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A fé vem pelo ouvir

O Amor na Teologia de Martin Luther King Jr. – BTCast 643

O Amor na Teologia de Martin Luther King Jr. – BTCast 643

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Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast! Neste episódio, Luiz Henrique recebe Alcino para uma conversa profunda e provocativa sobre o amor na teologia de Martin Luther King Jr. Muito além de um sentimento abstrato, exploramos como o amor pode ser entendido como força espiritual, ética e política — capaz de confrontar o ódio sem reproduzir sua violência. Ao longo do episódio, conversamos sobre como King enxergava o amor cristão como o centro da resistência não violenta, unindo justiça, coragem e reconciliação. Entre referências históricas, reflexões teológicas e aplicações para os dias atuais, encaramos o desafio de amar em tempos marcados pela polarização, ressentimento e desumanização do outro. Em meio a perguntas difíceis e provocações necessárias, este episódio é um convite para redescobrirmos o amor não como fraqueza ou sentimentalismo, mas como uma força revolucionária profundamente enraizada no evangelho de Jesus.

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Legendas automáticas:

Começa agora o BTC.
Teologia é nosso esporte.
Muito bem, muito bem, muito bem. Começa
agora mais um BTC de número 643.
Eu sou o Luís Henrique e O amor lança
fora o medo. Paulo de Tarso ou Paulo
Nazaré, o o cantor. Fica aí a dúvida.
Fica aí a dúvida. Eu sou Alcino Júnior e
é o amor que me permite hoje escolher o
meu lugar no transporte público. Que é
isso, rapaz? Que é isso? Que paulada. E
não, você não tá ouvindo errado aqui.
Tomamos, demos um golpe de estado aqui
no Bibotal Produções, no BTC. Na
verdade, Bibo decidiu ir pra Europa e
falou: "Toca o trabalho, né?" Porque o
chefe quando ele vai pra Europa, ele faz
essas coisas, né? Ele deixa os
funcionários trabalhando e dá vai tá
aproveitando lá em Portugal, BTD em
Portugal, tá comendo o seu pastelzinho
de Belém, tá tá aproveitando a casa dos
outros, fazendo amizade, tá? e manda
aquele que é o assalariado trabalhar.
Mas estou aqui junto com Alino para
falar de um tema muito importante sobre
o amor como um tema dentro da teologia
do Mart Luther King. E esse episódio é
um episódio patrocinado pela Thomas
Nelson Brasil e nós teremos como base o
livro Sobre amor do Mart Luther King
Júnior, esse grande ativista do século
XX que as suas ideias, a sua presença, a
sua figura permanece entre nós até os
dias atuais. E nós queremos falar um
pouquinho mais da tua teologia, mas para
além disso, nós queremos falar sobre o
lugar do amor dentro da teologia do Mart
Luther King. Mas antes nós iremos para
nossos recados paroquiais. E nos recados
paroquiais dessa semana, eu gostaria de
falar para vocês que no dia 15 e 16 de
maio, nós teremos a nossa conferência
teológica EBT, com o tema O Cristo
completo, a ideia da cristologia que
está presente na literatura bíblica e
como isso foi desenvolvido ao redor da
história da doutrina cristã. Nós teremos
gente como Rodrigo Bibo de Aquino,
Guilherme Nunes, Alexis Starrefa, nem
ten um alemão para isso, tá bom? e
Víctor Fontana. Tudo isso em Joinville,
Santa Catarina. Você que reclama. Ah,
não vem conferência teológica aqui, não
vem BTD ir para cá, pro sul do país. Aí,
ó, está aí a sua oportunidade, tá? O
primeiro lote ele já esgotou e estamos
abrindo agora o segundo lote. Lembre-se,
15 e 16 de maio em Joinville, Santa
Catarina, essa conferência que será
sensacional. Palestras, teremos também a
eh gravação de podcast, nós teremos
aquela aquela comunhão muito boa que
somente um BTD consegue eh proporcionar.
Tudo isso em cima de uma conferência de
dois dias. Você não pode perder. O link
estará aqui na descrição desse episódio,
assim também como no comentário fixado
no canal do YouTube. Te vejo lá e vamos
para esse tema que é muito importante
para todos nós, o amor na teologia de
Mart Luther King Júnior. Muito bem,
Alcino, depois desse golpe bem dado aqui
no no Bibotal Produções, eh muito
obrigado por estar aqui conosco para
falar um pouco mais sobre a figura do
Martin Luther King Júnior. E eu acho que
é importante a gente começar daí, né?
Porque a figura do Martin Luther King é
uma figura que já está presente na
cultura pop em geral, né? Nós temos cin
biografias, nós temos musicais, nós
temos livros. Apesar de que temos pouca
literatura sobre Martin Luther King
traduzida para o português, a Mar a
Thomas Nelson Brasil junto com a Rapper
Collins tem trazido algumas obras de
referência, mas nós já conhecemos,
querendo ou não, uma figura, uma persona
do Martin Luther King. Mas a pergunta
que eu acho que é bom para iniciar esse
papo é eh qual qual foi o seu lugar,
qual foi o contexto em que ele cresceu?
Eh, aonde ele se encaixa na história?
Por que Martin Luther King é tão
importante, continua sendo tão
importante para os dias atuais?
Bom, eh, primeiro, como você bem bem
mencionou, o Martin Luther King, ele é
uma figura que, apesar de pouca
literatura traduzida pro português, ele
é bem conhecido no Brasil, eh, por conta
da das referências que a gente tem a ele
na cultura pop, realmente. Mas é
importante a gente localizar, quando a
gente fala do Martin Luther King, a
gente tá falando de um homem que viveu
nos Estados Unidos ali no início do
século XX e e ali no no naquele período
onde ainda tinha questões eh raciais
muito fortes, apesar de da guerra da
secessão já ter já tinha terminado, né?
Então, a já não havia mais a questão da
escravidão nos Estados Unidos, pelo
menos institucionalmente falando, mas a
segregação ainda era muito forte. Então,
muitos muitos direitos dos negros ainda
eram restritos. Por exemplo, os negros
não podiam votar, ainda havia questão da
separação dos ambientes. Então, tinha a
escola do negro, a escola do branco,
tinha o lugar que o negro podia sentar
no transporte público, que eles tinham
que sentar lá no fundo, enquanto os
brancos podiam sentar mais à frente. Por
isso até que eu fiz a aquela referência
na minha introdução.
E o Martin Luther King surge nesse
ambiente, né? Tem também a questão do da
rivalidade, né, do sul com o norte dos
Estados Unidos, porque o Sul defendia
ainda as questões segregacionistas,
enfim. E o Martin Luther King surge
nesse cenário, eh, filho de pastor
Batista. Ele também vai ter a sua
formação teológica, vai também se tornar
um pastor e e a partir dos valores
cristãos, né? Era uma família que levava
o cristianismo muito a sério. Tanto é
que o pai dele coloca, né, muda o nome
para Martin Luther King, Martin Luther
King, Sir, né, o que não era o nome de
nascimento dele, mas ele conhece as
questões da reforma, se apaixona por
Martinho Lutero e põe então o nome de
Martin Luther King e o filho é o Martin
Luther King Júnior, né? Então,
>> nada mais protestante do que isso, né?
nada mais protestante. E esses valores
da reforma protestante, da ética cristã,
são que vão moldar a visão política e
social também do Martin Luther King. E
ele se torna então um grande defensor
dos direitos civis, dos negros e do, na
verdade, dos direitos humanos, sempre
defendendo a ideia da não violência, né,
de uma de uma manifestação
enérgica,
firme, porém pacífica.
>> Uhum. e sempre tendo como a sua força
motriz a questão do amor, que é o que é
abordado nesse livro que a gente vai
conversar um pouquinho hoje.
>> Muito legal, muito legal isso. a gente
perde muito o a noção e a e o vínculo,
né, desse ativista do Martin Luther King
com o cristianismo, porque muitas vezes
ele chega com uma roupagem de ser apenas
uma o um ativista, mas Martin Luther
King, ele entra, né, nesse aspecto de
ser apresentado como pastor Martin
Luther King, né? Eh, existem hã áreas da
teologia como um todo que a gente pode
discordar ou não, tem uma área chamada
que a teologia negra, que sempre faz
questão de enfatizar o ofício pastoral
do do Martin Luther King, ah, enquanto
ativista, né? Eram coisas praticamente
indisassociáveis, né? Indissociáveis. É
isso.
Faltoução aqui agora. Indissociáveis
separadas. Eh, separadas.
Então essa esse lugar em que o Luther
King ele se encontra é um lugar que
parece, né? Porque para nós, como
brasileiros, eh, Alino, a gente tem uma
relação com o racismo que é algo muito
diferente daquilo que o Estados Unidos
desenvolveu. Racismo é racismo, é um
pecado.
>> Nós não queremos colocar em em débito,
em cheque isso, mas a nós como
brasileiros temos uma relação muito
parcimoniosa com o racismo, né? Você
pergunta pro brasileiro: "Ah, você é
racista?"
Não, eu não sou racista. Mas o Brasil é
racista? Sim, o Brasil é racista. E aí
você encontra essa incoerência, essa
incongruência e dentro do brasileiro de
não se entender como um povo eh que pode
cometer determinados atos de racismo e
mas ainda assim reconhece os malefícios
que são que acontecem, né, na nossa
própria sociedade. Só que quando nós
olhamos pro pros Estados Unidos, eh, o
racismo ele é claro, né? É claro, eu não
sei qual o autor que fala que um uma das
horas mais segregacionistas dos Estados
Unidos era justamente a hora do culto,
do culto cristão, em que você havia uma
divisão clara que fala isso.
>> Pronto, é o exame cólic que tem um um
livro maravilhoso, né, leitura negra
>> e que já tem podcast aqui também, já
tem,
>> já tem podcast, tem BTC sobre isso. Mas
é é importante a gente levar em
consideração as sensibilidades que
determinados grupos trazem e que por
mais que nós tenhamos algumas ressalvas,
eh, alguns, até mesmo uma certa
desconfiança, chamada hermenêutica da
desconfiança, eh, é importante nós
levarmos em consideração que
determinados núcleos e desenvolvimentos
teológicos surgem a partir desse
desse embate, desse conflito, desse
problema social eh gerado. E Martin
Hunter King está no centro, no olho do
furacão, né? você consegue eh trazer
mais ou menos aonde começa realmente o o
a carreira do Martin Luther King como
ativista, aonde ele tem uma certa
projeção, Alcino,
>> olha, na verdade onde começa exatamente
é difícil a gente mapear, mas eu diria
para você que assim, o marco que é muito
importante para projetar o Martin Luther
King como essa figura de uma importância
nacional nos Estados Unidos, é quando
ele adere à questão do episódio da Rosa
Perks,
>> né, que que é justamente a referência
que eu fiz
>> no início do episódio, que é um o que
acontece é o seguinte, naquela época a
gente tá falando ali da primeira do
final da primeira metade do século XX,
tá? Início da segunda metade já. Eh, a
ainda havia essa questão da segregação e
no nos transportes públicos, os lugares
da frente eram reservados aos brancos. e
os lugares do fundo. Então, os negros
podiam sentar, só que o negro ele ele
tinha ali os lugares para ele sentar,
mas se outros brancos fossem chegando,
ele tinha que levantar pro branco poder
se sentar naquele lugar. E aí, nesse
ônibus estava a Rosa Perks e mais três
negros ali naquele naquele ônibus. E aí
o que aconteceu é que o ônibus começou a
encher e aí chegaram brancos para
ocuparem os lugares. Os outros três
negros se levantaram, mas ela se negou a
se levantar. Ela disse que não ia dar o
lugar e como consequência disso ela foi
presa. E aí o Martin Luther King a
partir daí propõe um boicote
aos transportes públicos. E os negros,
não só negros, mas até também out de
pessoas brancas que aderiram a esse
protesto, eles começaram a se organizar
entre si para pegar carona, para ajudar
a pagar táxi, enfim, ou até mesmo para
ir a pé. grupos caminhavam grandes
distâncias a pé para não pegar o
transporte público por conta dessa
questão e isso gerou quase que um
colapso no sistema de transporte
americano, porque o prejuízo foi muito
grande e ali eles perceberam que os
negros, mesmo que a contra gosto deles,
eram uma força econômica importante. E
aí a partir daí isso começa a projetar
então o Martin Luther King como essa
figura tão importante que ele vai ser a
partir daí em diante, né? Porque aí ele
vai ganhar uma projeção nacional e vai
chegar ao ponto de ganhar até o Nobel da
paz.
>> Legal, legal. É, eu acho que é, você
puxou um ponto, como ele ganha, ele
ganha realmente o Nobel da Paz. Eh, uma
das coisas que caracteriza muito Martin
Luther King, ou pelo menos que os
historiadores [roncando]
caracterizam essa essa figura, eh, é o
fato de ser pacifista, de ter uma
reação que parece não ser tão
contraproducente para aqueles que estão
eh protestando, mas que ainda assim
gerava determinados impactos, né? Eu
acho que poderemos caminhar por aí para
falarmos um pouquinho mais sobre o
Marchelut King como pacifista. Eh, eu
queria o que você desse uma um panorama
sobre como ele enxergava a os protestos,
como ele agia diante de determinadas
situações, só para nos localizarmos e
depois irmos de fato para a importância
marketing aqui pro Brasil para nós
contextualizarmos pra nossa realidade. E
e na verdade isso daí que você me
perguntou tem tudo a ver com o conteúdo
do livro, porque o o Martin Luther King,
ele defendia a ideia de uma não
violência, né, de uma sempre de que os
protestos deveriam ser pacíficos,
deveriam ser firmes. Ele se posicionava
de uma maneira muito firme, mas sempre
pacífica. E qual era a base dele para
isso? Ele dizia que só o amor seria
capaz de causar essa transformação na
sociedade. Ele acreditava que as leis
eram de um instrumento importante, eram
fundamentais, mas a lei não é capaz de
fazer quem me odeia passar a me amar. E
ele inclusive fala isso. A lei pode
fazer com quem me odeia. Não me não essa
pessoa não vai me linchar,
mas me amar também ela não vai. Então, a
única coisa que pode transformar uma
sociedade de fato é o amor. E se eu tô
defendendo o amor, eu não posso, a
partir disso defender a violência contra
o próximo.
E aí, então essa era era a base de
pensamento dele, porque o o Martin
Luther King, ele defendia que o amor era
uma lei moral fundamental
e ele dava muita importância às leis
morais. Ele dizia o seguinte: "Olha,
existe a lei da gravidade. Ninguém
questiona a lei da gravidade. Todo mundo
tem que obedecer, queira você ou não.
Mas por que que a gente tem tanta
facilidade em aderir a alguns tipos de
lei, como por exemplo, as leis estatais?
Mas quando se trata da moral, a gente
quer jogar na subjetividade, quando na
verdade o amor é a lei moral suprema.
Então, se eu quero cumprir a lei, eu não
posso virar as costas pro amor, porque
só o amor, volto a dizer, ele acreditava
que é capaz de transformar a sociedade.
E essa ideia também da não violência é
uma ideia que porque ele era muito
influenciado pelo Gandhi. E é, foi uma
das grandes influências do Martin Luther
King, foi o Gandhi, que também defendia
essa questão pacífica. É claro que
dentro do movimento dos movimentos ali
que defendiam os direitos civis dos
negros e quando eu falo movimentos é
porque não era uma coisa homogênea, né?
Homogênea. Então
>> você tinha ali pessoas que tinham uma um
pensamento diferente, que queriam ir pro
confronto, pra luta armada. Eu acho que
o grande nome desse dessa vertente é o
Mal com ex, né? que que se colocava ali
no como um contraponto ao Martin Luther
King. Mas o Martin Luther King não, como
ele colocava os valores e a ética cristã
à frente da pauta que ele tinha, então
ele ele tinha essa visão pacífica,
porque de fato para ele o amor era o que
faria com que a sociedade se
transformasse.
>> Pô, é interessante isso que você trouxe,
né, Alcino? Porque quando a gente olha
para para movimentos sociais, a gente
tende a resumir o movimento como uma
coisa só, sendo que existem vozes
distintas, modos de se entender a
realidade também completamente
distintos, respostas que são dados
dadas, né, à sociedade e aos problemas
sociais vigentes, que estão
completamente distintos e que tudo isso
tá dentro de um grande guarda-chuva ou
de uma elasticidade de um movimento, né,
como o caso movimento negro, né? Eu me
lembro que alguns anos atrás nós
tivemos, né, o o movimento Black eh
Black Lives Matter e algumas vozes
dissonantes nesse nesses movimentos,
principalmente ali num período da
pandemia em que alguns foram paraa rua
para realizar determinados protestos
diante do caso do George Floyd, ah,
diante de outros casos de violência
policial e ah houve um processo de
engessamento de empacotamento desse
movimento por alguns inimigos políticos,
por algumas questões, algumas pessoas,
algum alguns âncoras adversários a esse
ideal. E e eu vi, por exemplo, os
próprios líderes desse movimento
dissonantes, discordando entre si e
apresentando respostas e dizendo: "Ó,
ele responde dessa forma, mas eu já não
respondo dessa". E e entender isso nos
coloca em um lugar de sobriedade,
principalmente quando nós falamos de uma
figura como Martin Luther King, né? é um
estadunidense, sim, é vive um um
processo de segregação que é um processo
que tem as suas aproximidades, né, as
suas aproximações, mas também tem as os
seus afastamentos da da realidade
brasileira, da nossa própria realidade,
mas que ainda assim encontrava-se dentro
de um de um leque maior diante desse
problema que é o problema do racismo
estrutural, que é o problema ah desse
pecado que acabou dominando e domina até
hoje a mentalidade de muitas pessoas.
Existem discursos políticos que estão
sustentados até hoje a nos Estados
Unidos, aqui no Brasil também, mas os
Estados Unidos com uma certa liberdade
eh que vá que vai contra a condição dos
direitos humanos para determinados
grupos e os negros entram nesse
processo, né?
>> Pode, pode falar. Mas eu acho que eu
acho que essa diferença que acontece
também entre o Brasil e os Estados
Unidos nesse ponto é também pela forma
como isso se desenvolveu historicamente.
>> Porque aqui no Brasil o racismo ele
sempre foi, sempre que eu digo, a partir
do momento da abolição da escravatura,
né?
>> Sim.
>> Ele ele sempre foi muito mais velado,
digamos assim, né? o no sentido de que
nos Estados Unidos de fato havia um
racismo institucionalizado.
Isso não isso no Brasil era diferente.
Então isso ajuda até a explicar aquilo
que você falou lá no início de que por
que o brasileiro muitas vezes ele não se
enxerga como racista, porque não é igual
nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos o
racismo tava estampado nos outdoors
aqui no Brasil não. Sempre foi uma coisa
que ficou ali meio na subjetividade.
E aí muita gente só entende o que é de
fato quando é vítima, né? Só que se você
nasce branco, você não vai ser vítima.
Então muitas vezes
>> a pessoa não consegue ter a percepção de
que o racismo é algo real no Brasil,
porque como eu disse não não aconteceu
como nos Estados Unidos. nos Estados
Unidos, era claro, tinha que ter escola
para branco e escola para negro. Então,
eu acho que a forma como isso se
desenvolveu
ajuda a explicar também como a gente
enxerga isso até hoje.
Hum. Excelente. Excelente. Eh, tudo bem.
Eh, então a gente já deu meio que um
panorama, um ampassan assim sobre a vida
do Martin Luther King. Eu acho que eh
caso você queira saber mais, tem um BTC
voltado paraa vida do Martin Luther
King. Eh, foi gravado já faz um
tempinho, né? foi uma betwiek sobre o
tema de racismo e e um des dos betts
fala sobre o Martin Luther King ali. Mas
eu quero agora trazer para esse tema
assim, por uma figura estadunidense
torna importante para nós no contexto
brasileiro, principalmente diante desse
tema. o o que faz com que nós tenhamos
que colocar essa literatura aqui que a
Thomas Nação tá trazendo eh como
prioritária da nas nossas igrejas, ah,
no nosso devocional, quem sabe, né, na
nossa nossa literatura de reflexão. Por
que a gente precisa do Márcio Luther
King para falar sobre esse problema aqui
no Brasil?
>> Olha, eu acho que tem alguns motivos,
tá? tem alguns motivos, mas eu eu diria
que o motivo principal tem a ver com um
ponto que você até já passou por ele
assim de maneira rápida, que é a questão
de que o o Lewis, por mais que ele
fosse, em certo sentido, um ativista,
ele não fazia com que o ativismo dele se
sobrepusesse à fé.
Porque eu acho que um dos grandes
perigos que a gente tem é quando o
ativismo se sobrepõe à fé e você começa
a achar que aquela causa é mais
importante do que o evangelho. E o
Martin Luther King, ele sempre
equilibrou isso muito bem, porque ele
defendia que o evangelho tem que ser
pregado. O evangelho é um instrumento de
transformação espiritual, mas também é
necessário uma transformação social.
Então, é é quase que um herdeiro do que
foi o movimento profético. O profetismo
de Israel era exatamente isso. Quando a
gente olha pra Bíblia, muitas vezes a
gente tem uma visão do profeta como
aquela pessoa que fala do futuro, mas na
verdade quando a gente lê o Antigo
Testamento, os profetas eram eram
denunciadores do presente. E quando você
pega profetas, por exemplo, como Amós,
tinha críticas sociais fortíssimas,
duríssimas.
Isso vinculado ao culto, né? Eu
vinculado à santidade do povo diante de
Deus, né?
>> Exatamente. Exatamente. Mostrando que
também deve haver uma preocupação
social. Então eu acho que o Martin
Luther King é muito necessário, porque
não é tão fácil encontrar pessoas tão
engajadas nessa luta, mas que se
mantenham tão fiéis a aos princípios
cristãos, que não se permitam ser
seduzidos
>> pelo ativismo ao ponto de abrir mão de
algumas algumas questões que são muito
caras à nossa fé. Eu acho que não fica.
Talvez o o ouvinte ele esteja na cabeça,
né? Mas quais seriam as seduções desse
eh pretenso ativismo alino, que você
consegue enfar?
>> Eu acho que é a sedução, eu acho que é a
sedução de reduzir a pauta cristã a um
contexto de salvação social.
>> Humum. É quando muitas vezes você acha
que transformando a sociedade
você alcançou o seu objetivo, quando na
realidade o nosso objetivo vai além
disso. Esse também é um objetivo nosso,
mas vai além. E a gente não pode
esquecer que o evangelho também tem uma
dimensão transcedental.
Ele pode ser e deve ser um instrumento
de transformação social, mas ele não é
só isso. Quando eu digo só, não é que
isso seja pouco, né? Uhum.
>> Mas ele
>> não, a audiência do do do Betc é
qualificado suficiente para entender.
Vai além, né? Vai além. Exatamente.
[risadas]
Então eu acho que tem a ver com isso,
com essa. Eu acho que o Martin Luther
King ele consegue encontrar esse
equilíbrio e justamente o que você
falou, ele nunca deixou de ser o pastor
Martin Luther King. Ele sempre foi, ele
foi um um grande, ele lutou pelos
direitos humanos, pelos direitos civis
dos negros, mas ele sempre deix ele
sempre deixou claro que ele era um
pastor e ele tava ali apresentando o
evangelho. Por quê? Porque o evangelho é
um instrumento de transformação social e
também de salvação paraa alma. Então eu
acho que ele é muito necessário nesse
sentido de equilibrar, porque você tem
os dois extremos, é que o ativista ele
corre o risco de reduzir o evangelho ao
objeto do seu ativismo. E esse é o
perigo. Por quê? É claro que a gente
precisa lutar por igualdade, por
questões de igualdade racial, igualdade
social, isso é inquestionável, mas a
questão é que o evangelho vai além
disso. E eu acho que o Martin Luther
King, ele é muito importante porque ele
consegue trazer esse equilíbrio.
>> Uhum. Porque veja, ele é um ativista,
ele defende que os negros devem ter os
mesmos direitos que os brancos, mas se
alguém pegasse em uma arma para matar um
branco, ele diria: "Não, pera aí, aí
você tá indo contra o evangelho".
>> Hum. Então ele consegue andar nessa
linha que nem todos conseguem, porque o
grande perigo é em nome do ativismo
abrir mão da dimensão transcendental do
evangelho ou no outro extremo a eu achar
que porque o evangelho tem uma dimensão
transcendental, eu posso fechar os olhos
para os olhos para todas as injustiças
sociais.
>> Sim,
>> encontrar esse equilíbrio é muito
difícil. E o Martin Luther King
conseguiu encontrar esse equilíbrio com
muita competência. Então eu acho que
isso torna ele tão relevante até os dias
de hoje.
>> Olha aí, pegando um gancho eh com o
trecho do livro, Marting, um dos seus
sermões, fala da seguinte maneira:
Quando você se eleva ao nível do amor,
de sua grande beleza e poder, você busca
apenas derrotar sistemas malignos.
Você busca apenas derrotar sistemas
malignos. Os indivíduos que porventura
estejam presos nesse sistema, você ama,
mas você busca derrotar o sistema.
Observe o princípio imperativo que
parece que tá até mesmo no apóstolo
Paulo e tá presente no no arte Luther
King, né? Eh, principados e potestades
estruturais nós derrotamos por pela
força do espírito, pelo poder de Deus,
mas aqueles que estão presos por conta
desse poder regente maléfico, a gente
ama.
>> [risadas]
>> Isso é poderosíssimo. Isso é
poderosíssimo, Alcinda, porque
>> e ele tr não pode continuar
>> não. Levando em consideração a o o nosso
país, trazendo muito pro nosso país que
tem a no seu lastro histórico uma
questão punitivista. Nós amamos que uma
pessoa seja punida. Não necessariamente
que seja a justiça sendo feita, mas nós
amamos a punição. Nós temos, por mais
que você não goste, mas a gente é
atraído por um tipo de violência, a
gente é atraído por um tipo de resposta
eh de imediata. E às vezes essa resposta
não é equivalente a a ao que o ato que
foi cometido, né? o ato criminoso que
foi cometido. Então, observe o amor
agindo e trazendo paraa nossa teologia,
trazendo paraa nossa prática aqui no
Brasil, ah, e nos transformando para que
nós, eh, eh, olhemos a situação pelos
olhos da justiça. a justiça sóbria. A
justiça que entende a a onde aplicar
determinadas penas, a a onde aplicar a
determinadas construções eh sociais para
que a gente saia desse buraco que a
gente mesmo se mete, né? Então eu acho
muito interessante o fato de de Martin
Luther King trazer um pouco do apóstolo
Paulo para pros seus discursos. Claro, é
um sermão, óbvio, é um sermão, vai falar
sobre Bíblia, mas é interessante trazer
essa ética e essa ética que muitas vezes
passa despercebida diante dos nossos
olhos como como cristãos, né?
>> É. E eu gosto também dessa relação que
ele faz entre o amor e o e o poder, né?
Porque ele ele deixa claro que o o um
precisa do outro quando a gente tá
falando de questões sociais. Porque
veja, o amor, o o poder sem amor, ele
vai se tornar abusivo.
>> Se você tem muito poder, mas você não
tem amor pelo próximo, esse poder tende
a caminhar na direção de se tornar
abusivo. Agora, se nós estamos em uma
luta social,
o amor sem o poder, ele também não tem
força para resolver, porque é necessário
que eu faça uso dos instrumentos de
poder para que esse amor então
transforme a sociedade.
>> Hum. Essa relação entre amor e poder que
o Martin Luther King estabelece, ela é
fundamental,
porque a gente precisa entender que o
amor é a grande lei moral, mas a gente
precisa do poder para que esse amor
então possa de fato ter efetividade nas
políticas da sociedade. E o Martin
Luther King deixava isso muito claro.
Ele não era um inimigo do poder enquanto
um ente, né? O poder tem a sua
importância. Tanto é que ele fala também
muito sobre a parábola do rico e do
Lázaro. E ele fala: "Olha, o nosso
problema não é com quem é rico. O nosso
problema é com quem é rico e não
consegue enxergar a necessidade do
próximo. Se você é rico, mas você
consegue usar a sua riqueza para
abençoar aquele que não está na mesma
condição que você, maravilha. Você é o
nosso aliado. Você tá de acordo com o
que a Bíblia diz. Uhum.
>> Agora, se você é rico, mas você vive
autocentrado, você só pensa em você, em
gastar a sua riqueza com você mesmo, com
os seus, aí de fato você tem um problema
a ser resolvido. Então essa essa relação
de amor e poder, o Martin Luther King
também trabalha bastante e no livro
também isso é muito bem explorado.
>> O amor tem dentro de si um poder
redentor e há um poder nele que
finalmente transforma os indivíduos. É
por isso que Jesus diz: "Amai os vossos
inimigos, porque se você odiar os seus
inimigos, não há como redimi-los e
transformá-los. Mas se você ama os seus
inimigos, descobrirá que na própria raiz
do amor está o poder da redenção." Mar
Luther King Júnior. Gente, mais um
lançamento da Thomas Nelson Brasil sobre
o amor do Mar Luther King. Alcino quer
dar seus últimos do centavos aqui sobre
esse assunto?
>> Sim. É, eu quero deixar como reflexão
que o legado do Martin Luther King é
justamente nós entendermos que o
evangelho ele transforma vidas em todos
os sentidos. Nós precisamos entender que
o nosso papel é pregar a salvação da
alma, mas o nosso papel também é lutar
por uma sociedade que traga o melhor
cenário possível para todas as pessoas.
a gente não pode permitir que a nossa
esperança escatológica nos faça fechar
os olhos pro mundo que a gente vive
hoje. Então, eu acho que esse é o legado
do Martin Luther King e essa é a
reflexão que a gente precisa fazer.
Assim como os profetas denunciavam as
injustiças sociais no tempo deles, nós
também como igreja não podemos fechar os
olhos paraas injustiças sociais do nosso
tempo. Porque buscar uma sociedade
melhor, lutar por uma sociedade melhor
também faz parte do que é o evangelho.
>> Maravilha. Muito obrigado, Alcino, por
participar. Vocês aí já sabem muito bem.
Link pra compra do livro está aqui na
descrição, no primeiro é comentário
também fixado sobre o amor de Martin
Luther King. Alcino, muito obrigado mais
uma vez por ter atendido esta
convocação. Semana que vem voltamos com
Bibo aqui à frente do podcast. Já
comenta aí embaixo lá. Gostei do Luiz,
não gostei do Luiz. Volta, Bibo. Claro
que tá todo mundo falando, volta, Bibo.
Tem que ter golpe. [limpando a garganta]
>> É exato. Não vai, não vai ter não. Não
vai ter não. Não vai ter não. [risadas]
É. A todos vocês fiquem na paz de Jesus
Cristo, nosso Senhor. E até semana que
vem. Ciao. Ciao.

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