As Falas Mais Chocantes de Jesus Não Estão só no Apocalipse com Rodrigo Silva
25/05/2026
As Falas Mais Chocantes de Jesus Não Estão só no Apocalipse com Rodrigo Silva
As palavras de Jesus de Nazaré frequentemente geram dúvidas. Declarações como "não vim trazer paz, mas espada" ou "quem não odeia seu pai e sua mãe não pode ser meu discípulo" são usadas para questionar a coerência de Cristo. A profecia sobre "esta geração não passará" também levanta críticas. Mas será que as interpretamos corretamente? O contexto original de Suas falas é a chave para a clareza.
Neste estudo, à luz da arqueologia e da hermenêutica bíblica, desvendamos o real significado dessas passagens. É essencial compreender a linguagem semita, os idiomatismos hebraicos e aramaicos, e os gêneros literários que Jesus empregava. Não se trata de justificar, mas de entender a cosmovisão e o modo de comunicação da época, que difere drasticamente do nosso.
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Meu nome é Rodrigo Silva, sou cristão e casado com a Laura. Aqui eu compartilho um pouco das histórias da minha vida dedicada à Bíblia Sagrada, Estudo Bíblico e a Arqueologia. Desde tenra idade, fui fascinado pelo passado e pelas histórias que os artefatos e ruínas antigas podem contar. Minha jornada na arqueologia tem sido repleta de aventuras, descobertas emocionantes e uma profunda conexão com o passado. A cada escavação, a cada artefato encontrado, sinto-me mais grato por ter escolhido seguir essa paixão. Agradeço por me acompanhar nesta viagem!
Fonte: Rodrigo Silva Arqueologia
Legendas automáticas:
Olá, você que me segue no Rodrigo Silva Arqueologia, nós estamos de volta pro nosso bate-papo semanal sobre Bíblia, teologia, religião e assuntos afins. E hoje vou falar sobre as duras e polêmicas palavras de Jesus de Nazaré. Porque já recebi muitas pessoas perguntando, escuta, como entender essas palavras de Cristo? E há inclusive até alguns internautas assim eh meio, como diria, desrespeitosos com o cristianismo, que até tomam as palavras de Jesus de maneira jocosa. Ah, será que ele realmente era isso tudo? Olha que absurdo, que estupidez que ele falou. Já ouvi alguém falando esses dias na internet que Jesus era um lunático, Jesus era um ridículo. E ele apontou algumas coisas de Jesus ou palavras que ele disse que demonstrariam que ele não era aquilo que o cristianismo crê que ele é. E nós vamos pegar algumas dessas palavras hoje e vamos avaliar se realmente eram palavras que podem trazer qualquer tipo de senão a aquilo que Jesus afirmou ser. Aliás, eu fico aqui com as palavras de Stuart Mill, que apesar de não ser um homem religioso no sentido que a gente entende da palavra, ele foi o pai do método científico depois de Francis Bacon, ele chegou a declarar certa vez que somente alguém maior do que Jesus para fabricar alguém como Jesus. Ou seja, se Jesus é a criação de uma outra pessoa, diga para mim quem é essa outra pessoa e eu vou segui-la, porque ele é extraordinário, porque somente alguém maior do que Jesus poderia criar alguém como Jesus. É apenas uma forma hiperbólica de dizer que Jesus é forte demais para ser fruto da genialidade de qualquer autor da antiguidade. Jesus é alguém que existiu e a sua declaração é é muito forte, como dizia CS Luz. Quando ele falou que ele era o filho de Deus, isso só pode ser acreditado a duas coisas ou três coisas. Ou esteria, Jesus estava equivocado, ele era um louco mental, ou ele era um mentiroso, ou ele era de fato aquele que ele afirmou ser. E o próprio Césilius, que foi ateu e depois acabou se convertendo a Jesus, falou: "Olha, alguém para produzir o que ele produziu com os resultados que ele que ele criou, não pode ser um um lunático, muito menos um louco, muito menos um mentiroso." Então, só resta uma alternativa. Ele era de fato o filho de Deus. E assim eu acredito. Mas esse Jesus, o filho de Deus, falou coisas muito difíceis na Bíblia. Por exemplo, é mais fácil passar um camelo no fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino do céu. Se um homem olhou para uma mulher com intenção impura, já adulterou no coração dele com ela. E parece que Jesus também errou nas profecias, porque ele diz que aquela geração que estava acompanhando as suas palavras iriam ver o cumprimento de tudo aquilo. E Jesus morreu, aquela geração morreu e elas não viram o reino de Deus. Como é que ele fala da volta dele? fala que aquela geração iria ver. Então, há, por exemplo, internautas e até teólogos que afirmam que Jesus se equivocou, ele mentiu, ele fez uma falsa profecia. O que eu peço aqui é o seguinte, é muito importante nós termos em conta a hermenêutica das palavras de Jesus para entendê-las corretamente. Eu sei que muitas pessoas não gostam disso. Eles pensam assim: "Não, isso é é e é forçar a barra. Quando você não quer dar uma resposta, você quer dar esse inventar esse negócio de hermenêutica. Eu acho muito perigosa essa essa manifestação de internet fica pegando frases soltas da da pessoa para fazer um juiz de valor sobre ela, tá certo? Nós temos que pegar a obra daquela pessoa como um todo e avaliar as suas palavras dentro do contexto correto, tá certo? Então, esse é o momento de você convidar outras pessoas para assistirem o nosso bate-papo. Se você gosta do conteúdo que tem aqui, não deixe de colocar o seu like, deixar o seu comentário e se inscrever no canal. É muito importante a sua inscrição aqui no nosso canal no Rodrigo Silva Arqueologia. Isso é fazer com que o YouTube ah faça com que mais pessoas tenham acesso a esse conteúdo que você acha importante, acha relevante, tá certo? Então vamos lá. Já que eu falei da questão da hermenêutica, eu vou até começar com uma autoridade, alguém que eu sempre admirei muito a vida e as obras que ele deixou. Estou falando de Rui Barbosa. Eu posso quase dizer o pai do direito brasileiro, né? Um dos maiores juristas que nós tivemos, um homem de grande envergadura intelectual. E olha que interessante o que ele escreveu certa vez. Ele falou assim: "Bem é que saiba o nosso tempo quanto bastará para falsificar uma escritura? Bastará mudar um nome? Bastará mudar uma cifra? Digo que muito menos nos basta. Não é necessário para falsificar uma escritura, mudar nomes, nem palavras, nem cifras, nem ainda letras. Basta mudar um ponto ou uma vírgula. Ressuscitou? Não está aqui. Com essas palavras diz o evangelista que Cristo ressuscitou e com as mesmas palavras, se mudar a pontuação, pode dizer um herege que Cristo não ressuscitou. É, é curioso eu trazer essas palavras de Rui Barbosa para introduzir o nosso bate-papo aqui, porque o próprio Rui Barbosa, que disse que não há crime de hermenêutica, também deixou claro que isso não pode ser levado assim a a esmo, sem qualquer critério. Embora quando ele disse, não há crime de hermenêutica, é porque às vezes um advogado tem o direito de interpretar a lei de um jeito, outro de outro. Mas isso não anula o fato de que há distorções e distorões que são provocadas principalmente por não analisar o contexto em que a pessoa escreveu certas palavras. Semana passada, se vocês se lembram, eu falei sobre Helen White. Eu não analisei todos os textos de Hellen White. Falei apenas de um ou dois dela dela, que são textos mais polêmicos. Mas muita gente fala assim: "Ela é ela é falsa, ela escreveu isso e tudo, fica pegando uma palavra solta aqui, outra solta ali, sem olhar o contexto." Isso também é feito com relação à Bíblia. Então, vamos analisar as palavras de Jesus dentro do contexto, mas eu peço ainda a sua paciência para eh dar um outro exemplo da importância eh de se entender a palavra dentro do seu contexto histórico. Vocês já ouviram falar dessa história do da queda do avião da Korean Airflight do 801? Esse avião caiu em 1997 e matou praticamente toda a tripulação. Foram 228 mortos. E por que que esse avião caiu? Há várias eh causas que são colocadas ali, mas tem uma que chama atenção que a oficialmente foi colocado que houve falha de comunicação da tripulação, só que depois essa falha foi explicada. A razão é o seguinte, é que o piloto e o engenheiro perceberam os, o copiloto e o engenheiro perceberam os problemas, mas eles não confrontaram diretamente o comandante da aeronave. Eles usaram linguagem excessivamente suave, indireta, porque na cultura da Coreia, do Japão, da China, de alguns países do extremo Oriente, eh você respeita muito a hierarquia. Então, se o copiloto e o engenheiro estão hierarquicamente abaixo do piloto, eles jamais falam com ele em pé de igualdade. Por exemplo, eh, em vez de falar, estamos voando muito baixo, arremeta agora eles falariam de maneira mais suave, capitão, o clima parece eh um pouco ruim. Percebeu? Eles não tinham assim a por questão cultural a ideia de discutir muito forte com a torre, com o piloto. E o piloto que não era eh da mesma cultura, entendeu que estava tudo bem e por isso houve esse acidente. Tanto é que depois disso houve novos protocolos a eh que eles inclusive agora a Korean Air parou de voar por uns três ou 4 anos depois disso. Ela perdeu muito dinheiro, quase faliu. Mas eles refizeram protocolos inclusive em nível eh internacional, mundial, em que quando se está num eminente num eminente risco de queda, não deve existir essa essa hierarquia da fala de um piloto para um copiloto ou vice-versa. Você tem que falar em pé de igualdade, porque são vidas que estão em jogo. Mas isso aconteceu por causa de um problema cultural. O piloto não entendeu que a maneira cultural dos coreanos falarem era aquela e diante de uma autoridade. E por pegar uma fala não interpretada culturalmente, você viu aí eh dezenas e dezenas de pessoas perderam a sua vida. É um exemplo eh dramático que eu coloco, mas ele serve para várias outras situações da da vida. Eu me lembro uma vez que Woody Allen dando uma entrevista para uma repórter, ele falou: "I mad about my flat". E e ele ele estava querendo dizer que ele tinha medo eh que ele tava com problema com o apartamento dele. Mas isso no inglês britânico, no inglês norte-americano, a mesma frase significaria: "Eu ten medo de agulha". Percebeu? I mad about my flat. Eu eu eu tenho medo. Eu tenho problema com o meu apartamento. Eu tenho medo de agulha. a mesma sentença em inglês com dois significados diferentes. E houve até uma coisa engraçada numa numa tradução de uma revista que colocou que ele tinha ele tinha medo de de tomar injeção e não foi isso que ele disse. Então, se isso acontece com línguas atuais, imagine com a Bíblia. Não precisa ir longe mesmo. O português do Brasil pro português de Portugal. Se você chegar em Portugal e falar para alguém assim: "Olha, o homem de fato eh falou muitas verdades, o português vai pensar que o homem estava com um terno porque fato em Portugal é terno. Você deveria falar em português de Portugal assim: "O homem de facto, de facto falou muitas verdades. O homem de facto, que o homem de fato significa um homem com terno. Eterno para eles não significa nada. E olha, se isso acontece com duas línguas que são faladas hoje em países de com a mesma língua falada hoje em países diferentes, imaginemse tratando de um livro que foi escrito há milênios, tá certo? E com relação a Jesus, devemos levar em consideração um outro detalhe que eu coloquei aqui em forma de esquema para vocês. Em primeiro lugar, temos que tomar em conta a distância cultural. Jesus falava aramaico do primeiro século, que até é diferente do ciríaco que é falado hoje, por pouquíssimas pessoas no mundo ainda falam o aramaico eh de Jesus, mas pouquíssimos mesmo, pouquíssimos. Até alguns chamam de círíaco. Eh, é uma língua semita, com características bem diferentes da nossa, cheia de hipérbole, de paralelismo invertido. Além disso, você tem que levar em consideração a distância cultural, porque o aramaico da época de Jesus e o hebraico, que ele falava também situações litúrgicas, também não é exatamente o mesmo aramaico que se fala hoje nas ruas de Teliv. É como comparar o Brasil de Camões, o português de Camões com o português do Brasil de hoje. Eh, o gênero literário, nem tudo é proposição doutrinária. Jesus dava provérbios, parábolas, hipérboles, gêneros diferentes, tá certo? Então, vou dar alguns exemplos para vocês do gênio da língua da época de Jesus pro nosso. Por exemplo, em português que nós falamos hoje, nós começamos as palavras sempre ou quase sempre pelo sujeito, né? pelo substantivo, eu falo assim: eh, a palavra do Senhor veio a Jonas. A palavra do Senhor veio a Jonas. Em hebraico, eu falaria: "Veio a palavra do Senhor a Jonas." O verbo antecede ao sujeito, porque eles têm uma maneira de pensar diferente da nossa. Eles não trabalhavam com abstratos, tudo era concreto. Então, enquanto eu falo em português, a palavra veio, em hebraico é vai redevar. veio a palavra. Enquanto em português eu falo e e Deus criou em hebraico que criou Deus. Bariloim, eles sempre colocam o verbo antes. Isso já mostra que a maneira deles raciocinarem é diferente da nossa. É uma outra cultura, é uma outra disposição. Outro exemplo que eu posso dar para vocês em português, a o pleonasmo subir para cima, descer para baixo, sair para fora é vício de linguagem. Na época de Jesus era uma ênfase importante, elegante e até poética. Aí você vê na Bíblia várias vezes assim: "Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça." Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça. O olho que tudo vê, tá certo? Eh, Lázaro, sai para fora. Jesus disse aquele que ele haveria de ressuscitar. Lázaro sai para fora. Então veja que para eles, pelo fato de estar usando um pleonasmo, é uma ênfase que nós em português perderíamos, porque a gente não tem ideia, não tem ideia de que aquilo é uma ênfase importante pra gente, é um visto de linguagem. Então eu tenho que pegar esses esses gênios da língua da época de Jesus. Não basta apenas ficar pegando o dicionário, a palavra no dicionário e traduzindo ao pé da letra, tá certo? Com isso em mente, vamos começar com a primeira palavra polêmica de Jesus. pra gente abrir. Então vamos lá, gente. Coloquem nos comentários, vocês estão gostando da introdução? Deu para entender a problemática? Então tá bom. Vamos a primeira palavra problemática de Jesus. Ela está em Mateus, capítulo 10, verso 34, onde ele fala: "Não vim trazer paz, mas espada. Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada." E aí eu até eu coloquei de propósito um Jesus, tipo um Rambo assim com metetralhadora e e e helicóptero atrás, porque essa é a imagem que muita gente tem. E eu já vi muitas pessoas pegando, tá vendo? Jesus teve uma contradição. Porque o Jesus de vocês veio trazer foi paz. Ele veio, ele não veio trazer, ele veio trazer foi espada, não foi paz. Ou então pegam palavras de Jesus e colocam como se Jesus estivesse se contradizendo, porque no momento ele fala: "Deixo-vos a paz. A minha paz vos dou, não a dou como o mundo a dá. Tenham paz uns com os outros. E no outro momento fala: "Eu não vim trazer paz à terra?" E parece até uma contradição com a promessa messiânica eh que os judeus tinham, que o Cristo, o Messias, quando ele viesse, ele traria paz ao mundo. Bom, vamos pegar primeiro o significado das palavras e o símbolo que elas apresentam, tá bom? Ele tem um jogo de palavras. Eu não vim trazer paz, supondo que no hebraico é shalom, mas eu vim trazer espada. Here, herev, esse jogo, paz e espada. Vamos começar pela espada. A espada naquela época era a arma principal que as pessoas possuíam. Então, espada aparece em vários eh documentos antigos com significados simbólicos muito precisos. Vou dar um exemplo bem eh assim fácil de vocês entenderem. Olha que interessante essa essa essa essa espada. Ela está no Museu de Israel. Eh, já encontraram as três ou quatro mais ou menos espadas nesse formato. Ela foi encontrada da tumba de um de um soldado. Ela data de aproximadamente 1300 anos. 10000 anos antes de Cristo. 1300 anes de Crist. é uma espada, eles chamam essa essa espada de simatara. Simarha é um tipo de espada que inclusive foi encontrada no túmulo de Tutankamon, tá certo? Eh, parece uma espada cananita. Os os filisteus usaram esse tipo de espada também, mas note que ela também parece uma foice. Mas o que me chama atenção não é só o fato dela virar uma foice, parecer uma foice, é que ela está entortada. O fato dessa espada ser encontrada no túmulo de um soldado entortada levou os os arqueólogos a deduzirem que aquilo era um símbolo que uma vez que ele morreu, aquela espada não seria mais usada numa guerra. Como ele morreu, aquela espada perdeu a sua função. Então ela era entortada, inutilizada. Tudo bem até aí? Por isso que ela está torta. Agora, qual que seria a palavra para inutilizada, para entortada que nós temos aí? Aqui nós temos ah, em hebraico um texto de Isaías, capítulo 2, versículo 4, que diz assim: "Ele julgará entre as nações e corrigirá muitos povos. Estes transformarão as suas espadas em lâminas de arado e as suas lanças em foic. Nação não se levant não levantará a espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra. No hebraico, ah, a palavra que eles traduziram por transformação, por transformarão é vectoto. Vectoto. Vectoto significa mais do que transformar. Vectoto significa quando você pega um metal e bate naquele metal, inutiliza aquele metal ou enverga aquele metal para virar outra coisa ou derrete para virar outra coisa. Uma espada que vira um arado, tá certo? E aí falou de lança que vira foice. Então o sentido ali daquele texto de Isaías está representado nessa espada. Agora aquele aquele guerreiro não guerreará mais. Ele está em paz. A sua espada está inutilizada. Isaías fala a mesma coisa. Peguem a espada então e ela vai virar elemento de arado. Então na Bíblia em várias situações, a espada é trazida como símbolo, símbolo de julgamento, de palavra. Tanto é que o apocalipse fala que da boca de Jesus sai uma espada fiada para com ela ferir as nações. Ninguém entende isso literalmente, que Jesus vai ter uma lâmina da boca dele fazendo assim, ó, batendo em todo mundo. Não é por aí. Paulo fala da Bíblia Sagrada como sendo a palavra de Deus, como sendo uma espada que corta de dois lados, de dois gumes. Então, espada aparece não só na Bíblia, mas também em outras culturas do antigo Oriente próximo, como símbolo de vitória, como símbolo de juízo, como símbolo de eh impor eh organizar uma situação. Eu vou mostrar para vocês aqui um exemplo aqui. Olha, uma isso aqui, por exemplo, esse desenho que está aqui do lado, é um um relevo egípcio onde você tem aí o deus Amon, tá certo? Com ele está segurando uma arma divina diante do faraó Ramsés I, porque eles tinham, como eu até escrevi aí, uma natureza dual da espada. Ela era ao mesmo tempo arma de guerra e símbolo de verdade espiritual. Ela ilustrava a complexa interação entre realidade física e espiritual na cosmovisão bíblica, tá certo? Efésios 6:17 fala da espada da do espírito que é a palavra de Deus. Então, sendo assim, quando Jesus disse, eh, eu vou trazer, não vou trazer paz, mas sim a espada, é interessante que ele estava explicando o que que iria acontecer. Eh, quando a mensagem dele fosse aceita, muitas pessoas iriam contra você. Ou seja, Jesus nem estava prometendo que o reino dele iria unificar o mundo. Pelo contrário, é a verdade do evangelho que vai separar o mundo. É a verdade que vai separar o mundo. Eu explico a você. Você sabe que nem as convenções sociais elas não nos separam. Esse foi um erro que Sigmund Freud cometeu e e ele e ele foi corrigido eh por Victor Frankel, porque Sigmund Freud dizia o seguinte, que o que nos deixa realmente eh eh diferentes são as convenções. Aliás, deixa eu até corrigir aqui a fala de Freud para não citá-lo erradamente. Freud diz o seguinte: "As convenções nos mantém diferentes". É isso que segura o ser humano. Por exemplo, a rainha da Inglaterra come com toda a ética porque ela tem uma posição social que a protege. Enquanto aquela pessoa que não tem aquele refino do castelho vai comer com a mão de qualquer jeito. Mas o Freud dizia: "Se essas convenções sociais forem tiradas, aí todo vira bicho, vira animal". Por que que vira animal? Se você tira, continua com Freud, as necessidades de afeto e sobrevivência, o EOS e o Tanatos, a pessoa vai matar e vai e vai e vai morrer por causa de comida. Aí a rainha não vai ter critério, né? Ela come com critério porque tem comida suficiente para todo mundo, mas se tiver só um prato de comida, se tiver morrendo de fome, a rainha da Inglaterra também, segundo Freud, os dois iam virar animais, iam brigar até a morte pelo pedaço de comida, porque aí o que é de mais real no ser humano, que é a nossa entidade animal, vai vir à tona e a necessidade de sobrevivência do mais apto. Tá certo? Só que Victor Fran falou: "Não, Freud tava errado". O que nos diferencia não são as convenções, é justamente o momento em que tudo nos é tirado. E Víctor Franco pegou como como base paraa sua teoria a experiência dele no campo de concentração nazista que ele passou em Daral e Auschwitz. Ele falou ali, eu vi que os os nazistas eles tiraram dos judeus todo tudo a a o EOS e o Tatos. tirou a a o alimento, tirou o afeto, tirou tudo. E ali, ao contrário do que previa Freud, os judeus não se tornaram todos animais. Pelo contrário, houve alguns judeus, sim, que se prostituíram por causa de um pedaço de pão, eh, mentiram, entregaram, eh, traíram, mas houve uma multidão de judeus que se tornaram heróis, que partiam o pedacinho de pão que eles tinham com alguém que não ganhou nada, que até doavam seu pão para que o outro tivesse um pouco mais de forças. tiravam seus sapatos, ficavam descalços para que o outro ficasse calçado. Às vezes tirava o sapato de um pé, colocava no outro ali, ficava revesando. Eles desenvolveram uma diferença. Eles não brigaram por causa do prato de comida. Então o Victor Franco dizia: "Na hora do do aperto, é aí que as pessoas se dividem, porque na hora que você tira tudo do sujeito, alguns se tornam santos e outros se tornam porcos. Ou seja, é na hora da crise que você vê quem realmente é herói ou quem só faz discurso. Percebeu? Então o que Jesus quis dizer quando falou: "Não vim trazer paz, mas sem espada". Ele quis dizer isso, que quando o evangelho chegar para valer mesmo, muitos vão ser separados. Por quê? Muitos vão eh eh eh querer ficar agarrados aos seus pecados, aos seus caprichos, ao seu dinheiro, aos seus ídolos, enquanto outros vão ficar ao lado de Deus. E geralmente esses ficam presos aos ídolos, perseguem o povo de Deus. Por isso que Jesus falou: "Eu vim trazer uma espada para separar as pessoas". Jesus não estava de maneira nenhuma incentivando todos ali a a cada um pegar uma arma e sair brigando pelo reino de Deus. Não foi isso que ele incentivou. Ficou claro? Então Jesus quis dizer que o evangelho vai separar as pessoas porque cada um vai tomar uma decisão diferente diante da mensagem. E não há neutralidade. Ou você aceita Deus e o reino, ou você rejeita. Não tem assim não. Na verdade, vou ficar entre o céu e a e e o inferno. Vou ficar no meio ali no no no Não existe esse limbo na ética teológica, não existe essa situação intermediária entre o céu e o inferno, entre Deus e Satanás. Ou você opta pela luz, ou você opta pelas trevas. Não há terreno cinzento. É isso que Jesus quis dizer. Tá bem? Mas na continuidade dessas palavras de Cristo, ele falou algo que está em Lucas, capítulo 14, verso 26. Em Mateus também tem a mesma fala, mas Lucas traz de maneira mais forte. Ele diz: "Quem não odeia seu pai e sua mãe, não pode ser meu discípulo". E esses dias eu até vi um corte na internet de alguém debochando, falando assim: "Olha que ridículo esse Jesus, né? Eh, quem não odeia, ele fala e não adianta falar que é original não, porque no original tá assim mesmo, odeia. E realmente tem razão, no original está quem odeia. Por isso que eu peguei o texto de Lucas e não o de Mateus, que Mateus suavizou a coisa. Então, e eu lembro até nesse vídeo que eu vi a pessoa falando assim: "Eh, e hoje ninguém tem coragem de repetir essas palavras de Jesus porque ia cair muito mal na internet. Se você falar o seguinte: "Olha, você tem que odiar o seu pai e sua mãe". Que ridículo. Às vezes ele fazia gracejos, às vezes apontava para uma aparente contradição. Bom, vamos lembrar em primeiro lugar que não somente a Bíblia que tem o mandamento, o quinto mandamento, honra teu pai e tua mãe, mas a própria cultura do antigo Oriente Médio, tinha, a gente vê pelo Taulumud, pela Michn, pela Guemará e até pelas próprias palavras de Jesus, um respeito muito grande pelos genitores, diferente da nossa cultura ocidental, em que o pai e a mãe são às vezes assim ridicularizado pelos filhos que são essa geração de Humor Simpson. Eh, na cultura bíblica, o pai, a figura do pai é muito respeitada, especialmente o pai. Lembra que Jesus um dia até eh chamou atenção dos religiosos do seu tempo, porque eles tinham uma oferta que para não dar pros pais falaram: "Isso aqui é pro templo". falou o seguinte: "Por causa da transgressão, por causa da tradição de vocês, vocês transgridem a lei do Senhor". E Paulo até fala: "Honrai a teu pai e tua mãe, porque esse é o primeiro mandamento com promessa." Então, o que eu tenho primeiro lugar o seguinte: há uma ética muito forte na Bíblia, inclusive nas palavras de Jesus sobre honrar pai e mãe. Mas eu tenho de fato uma fala muito estranha em Jesus, onde ele fala: "Aquele que não, Vou até ler de novo, vamos colocar de novo aqui no na tela. Olha, quem não odeia seu pai e sua mãe, não pode ser meu discípulo. Só que eh quando a gente vai para Lucas 14 25, eh, 26, aliás, Lucas 14:26, tem uma partezinha mais aí que pode nos ajudar. O texto completo diz assim: "Olha, se alguém vem a mim e não me ama mais do que seu pai e sua mãe, assim tá na tradução da Nova Almeida atualizada, a sua mulher e seus filhos, seus irmãos e suas irmãs, até a sua própria vida não pode ser meu discípulo. Só que eu tenho que admitir, a Nova Almeida atualizada deu uma suavizada, mas no original está odeia mesmo." Como é que a gente vai entender isso então Rodrigo? Vamos por parte. Vamos lá. Em primeiro lugar, eh, no grego você tem a palavra mel. Mel, que significa exatamente odiar, tá? Por da palavra mel vem a palavra misogenia. Eh, mel. Guê é mulher. Guinê é mulher em grego. Guinê é mulher em grego. Missel é odiar. Então, a palavra misogenia é odiar a mulher, tá certo? Eh, e outras outras exemplos que eu poderia dar, né? Agora vamos com calma. Já falei com vocês que a lealdade a pais e mães é uma coisa que tá clara em toda a Bíblia. Josefo fala dessa obrigação, tá certo? Mas Josefo, Flávio Joséfo, que é historiador judeu do primeiro século, ah, no livro Contraápio, ele diz algo curioso. Ele fala que a maior obrigação social é amar pai e mãe. Mas ele coloca isso em segundo lugar. após honrar a Deus. Então, em primeiro lugar, você tem que honrar a Deus, depois honrar seu pai e sua mãe. Então, Lucas usa a palavra mel, mas Mateus usa pilon, hiper, amar sobre ou literalmente amar mais que, tá certo? E como é que a gente entende isso aqui, Rodrigo? É muito simples de de entender. Quando você vai para o Antigo Testamento, vamos pegar Gênesis 29:31. Gênesis 29:31 era a maneira que eles tinham de se expressar. Gênesis 29 verso 31 diz assim: "Olha, vou ler para vocês, vou ler o verso 30 também. Eh, e Jacó, eh, e Jacó teve relações também com Raquel. Ele amava Raquel mais do que amava Lia e continuou trabalhando para Labão durante mais 7 anos. Quando o Senhor viu que Lia era desprezada, a palavra desprezada aqui no hebraico é sanuar. Sanuar significa odiada. Mas calma, odiada aqui significa que ele gostava mais de uma do que da outra. Era uma expressão idiomática do hebraico antigo. Quer ver essa mesma expressão? Vai aparecer também Deuteronômio, capítulo 21 versículo 15. Deuteronômio. Deuteronômio, capítulo 21 versículo 15. Deuteronômio 21, versículo 15. Se um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e a outra quem não ama, assim tá na minha tradução em português, só que no hebraico está uma a quem ama e outra a quem sanua, a quem odeia. Então, deixa eu explicar isso aqui eh para vocês, tá bom? uma expressão eh idiomática do hebraico antigo era o seguinte: eles podiam colocar a ideia de preferência preto no branco, tá certo? Preto no branco, algo do tipo assim. Quando eu falo, eu prefiro lasanha, eu prefiro lasanha a strogonof. Eu as duas comidas eu como, mas lasanha para mim é um muito gostoso. O strogonof é bom, mas a lasanha é melhor. Eu falaria em hebraico assim: "Eu amo lasanha e odeio o strogonof." Essa era uma expressão idiomática, um estilo de linguagem que eles falavam para dizer que preferiam uma coisa a outra. Não é literal. E quando alguém, com todo respeito, vem na internet cheio de impafia, fala: "Jesus falou que odeia e como é que fala isso, crentes?" Eu vejo que essa pessoa tem zero conhecimento de hebraico e aramaico da época de Jesus. É um ignorante, com todo o respeito, porque nenhum nenhum hebraísta, nenhum gramático vai ver problema nisso aqui, porque ele sabe que é uma expressão idiomática. O erro que alguém comete ao acusar Jesus de mandar odiar é tão grande como daquela menina quem contava essa história era Milô Fernandes naquele livro, naquela época que ele escrevia várias crônicas, criança diz cada uma, não sei quantos se lembram disso. E ele contava de uma de uma menina que uma vez a mãe chegou e encontrou o filhinho chorando copiosamente correndo da irmã. E a e a mãe não entendeu porque que ele tava com tanto medo da irmã. Depois ela descobriu que ao sair de casa o menino mais novo escutou a mãe falando pra filha assim: "Olha, mamãe vai até o açogo e volta já. Vê se não tira os olhos do seu irmão, hein". A expressão vê se não tira os olhos do seu irmão significa toma conta do seu irmão. Mas o menininho literalista pensou que ela ia arrancar os olhos dele e estava apavorado de medo da irmã. Essa é uma crônica engraçada, infantil, contada por Milor Fernandes, mas ela ilustra o erro de alguém que pega as palavras de Jesus, comete um erro anacrônico, como se Jesus estivesse falando português, e fala: "Tá vendo? Jesus na Bíblia mandou odiar o pai e a mãe e segui-lo. Que ridículo. Aí o seu Jesus mandou odiar seu pai e sua mãe. Você vai cumprir o que Jesus mandou? Você vai odiar o seu pai e sua mãe? Meu pai tá com uma criança falando com medo da irmã arrancar os olhos dela. E a prova maior que eu não estou inventando isso é que quando você vai na no mesmo texto dito por Mateus, Mateus já traz em grego uma forma um pouco diferente. Mateus fala o seguinte: "Aquele que ama o seu pai e sua mãe mais do que a mim não é digno de mim". Mateus percebeu que ao colocar em grego, ele preferiu eh traduzir o sentido da palavra de Jesus. E deixa-me explicar a vocês, não é que Lucas errou ou Mateus floreou? Todo tradutor, quem trabalha com tradução intérprete sabe disso. Primeiro que traduzir não é fácil. Tenta traduzir uma poesia para você ver. Não se traduz. Expressões idiomáticas, pior ainda. E quando você está diante de uma expressão idiomática, você tem dois caminhos. Se tiver alguém que trabalha com tradução, pode confirmar isso nos comentários. Você pode fazer uma tradução literal ou uma tradução dinâmica. Uma tradução literal, você pega exatamente o que foi dito e só troca por palavras do outro idioma. Por exemplo, eu posso dizer para vocês assim, traduzindo um texto do inglês, está chovendo cães e gatos. Eu estou literalmente traduzindo it's rain dogs and cats. Isso é uma tradução literal. Eu quis pegar exatamente o que está em inglês para você entender como eles falam em inglês. Mas eu posso num segundo caminho optar por uma tradução dinâmica. E eu falo assim: "Estava chovendo muito". No original, em inglês não está dizendo está chovendo muito, mas eu sei que se eu falar em português está chovendo cães e gatos talvez as pessoas não vão entender. Então falei está chovendo muito ou quem sabe eu até troco por uma expressão idiomática típica nossa. Eu posso falar o seguinte, eh, está chovendo canivetes, mas se eu falar em inglês, it's rain. H, agora esqueci como é que a canivete em inglês deu um, deu um branco aqui agora. It's rain knives. Não, não é faca. Me esqueci agora a palavra canivete em inglês. Daqui a pouquinho eu lembro. Não vai entender. O americano também não vai entender. Tá certo? Como muitas pessoas que eu já conheci de outros países falam que eles não entendem por que depois de uma de uma de um favor a gente fala obrigado. Eles não entendem. Não faz sentido obrigado. Como assim obrigado? Eu lembro uma vez também conversando com uma senhora da Argentina, ela não entendia porque os brasileiros falavam assim: "Vamos comer juntos. Comer juntos não faz sentido. Você não vai comer comigo. Cada um vai comer no seu prato." Entenderam a questão? Então, mais uma vez, era uma expressão idiomática de Jesus. Mas para fechar essa minha resposta, alguém ainda pode falar assim: "Tá, Rodrigo, mas veja bem, ele está mandando colocar o chamado dele acima da família". Bom, isso é para alguns, aliás, todos nós. Deixa me explicar para não ser mal interpretado. O chamado de Deus vem acima de qualquer coisa. Ponto. Porque Deus é maior. Segunda coisa que você tem que entender, eh, na vida há situações que são prioritárias ao nosso senso comum. Por exemplo, eu amo a Laura e amo a minha filhinha Sara. Eu amo as duas. E numa situação de risco, eu prefiro me sacrificar para que elas vivam, correto? Faz sentido? Beleza, mas se eu estou no avião e o avião cai a pressurização dentro do avião, caiu oxigenação dentro do avião por qualquer razão, você sabe o que acontece? As máscaras de oxigênio caem. E nessa situação, o que que eu devo fazer? Colocar primeiro a máscara em mim. Pode ouvir quem quem viaja de avião, muito já ouviu falar isso. Em caso de desprecição, máscaras de oxigênio cairão automaticamente sobre você. Retire a máscara, coloque primeiro em você, depois auxili quem está do lado. A lógica é muito simples, porque se eu for primeiro colocar a máscara numa criança ou numa outra pessoa, a pessoa se se debater, eu também vou perder a oxigenação. Eu não vou conseguir colocar uma segunda vez. Então, olha que interessante, apesar de numa situação de risco, eu preferi me sacrificar para que a Laura e a Sara sobrevivam, nessa situação específica do avião, eu tenho que primeiro pensar em mim para salvá-las. Eu tenho que primeiro colocar a máscara em mim. Ficou claro? Então, as coisas de Deus vem em primeiro lugar. Segundo, as situações em que o primeiro [limpando a garganta] lugar é diferente do meu senso comum. Abraão amava Isaque, mas quando Deus mandou, vai e sacrifica a vontade de Deus em primeiro lugar. E terceiro, há pessoas que são chamadas a fazerem grandes sacrifícios, inclusive de família. Eu valorizo demais a família, acabei de me tornar pai agora, mas a história está repleta de pessoas que foram chamadas para sacrificar a família. Por exemplo, hoje muito do que nós temos da ciência, inclusive de raio X, que salvaram milhões e milhões de pessoas na história, foi graças a Mari, que abandonou a família, abandonou todos, ficou e trabalhando dia e noite até sofrendo radiação. E aí, Mahatm Gandhi, veja a história de Mahatm Gangandi contada pela esposa e os filhos dele. Ele é ele, ele, ele sacrificou o papel de pai. Ele foi péssimo pai e péssimo marido. Mas se não fosse o sacrifício dele ao sacrificar a família, a Índia estava até hoje na mão dos colonizadores, dos imperialistas. Um um país que, se não me engano, ultrapassou a a China em população deve a sua liberdade a Mahatma Gandhi e ele teve que sacrificar a família. E eu poderia dar vários outros exemplos. Mart Luther King. Mart Luther King para criar os direitos dos negros nos Estados Unidos, ele sabia que corria o risco de morrer. Tanto é que quando ele ele sai de casa eh dois dias antes daquele que ele foi morto, ele falou pra esposa dele: "Se alguma coisa me acontecer, pega nossa filhinha, cuide, eu não quero que vocês passam um aperto, não sei o que e tudo mais". Ele sacrificou, ele colocou o papel de pai e de marido em segundo lugar em prol da causa dos negros nos Estados Unidos. Então Jesus falou que alguns vão ter que colocar a família em segundo lugar pela causa do reino. E os discípulos fizeram isso. Eles abandonaram tudo para seguir a Jesus. Não que a família deles ficou ficaram desatendidas, mas para serem bons pais, bons maridos, eles tinham ficar quieto dentro de casa, não sair pelo mundo com Jesus. Paulo, por exemplo, tinha que ficar quieto ali. Gand deveria ficar com a esposa dele. Gand, se Gandy fosse um excelente pai, um excelente marido, talvez a história da Índia seria outra. Tá certo? Se eh Mat Luther King também tivesse optado por ser um bom marido e um bom pai, ficar só ali cuidando da família dele, os negros nos Estados Unidos também teriam outra história. Então é isso que Jesus falou. Eh, se o meu chamado forte para você, coloca o meu chamado em primeiro lugar. OK? Esclarecido? Vamos a mais uma passagem complicada para Jesus. Deixe os mortos enterrarem seus mortos. N algumas traduções que eu prefiro assim: "Deixem os mortos sepultarem seus mortos". E essa passagem de Jesus, eu me lembro que ela também foi um desafio que um ateu fez uma vez para uma mulher lá nos Estados Unidos. E eu achei eh eu achei interessante porque ela me procurou depois para apresentar o marido dela que era americano, e ela falou que ele era ateu e ele sempre debochava da Bíblia. Nota, isso não significa que todos os ateus debocham da Bíblia. Eu conheço muitos ateus que respeitam a Bíblia mesmo sem acreditar nela. Tô falando daqueles debochados mesmo. E esse era um deles. E ela disse que uma das coisas que ele falou com ela em casa naquele dia foi: "Ah, esse Jesus da Bíblia, você pensa que eu não conheço a Bíblia?" Uma vez um jovem falou: "Senhor, eu te seguiria onde quer que fores. Deixa só primeiro sepultar o meu pai". E Jesus respondeu para ele: "Deixa os mortos sepultar os seus mortos. Ele me segue." Que tipo de Jesus é esse que não respeitou nem o luto daquele rapaz? Ele falou isso com ela no sábado, na hora do almoço, e ela insistiu para que ele fosse à igreja me assistir. Eu era um arqueólogo e tudo e curioso que quando eles chegaram na igreja, eu estava justamente explicando essa passagem. Ele ficou assim desconcertado. Você combinou com ele? Ela falou: "Não, eu nem o conheço". Interessante isso, né? Mas vamos pegar o contexto. Jesus estava estrada fora. Quando alguns jovens aparecem para ele, ele coloca a prova aquele discipulado. E ele virou para eles e falou assim, um deles falou: "Senhor, eu te seguirei onde quer que o Senhor for. Deixa eu só primeiro sepultar o meu pai." Jesus virou para ele e falou assim: "Olha, deixa os mortos sepultarem os seus mortos. Agora você vem e me segue. Olhando assim, parece também um outro texto muito duro de Jesus. Parece que ele não respeitou o funeral. E lendo na nossa cultura ocidental brasileira, pior a situação. Porque em países como México, Estados Unidos, a pessoa não é sepultada assim um ou dois dias depois que morreu. Ela fica dias. Os Estados Unidos têm esse sistema, vocês sabem, né? A pessoa fica numa numa câmera frigorífica, eles preparam um embalsamamento, tem todo um critério. A pessoa é sepultada dias e dias depois para dar tempo da pra família arrumar a papelada, chamar parentes que moram longe. É um sistema bem melhor do que o do Brasil. Mas muitas pessoas que talvez só conhecem o jeito brasileiro de sepultamento, pensam assim: "Puxa, eh, o pai do do do rapaz tava lá no velório, ele talvez saiu chorando, falou: "Jesus, meu pai acabou de morrer, eu vou te seguir depois, deixa eu só sepultar o meu pai, amanhã eu tô aí pronto." Jesus de maneira nem foi lá no funeral do pai do menino, nem deu os pêmes para ele, falou: "Não, deixa os mortos sepultar os seus mortos agora. Vem e me segue, senão você não é digno do reino". Opa. Calma, vamos ver isso com calma. Na época de Jesus era diferente o sepultamento. Vamos um pouquinho antes da época de Jesus, na época do Antigo Testamento, tá bom? Esse que vocês estão vendo aí é um dentre uma série de túmulos que foram encontradas na área de Ketf Rinom, ali no vale de Katef Rinom em Israel. São túmulos que datam aproximadamente de 600 anos antes de Cristo, 600 e poucos anos antes de Cristo. Essa parte dentada que vocês estão vendo da pedra aqui é onde eles deitavam o corpo do difunto com a cabeça voltada para lá. Esse aqui é o professor eh Gabriel Barcaí, que faleceu recentemente há pouco tempo. Eu o conheci pessoalmente, foi quem descobriu essa túmula, tumba. Ele tá sentado com outro homem conversando diante da tumba de 2600 anos. Eh, aí onde eles estão era a entrada da tumba e originalmente ela tinha era uma gruta, era uma caverna, tá bom? Então havia um teto que desabou depois de milênios, né? Mas eu vou mostrar a vocês como é que ela era eh na época eh bíblica quando ela funcionava. Estão vendo onde estão sentados na porta? É a portinha ali, ó. E lá dentro, aquela parte dentada éonde os corpos eram deitados. Mas note que há um vão, você passa por uma portinha, entra num vão, tem aquela parte deitada que eu falei com vocês, mas se eu fizer um recorte, abaixo daquela parte dentada tem um fço. Um fosso. Perceberam? Então vamos voltar aqui, ó. Tem a parte deitada, dentada, com os dentes ali, mas ali tem um uma abertura e um fosso logo abaixo disso. Então isso tudo era assim na época bíblica. O fosso é esse aí. E acima, onde está a parte dentada, que na foto está cortando, os copos eram deitados, como esses meninos estavam brincando aí. Olha, eles deitaram. Então, quando uma pessoa morria, o corpo dela era deitado ali e esse corpo ficava ali por dias e dias até sobrarem somente os ossos. Lembre-se que isso tudo era fechado. Lembra que tinha uma portinha? Essa portinha era lacrada e o corpo ficava deitado ali até sobrarem apenas os ossos. Aí quando sobravam os ossos, o que que eles faziam? Eles pegavam os ossos, onde estão esses meninos? Só vi os ossos. Eles recolhiam os ossos e jogavam dentro desse buraco. E o que que havia lá no fundo do buraco? Outros ossos de outras pessoas. Várias pessoas tinham ali. E muitas vezes, como era um clã inteiro que era sepultado ali, uma família inteira, os ossos eram recolhidos e jogados naquele buraco. Então, vamos recapitular. Você entra por aquela portinha, deita o corpo do indivíduo ali dentro de um sol. Depois que o corpo entra em putrefação e só sobram os ossos, aí você pega os ossos, recolhe e joga dentro daquele buraco para que aquele osso se junte a ossos de outros mortos que estão ali. Ok? Esse ato de recolher os ossos e jogar ali criou uma expressão, duas expressões idiomáticas em hebraico. Nessa el amaiu, que significa eh foi recolhido ao seu povo. Ai é povo. Amai povo dele seu. Foi recolhido ao seu povo. Uma expressão idiomática do hebraico para falar da morte. O eufemismo pra morte. Quando eu falo assim, é um sujeito fulano morreu em hebraico. Pois é, ele morreu, né? Nesaf el Amaio, ele foi recolhido ao seu povo. Uma outra expressão parecida eh com essa seria vacab in abot a a abotaiu, ou seja, o avotaio, avotaio e deitou-se com os seus pais. Avot é pai, tá bom? Avotaio, pais dele. Pai dele. Então, ah, vacab e foi deitado com seus pais. Entenderam sentido? Porque agora os ossos dele foram misturados com o outro. Aí você encontra muito essa expressão no Antigo Testamento. Por exemplo, Gênesis 25 verso 8, quando fala da morte de Abraão, aparece a expressão idiomática. e foi recolhido ao seu povo. Ossos recolhidos e jogados ali. Ismael, quando ele morreu e foi recolhido ao seu povo. Gênesis 25:17. Isaque, velho e cheio de dias, foi recolhido ao seu povo. Quer dizer, morreu. Jacó é Gênesis 49, 29 e 33. serei recolhido ao meu povo. E quando ele morreu no verso 33, foi recolhido ao seu povo. Então, essas expressões idiomáticas significam que ser recolhido ao seu povo significa morrer. Isso me lança luz na expressão usada por Jesus. Os mortos sepultem os seus mortos. Lembra? Jesus estava falando, isso é, eu deveria ter falado até desde o início quando eu expliquei aquela aquela fala de Jesus. Jesus falava em aramaico, mas os evangelhos estão traduzidos em grego. Então você já tem uma perda aí. Muitas vezes nós estamos lendo os Evangelhos em grego, mas estamos tentando entender qual era a frase original que Jesus falou em aramaico. É como você está lendo um texto em inglês, perdão, em português, tentando imaginar qual que era a expressão original do inglês. Tanto é que você tem às vezes três, quatro traduções de um mesmo livro. Você pode ter, por exemplo, o livro, ah, um livro de Shakespeare, que uma uma editora vai traduzir de um jeito, outra editora vai traduzir de outro jeito, outra editora de outro jeito. Então, se você não tem o original de Shakespeare em inglês, você fica tentando imaginar qual qual é o jogo de palavras que está aqui por detrás do Hamlet que Shakespeare originalmente falou, como é que eles declamavam isso na no teatro da Inglaterra. Então, a gente fica tentando imaginar também qual era o jogo de palavras que Jesus falou. Por exemplo, quando ele fala assim, eh, vocês com mosquito engolem o camelo, alguns deduzem. Jesus estava usando um jogo de de de palavras em aramaico, onde camelo eh e e camelo e mosquito tem o mesmo, são palavras muito parecidas. Gamla câla, gamla camla. Então, deu um trocadilho no original em aramaico, mas esse trocadilho se perde com traduz pro grego. A gente fala assim, com o mosquito engole um camelo, mas Jesus usou uma um jogo de palavras que na tradução se perde. É como tentar traduzir em inglês, espanhol ou qualquer idioma a seguinte frase: abro aspas, tem pena de quem tem pena. Eu desafio qualquer tradutor a traduzir isso pro inglês ao pé da letra. Não faz sentido. Ok. Ah, have feather for someone who has feather. Não faz sentido em inglês. Ah, tenga pluma de quien tiene pluma. Não faz sentido nenhum em nenhuma língua. Então, em português há trocadilhas que não faz sentido oro idioma. A mesma coisa. Então, qual seria o jogo de palavras de Jesus quando ele falou: "Deixe os mortos sepultar os seus mortos"? provavelmente a mesma expressão idiomática do hebraico, os mortos vão recolher os seus mortos na época certa. No tempo de Jesus do Novo Testamento, era praticamente o mesmo princípio. Houve uma uma alteraçãozinha no processo fúnebre, mas com uma distinção que vai ficar mais fácil de mostrar para vocês. Isso aqui é um túmulo típico da época de Jesus do Novo Testamento. Era um túmulo familiar. Estão vendo uma pedra redonda similar ao túmulo em que Jesus foi colocado? Quando você entrava dentro do túmulo, morreu alguém, eles colocavam o indivíduo lá dentro. Tá vendo lá? Aquele indivíduo com os lençóis e eles pegavam aquela pedra pesada e lacravam a porta do do túmulo. Foi assim com Lázaro, foi assim com Jesus. Aí o que que acontece? O corpo ficava lá dentro por aproximadamente um ano. Depois de um ano só restavam os ossos. Aí alguns parentes do morto viriam. pegariam os daquele indivíduo e colocariam em caixas de pedra como estas. Esse é um túmulo da época de Jesus. E essas caixas eram colocadas em lóculos como esses que vocês estão vendo aí. Olha, tá bem? Então aqui eu tenho, olha, uma família preparando um corpo num túmulo de dois cômodos. Eles preparam o corpo no na parte superior, depois levam o corpo lá para baixo, onde o indivíduo tá lá com a mão levantando uma lamparina e a outra mais abaixo. Eles vão colocar esse segundo corpo lá naquela cama de pedra e depois de um ano eles tiram os ossos da pessoa e colocam naqueles ossários ali. Um ano depois da morte dele. Aí o o túmulo estava pronto para receber outro corpo, tá certo? Lembra que Jesus foi colocado num túmulo onde ninguém havia sido colocado? Pois é. Agora veja bem que interessante esse sepultamento em duas etapas da época de Jesus. Uma primeira etapa em que você colocava o túmulo, o corpo dentro do túmulo e uma segunda etapa em que você tirava os ossos da pessoa para colocar naquela caixa de pedra com o intervalo de um ano entre uma coisa e outra. Era entendido assim: "O sujeito só era sepultado quando os ossos eram colocados dentro da caixa de pedra chamada ossoário." Porque às vezes dentro de um mesmo ossoário eles colocavam os ossos do pai, da mãe e de um filho mais velho, às vezes de um marido e uma esposa. Então, literalmente, como no Antigo Testamento, o morto encontrou seus mortos, o osso encontrou seus ossos, ou seja, a pessoa só era sepultada um ano depois da morte dela, porque sepultamento era quando os ossos eram colocados nessas caixas de pedra, tá certo? Tanto é que quando você lê nos Evangelhos sobre o túmulo de Jesus, não fala em nenhum lugar que Jesus foi sepultado. Fala que ele foi colocado no sepulcro. E de fato Jesus não foi sepultado. Há apenas duas passagens da Bíblia que parecem contradizer o que eu estou explicando. Uma delas é quando Jesus vai encontrar eh Lázaro morto e a irmã de Lázaro fala: "Senhor, se o senhor estivesse aqui, nosso irmão não teria morrido, porque já tem quatro dias que está sepultado." Só que esse foi um problema de tradução, porque no grego está há quatro dias que ele está no sepulcro. Estar no sepulcro não é sinônimo de estar sepultado, viu? A a questão eh linguística. Estar no sepulcro não é estar sepultado. Lázaro estava no sepulcro. Jesus esteve no sepulcro. Jesus não foi sepultado. Nem Lázaro. Porque para ser sepultado significa que passado um ano os ossos seriam tirados e colocados. Então, aí sim o sepultamento estaria completo. Até então ele estaria no sepulcro, mas não sepultado. Ou seja, Jesus esteve no sepulcro, mas Jesus não esteve sepultado. Ficou claro para você? Porque para estar sepultado, Jesus deveria ficar um ano morto, os ossos dele serem tirados e colocados dentro da caixa. Aí sim seria sepultado. Mas aí vem a segunda passagem bíblica que aparentemente contradiz isso. Quando Paulo fala no credo eh que Jesus morreu, eh foi sepultado e ressuscitou. De fato, Paulo fala que Jesus foi eh sepultado. Mas qual a explicação que os teólogos dão para Paulo? Paulo estava escrevendo para um público não judeu. Então esse costume que eu expliquei era dentro do judaísmo, especialmente dentro dos judeus da região da Galileia, Samaria, eh na Samaria eh Samaria também e da Judeia e da Pereia, não judeus da diáspora. Então Paulo para por estar escrevendo para um pessoal de fora, ele falou uma linguagem que eles pudessem entender. Voltando à fala de Jesus, quando ele diz ao ao jovem, "Deixe os mortos sepultar os seus mortos", ele não estava desrespeitando o luto daquele rapaz. E quando o rapaz falou, deixe-me primeiro sepultar o meu pai, ele não estava pedindo a Jesus, vou até botar a imagem aqui, ele não estava pedindo a Jesus para deixar ele enterrar o pai dele no dia seguinte. O que ele tava pedindo para Jesus era opção A, o pai dele estava morto. Ele queria esperar passar um ano do da morte do pai para sepultar o pai, isso é tirar os ossos do pai e depois de um ano ele estaria livre para seguir a Jesus. Onde Jesus falou o seguinte: "Não, deixe na época certa o morto vai encontrar os seus mortos. Agora me segue". Ou letra B, o pai dele talvez estivesse até vivo. Kennety, que trabalhou muito tempo com o pessoal no Oriente Médio, especialmente no Líbano, ele costumava ouvir lá no porto de Beirute um jovem falando pro outro assim: "Rapaz, eu quero ir pra América lá que tem bom emprego". E o outro falou assim: "Seu louco, você ainda nem sepultou o seu pai, como é que você vai paraa América e sepultar o pai na cultura eh eh do ali libanesa? Era esperar o pai morrer, ele fazer às vezes de filho, não que tivesse esse processo do judaísmo da época de Jesus. Eu tô colocando apenas a mesma expressão que ainda era usada no árabe do Líbano, na língua árabe. Porque você sabe que os árabes também têm todo um cuidado com o corpo de alguém que morre. O corpo tem que ser lavado. O filho mais velho tem toda uma responsabilidade com o corpo do seu pai. Mas a expressão ainda mantinha no árabe. Você nem sepultou o seu pai, como é que você vai paraos Estados Unidos? Mas o pai dele tava trabalhando com eles no porto. Então, desde primeiro sepultar o meu pai. Era todo um processo que não tinha nada a ver com que as pessoas pensam com Jesus desrespeitando o luto de alguém. Deixa eu perguntar para você antes de passar paraos dois últimos elementos aqui. Você tá gostando desse conteúdo? Então, deixa eu falar uma coisa para você. Seja meu aluno, Bíblia comentada, o que que você tá esperando lá? Eu esclareço essas e outras passagens e a Bíblia como um todo. E não somente eu, tem um time de arqueólogos e teólogos comigo também. E mais, o Bíblia comentado tá com a novidade agora. Bíblia para quem não tem tempo de estudar a Bíblia. Se você só tem 10 minutos diários para estudar a Bíblia, 10 minutos eu vou pegar na sua mão todos os dias do ano e vou ensinar a Bíblia para você por 10 minutos. E se você tem tempo e quer aprofundar mais, tem mais de 400 aulas ali. Tem o curso de grego, curso de hebraico, tá certo? Tem outras novidades que estão chegando na plataforma aí. Nossa, você não pede por esperar. Então, já está aqui na descrição do vídeo o link. Seja meu aluno Bíblia comentada, você só vai ganhar conhecimento da palavra de Deus. Se você já gosta do que eu coloco aqui nas segundas-feiras, aqui é apenas uma degustação. Lá tem muito mais com muito mais propriedade, muito mais embasamento. Bom, a outra passagem que eu queria pegar para vocês, que muitas pessoas também usam para dizer que Jesus se equivocou mentiu, é que depois de falar da sua segunda vinda e do fim do mundo, ele disse assim: "Em verdade vos digo, os discípulos que estavam ali no monte das oliveiras com ele, não passará esta geração sem que tudo isso aconteça." Se está em Mateus, capítulo 24, verso 34. Se você olhar o contexto, Jesus está justamente falando sobre o fim dos tempos. E então Jesus equivocou. Ele pensava mesmo que aquela geração iria ver o a volta dele. Isso não aconteceu. Jesus mentiu. Jesus é um falso profeta. Tá vendo o perigo de pegar uma fala isolada e querer sapatear em cima daquilo? Vamos com calma. Para entender a mentalidade da época, deixa eu explicar para você uma coisa curiosa que nós temos esse fenômeno no Antigo Testamento e também na literatura judaica. É quando um profeta vê dois eventos ao mesmo tempo, tá certo? Um primeiro evento num horizonte, no horizonte próximo do seu contexto e depois num horizonte distante. Eu vou dar exemplos para vocês, eh, e vai ficar bem claro de vocês entenderem. Eh, quando Isaías falou: "Eis que a virgem conceberá e dará luz ao menino". Num primeiro momento ali, parece que está falando do filho do rei ou filho do profeta, que não seria um Emanuel daquele tempo. Mas aquela situação ali também apontava para uma realidade maior no futuro, tá certo? Então, é como se fosse uma profecia que acontece hoje em miniatura, mas ela está apontando para algo muito mais significativo no futuro. Eu vou dar um exemplo para vocês aqui no livro de Judas, quando fala, por exemplo, das cidades de Sodoma e Gomorra, o livro de Judas, você sabe, ele tem só uma uma página. O livro de eh de Judas fala o seguinte, eu vou ler para vocês aqui, deixe me ver. Racionais, Corá, São Paulo, Bravios. Deixe-me ver. Enoque. Hum. Nossa, justamente um livro que é tão, tão, tão simples e eu não tô achando agora o versículo que eu quero aqui. Achei aqui, ó, verso 7. Olha o que que é que Judas fala. Igualmente, Sodoma e Gomorra e as cidades vizinhas que se entregaram à imoralidade e adotaram práticas contrárias a natureza, foram postas como exemplo do castigo de um fogo eterno. Ora, Sodoma e Gomorra não estão queimando até hoje. Elas foram destruídas por Deus e acabou lá. Mas olha que eles pegaram Sodoma e Gomorra como um exemplo do que vai acontecer no fim dos tempos, o lago de fogo e enxofre descrito no Apocalipse. Então eu aprendo Paulo também, outro exemplo que eu posso dar, Paulo fala do anticristo e Paulo fala que ele não usa o nome anticristo, quem usa é João, mas Paulo fala do mesmo indivíduo, ele fala o filho da iniquidade e você sabe o que o detém hoje. Então Paulo reporta que o filho da iniquidade é uma coisa que vai acontecer no fim dos tempos, mas já havia algo na época de Paulo que o impedia. João também quando fala do anticristo fala: "Vocês sabem que muitos anticristos já saíram pelo mundo porque vocês sabem que agora são os últimos dias. Mas ele fala quando o anticristo vier lá na frente". Então eles tinham uma mescla. Isso é chamado de midrash. É quando você pega uma história aqui e ela aponta para uma realidade maior no futuro, tá certo? Bom, sendo assim, Jesus então teria usado um midrach ali? Sim, ele juntou dois eventos, um menor para significar outro maior. E eu vou explicar isso para você. Vamos com calma. Vamos pegar aqui eh como o texto está em Mateus. Olha aqui, o evangelho começa assim, Mateus capítulo 24 1 a 22, tá bom? Eh, Jesus estava com os discípulos no templo, versos 1 e verso 2, e eles estavam admirados com as pedras da suntuosidade do templo. E Jesus falou o seguinte: "Em verdade vos digo que aqui não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada." Então, calma. Jesus avisou que o templo de Jerusalém seria destruído, OK? Quando ele sobe com os discípulos no Monte das Oliveiras, os discípulos intrigados fazem uma [limpando a garganta] uma pergunta dupla para ele. Quando sucederão essas coisas? A destruição do templo de Jerusalém. E qual o sinal da tua vinda e do fim do mundo? São duas perguntas. Quando sucederão essas coisas a destruição de Jerusalém? E que sinal haverá da tua vinda? e do fim do mundo. Aí Jesus, de maneira muito sábia, rabínica, Jesus responde alternando os dois eventos, a destruição do templo e a segunda vinda. Essa era uma forma didática que eles tinham de ensinar. Isso você vê exemplos em Isaías, em vários outros. Então, além daquilo que eu falei, de pegar um evento menor do presente e jogá-lo no futuro, num senso mais apropriado, havia também o costume de mesclar um assunto e outro, um assunto e outro. Era a maneira que eles tinham para decorar o tema, tá certo? Decorar o tema. É como na academia que às vezes você faz dois exercícios ao mesmo tempo. Você faz aqui o tríceps e faz supino. Enquanto você tá descansando o supino, você faz o trícepe. Eles faziam isso. Então era a maneira didática que eles tinham. Então Jesus começa, vejam que ninguém engane vocês, porque virão muitos em meu nome, virá falsos mestres, eh eh que ensinarão muitas pessoas. Veja que aqui ele está construindo o que aconteceria ao longo da história, desde o tempo deles até uma realidade superior no futuro. Vocês vão ser eh eh perseguidos, vocês vão ser perseguidos, virão falsos profetas. Mas lembra, tudo isso é o princípio das dores. Ainda não é o fim. Mas ele termina falando, então virá o fim quando o evangelho ficou pregado a todo mundo em testemunho de todas as nações. Olha que interessante, ele começa a falar de guerra, terremoto, e ele vai avolumando desde agora porque ele fala: "Vocês, vocês que aqui estão serão odiados de todos por causa do meu nome. Vocês ouvirão falar de guerras, mas calma, ainda não é o fim. Nação contra nação é princípio das dores, mas esse evangelho vai ser pregado a todo mundo em testemunho de todas as nações. Então virá o fim. Uau! Ele fez um panorama dali até o fim, mas agora ele volta para falar da destruição de Jerusalém. Por isso que eu marquei com outra cor aqui, com uma cor salmão. Primeiro eu usei o verde. Agora na cor salmão que vai do verso 15 até o verso 22, pode olhar que ele só está falando da destruição de Jerusalém. Ele fala: "Quando vocês virem o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel no lugar santo, os que tiverem em Jerusalém fujam para os montes. Ainda das mulheres que tiverem grávidas naquele dia, orem para que a fuga de vocês não se dê num sábado. Jerusalém será cercada por exércitos de acordo com a versão de Lucas, não é isso? Haverá uma grande tribulação como nunca houve. Ele tá falando do cerco do ano 70. Ele fala: "Se aqueles dias não tivessem sido abreviados, ninguém sobreviveria". Aí depois que ele fala daqueles dias, ele fala ainda: "Olha, cuidado naquele dia, se alguém disser para vocês, o Cristo está dentro da casa, não vai atrás". Falar: "Tá no deserto". Não acredita nisso, porque virão falsos Cristos e falsos falsos profetas. Aí quando ele termina o verso 26, deixa eu até abrir minha Bíblia aqui, falando a respeito da destruição de Jerusalém. Então, veja bem, primeiro ele começou a falar de coisas que iam acontecer no mundo desde a sua época até o fim. Depois ele só tá falando da destruição de Jerusalém. Esse é um dado importante. Aí quando ele termina de falar isso no verso 27, ele já muda. Ele coloca aqui, olha, porque assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até no oriente, assim será a vinda do filho do homem. Esse porquê aqui é que às vezes dá um problema, parece que tá ligando ao que está antes, tá abrindo uma nova sessão. Eis que assim como o relâmpago sai do oriente e brilha até o ocidente, assim será a vinda do filho do homem. Diferente do que ele estava narrando, a vida do filho do homem não é algo localizado em Jerusalém, é mundial. Não é como aqueles falsos Cristos que vão surgir. Ele já abre um iato para falar do futuro. E aí ele joga um provérbio de transição. Por isso que eu marquei de verde aqui o verso 28. Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres. E aí do verso 29 em diante, ele mudou de assunto. Ele tá falando agora da volta dele. Aí ele fala sinais no sol, na lua e nas estrelas. Os poderes do céu sendo abalados, o filho de do homem aparecendo no céu com poder e grande glória, a reunião universal dos eleitos. E depois que ele coloca tudo isso aí, no verso 32, o que que ele faz? Ele volta a falar da destruição de Jerusalém. Quer ver? Olha, olha como é que ele fala aqui. Olha, aprendam a parábola da figueira. Quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, vocês sabem que o verão está próximo. Assim também vocês quando virem acontecer essas coisas, saibam que está próximo às portas. Lucas coloca is de maneira muito clara. Quando vocês virem Jerusalém cercada de exércitos, em verdade lhes digo que não passará essa geração sem que tudo isso aconteça. Tudo isto o quê? A destruição de Jerusalém. Por isso que eu coloquei aqui na cor salmão, passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão. Ou seja, tem como vocês saberem a data da destruição de Jerusalém. Quando vocês virem Jerusalém cercada de exército, quando vocês viram o abominável da desolação no lugar santo, saibam que chegou a época de Jerusalém. E saibam disso, essa geração não passará sem que veja isso acontecendo. Aí no verso seguinte, que é o verso 36, ele tem uma palavra que em grego é de, mas é uma é uma conjunção adversativa, mas a respeito daquele dia e hora, ele voltou a falar agora da volta dele. Ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o filho, senão somente o pai. Porque assim como foi nos dias do dilúvio, assim será a vinda do filho do homem. Todos estavam casando, dando em casamento, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim será a vinda do filho do homem. Ou seja, olha o más, gente. Olha aqui. O verso começa com o má. Então, a conjunção adversativa, como qualquer conhecedor mínimo da gramática sabe, ela diferencia o que está antes do que está depois. Se eu digo a vocês assim, eu queria muito eh ir ao churrasco na sua casa, mas olha, se tem mas significa que eu não vou, tá certo? durante o dia faz muito sol. Mas então agora tô falando de uma outra realidade. Então quando ele falou, aprendo a parábola da figueira, quando os ramos renovam, vocês sabem que o verão tá próximo. Assim também quando vocês virem acontecer essas coisas, saibam que está próximo às portas. E essa geração não passará sem que veja isso acontecendo, a destruição de Jerusalém. Mas a respeito daquele dia e hora à minha volta, ninguém sabe. Aí a comparação não é a a Oliveira. Agora a a comparação é com relação ao ao a Noé e o dilúvio, tá certo? Figueira, perdão. A comparação agora não é mais a figueira, agora a comparação é a Noé e o dilúvio. Então Jesus não errou. Jesus não cometeu um equívoco. Aprenderam isso? Entenderam? Viu como é que é? É bom estudar a Bíblia dentro do contexto da época, entender a o modo como eles ensinavam, como eles gesticulavam, como eles falavam, como eles usavam a organização do pensamento. É diferente da nossa organização ocidental. Gente, já estamos com 1 hora e 10 minutos de bate-papo aqui e eu teria outros textos que eu separei para vocês, outras palavras difíceis de entender de Jesus. Eh, mas eu de propósito não vou colocar hoje, não. Faz o seguinte, se você gostou dessas palavras de Jesus que eu falei até agora, se esclareceu, se ficou mais fácil de entender, mas você quer saber de outras também que ele falou, por exemplo, é mais fácil passar um camelo no fundo de uma agulha do que um rico entrar no céu. Não acumulem tesouros na terra, então significa que ninguém pode ter nada. Então, como é que entende isso? Será que nenhum rico vai ser salvo? Então, porque um camelo não passa no fundo de uma agulha. O que que Jesus quis dizer com isso? Se você quer aprender sobre essas e outras passagens estranhas, palavras complicadas de Jesus, é só você deixar no comentário aqui que a gente comenta numa próxima live, tá bom? Aliás, o que eu comentei hoje já atendendo ao pedido de vários. Que Deus abençoe você, seja meu aluno Bíblia comentada, não deixe de assinar. Um grande abraço e até o nosso próximo encontro. Ciao. Ciao.