O Amor na Teologia de Martin Luther King Jr. – BTCast 643
30/04/2026
O Amor na Teologia de Martin Luther King Jr. – BTCast 643
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Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um BTCast! Neste episódio, Luiz Henrique recebe Alcino para uma conversa profunda e provocativa sobre o amor na teologia de Martin Luther King Jr. Muito além de um sentimento abstrato, exploramos como o amor pode ser entendido como força espiritual, ética e política — capaz de confrontar o ódio sem reproduzir sua violência. Ao longo do episódio, conversamos sobre como King enxergava o amor cristão como o centro da resistência não violenta, unindo justiça, coragem e reconciliação. Entre referências históricas, reflexões teológicas e aplicações para os dias atuais, encaramos o desafio de amar em tempos marcados pela polarização, ressentimento e desumanização do outro. Em meio a perguntas difíceis e provocações necessárias, este episódio é um convite para redescobrirmos o amor não como fraqueza ou sentimentalismo, mas como uma força revolucionária profundamente enraizada no evangelho de Jesus.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Começa agora o BTC. Teologia é nosso esporte. Muito bem, muito bem, muito bem. Começa agora mais um BTC de número 643. Eu sou o Luís Henrique e O amor lança fora o medo. Paulo de Tarso ou Paulo Nazaré, o o cantor. Fica aí a dúvida. Fica aí a dúvida. Eu sou Alcino Júnior e é o amor que me permite hoje escolher o meu lugar no transporte público. Que é isso, rapaz? Que é isso? Que paulada. E não, você não tá ouvindo errado aqui. Tomamos, demos um golpe de estado aqui no Bibotal Produções, no BTC. Na verdade, Bibo decidiu ir pra Europa e falou: "Toca o trabalho, né?" Porque o chefe quando ele vai pra Europa, ele faz essas coisas, né? Ele deixa os funcionários trabalhando e dá vai tá aproveitando lá em Portugal, BTD em Portugal, tá comendo o seu pastelzinho de Belém, tá tá aproveitando a casa dos outros, fazendo amizade, tá? e manda aquele que é o assalariado trabalhar. Mas estou aqui junto com Alino para falar de um tema muito importante sobre o amor como um tema dentro da teologia do Mart Luther King. E esse episódio é um episódio patrocinado pela Thomas Nelson Brasil e nós teremos como base o livro Sobre amor do Mart Luther King Júnior, esse grande ativista do século XX que as suas ideias, a sua presença, a sua figura permanece entre nós até os dias atuais. E nós queremos falar um pouquinho mais da tua teologia, mas para além disso, nós queremos falar sobre o lugar do amor dentro da teologia do Mart Luther King. Mas antes nós iremos para nossos recados paroquiais. E nos recados paroquiais dessa semana, eu gostaria de falar para vocês que no dia 15 e 16 de maio, nós teremos a nossa conferência teológica EBT, com o tema O Cristo completo, a ideia da cristologia que está presente na literatura bíblica e como isso foi desenvolvido ao redor da história da doutrina cristã. Nós teremos gente como Rodrigo Bibo de Aquino, Guilherme Nunes, Alexis Starrefa, nem ten um alemão para isso, tá bom? e Víctor Fontana. Tudo isso em Joinville, Santa Catarina. Você que reclama. Ah, não vem conferência teológica aqui, não vem BTD ir para cá, pro sul do país. Aí, ó, está aí a sua oportunidade, tá? O primeiro lote ele já esgotou e estamos abrindo agora o segundo lote. Lembre-se, 15 e 16 de maio em Joinville, Santa Catarina, essa conferência que será sensacional. Palestras, teremos também a eh gravação de podcast, nós teremos aquela aquela comunhão muito boa que somente um BTD consegue eh proporcionar. Tudo isso em cima de uma conferência de dois dias. Você não pode perder. O link estará aqui na descrição desse episódio, assim também como no comentário fixado no canal do YouTube. Te vejo lá e vamos para esse tema que é muito importante para todos nós, o amor na teologia de Mart Luther King Júnior. Muito bem, Alcino, depois desse golpe bem dado aqui no no Bibotal Produções, eh muito obrigado por estar aqui conosco para falar um pouco mais sobre a figura do Martin Luther King Júnior. E eu acho que é importante a gente começar daí, né? Porque a figura do Martin Luther King é uma figura que já está presente na cultura pop em geral, né? Nós temos cin biografias, nós temos musicais, nós temos livros. Apesar de que temos pouca literatura sobre Martin Luther King traduzida para o português, a Mar a Thomas Nelson Brasil junto com a Rapper Collins tem trazido algumas obras de referência, mas nós já conhecemos, querendo ou não, uma figura, uma persona do Martin Luther King. Mas a pergunta que eu acho que é bom para iniciar esse papo é eh qual qual foi o seu lugar, qual foi o contexto em que ele cresceu? Eh, aonde ele se encaixa na história? Por que Martin Luther King é tão importante, continua sendo tão importante para os dias atuais? Bom, eh, primeiro, como você bem bem mencionou, o Martin Luther King, ele é uma figura que, apesar de pouca literatura traduzida pro português, ele é bem conhecido no Brasil, eh, por conta da das referências que a gente tem a ele na cultura pop, realmente. Mas é importante a gente localizar, quando a gente fala do Martin Luther King, a gente tá falando de um homem que viveu nos Estados Unidos ali no início do século XX e e ali no no naquele período onde ainda tinha questões eh raciais muito fortes, apesar de da guerra da secessão já ter já tinha terminado, né? Então, a já não havia mais a questão da escravidão nos Estados Unidos, pelo menos institucionalmente falando, mas a segregação ainda era muito forte. Então, muitos muitos direitos dos negros ainda eram restritos. Por exemplo, os negros não podiam votar, ainda havia questão da separação dos ambientes. Então, tinha a escola do negro, a escola do branco, tinha o lugar que o negro podia sentar no transporte público, que eles tinham que sentar lá no fundo, enquanto os brancos podiam sentar mais à frente. Por isso até que eu fiz a aquela referência na minha introdução. E o Martin Luther King surge nesse ambiente, né? Tem também a questão do da rivalidade, né, do sul com o norte dos Estados Unidos, porque o Sul defendia ainda as questões segregacionistas, enfim. E o Martin Luther King surge nesse cenário, eh, filho de pastor Batista. Ele também vai ter a sua formação teológica, vai também se tornar um pastor e e a partir dos valores cristãos, né? Era uma família que levava o cristianismo muito a sério. Tanto é que o pai dele coloca, né, muda o nome para Martin Luther King, Martin Luther King, Sir, né, o que não era o nome de nascimento dele, mas ele conhece as questões da reforma, se apaixona por Martinho Lutero e põe então o nome de Martin Luther King e o filho é o Martin Luther King Júnior, né? Então, >> nada mais protestante do que isso, né? nada mais protestante. E esses valores da reforma protestante, da ética cristã, são que vão moldar a visão política e social também do Martin Luther King. E ele se torna então um grande defensor dos direitos civis, dos negros e do, na verdade, dos direitos humanos, sempre defendendo a ideia da não violência, né, de uma de uma manifestação enérgica, firme, porém pacífica. >> Uhum. e sempre tendo como a sua força motriz a questão do amor, que é o que é abordado nesse livro que a gente vai conversar um pouquinho hoje. >> Muito legal, muito legal isso. a gente perde muito o a noção e a e o vínculo, né, desse ativista do Martin Luther King com o cristianismo, porque muitas vezes ele chega com uma roupagem de ser apenas uma o um ativista, mas Martin Luther King, ele entra, né, nesse aspecto de ser apresentado como pastor Martin Luther King, né? Eh, existem hã áreas da teologia como um todo que a gente pode discordar ou não, tem uma área chamada que a teologia negra, que sempre faz questão de enfatizar o ofício pastoral do do Martin Luther King, ah, enquanto ativista, né? Eram coisas praticamente indisassociáveis, né? Indissociáveis. É isso. Faltoução aqui agora. Indissociáveis separadas. Eh, separadas. Então essa esse lugar em que o Luther King ele se encontra é um lugar que parece, né? Porque para nós, como brasileiros, eh, Alino, a gente tem uma relação com o racismo que é algo muito diferente daquilo que o Estados Unidos desenvolveu. Racismo é racismo, é um pecado. >> Nós não queremos colocar em em débito, em cheque isso, mas a nós como brasileiros temos uma relação muito parcimoniosa com o racismo, né? Você pergunta pro brasileiro: "Ah, você é racista?" Não, eu não sou racista. Mas o Brasil é racista? Sim, o Brasil é racista. E aí você encontra essa incoerência, essa incongruência e dentro do brasileiro de não se entender como um povo eh que pode cometer determinados atos de racismo e mas ainda assim reconhece os malefícios que são que acontecem, né, na nossa própria sociedade. Só que quando nós olhamos pro pros Estados Unidos, eh, o racismo ele é claro, né? É claro, eu não sei qual o autor que fala que um uma das horas mais segregacionistas dos Estados Unidos era justamente a hora do culto, do culto cristão, em que você havia uma divisão clara que fala isso. >> Pronto, é o exame cólic que tem um um livro maravilhoso, né, leitura negra >> e que já tem podcast aqui também, já tem, >> já tem podcast, tem BTC sobre isso. Mas é é importante a gente levar em consideração as sensibilidades que determinados grupos trazem e que por mais que nós tenhamos algumas ressalvas, eh, alguns, até mesmo uma certa desconfiança, chamada hermenêutica da desconfiança, eh, é importante nós levarmos em consideração que determinados núcleos e desenvolvimentos teológicos surgem a partir desse desse embate, desse conflito, desse problema social eh gerado. E Martin Hunter King está no centro, no olho do furacão, né? você consegue eh trazer mais ou menos aonde começa realmente o o a carreira do Martin Luther King como ativista, aonde ele tem uma certa projeção, Alcino, >> olha, na verdade onde começa exatamente é difícil a gente mapear, mas eu diria para você que assim, o marco que é muito importante para projetar o Martin Luther King como essa figura de uma importância nacional nos Estados Unidos, é quando ele adere à questão do episódio da Rosa Perks, >> né, que que é justamente a referência que eu fiz >> no início do episódio, que é um o que acontece é o seguinte, naquela época a gente tá falando ali da primeira do final da primeira metade do século XX, tá? Início da segunda metade já. Eh, a ainda havia essa questão da segregação e no nos transportes públicos, os lugares da frente eram reservados aos brancos. e os lugares do fundo. Então, os negros podiam sentar, só que o negro ele ele tinha ali os lugares para ele sentar, mas se outros brancos fossem chegando, ele tinha que levantar pro branco poder se sentar naquele lugar. E aí, nesse ônibus estava a Rosa Perks e mais três negros ali naquele naquele ônibus. E aí o que aconteceu é que o ônibus começou a encher e aí chegaram brancos para ocuparem os lugares. Os outros três negros se levantaram, mas ela se negou a se levantar. Ela disse que não ia dar o lugar e como consequência disso ela foi presa. E aí o Martin Luther King a partir daí propõe um boicote aos transportes públicos. E os negros, não só negros, mas até também out de pessoas brancas que aderiram a esse protesto, eles começaram a se organizar entre si para pegar carona, para ajudar a pagar táxi, enfim, ou até mesmo para ir a pé. grupos caminhavam grandes distâncias a pé para não pegar o transporte público por conta dessa questão e isso gerou quase que um colapso no sistema de transporte americano, porque o prejuízo foi muito grande e ali eles perceberam que os negros, mesmo que a contra gosto deles, eram uma força econômica importante. E aí a partir daí isso começa a projetar então o Martin Luther King como essa figura tão importante que ele vai ser a partir daí em diante, né? Porque aí ele vai ganhar uma projeção nacional e vai chegar ao ponto de ganhar até o Nobel da paz. >> Legal, legal. É, eu acho que é, você puxou um ponto, como ele ganha, ele ganha realmente o Nobel da Paz. Eh, uma das coisas que caracteriza muito Martin Luther King, ou pelo menos que os historiadores [roncando] caracterizam essa essa figura, eh, é o fato de ser pacifista, de ter uma reação que parece não ser tão contraproducente para aqueles que estão eh protestando, mas que ainda assim gerava determinados impactos, né? Eu acho que poderemos caminhar por aí para falarmos um pouquinho mais sobre o Marchelut King como pacifista. Eh, eu queria o que você desse uma um panorama sobre como ele enxergava a os protestos, como ele agia diante de determinadas situações, só para nos localizarmos e depois irmos de fato para a importância marketing aqui pro Brasil para nós contextualizarmos pra nossa realidade. E e na verdade isso daí que você me perguntou tem tudo a ver com o conteúdo do livro, porque o o Martin Luther King, ele defendia a ideia de uma não violência, né, de uma sempre de que os protestos deveriam ser pacíficos, deveriam ser firmes. Ele se posicionava de uma maneira muito firme, mas sempre pacífica. E qual era a base dele para isso? Ele dizia que só o amor seria capaz de causar essa transformação na sociedade. Ele acreditava que as leis eram de um instrumento importante, eram fundamentais, mas a lei não é capaz de fazer quem me odeia passar a me amar. E ele inclusive fala isso. A lei pode fazer com quem me odeia. Não me não essa pessoa não vai me linchar, mas me amar também ela não vai. Então, a única coisa que pode transformar uma sociedade de fato é o amor. E se eu tô defendendo o amor, eu não posso, a partir disso defender a violência contra o próximo. E aí, então essa era era a base de pensamento dele, porque o o Martin Luther King, ele defendia que o amor era uma lei moral fundamental e ele dava muita importância às leis morais. Ele dizia o seguinte: "Olha, existe a lei da gravidade. Ninguém questiona a lei da gravidade. Todo mundo tem que obedecer, queira você ou não. Mas por que que a gente tem tanta facilidade em aderir a alguns tipos de lei, como por exemplo, as leis estatais? Mas quando se trata da moral, a gente quer jogar na subjetividade, quando na verdade o amor é a lei moral suprema. Então, se eu quero cumprir a lei, eu não posso virar as costas pro amor, porque só o amor, volto a dizer, ele acreditava que é capaz de transformar a sociedade. E essa ideia também da não violência é uma ideia que porque ele era muito influenciado pelo Gandhi. E é, foi uma das grandes influências do Martin Luther King, foi o Gandhi, que também defendia essa questão pacífica. É claro que dentro do movimento dos movimentos ali que defendiam os direitos civis dos negros e quando eu falo movimentos é porque não era uma coisa homogênea, né? Homogênea. Então >> você tinha ali pessoas que tinham uma um pensamento diferente, que queriam ir pro confronto, pra luta armada. Eu acho que o grande nome desse dessa vertente é o Mal com ex, né? que que se colocava ali no como um contraponto ao Martin Luther King. Mas o Martin Luther King não, como ele colocava os valores e a ética cristã à frente da pauta que ele tinha, então ele ele tinha essa visão pacífica, porque de fato para ele o amor era o que faria com que a sociedade se transformasse. >> Pô, é interessante isso que você trouxe, né, Alcino? Porque quando a gente olha para para movimentos sociais, a gente tende a resumir o movimento como uma coisa só, sendo que existem vozes distintas, modos de se entender a realidade também completamente distintos, respostas que são dados dadas, né, à sociedade e aos problemas sociais vigentes, que estão completamente distintos e que tudo isso tá dentro de um grande guarda-chuva ou de uma elasticidade de um movimento, né, como o caso movimento negro, né? Eu me lembro que alguns anos atrás nós tivemos, né, o o movimento Black eh Black Lives Matter e algumas vozes dissonantes nesse nesses movimentos, principalmente ali num período da pandemia em que alguns foram paraa rua para realizar determinados protestos diante do caso do George Floyd, ah, diante de outros casos de violência policial e ah houve um processo de engessamento de empacotamento desse movimento por alguns inimigos políticos, por algumas questões, algumas pessoas, algum alguns âncoras adversários a esse ideal. E e eu vi, por exemplo, os próprios líderes desse movimento dissonantes, discordando entre si e apresentando respostas e dizendo: "Ó, ele responde dessa forma, mas eu já não respondo dessa". E e entender isso nos coloca em um lugar de sobriedade, principalmente quando nós falamos de uma figura como Martin Luther King, né? é um estadunidense, sim, é vive um um processo de segregação que é um processo que tem as suas aproximidades, né, as suas aproximações, mas também tem as os seus afastamentos da da realidade brasileira, da nossa própria realidade, mas que ainda assim encontrava-se dentro de um de um leque maior diante desse problema que é o problema do racismo estrutural, que é o problema ah desse pecado que acabou dominando e domina até hoje a mentalidade de muitas pessoas. Existem discursos políticos que estão sustentados até hoje a nos Estados Unidos, aqui no Brasil também, mas os Estados Unidos com uma certa liberdade eh que vá que vai contra a condição dos direitos humanos para determinados grupos e os negros entram nesse processo, né? >> Pode, pode falar. Mas eu acho que eu acho que essa diferença que acontece também entre o Brasil e os Estados Unidos nesse ponto é também pela forma como isso se desenvolveu historicamente. >> Porque aqui no Brasil o racismo ele sempre foi, sempre que eu digo, a partir do momento da abolição da escravatura, né? >> Sim. >> Ele ele sempre foi muito mais velado, digamos assim, né? o no sentido de que nos Estados Unidos de fato havia um racismo institucionalizado. Isso não isso no Brasil era diferente. Então isso ajuda até a explicar aquilo que você falou lá no início de que por que o brasileiro muitas vezes ele não se enxerga como racista, porque não é igual nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos o racismo tava estampado nos outdoors aqui no Brasil não. Sempre foi uma coisa que ficou ali meio na subjetividade. E aí muita gente só entende o que é de fato quando é vítima, né? Só que se você nasce branco, você não vai ser vítima. Então muitas vezes >> a pessoa não consegue ter a percepção de que o racismo é algo real no Brasil, porque como eu disse não não aconteceu como nos Estados Unidos. nos Estados Unidos, era claro, tinha que ter escola para branco e escola para negro. Então, eu acho que a forma como isso se desenvolveu ajuda a explicar também como a gente enxerga isso até hoje. Hum. Excelente. Excelente. Eh, tudo bem. Eh, então a gente já deu meio que um panorama, um ampassan assim sobre a vida do Martin Luther King. Eu acho que eh caso você queira saber mais, tem um BTC voltado paraa vida do Martin Luther King. Eh, foi gravado já faz um tempinho, né? foi uma betwiek sobre o tema de racismo e e um des dos betts fala sobre o Martin Luther King ali. Mas eu quero agora trazer para esse tema assim, por uma figura estadunidense torna importante para nós no contexto brasileiro, principalmente diante desse tema. o o que faz com que nós tenhamos que colocar essa literatura aqui que a Thomas Nação tá trazendo eh como prioritária da nas nossas igrejas, ah, no nosso devocional, quem sabe, né, na nossa nossa literatura de reflexão. Por que a gente precisa do Márcio Luther King para falar sobre esse problema aqui no Brasil? >> Olha, eu acho que tem alguns motivos, tá? tem alguns motivos, mas eu eu diria que o motivo principal tem a ver com um ponto que você até já passou por ele assim de maneira rápida, que é a questão de que o o Lewis, por mais que ele fosse, em certo sentido, um ativista, ele não fazia com que o ativismo dele se sobrepusesse à fé. Porque eu acho que um dos grandes perigos que a gente tem é quando o ativismo se sobrepõe à fé e você começa a achar que aquela causa é mais importante do que o evangelho. E o Martin Luther King, ele sempre equilibrou isso muito bem, porque ele defendia que o evangelho tem que ser pregado. O evangelho é um instrumento de transformação espiritual, mas também é necessário uma transformação social. Então, é é quase que um herdeiro do que foi o movimento profético. O profetismo de Israel era exatamente isso. Quando a gente olha pra Bíblia, muitas vezes a gente tem uma visão do profeta como aquela pessoa que fala do futuro, mas na verdade quando a gente lê o Antigo Testamento, os profetas eram eram denunciadores do presente. E quando você pega profetas, por exemplo, como Amós, tinha críticas sociais fortíssimas, duríssimas. Isso vinculado ao culto, né? Eu vinculado à santidade do povo diante de Deus, né? >> Exatamente. Exatamente. Mostrando que também deve haver uma preocupação social. Então eu acho que o Martin Luther King é muito necessário, porque não é tão fácil encontrar pessoas tão engajadas nessa luta, mas que se mantenham tão fiéis a aos princípios cristãos, que não se permitam ser seduzidos >> pelo ativismo ao ponto de abrir mão de algumas algumas questões que são muito caras à nossa fé. Eu acho que não fica. Talvez o o ouvinte ele esteja na cabeça, né? Mas quais seriam as seduções desse eh pretenso ativismo alino, que você consegue enfar? >> Eu acho que é a sedução, eu acho que é a sedução de reduzir a pauta cristã a um contexto de salvação social. >> Humum. É quando muitas vezes você acha que transformando a sociedade você alcançou o seu objetivo, quando na realidade o nosso objetivo vai além disso. Esse também é um objetivo nosso, mas vai além. E a gente não pode esquecer que o evangelho também tem uma dimensão transcedental. Ele pode ser e deve ser um instrumento de transformação social, mas ele não é só isso. Quando eu digo só, não é que isso seja pouco, né? Uhum. >> Mas ele >> não, a audiência do do do Betc é qualificado suficiente para entender. Vai além, né? Vai além. Exatamente. [risadas] Então eu acho que tem a ver com isso, com essa. Eu acho que o Martin Luther King ele consegue encontrar esse equilíbrio e justamente o que você falou, ele nunca deixou de ser o pastor Martin Luther King. Ele sempre foi, ele foi um um grande, ele lutou pelos direitos humanos, pelos direitos civis dos negros, mas ele sempre deix ele sempre deixou claro que ele era um pastor e ele tava ali apresentando o evangelho. Por quê? Porque o evangelho é um instrumento de transformação social e também de salvação paraa alma. Então eu acho que ele é muito necessário nesse sentido de equilibrar, porque você tem os dois extremos, é que o ativista ele corre o risco de reduzir o evangelho ao objeto do seu ativismo. E esse é o perigo. Por quê? É claro que a gente precisa lutar por igualdade, por questões de igualdade racial, igualdade social, isso é inquestionável, mas a questão é que o evangelho vai além disso. E eu acho que o Martin Luther King, ele é muito importante porque ele consegue trazer esse equilíbrio. >> Uhum. Porque veja, ele é um ativista, ele defende que os negros devem ter os mesmos direitos que os brancos, mas se alguém pegasse em uma arma para matar um branco, ele diria: "Não, pera aí, aí você tá indo contra o evangelho". >> Hum. Então ele consegue andar nessa linha que nem todos conseguem, porque o grande perigo é em nome do ativismo abrir mão da dimensão transcendental do evangelho ou no outro extremo a eu achar que porque o evangelho tem uma dimensão transcendental, eu posso fechar os olhos para os olhos para todas as injustiças sociais. >> Sim, >> encontrar esse equilíbrio é muito difícil. E o Martin Luther King conseguiu encontrar esse equilíbrio com muita competência. Então eu acho que isso torna ele tão relevante até os dias de hoje. >> Olha aí, pegando um gancho eh com o trecho do livro, Marting, um dos seus sermões, fala da seguinte maneira: Quando você se eleva ao nível do amor, de sua grande beleza e poder, você busca apenas derrotar sistemas malignos. Você busca apenas derrotar sistemas malignos. Os indivíduos que porventura estejam presos nesse sistema, você ama, mas você busca derrotar o sistema. Observe o princípio imperativo que parece que tá até mesmo no apóstolo Paulo e tá presente no no arte Luther King, né? Eh, principados e potestades estruturais nós derrotamos por pela força do espírito, pelo poder de Deus, mas aqueles que estão presos por conta desse poder regente maléfico, a gente ama. >> [risadas] >> Isso é poderosíssimo. Isso é poderosíssimo, Alcinda, porque >> e ele tr não pode continuar >> não. Levando em consideração a o o nosso país, trazendo muito pro nosso país que tem a no seu lastro histórico uma questão punitivista. Nós amamos que uma pessoa seja punida. Não necessariamente que seja a justiça sendo feita, mas nós amamos a punição. Nós temos, por mais que você não goste, mas a gente é atraído por um tipo de violência, a gente é atraído por um tipo de resposta eh de imediata. E às vezes essa resposta não é equivalente a a ao que o ato que foi cometido, né? o ato criminoso que foi cometido. Então, observe o amor agindo e trazendo paraa nossa teologia, trazendo paraa nossa prática aqui no Brasil, ah, e nos transformando para que nós, eh, eh, olhemos a situação pelos olhos da justiça. a justiça sóbria. A justiça que entende a a onde aplicar determinadas penas, a a onde aplicar a determinadas construções eh sociais para que a gente saia desse buraco que a gente mesmo se mete, né? Então eu acho muito interessante o fato de de Martin Luther King trazer um pouco do apóstolo Paulo para pros seus discursos. Claro, é um sermão, óbvio, é um sermão, vai falar sobre Bíblia, mas é interessante trazer essa ética e essa ética que muitas vezes passa despercebida diante dos nossos olhos como como cristãos, né? >> É. E eu gosto também dessa relação que ele faz entre o amor e o e o poder, né? Porque ele ele deixa claro que o o um precisa do outro quando a gente tá falando de questões sociais. Porque veja, o amor, o o poder sem amor, ele vai se tornar abusivo. >> Se você tem muito poder, mas você não tem amor pelo próximo, esse poder tende a caminhar na direção de se tornar abusivo. Agora, se nós estamos em uma luta social, o amor sem o poder, ele também não tem força para resolver, porque é necessário que eu faça uso dos instrumentos de poder para que esse amor então transforme a sociedade. >> Hum. Essa relação entre amor e poder que o Martin Luther King estabelece, ela é fundamental, porque a gente precisa entender que o amor é a grande lei moral, mas a gente precisa do poder para que esse amor então possa de fato ter efetividade nas políticas da sociedade. E o Martin Luther King deixava isso muito claro. Ele não era um inimigo do poder enquanto um ente, né? O poder tem a sua importância. Tanto é que ele fala também muito sobre a parábola do rico e do Lázaro. E ele fala: "Olha, o nosso problema não é com quem é rico. O nosso problema é com quem é rico e não consegue enxergar a necessidade do próximo. Se você é rico, mas você consegue usar a sua riqueza para abençoar aquele que não está na mesma condição que você, maravilha. Você é o nosso aliado. Você tá de acordo com o que a Bíblia diz. Uhum. >> Agora, se você é rico, mas você vive autocentrado, você só pensa em você, em gastar a sua riqueza com você mesmo, com os seus, aí de fato você tem um problema a ser resolvido. Então essa essa relação de amor e poder, o Martin Luther King também trabalha bastante e no livro também isso é muito bem explorado. >> O amor tem dentro de si um poder redentor e há um poder nele que finalmente transforma os indivíduos. É por isso que Jesus diz: "Amai os vossos inimigos, porque se você odiar os seus inimigos, não há como redimi-los e transformá-los. Mas se você ama os seus inimigos, descobrirá que na própria raiz do amor está o poder da redenção." Mar Luther King Júnior. Gente, mais um lançamento da Thomas Nelson Brasil sobre o amor do Mar Luther King. Alcino quer dar seus últimos do centavos aqui sobre esse assunto? >> Sim. É, eu quero deixar como reflexão que o legado do Martin Luther King é justamente nós entendermos que o evangelho ele transforma vidas em todos os sentidos. Nós precisamos entender que o nosso papel é pregar a salvação da alma, mas o nosso papel também é lutar por uma sociedade que traga o melhor cenário possível para todas as pessoas. a gente não pode permitir que a nossa esperança escatológica nos faça fechar os olhos pro mundo que a gente vive hoje. Então, eu acho que esse é o legado do Martin Luther King e essa é a reflexão que a gente precisa fazer. Assim como os profetas denunciavam as injustiças sociais no tempo deles, nós também como igreja não podemos fechar os olhos paraas injustiças sociais do nosso tempo. Porque buscar uma sociedade melhor, lutar por uma sociedade melhor também faz parte do que é o evangelho. >> Maravilha. Muito obrigado, Alcino, por participar. Vocês aí já sabem muito bem. Link pra compra do livro está aqui na descrição, no primeiro é comentário também fixado sobre o amor de Martin Luther King. Alcino, muito obrigado mais uma vez por ter atendido esta convocação. Semana que vem voltamos com Bibo aqui à frente do podcast. Já comenta aí embaixo lá. Gostei do Luiz, não gostei do Luiz. Volta, Bibo. Claro que tá todo mundo falando, volta, Bibo. Tem que ter golpe. [limpando a garganta] >> É exato. Não vai, não vai ter não. Não vai ter não. Não vai ter não. [risadas] É. A todos vocês fiquem na paz de Jesus Cristo, nosso Senhor. E até semana que vem. Ciao. Ciao.