitura e se atente a dois versículos, os versículos de número 9 e de número 10. Mas nós vamos ler o capítulo todo, porque ele conta essa história. É um um um juízo que Sofonias profere contra a cidade de Jerusalém. E Jerusalém aqui não representa apenas a cidade antiga de Jerusalém, onde estava o reino, mas representa todo o povo de Israel, desde o seu, a sua origem lá, desde a época de Abraão. E Deus está falando para esse povo o que vai acontecer com esse povo por conta da transgressão dele. E porque ele havia prometido a Abraão que através das descendências de Abraão, das famílias de Abraão, todas as nações da terra seriam abençoadas, ele promete essa restauração através também desse povo. Vamos ver o que o texto diz a partir do verso um. Ai da cidade rebelde impura e opressora. Não houve ninguém e não aceita a correção. Não confia no Senhor, não se aproxima do seu Deus. No meio dela, os seus líderes são leões que rugem. Seus juízes são lobos vespertinos que nada deixam para amanhã seguinte. Seus profetas são irresponsáveis, são homens traiçoeiros. Seus sacerdotes profanam o santuário e fazem violência à lei. Uma pequena pausa aqui. Ele está falando da do governo da cidade da época, dos líderes religiosos da época. E quando ele fala da lei, ele está falando justamente da Torá, que era a lei de Deus. Vai ser muito importante essa informação, porque você vai entender daqui a pouco o período que Sofonias está falando. Vamos continuar. No meio dela está quem? Está o Senhor, que é justo e jamais comete injustiça. A cada manhã ele ministra a sua justiça e a cada novo dia ele não falha. Mas o injusto não se envergonha da sua injustiça. Eliminei nações, suas fortificações estão devastadas. Deixei desertas à suas ruas. Suas cidades estão destruídas. Ninguém foi deixado. Ninguém. Eu disse à cidade: "Com certeza você me temerá e aceitará a correção, pois então a sua habitação não seria eliminada, nem cairiam sobre ela todos os meus castigos." Mas eles ainda estavam ávidos por fazer todo tipo de maldade. "Por isso, esperem por mim", declaro o Senhor. No dia em que eu me levantar para testemunhar, decidi ajuntar as nações, reunir os reinos e derramar a minha ira sobre eles, toda a minha impetuosa indignação. O mundo inteiro será consumido pelo fogo da minha zelosa ira. Então purificarei os lábios dos povos para que todos eles invoquem o nome do Senhor e o sirvam de comum acordo. Desde além dos rios da Etiópia, os meus adoradores, o meu povo disperso, me trarão ofertas. Naquele dia vocês não serão envergonhados pelos seus atos de rebelião, porque retirarei desta cidade os que se regozijam em seu orgulho. Nunca mais vocês serão altivos no meu santo monte, mas deixarei no meio da cidade os mansos e humildes que se refugiarão no nome do Senhor. O remanescente de Israel não cometerá injustiças. Eles não mentirão, nem se acharão, nem se achará engano em suas bocas. Eles se alimentarão e descansarão sem que ninguém os amedronte. Cante, ó Sião, ó cidade de Sião. Exulte, ó Israel, alegre-se, regozige-se de todo o seu coração. Ó cidade de Jerusalém, o Senhor anulou a sentença contra você. Ele fez retroceder os seus inimigos. O Senhor, o Rei de Israel, está em seu meio. Nunca mais você temerá perigo algum. Para concluir o capítulo, naquele dia de irão a Jerusalém: "Não tema, ó Sião. Não deixe as suas mãos enfraquecerem. O Senhor, o seu Deus, está em seu meio, poderoso para salvar. Ele se regozijará em você. Com o seu amor a renovará. Ele se regozijará em você com brados de alegria. Eu ajuntarei os que choram pelas festas fixas, os que se afastaram de vocês, para que isso não mais pese como vergonha para vocês. Nessa época, agirei contra todos os que oprimiram vocês, salvarei os alejados e ajuntarei os dispersos. Darei a eles louvor e honra em todas as terras onde foram envergonhados. Naquele tempo eu ajuntarei vocês. Naquele tempo os trarei para casa. Eu darei a vocês honra e louvor entre todos os povos da terra quando eu restaurar a sua sorte diante de seus próprios olhos, diz o Senhor. Esse texto de Sofonias é um texto muito forte. Ele é um texto que começa com o juízo contra a própria cidade de Jerusalém. Mas a gente vai dar um passo atrás e vamos primeiro entender quem é esse homem, quem é esse profeta que aparece aqui em Jerusalém, que aparece no meio do povo proferindo os oráculos, os juízos de Deus contra aquela nação, mas também proferindo a mensagem de salvação que Deus havia entregue a ele. Fonias, ele surge numa época muito interessante, porque é uma época de uma revolução, vamos dizer assim, espiritual em Israel, principalmente no reino de Judá. Quando eu tô falando Israel aqui, eu estou mencionando, na verdade, o povo de Israel, porque nesse período já havia divisão em dois reinos. O reino do norte se chamava Israel, o reino do sul, o reino de Judá. E nesse momento da história, o reino do norte já não existe mais. O reino do norte já havia sido levado cativo. Ele é levado cativo no ano 722 antes de Crist. E quem vai presenciar isso, passar por esse período é o rei Ezequias. Mas olhe o verso um, versículo 1 do capítulo 1 de Sofonias, o que ele diz? Palavra do Senhor que veio a Sofonias, filho de Cuche, neto de Jedalias, bisneto de Amarias, trineto de Ezequias, durante o reinado de Josias, filho de Amon, rei de Judá, há um parentesco direto entre o rei atual, Josias, e Sofonias, porque Josias também é descendente de Ezequias. Olha que interessante, você tem aqui um profeta que é levantado dentro da casa real, dentro da família real. Ele não é um um tranzeunte, uma pessoa do povo que vê, por exemplo, Jeremias tem essa função. Jeremias é um profeta que surge do meio do povo. Sofonias não. Sofonias ele é um profeta real. Ele é um profeta que está no meio ali da liderança de Israel, do do reino de Judá, no caso, na região de Jerusalém. e ele vai apresentar eh os seus juízos, ou seja, a sua a sua profecia justamente ali no período do reinado de Josias. E por que que essa é uma informação importante? Porque no reinado de Josias ocorre uma grande revolução espiritual em Israel. Diz o texto bíblico lá de Crônicas, por exemplo, segundo Crônicas, a partir do capítulo 34 em diante, vai falar que Josias ele causa, ele ele ele entra o o pai dele, Amon e o seu avô também, eles ampliam muito o culto idólatra no reino de Judá. Eles trazem muitos ídolos de volta ao povo, ali, de volta à prática comum. E aqui há uma questão muito importante para vocês entenderem. Vamos voltar quatro gerações ali no reinado de Ezequias. E nesse momento, quando o reino do norte é destruído, o reino de de Israel é destruído, Samaria é tomada pelos assírios, uma grande quantidade de pessoas de, no caso, israelenses, israelitas, perdão, uma grande quantidade de israelitas, eles vão fugir dessa dominação assíria e vão descer para o reino do sul. Se você pegar um mapa simples, você vai ver que você tem o reino do norte aqui. Dá até para você ver aqui na imagem. Você tem o reino do norte aqui e o reino do sul, a cidade de Jerusalém, que não está muito longe dessa fronteira entre os dois reinos, vai se tornar o alvo de muitos dessas pessoas. E o texto bíblico vai mostrar que Ezequias, ouvindo falar que um outro general assírio está descendo para conquistar agora o reino de Judá, o nome dele é Senaqueribe, Ezequias, ouvindo falar, ele começa a se preparar para um cerco. E a primeira coisa, uma das primeiras coisas que ele vê é que do lado de fora dos muros da cidade de Davi, a cidade de Jerusalém da época, havia uma grande população de refugiados. Eles haviam se refugiado ao lado da cidade porque eles não tinham para onde ir. O reino do norte havia sido destruído. E aí Ezequias vai criar uma muralha em volta desse pessoal para proteger. Essa é a famosa muralha de Ezequias que você pode ver aí, inclusive na foto. Dá para ser vista e visitada hoje em Israel lá em Jerusalém. Você consegue ver a muralha construída por Ezequias para proteger essa população. Só que esse povo que veio do reino do norte vinha com seus costumes, com as suas práticas cúlticas. vinha com tudo isso e os o pai e o avô do rei Josias reintroduzem no meio desse povo essas práticas idólatras que eles trouxeram do reino do norte. Não que o reino do sul não praticasse isso, era um menor número, mas eles intensificam isso, principalmente na cidade de Jerusalém. E é por isso que surgem profetas em Jerusalém falando contra essas práticas. O que que vai acontecer com Josias? Josias, ele vai tentar eliminar essas práticas. Ele vai começar a destruir os ídolos, destruir os locais sagrados, vai tentar unificar o culto dentro do templo de Jerusalém mais uma vez do templo que Salomão havia construído. E nessa tentativa, numa reforma do templo, levantando recursos para reformar o templo de de Salomão, o livro da lei é encontrado. E ao encontrar esse livro da lei, ele vai fazer com que os sacerdotes, com que os profetas que estão ali na região saiam, vão procurar uma outra profetiza que é a profetiza Ulda e ela vai avisar a Josias que por conta do zelo dele não viria sobre a geração dele a punição de Deus, mas essa punição viria. E aí essa reforma religiosa vai transformar o cenário naquele momento específico. E é justamente nesse momento que o Senhor levanta Sofonias para entregar uma mensagem ao seu povo. E é ali, por volta do ano 640 até o ano 609. Para você ter uma uma noção temporal do que nós estamos falando, essa grande reforma acontece ali por volta do ano 621, 100 anos depois da queda do reino do norte. E por que que isso é importante? Porque nesse momento também estão falando dois outros profetas que falaram no reino do norte também, perdão, falaram para o povo do norte, mas falaram no reino do sul que é que são Jeremias e Naum. Jeremias e Naum são contemporâneos de Sofonias. E os três têm essa perspectiva eh de apontar os erros que a população está cometendo. Isaías, o grande profeta Isaías, é do período de Ezequias, 100 anos antes, mais ou menos. E eles já já havia falado, já havia apontado, preocupado com os rumos que a nação de Israel estava tomando. E aí você percebe que os dois, tanto Sofonias quanto Josias, que é o rei da época, tem essa genealogia em comum. Ou seja, quatro gerações. O bisavô Ezequias é o reformador de Judá e faz com que Sofonias faça parte dessa família real, tendo acesso privilegiado a toda essa corte. E é muito interessante porque quando a gente vai analisar os reis anteriores que é Manassés e Amon, ele foi rei do maior reinado de Judá, rei Manassés. Ele introduziu uma idolatria intensa, altares a Baal, imagens de Azerá no templo, sacrifício de filhos no vale de Inom. E todos os profetas vão condenar essas práticas. Depois veio seu filho, Amon, que reina apenas 2 anos, continuou todas as práticas que o seu pai havia cometido, assassinado pelos seus próprios servos após apenas 2 anos de reinado. Tudo isso tá descrito lá no livro dos Reis, no livro das Crônicas. E aí entra Josia eh eh Josias como rei no lugar, no período em que Sofonias vai pregar. Ou seja, Josias vai fazer ser esse grande reformador. Ele encontra o livro da lei durante as obras no templo, no ano 621. E ele promove a mais profunda reforma religiosa desde o tempo de Davi. Sofonias prega nesse contexto de renovação. E como é que é o cenário internacional? Nós temos um grande reino eh estrangeiro que está incomodando todo mundo, que são os assírios, que era a super potência que dominava o Oriente Médio por vários séculos, mas ela estava num colapso. Ela também sofria de problemas como esse problema que Amon sofreu aqui. Muitas usurpações e assassinatos estavam acontecendo dentro do universo do do reinado assírio, enfraquecendo seu exército. E a Babilônia está surgindo como uma potência nesse momento que vai ser justamente quem vai descer para dominar e conquistar o reino de Judá. Nós falamos que o reino de Josias acaba por volta do ano 609. No ano 586 Jerusalém será tomada, certo? Ou seja, Sofonias, ele anuncia o dia do Senhor em pleno período de turbulência geopolítica. Graças a Deus, não é a nossa realidade, não é verdade? Nós não estamos vendo nenhum problema internacional, nenhum problema geopolítico. Não tem acontecido nada em lugar nenhum do mundo. É claro que não. Nós vivemos talvez a zona, o período mais tenso internacional desde a Segunda Guerra Mundial. E desse momento, nessa história, existe uma fala que é atribuída a Albert Einstein, mas eu não tenho certeza se é dele. É, eu tô puxando de cabeça aqui, mas a fala diz o seguinte, que ele dizia o seguinte, por conta do surgimento da bomba atômica no final ali da Segunda Guerra Mundial, ele falava: "Eu não sei como será lutada a terceira guerra mundial, mas a quarta guerra mundial eu posso garantir que será lutada com gravetos e paus, porque na visão dele, o surgimento da bomba atômica geraria um caos e uma destruição tão devastadora que não haveria mais armas para se lutar. Então você teria que pegar um pedaço de pau, um pedaço de uma pedra para poder se defender. Esse era o medo que ele tinha da bomba atômica. E nós estamos caminhando para um momento muito tenso geopolítico, que era mais ou menos o que nós estamos vendo aqui no texto bíblico. E aí o verso 3, o verso 9 e 10 do capítulo 3 trazem essa mensagem extremamente importante para a humanidade hoje. Diz o seguinte: "Então: "Purificarei os lábios dos povos, para que todos eles invoquem o nome do Senhor e o sirvam de comum acordo. Desde além dos rios da Etiópia, os meus adoradores, o meu povo disperso, me trarão ofertas". E aí a gente levanta essa pergunta que é uma pergunta central. Quem são os povos cujo lábio ou os lábios Deus purificará? E o que que isso tem a ver conosco, comigo e com você que estamos aqui acompanhando essa mensagem? Essa ideia de lábios impuros, ela é uma ideia muito importante. Quando eu falei que nós íamos falar sobre lábios puros para ver o rei, eu estava obviamente fazendo um eco do que Isaías presencia. Isaías capítulo 6, profeta do período de Ezequias, ele começa eh no reinado de Usias, não é? Inclusive, é isso que ele vai falar no início do capítulo 6, que foi no ano da morte de Usias, que ele tem aquela visão do trono de Deus, que é uma visão espetacular. Deus assentado num alto e sublime trono e as roupas dele enchiam todos todo o espaço e aí ele tava com os os serafins diante dele com seis asas e tem toda essa descrição maravilhosa. Ao se perceber nesse lugar de tamanha santidade, ele se joga no chão desesperado. Olha o que ele diz ali nos versos de 5 a 7. Ele então ele diz assim, ó: "Então eu gritei: Ai de mim! Estou perdido, pois eu sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros. Os meus olhos viram o rei, o Yahé Tsavaot, ou o rei, o Senhor dos Exércitos. Logo, um dos serafins voou até mim, trazendo uma brasa viva que havia tirado do altar com uma tenaz. Com ela tocou a minha boca e disse: "Veja, isto tocou os seus lábios. Por isso, a sua culpa será removida e o seu pecado será perdoado." Aqui nós temos uma um jogo de palavras muito importante no hebraico, porque Isaías, ao descrever isso, o autor aqui escrevendo esse texto, ele utiliza uma palavra que até hoje é utilizada para lábios, né? que a palavra sifatim, sifataim, perdão, sifataim, que é a palavra de lábios, é a mesma palavra que aparece em Sofonias, que é a palavra safat, não é? Quando diz que ele vai purificar os lábios. E em Isaías você tem esses lábios que são impuros, né? Que a a a forma hebraica que está aparecendo lá diz que os lábios são impuros. Já em Sofonias, esses lábios estão purificados. é uma reversão intencional do texto. O texto ele ele ele transita na mesma lógica, ou seja, quase que um século depois para esse movimento de Deus de purificar todos os lábios. Em Isaías, o seu lábio é purificado para anunciar a mensagem de Deus. Agora, os lábios dos povos do Senhor serão purificados para que eles possam louvar e adorar ao Senhor. Mas nos dois casos, a gente percebe que o problema ele não é individual. Isaías reconhece que os seus lábios são impuros, mas ele fala: "E eu habito, eu vivo no meio de um povo de lábios impuros". O problema ele é coletivo. Isaías não confessa só o seu pecado pessoal. Ele se identifica com um povo de lábios impuros. Ou seja, o problema é da nação como um todo. O problema não é só do profeta. Ele é um problema cultual e é um problema por profundo. Quando nós não vemos como temos caminhado e quando a gente olha pro lado e olha as pessoas andando a ermo, a a a esmo, perdão, andando de qualquer jeito, não prestando atenção nos ensinamentos de Deus, nós temos que reconhecer isso. Nós estamos caminhando numa luta interna para servir ao Senhor, mas nós caminhamos no meio de um povo que tem lábios impuros. Nenhum ser humano consegue purificar os seus próprios lábios. Essa é a dinâmica que o texto vai apresentar. Não há uma forma. E aí às vezes você pode cruzar, passar por pessoas que estão dizendo: "Eu vou me purificar. Eu vivo uma vida justa. Eu vivo uma vida digna. Eu estou tentando viver de acordo com aquilo que eu considero ser o mais correto, mas a pessoa não tem o embasamento da da própria mensagem, do próprio eh eh da própria vontade do Senhor expressa no seu texto. E ela tá caminhando, achando que tá fazendo bem. Mas não é isso que nós vemos expresso na Bíblia. A Bíblia ela vai apontar, Deus determinou, Deus disse, Deus criou um mecanismo para que a gente se chegue a ele. E esse mecanismo, no momento da nossa história aqui, que nós estamos falando de Isaías, Sofonias, era o coração quebrantado diante da lei. A lei não traria salvação, mas através da lei, do cumprimento da lei, do caminhar segundo a lei, você teria a consciência da sua falha, do seu pecado e depositaria a sua fé no redentor futuro, que já havia sido prometido pelo próprio Deus, como eu mencionei lá em Gênesis, capítulo 3. Então, o processo legal ali da lei da Torá não era um processo de limpeza, de transformação numa pessoa de lábio impuro para lábio puro. Era para apontar que você tinha lábios impuros. Era para apontar que a pessoa não conseguia se limpar se ela seguisse o processo da lei, se ela seguisse todos os preceitos da lei e quando ela voltasse de novo, de novo, de novo para limpar-se pela lei, ela perceberia, realmente isso aqui é um círculo sem fim, é infinito, eu nunca vou conseguir me limpar. Esse era o alvo da lei. Esse era o processo que Deus havia criado para mostrar ao povo que aquele povo precisava de um resgatador. Só que o que Isaías 6 eh precisou, vamos dizer assim, receber, que foi essa ação do Serafim, que vem com uma brasa do altar e e faz a limpeza ali do profeta. Sofonias 3:9 que nós lemos anuncia que Deus vai fazer isso com todos os povos. E aqui não é uma visão universalista no sentido de que Deus vai transformar a realidade de todas as nações, de todos os povos. Porque ele vai dizer assim: "Os meus adoradores, no verso 10, o meu povo disperso". E aqui eu não tô fazendo essa ênfase com a ideia de me vangloriar ou de ter, vamos dizer assim, alegria na morte do ímpio. Não é isso. Mas é para entender que esse processo ele não é um processo sem regras, ele não é um processo sem sem uma uma forma de seguir, sem uma uma necessidade pessoal de transformação. Esse é um processo que exige, que demanda transformação através daquilo que Deus promulgou. E aí quando nós vemos Deus mesmo fazendo isso, qual é a indicação aqui? É a indicação novamente do que Isaías viu. Isaías percebeu que ele era um homem de impuros lábios e que habitava num povo de lábios impuros e que ele não tinha condições de estar diante do rei na mentalidade da época. É, era comum esse um dito que inclusive é repetido no texto bíblico, que aquele que visse a face de Deus morreria. Não é permitido ver a face de Deus porque nós somos impuros. E quando ele é purificado, e o texto vai dizer aqui mais uma vez, a sua culpa será removida, ele está se tornando justificado diante de Deus através dessa ação do ser afim. Você foi purificado, você está justificado diante de Deus, você não vai morrer. E aí o que Deus está dizendo agora que vai fazer, ele vai fazer isso com todos os povos. Ele vai nos colocar numa situação de justificados perante ele para que perante ele nós possamos adorá-lo. Isso indica que todo o processo de salvação vem dele, não vem do esforço humano, não vem da nossa capacidade humana de nos purificar, mas vem do Deus que nos ama e que quer nos purificar. Essa é a grande questão. Isaías, ele grita: "Ai de mim, eu estou perdido, pois sou um homem de lábios impuros". Sofonias responde décadas depois: "Então purificarei os lábios dos povos". é o mesmo problema, é a mesma questão. Só que a solução ela vem do Deus soberano, ela não vem das ações humanas, ela não vem da forma como nós vivemos, ela vem de um Deus que resolveu resgatar a sua criação. E aí o que que nós temos? Nós temos essa origem muito antiga com essa ideia de lábios impuros, de lábios que eh não fazem aquilo que foi determinado. E até mesmo antes da lei, isso já era um problema, isso já era um uma realidade, era uma situação que apontava para esse distanciamento da criação do seu criador. Olha que interessante. Quando nós vamos ler a história do Gênesis, eu mencionei rapidamente, bem resumido, Gênesis 1 a 3, ali, a criação e o a queda e a redenção. Mas quando nós vamos ver um pouco mais pra frente, existe a situação de Noé. E em Noé, com o dilúvio, toda a geração de Caim, que é o primeiro assassinato, ela é eliminada, ela não existe mais. Então, a gente pode parar para pensar. Então quer dizer que Noé, que é da geração de sete, o filho que Deus deu a Eva no lugar de Abel, que foi assassinado, essa geração agora vai adorar o Senhor. Ela vai caminhar na direção do Senhor. Mas logo na história dos três filhos de Noé, sem cã e Jafé, já aparece um pecado para mostrar que o pecado já estava endêmico. Não era um problema só da geração de Caim. Havia adentrado a geração de Noé também. E aí a sequência desse texto, vamos mostrar as gerações que vão surgindo de cada um dos filhos de Noé. Você tem o problema que os povos falavam uma só língua. Olha o que diz lá o capítulo 11, verso 1, e depois o que vai acontecer no verso 7. Diz o seguinte: "No mundo todavia, apenas No mundo todo havia apenas uma língua, um só modo de falar". Aí depois no verso s diz: "Venham, desçamos e confundamos a língua que falam para que não entendam mais uns aos outros". A ideia aqui é que ao falar a mesma língua, a todos estarem falando o mesmo idioma, mesma forma de conduzir, a palavra inclusiva aqui, inclusive aqui é lábio. Aqui o texto hebraico diz assim que no povo, no mundo todo, os lábios eram um. Olha que ideia interessante. Eh, fala safat, safá errad. Safá errad, que é a palavra hebraica, identifica a mesma palavra que tá lá em Sofonias, capítulo 3, verso 9, como a forma de todos os povos falarem. Então, é muito interessante a gente tentar fazer essa conexão com Sofonias, porque quando diz que Deus vem purificar todos os lábios, pode dizer que Deus vai rever ou reverter essa situação das línguas misturadas em Babel. E por que que ele precisou misturar as línguas em Babel? O próprio texto vai dizer: "Eles estão se juntando para fazer algo que é condenável. Eles querem novamente usurpar o nosso poder, o nosso lugar. O texto bíblico vai dizer que eles queriam construir uma torre para atingir os céus". E muitos estudiosos entendem que era uma forma de dizer: "Nós vamos tomar o lugar de Deus". Claro que eles não iam conseguir fazer isso, mas Deus evita que eles até atentem contra a própria vida ao tentar se colocar no lugar de Deus. e confunde essas línguas para que eles saiam e se dispersem pelo mundo. É muito interessante porque no caso lá em Gênesis 11, a língua ela vai ser confundida e em Sofonias os lábios são purificados, ou seja, um eco intencional. Aquilo que Deus fez lá, Sofonias agora ecoa para a posteridade. Ele falou: "Ó, Deus vai vir e vai transformar os lábios novamente. Vai modificar a forma como nós caminhamos, como nós falamos, como nós o adoramos, porque nós vamos ter agora lábios puros". E aí você tem essas três camadas apresentadas aqui até o momento dos três do mesmo problema. Primeiro, os lábios são confundidos pelo orgulho coletivo, como vemos em Gênesis 11. Depois Isaías reconhece o problema. Isaías capítulo 6, ele sabe que tem lábios impuros pela sua culpa, tanto individual como pela culpa coletiva, pela culpa nacional. E depois Sofonias, ele vai apontar para o futuro. Deus promete purificar. resposta a essas três camadas que nós estamos vendo. Então, Sofonias, ele não inventa um tema novo, ele não cria isso da sua cabeça, ele simplesmente está pegando um problema real e mostrando a solução futura. Ele fecha o arco aberto em Babel e aprofundado em Isaías, anunciando que a resolução divina definitiva para o problema será a purificação dos lábios da humanidade. E aí o texto, eu queria fazer essa análise mais rápida desse verso aqui, porque a gente tem algumas coisas para ver ainda, mas esse texto ele é muito interessante porque a palavra lá é purificarei, não é? serão purificados de alguma forma no futuro. Será purificado. Não, eu purificarei. É primeira pessoa do singular que está sendo falado aqui no verso 9. O próprio Deus é o sujeito da ação. A transformação, ela é uma ação soberana, não é uma conquista dos homens. O próprio Deus não é algo que você fez que purificou o seu lábio. O próprio Deus vai vir e vai purificar o lábio. É claro que nós pegando pela imagem que nós já vimos de Isaías, podemos entender que Deus vai mandar os seus servos purificar. Pode ser qualquer uma dessas formas. O que importa é que a ação parte do próprio Deus. E aí a o verbo que está aqui é o verbo rapac, verbo no hebraico, que é um verbo que descreve destruição ou mudança, ou seja, ele é traduzido por virar, por purificar. E sabe por isso é importante? Porque quando nós vamos voltar rapidamente aqui, só para entender o texto, que lá em Gênesis capítulo 19 há a história de Sodoma e de Gomorra. E é esse verbo que Deus utiliza lá para dizer que vai virar a cidade. Ele vai lá e vai acabar com a cidade. É um verbo que aponta destruição. Aqui ele está sendo usado como o a intenção de transformação. Então ele vai mudar a situação da humanidade. Lá em Sodoma era um sentido destruidor. Aqui é um sentido de redenção. É um sentido redentor. Essa virada purifica, ela não destrói. E isso demonstra essa intenção divina naquilo que nós consideramos e conhecemos como o missiei. É o Deus que se lança em missão. O Deus que se lança na direção do seu povo para purificar a vida desse povo. Em Isaías 6, a brasa veio do altar, não sai de Isaías. Em Sofonias 3, a purificação também vem do próprio Deus. Não são dos povos. A graça sempre precede a ação humana. Muito antes de Adão e Eva responderem para Deus sobre o pecado, ao dizerem que eles iam consertar, Deus já anuncia o resgatador. Deus já anuncia aquele que vai restaurar todas as coisas. Então, sempre nós temos que entender isso. Quando nós recebemos graça de Deus, quando nós somos abençoados por Deus, não é porque nós fizemos alguma coisa, é porque o Deus gracioso se movimentou em nossa direção. E aí a gente vai pro segundo ponto que esse texto apresenta, porque nós temos uma palavra aqui no texto que é muito importante também. Nós falamos do rapak, que é essa palavra que o verbo que aponta a mudança e agora tem uma palavra chamada am, que é um substantivo. Quando você ouve nas lutas que t acontecido nos últimos anos, principalmente nos últimos meses, uma frase ficou muito famosa: "Am Israel ha". O povo de Israel vive. Am é justamente ligado a essa esse povo da aliança. No texto hebraico, toda vez que aparece a palavra am normalmente está associado a Israel. Então, é uma identidade eh pactual muito específica dessa palavra. Só que no texto que nós lemos não aparece a palavra am, aparece a palavra amim, que é o plural de am, são povos. E aí não tá falando só de Israel, ou seja, quem é que está incluído nesse processo de purificação. E o texto ali vai dizer que são as nações, ou seja, essa nação nesse sentido mais amplo, expandido, são os gentios do Novo Testamento. São aqueles que não fazem parte da aliança abraâmica, aliança consanguínea de Abraão. São aqueles que vão ser incluídos nessa história. É o plural que Sofonias vai usar em 39. Ou seja, em vez de salvar só Israel, Deus agora está anunciando a salvação para todos os povos, para a gente de todos os povos. E aí vem um termo muito, muito importante, porque o verso vai concluir dizendo que o sirvam, ou seja, ele vai purificar os lábios dos povos para que eles o sirvam de comum acordo. E essa palavra que é utilizada aqui é muito importante, porque ela é uma palavra muito visual. O termo hebraico sheem e hadad. Sheekem ehad. Sheekem são ombros. É o plural de ombros. São ombros. E são ombros unidos. Deus anuncia que quando os lábios forem purificados, nós vamos estar ombro a ombro com os nossos irmãos. Nós vamos estar adorando o nosso Deus lado a lado, um do lado do outro. É uma imagem de pessoas carregando juntas o mesmo peso. Você já viu quando você tem que levantar uma coisa muito pesada? Já pensou homens quando eles se juntam para, por exemplo, empurrar um carro, para levantar um carro, como ficam ombro a ombro? Eles não estão ligando se estão encostando ou no ombro, porque o esforço é coletivo. A ideia aqui é que essa adoração vai ser nesse sentido. Homens e mulheres, obviamente, ombro a ombro, um do lado do outro, adorando o Deus criador. É um universalismo inclusivo, mas não substitutivo. Esse povo ou esses povos não vêm para substituir Israel. Eles vêm para fazer parte do povo de Israel, o povo de Israel verdadeiro, como nós vemos lá, por exemplo, que é mencionado no livro de Isaías e no livro de Miqueias também. Os dois livros vão falar que nos últimos dias, aqui eu tô lendo Isaías 2, capítulo 2, mas Miqueias vai ecoar esse mesmo, essa mesma noção que nos últimos dias o monte do templo do Senhor será estabelecido como principal, será elevado acima das colinas. e todas as nações correrão para ele. Essa é a realidade da do resgate. Essa é a realidade da redenção. Todas as nações correndo em direção ao Senhor. É isso que ele vai fazer acontecer. E é muito importante esse tema porque durante muito tempo se entendeu e ainda há esse esse zumbido, esse burburinho de que todos os planos de Deus para Israel se encerraram em Cristo Jesus. E hoje a igreja, a igreja, nós que somos a igreja, também é muito confortável acreditar nisso, nós que somos a igreja somos agora o alvo ou ou o objeto dessa redenção. Então, se Israel quiser, ele tem que se agregar à igreja. Não é isso que nós vemos no texto bíblico. Paulo lá em Romanos capítulo 11, ele vai deixar muito claro, dizendo ali nos versos 17, 18, se alguns ramos foram cortados e você, sendo oliveira brava, falando dos gentios, foi enxertado entre os outros e agora participa da seiva que vem da raiz da oliveira cultivada, não se glorie contra esses ramos, os que foram cortados. Se o fizer, saiba que não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz que sustenta você. Lá em Sofonias, esses Amim, ou seja, os povos, se unem ao culto de Deus dentro da estrutura da aliança de Israel, não substituindo. Paulo relê Sofonias com essa chave messiânica. E ele vai completar no verso, no capítulo 11 também, dizendo que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis. Isso ressoa com a presença fiel do Senhor, como nós lemos lá no verso 17 do capítulo 3 em Sofonias. Ele não abandona o pacto mesmo diante do fracasso humano. É Deus quem luta e quem busca o resgate da criação. E aí que vem o ponto que é o ponto principal de tudo isso que nós vimos. Nós vemos que os lábios serão purificados. Não serão os lábios apenas de Israel, mas os lábios de todos os povos da terra. E esses povos, como ele mesmo menciona aqui, vão além dos rios da Etiópia. Na verdade, o termo hebraico aqui é Kus, que era o termo antigo para a Etiópia, desde o extremo sul da terra conhecida no mundo antigo. Essa é a expressão que abrange a geografia máxima. Ou seja, ninguém, ninguém está longe demais. Sofonias, ele percebe isso e e Deus fala para ele explicar isso para Israel, que Israel, que deveria ter sido aquele povo, aquela nação de sacerdotes, o reino de sacerdotes, veria isso acontecer não pelo seu esforço, não pela sua prática, mas pelo próprio Deus que transformaria a sua situação. Ou seja, essa é uma expressão expressão intencional. Ninguém está fora do alcance de Deus por distância geográfica, étnica ou mesmo cultural. Deus resgata onde ele quer. E aí nós temos uma visão panorâmica de tudo que nós vimos até agora em Babel, lá Gênesis 11. Os lábios são confundidos pelo orgulho. Os povos são dispersos. Em Isaías 6, os lábios são impuros. Um profeta, ele é purificado por uma brasa no altar. Sofonias vai apresentar essa promessa de Deus para purificar os lábios de todos os povos. Atos número 2, capítulo 2, verso 8, vai apresentar como cada povo ouve na sua própria língua, ou seja, desfazendo em parte, ainda não plenamente, a dispersão linguística que acontece em Babel. Ou seja, cada um ouve na sua própria língua e inaugura ali esse novo momento, o momento agora da igreja, o momento em que essa igreja vai ser enxertada no plano salvífico de Deus através de Jesus Cristo. Paulo vai explicar isso muito bem em Romanos capítulo 11. Os gentios estão enxertados, o cumprimento está em curso. E lá no final, como nós vamos ver em Apocalipse capítulo 7, verso 9, toda a nação distante do cordeiro vai estar agora diante dele, que é a consumação desse plano que nós vamos ver. Olha o que diz Apocalipse, capítulo 7. Depois disso eu olhei diante de mim estava numa grande estava uma grande multidão que ninguém podia contar de todas as nações, povos, tribos, povos e línguas em pé diante do trono e do cordeiro, com vestes brancas, segurando palmas, estavam ali louvando o Senhor. Aí a pergunta que fica pra gente é: qual é a nossa parte? O que que nós devemos fazer? Como devemos viver a nossa vida enquanto estamos aqui diante dessa realidade que Sofonias vai nos apresentar. Quando a gente fala dessa questão de estarmos servindo ao Senhor de comum acordo, o nosso objetivo principal é justamente buscar, apresentar essa mensagem para os povos. Parece aqui que nós estamos falando de missão, mas a realidade é que tudo na igreja é missão. Todas as atividades, todas as ações devem envolver a missão. Quando Sofonias apresenta isso para Israel naquele momento, e é muito interessante porque ele vai ter ecos em outros profetas que estão ali, Deus não vai tirar a punição daquele povo de Judá por conta dos pecados que havia cometido. Deus que conhece todas as coisas, conhecia o coração daquele povo, sabia que eles não iam retornar. o seu pensamento a ele, enquanto ele não trouxesse uma punição definitiva para que eles entendessem o Deus que eles adoravam. Sofonias vai fazer essa leitura. Deus promete uma redenção futura. Deus promete uma restauração futura. E esse capítulo 3 apresenta isso de várias formas, mas essa forma que está aqui no no verso 9 e no verso 10 nos mostra uma promessa de lábios purificados com povos de todas as línguas. desde além dos rios da Etiópia, servindo unanimemente ao Senhor. E como nós vimos em Apocalipse, toda nação, tribo, povo e língua diante do trono numa adoração unificada, sendo essa consumação final. O que Sofonias prometeu? Apocalipse exibe já consumado. A adversidade não foi eliminada, ela foi reconciliada diante do trono. Babel dividiu, Isaías diagnosticou, Sofonias prometeu e a graça de Deus reuniu. Eu e você podemos ser agentes dessa graça. Podemos transformar a nossa vida, o nosso procedimento para apresentar para todos os povos essa graça. transformadora e purificadora dos lábios. Com os lábios purificados, nós vamos poder ver o rei sentado no seu trono. Você não quer que as pessoas que você conhece, os seus amigos, sua família, aqueles que não andam nos caminhos do Senhor, tenham essa alegria de estar com você, ombro a ombro, louvando e adorando o Senhor resgatador e Salvador. Viva uma vida de acordo com seus preceitos. Viva uma vida de acordo com os prefeitos. preceitos do seu filho com os ensinamentos de Jesus. Seja você um agente de transformação. Abençoe as pessoas que estão ao seu redor e você terá a surpresa e a alegria de estar ombro a ombro com os seus irmãos adorando o Senhor e o Cordeiro. Que Deus o abençoe.