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A fé vem pelo ouvir

As Falas Mais Chocantes de Jesus Não Estão só no Apocalipse com Rodrigo Silva

As Falas Mais Chocantes de Jesus Não Estão só no Apocalipse com Rodrigo Silva

As Falas Mais Chocantes de Jesus Não Estão só no Apocalipse com Rodrigo Silva

As palavras de Jesus de Nazaré frequentemente geram dúvidas. Declarações como "não vim trazer paz, mas espada" ou "quem não odeia seu pai e sua mãe não pode ser meu discípulo" são usadas para questionar a coerência de Cristo. A profecia sobre "esta geração não passará" também levanta críticas. Mas será que as interpretamos corretamente? O contexto original de Suas falas é a chave para a clareza.

Neste estudo, à luz da arqueologia e da hermenêutica bíblica, desvendamos o real significado dessas passagens. É essencial compreender a linguagem semita, os idiomatismos hebraicos e aramaicos, e os gêneros literários que Jesus empregava. Não se trata de justificar, mas de entender a cosmovisão e o modo de comunicação da época, que difere drasticamente do nosso.

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Meu nome é Rodrigo Silva, sou cristão e casado com a Laura. Aqui eu compartilho um pouco das histórias da minha vida dedicada à Bíblia Sagrada, Estudo Bíblico e a Arqueologia. Desde tenra idade, fui fascinado pelo passado e pelas histórias que os artefatos e ruínas antigas podem contar. Minha jornada na arqueologia tem sido repleta de aventuras, descobertas emocionantes e uma profunda conexão com o passado. A cada escavação, a cada artefato encontrado, sinto-me mais grato por ter escolhido seguir essa paixão. Agradeço por me acompanhar nesta viagem!

Legendas automáticas:

Olá, você que me segue no Rodrigo Silva
Arqueologia, nós estamos de volta pro
nosso bate-papo semanal sobre Bíblia,
teologia, religião e assuntos afins. E
hoje vou falar sobre as duras e
polêmicas palavras de Jesus de Nazaré.
Porque já recebi muitas pessoas
perguntando, escuta, como entender essas
palavras de Cristo? E há inclusive até
alguns internautas assim eh meio, como
diria, desrespeitosos com o
cristianismo, que até tomam as palavras
de Jesus de maneira jocosa. Ah, será que
ele realmente era isso tudo? Olha que
absurdo, que estupidez que ele falou. Já
ouvi alguém falando esses dias na
internet que Jesus era um lunático,
Jesus era um ridículo. E ele apontou
algumas coisas de Jesus ou palavras que
ele disse que demonstrariam que ele não
era aquilo que o cristianismo crê que
ele é. E nós vamos pegar algumas dessas
palavras hoje e vamos avaliar se
realmente eram palavras que podem trazer
qualquer tipo de senão a aquilo que
Jesus afirmou ser. Aliás, eu fico aqui
com as palavras de Stuart Mill, que
apesar de não ser um homem religioso no
sentido que a gente entende da palavra,
ele foi o pai do método científico
depois de Francis Bacon, ele chegou a
declarar certa vez que somente alguém
maior do que Jesus para fabricar alguém
como Jesus. Ou seja, se Jesus é a
criação de uma outra pessoa, diga para
mim quem é essa outra pessoa e eu vou
segui-la, porque ele é extraordinário,
porque somente alguém maior do que Jesus
poderia criar alguém como Jesus. É
apenas uma forma hiperbólica de dizer
que Jesus é forte demais para ser fruto
da genialidade de qualquer autor da
antiguidade. Jesus é alguém que existiu
e a sua declaração é é muito forte, como
dizia CS Luz. Quando ele falou que ele
era o filho de Deus, isso só pode ser
acreditado a duas coisas ou três coisas.
Ou esteria, Jesus estava equivocado, ele
era um louco mental, ou ele era um
mentiroso, ou ele era de fato aquele que
ele afirmou ser. E o próprio Césilius,
que foi ateu e depois acabou se
convertendo a Jesus, falou: "Olha,
alguém para produzir o que ele produziu
com os resultados que ele que ele criou,
não pode ser um um lunático, muito menos
um louco, muito menos um mentiroso."
Então, só resta uma alternativa. Ele era
de fato o filho de Deus. E assim eu
acredito. Mas esse Jesus, o filho de
Deus, falou coisas muito difíceis na
Bíblia. Por exemplo, é mais fácil passar
um camelo no fundo de uma agulha do que
um rico entrar no reino do céu. Se um
homem olhou para uma mulher com intenção
impura, já adulterou no coração dele com
ela. E parece que Jesus também errou nas
profecias, porque ele diz que aquela
geração que estava acompanhando as suas
palavras iriam ver o cumprimento de tudo
aquilo. E Jesus morreu, aquela geração
morreu e elas não viram o reino de Deus.
Como é que ele fala da volta dele? fala
que aquela geração iria ver. Então, há,
por exemplo, internautas e até teólogos
que afirmam que Jesus se equivocou, ele
mentiu, ele fez uma falsa profecia. O
que eu peço aqui é o seguinte, é muito
importante nós termos em conta a
hermenêutica das palavras de Jesus para
entendê-las corretamente. Eu sei que
muitas pessoas não gostam disso. Eles
pensam assim: "Não, isso é é e é forçar
a barra. Quando você não quer dar uma
resposta, você quer dar esse inventar
esse negócio de hermenêutica. Eu acho
muito perigosa essa essa manifestação de
internet fica pegando frases soltas da
da pessoa para fazer um juiz de valor
sobre ela, tá certo? Nós temos que pegar
a obra daquela pessoa como um todo e
avaliar as suas palavras dentro do
contexto correto, tá certo? Então, esse
é o momento de você convidar outras
pessoas para assistirem o nosso
bate-papo. Se você gosta do conteúdo que
tem aqui, não deixe de colocar o seu
like, deixar o seu comentário e se
inscrever no canal. É muito importante a
sua inscrição aqui no nosso canal no
Rodrigo Silva Arqueologia. Isso é fazer
com que o YouTube ah faça com que mais
pessoas tenham acesso a esse conteúdo
que você acha importante, acha
relevante, tá certo? Então vamos lá. Já
que eu falei da questão da hermenêutica,
eu vou até começar com uma autoridade,
alguém que eu sempre admirei muito a
vida e as obras que ele deixou. Estou
falando de Rui Barbosa. Eu posso quase
dizer o pai do direito brasileiro, né?
Um dos maiores juristas que nós tivemos,
um homem de grande envergadura
intelectual. E olha que interessante o
que ele escreveu certa vez. Ele falou
assim: "Bem é que saiba o nosso tempo
quanto bastará para falsificar uma
escritura? Bastará mudar um nome?
Bastará mudar uma cifra? Digo que muito
menos nos basta. Não é necessário para
falsificar uma escritura, mudar nomes,
nem palavras, nem cifras, nem ainda
letras. Basta mudar um ponto ou uma
vírgula. Ressuscitou?
Não está aqui. Com essas palavras diz o
evangelista que Cristo ressuscitou e com
as mesmas palavras, se mudar a
pontuação, pode dizer um herege que
Cristo não ressuscitou. É, é curioso eu
trazer essas palavras de Rui Barbosa
para introduzir o nosso bate-papo aqui,
porque o próprio Rui Barbosa, que disse
que não há crime de hermenêutica,
também deixou claro que isso não pode
ser levado assim a a esmo, sem qualquer
critério. Embora quando ele disse, não
há crime de hermenêutica, é porque às
vezes um advogado tem o direito de
interpretar a lei de um jeito, outro de
outro. Mas isso não anula o fato de que
há distorções e distorões que são
provocadas principalmente por não
analisar o contexto em que a pessoa
escreveu certas palavras. Semana
passada, se vocês se lembram, eu falei
sobre Helen White. Eu não analisei todos
os textos de Hellen White. Falei apenas
de um ou dois dela dela, que são textos
mais polêmicos. Mas muita gente fala
assim: "Ela é ela é falsa, ela escreveu
isso e tudo, fica pegando uma palavra
solta aqui, outra solta ali, sem olhar o
contexto." Isso também é feito com
relação à Bíblia.
Então, vamos analisar as palavras de
Jesus dentro do contexto, mas eu peço
ainda a sua paciência para eh dar um
outro exemplo da importância eh de se
entender a palavra dentro do seu
contexto histórico. Vocês já ouviram
falar dessa história
do da queda do avião da Korean Airflight
do 801?
Esse avião caiu em 1997
e matou praticamente toda a tripulação.
Foram 228 mortos. E por que que esse
avião caiu? Há várias eh causas que são
colocadas ali, mas tem uma que chama
atenção que a oficialmente foi colocado
que houve falha de comunicação
da tripulação,
só que depois essa falha foi explicada.
A razão é o seguinte, é que o piloto e o
engenheiro perceberam os, o copiloto e o
engenheiro perceberam os problemas, mas
eles não confrontaram diretamente o
comandante da aeronave. Eles usaram
linguagem excessivamente suave,
indireta, porque na cultura da Coreia,
do Japão, da China, de alguns países do
extremo Oriente, eh você respeita muito
a hierarquia. Então, se o copiloto e o
engenheiro estão hierarquicamente abaixo
do piloto, eles jamais falam com ele em
pé de igualdade. Por exemplo, eh, em vez
de falar, estamos voando muito baixo,
arremeta agora eles falariam de maneira
mais suave, capitão, o clima parece eh
um pouco ruim.
Percebeu? Eles não tinham assim a por
questão cultural a ideia de discutir
muito forte com a torre, com o piloto. E
o piloto que não era eh da mesma
cultura, entendeu que estava tudo bem e
por isso houve esse acidente. Tanto é
que depois disso houve novos protocolos
a eh que eles inclusive agora a Korean
Air parou de voar por uns três ou 4 anos
depois disso. Ela perdeu muito dinheiro,
quase faliu. Mas eles refizeram
protocolos inclusive em nível eh
internacional, mundial, em que quando se
está num eminente num eminente risco de
queda, não deve existir essa essa
hierarquia da fala de um piloto para um
copiloto ou vice-versa. Você tem que
falar em pé de igualdade, porque são
vidas que estão em jogo. Mas isso
aconteceu por causa de um problema
cultural. O piloto não entendeu que a
maneira cultural dos coreanos falarem
era aquela e diante de uma autoridade. E
por pegar uma fala
não interpretada culturalmente, você viu
aí eh dezenas e dezenas de pessoas
perderam a sua vida. É um exemplo eh
dramático que eu coloco, mas ele serve
para várias outras situações da da vida.
Eu me lembro uma vez que Woody Allen
dando uma entrevista para uma repórter,
ele falou: "I mad about my flat". E e
ele ele estava querendo dizer que ele
tinha medo eh que ele tava com problema
com o apartamento dele. Mas isso no
inglês britânico, no inglês
norte-americano, a mesma frase
significaria: "Eu ten medo de agulha".
Percebeu? I mad about my flat. Eu eu eu
tenho medo. Eu tenho problema com o meu
apartamento. Eu tenho medo de agulha. a
mesma sentença em inglês com dois
significados diferentes. E houve até uma
coisa engraçada numa numa tradução de
uma revista que colocou que ele tinha
ele tinha medo de de tomar injeção e não
foi isso que ele disse. Então, se isso
acontece com línguas atuais, imagine com
a Bíblia. Não precisa ir longe mesmo. O
português do Brasil pro português de
Portugal. Se você chegar em Portugal e
falar para alguém assim: "Olha, o homem
de fato eh falou muitas verdades, o
português vai pensar que o homem estava
com um terno
porque fato em Portugal é terno.
Você deveria falar em português de
Portugal assim: "O homem de facto, de
facto falou muitas verdades. O homem de
facto, que o homem de fato significa um
homem com terno. Eterno para eles não
significa nada. E olha, se isso acontece
com duas línguas que são faladas hoje em
países de com a mesma língua falada hoje
em países diferentes, imaginemse
tratando de um livro que foi escrito há
milênios, tá certo? E com relação a
Jesus, devemos levar em consideração um
outro detalhe que eu coloquei aqui em
forma de esquema para vocês. Em primeiro
lugar, temos que tomar em conta a
distância cultural. Jesus falava
aramaico do primeiro século,
que até é diferente do ciríaco que é
falado hoje, por pouquíssimas pessoas no
mundo ainda falam o aramaico eh de
Jesus, mas pouquíssimos mesmo,
pouquíssimos. Até alguns chamam de
círíaco.
Eh, é uma língua semita, com
características bem diferentes da nossa,
cheia de hipérbole, de paralelismo
invertido.
Além disso, você tem que levar em
consideração a distância cultural,
porque o aramaico da época de Jesus e o
hebraico, que ele falava também
situações litúrgicas,
também não é exatamente o mesmo aramaico
que se fala hoje nas ruas de Teliv. É
como comparar o Brasil de Camões, o
português de Camões com o português do
Brasil de hoje. Eh, o gênero literário,
nem tudo é proposição doutrinária. Jesus
dava provérbios, parábolas, hipérboles,
gêneros diferentes, tá certo? Então, vou
dar alguns exemplos para vocês do gênio
da língua da época de Jesus pro nosso.
Por exemplo, em português que nós
falamos hoje, nós começamos as palavras
sempre ou quase sempre pelo sujeito, né?
pelo substantivo, eu falo assim: eh, a
palavra do Senhor veio
a Jonas.
A palavra do Senhor veio a Jonas. Em
hebraico, eu falaria: "Veio a palavra do
Senhor a Jonas." O verbo antecede ao
sujeito, porque eles têm uma maneira de
pensar diferente da nossa. Eles não
trabalhavam com abstratos, tudo era
concreto.
Então, enquanto eu falo em português, a
palavra veio, em hebraico é vai redevar.
veio a palavra. Enquanto em português eu
falo e e Deus criou em hebraico que
criou Deus. Bariloim, eles sempre
colocam o verbo antes. Isso já mostra
que a maneira deles raciocinarem é
diferente da nossa. É uma outra cultura,
é uma outra disposição. Outro exemplo
que eu posso dar para vocês em
português, a o pleonasmo subir para
cima, descer para baixo, sair para fora
é vício de linguagem.
Na época de Jesus era uma ênfase
importante, elegante e até poética. Aí
você vê na Bíblia várias vezes assim:
"Aquele que tem ouvidos para ouvir,
ouça."
Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça.
O olho que tudo vê, tá certo? Eh,
Lázaro, sai para fora. Jesus disse
aquele que ele haveria de ressuscitar.
Lázaro sai para fora. Então veja que
para eles, pelo fato de estar usando um
pleonasmo, é uma ênfase que nós em
português perderíamos, porque a gente
não tem ideia, não tem ideia de que
aquilo é uma ênfase importante pra
gente, é um visto de linguagem. Então eu
tenho que pegar esses esses gênios da
língua da época de Jesus. Não basta
apenas ficar pegando o dicionário, a
palavra no dicionário e traduzindo ao pé
da letra, tá certo? Com isso em mente,
vamos começar com a primeira palavra
polêmica de Jesus. pra gente abrir.
Então vamos lá, gente. Coloquem nos
comentários, vocês estão gostando da
introdução? Deu para entender a
problemática? Então tá bom. Vamos a
primeira palavra problemática de Jesus.
Ela está em Mateus, capítulo 10, verso
34, onde ele fala: "Não vim trazer paz,
mas espada. Não pensem que vim trazer
paz à terra. Não vim trazer paz, mas
espada."
E aí eu até eu coloquei de propósito um
Jesus, tipo um Rambo assim com
metetralhadora e e e helicóptero atrás,
porque essa é a imagem que muita gente
tem. E eu já vi muitas pessoas pegando,
tá vendo? Jesus teve uma contradição.
Porque o Jesus de vocês veio trazer foi
paz. Ele veio, ele não veio trazer, ele
veio trazer foi espada, não foi paz. Ou
então pegam palavras de Jesus e colocam
como se Jesus estivesse se
contradizendo, porque no momento ele
fala: "Deixo-vos a paz. A minha paz vos
dou, não a dou como o mundo a dá. Tenham
paz uns com os outros. E no outro
momento fala: "Eu não vim trazer paz à
terra?" E parece até uma contradição com
a promessa messiânica eh que os judeus
tinham, que o Cristo, o Messias, quando
ele viesse, ele traria paz ao mundo.
Bom, vamos pegar primeiro o significado
das palavras e o símbolo que elas
apresentam, tá bom? Ele tem um jogo de
palavras. Eu não vim trazer paz,
supondo que no hebraico é shalom, mas eu
vim trazer espada. Here, herev, esse
jogo, paz e espada. Vamos começar pela
espada. A espada naquela época era a
arma principal que as pessoas possuíam.
Então, espada aparece em vários eh
documentos antigos com significados
simbólicos muito precisos. Vou dar um
exemplo bem eh assim fácil de vocês
entenderem. Olha que interessante essa
essa essa essa espada. Ela está no Museu
de Israel. Eh, já encontraram as três ou
quatro mais ou menos espadas nesse
formato. Ela foi encontrada da tumba de
um de um soldado. Ela data de
aproximadamente 1300 anos. 10000 anos
antes de Cristo. 1300 anes de Crist. é
uma espada, eles chamam essa essa espada
de simatara. Simarha é um tipo de espada
que inclusive foi encontrada no túmulo
de Tutankamon, tá certo? Eh, parece uma
espada
cananita.
Os os filisteus usaram esse tipo de
espada também, mas note que ela também
parece uma foice. Mas o que me chama
atenção não é só o fato dela virar uma
foice, parecer uma foice, é que ela está
entortada.
O fato dessa espada ser encontrada no
túmulo de um soldado entortada levou os
os arqueólogos a deduzirem que aquilo
era um símbolo que uma vez que ele
morreu, aquela espada não seria mais
usada numa guerra.
Como ele morreu, aquela espada perdeu a
sua função. Então ela era entortada,
inutilizada.
Tudo bem até aí? Por isso que ela está
torta. Agora, qual que seria a palavra
para inutilizada, para entortada que nós
temos aí? Aqui nós temos ah, em hebraico
um texto de Isaías, capítulo 2,
versículo 4, que diz assim: "Ele julgará
entre as nações e corrigirá muitos
povos. Estes transformarão as suas
espadas em lâminas de arado e as suas
lanças em foic.
Nação não se levant não levantará a
espada contra nação, nem aprenderão mais
a guerra. No hebraico, ah, a palavra que
eles traduziram por transformação, por
transformarão é vectoto. Vectoto.
Vectoto significa mais do que
transformar. Vectoto significa quando
você pega um metal e bate naquele metal,
inutiliza aquele metal ou enverga aquele
metal para virar outra coisa ou derrete
para virar outra coisa. Uma espada que
vira um arado, tá certo? E aí falou de
lança que vira foice.
Então o sentido ali daquele texto de
Isaías está representado nessa espada.
Agora aquele aquele guerreiro não
guerreará mais. Ele está em paz. A sua
espada está inutilizada. Isaías fala a
mesma coisa. Peguem a espada então e ela
vai virar elemento de arado. Então na
Bíblia em várias situações, a espada é
trazida como símbolo, símbolo de
julgamento,
de palavra. Tanto é que o apocalipse
fala que da boca de Jesus sai uma espada
fiada para com ela ferir as nações.
Ninguém entende isso literalmente, que
Jesus vai ter uma lâmina da boca dele
fazendo assim, ó, batendo em todo mundo.
Não é por aí. Paulo fala da Bíblia
Sagrada como sendo a palavra de Deus,
como sendo uma espada que corta de dois
lados, de dois gumes.
Então, espada aparece não só na Bíblia,
mas também em outras culturas do antigo
Oriente próximo, como símbolo de
vitória, como símbolo de juízo,
como símbolo de eh impor eh organizar
uma situação. Eu vou mostrar para vocês
aqui um exemplo aqui. Olha, uma isso
aqui, por exemplo, esse desenho que está
aqui do lado, é um um relevo egípcio
onde você tem aí o deus Amon, tá certo?
Com ele está segurando uma arma divina
diante do faraó Ramsés I,
porque eles tinham, como eu até escrevi
aí, uma natureza dual da espada. Ela era
ao mesmo tempo arma de guerra e símbolo
de verdade espiritual. Ela ilustrava a
complexa interação entre realidade
física e espiritual na cosmovisão
bíblica, tá certo? Efésios 6:17 fala da
espada da do espírito que é a palavra de
Deus. Então, sendo assim, quando Jesus
disse,
eh, eu vou trazer, não vou trazer paz,
mas sim a espada, é interessante que ele
estava explicando o que que iria
acontecer. Eh, quando a mensagem dele
fosse aceita,
muitas pessoas
iriam contra você. Ou seja, Jesus nem
estava prometendo que o reino dele iria
unificar o mundo. Pelo contrário, é a
verdade do evangelho que vai separar o
mundo.
É a verdade que vai separar o mundo.
Eu explico a você. Você sabe que nem as
convenções sociais elas não nos separam.
Esse foi um erro que Sigmund Freud
cometeu e e ele e ele foi corrigido eh
por Victor Frankel, porque Sigmund Freud
dizia o seguinte, que o que nos
deixa realmente eh eh diferentes são as
convenções. Aliás, deixa eu até corrigir
aqui a fala de Freud para não citá-lo
erradamente. Freud diz o seguinte: "As
convenções nos mantém diferentes".
É isso que segura o ser humano. Por
exemplo, a rainha da Inglaterra come com
toda a ética porque ela tem uma posição
social que a protege. Enquanto aquela
pessoa que não tem aquele refino do
castelho vai comer com a mão de qualquer
jeito. Mas o Freud dizia: "Se essas
convenções sociais forem tiradas, aí
todo vira bicho, vira animal".
Por que que vira animal? Se você tira,
continua com Freud, as necessidades de
afeto e sobrevivência, o EOS e o
Tanatos, a pessoa vai matar e vai e vai
e vai morrer por causa de comida. Aí a
rainha não vai ter critério, né? Ela
come com critério porque tem comida
suficiente para todo mundo, mas se tiver
só um prato de comida, se tiver morrendo
de fome, a rainha da Inglaterra também,
segundo Freud, os dois iam virar
animais, iam brigar até a morte pelo
pedaço de comida, porque aí o que é de
mais real no ser humano, que é a nossa
entidade animal, vai vir à tona e a
necessidade de sobrevivência do mais
apto. Tá certo? Só que Victor Fran
falou: "Não, Freud tava errado".
O que nos diferencia não são as
convenções, é justamente o momento em
que tudo nos é tirado. E Víctor Franco
pegou como como base paraa sua teoria a
experiência dele no campo de
concentração nazista que ele passou em
Daral e Auschwitz. Ele falou ali, eu vi
que os os nazistas eles tiraram dos
judeus todo tudo a a o EOS e o Tatos.
tirou a a o alimento, tirou o afeto,
tirou tudo. E ali, ao contrário do que
previa Freud, os judeus não se tornaram
todos animais. Pelo contrário, houve
alguns judeus, sim, que se prostituíram
por causa de um pedaço de pão, eh,
mentiram, entregaram, eh, traíram, mas
houve uma multidão de judeus que se
tornaram heróis,
que partiam o pedacinho de pão que eles
tinham com alguém que não ganhou nada,
que até doavam seu pão para que o outro
tivesse um pouco mais de forças.
tiravam seus sapatos, ficavam descalços
para que o outro ficasse calçado. Às
vezes tirava o sapato de um pé, colocava
no outro ali, ficava revesando.
Eles desenvolveram uma diferença. Eles
não brigaram por causa do prato de
comida. Então o Victor Franco dizia: "Na
hora do do aperto, é aí que as pessoas
se dividem, porque na hora que você tira
tudo do sujeito, alguns se tornam santos
e outros se tornam porcos.
Ou seja, é na hora da crise que você vê
quem realmente é herói ou quem só faz
discurso.
Percebeu? Então o que Jesus quis dizer
quando falou: "Não vim trazer paz, mas
sem espada". Ele quis dizer isso, que
quando o evangelho chegar para valer
mesmo,
muitos vão ser separados. Por quê?
Muitos vão eh eh eh querer ficar
agarrados aos seus pecados, aos seus
caprichos, ao seu dinheiro, aos seus
ídolos, enquanto outros vão ficar ao
lado de Deus. E geralmente esses ficam
presos aos ídolos, perseguem o povo de
Deus. Por isso que Jesus falou: "Eu vim
trazer uma espada para separar as
pessoas". Jesus não estava de maneira
nenhuma incentivando todos ali a a cada
um pegar uma arma e sair brigando pelo
reino de Deus. Não foi isso que ele
incentivou. Ficou claro? Então Jesus
quis dizer que o evangelho vai separar
as pessoas porque cada um vai tomar uma
decisão diferente diante da mensagem. E
não há neutralidade. Ou você aceita Deus
e o reino, ou você rejeita. Não tem
assim não. Na verdade, vou ficar entre o
céu e a e e o inferno. Vou ficar no meio
ali no no no Não existe esse limbo na
ética teológica, não existe essa
situação intermediária entre o céu e o
inferno, entre Deus e Satanás. Ou você
opta pela luz, ou você opta pelas
trevas. Não há terreno cinzento. É isso
que Jesus quis dizer. Tá bem? Mas na
continuidade dessas palavras de Cristo,
ele falou algo que está em Lucas,
capítulo 14, verso 26. Em Mateus também
tem a mesma fala, mas Lucas traz de
maneira mais forte. Ele diz: "Quem não
odeia
seu pai e sua mãe, não pode ser meu
discípulo". E esses dias eu até vi um
corte na internet de alguém debochando,
falando assim: "Olha que ridículo esse
Jesus, né? Eh, quem não odeia, ele fala
e não adianta falar que é original não,
porque no original tá assim mesmo,
odeia. E realmente tem razão, no
original está quem odeia. Por isso que
eu peguei o texto de Lucas e não o de
Mateus, que Mateus suavizou a coisa.
Então, e eu lembro até nesse vídeo que
eu vi a pessoa falando assim: "Eh, e
hoje ninguém tem coragem de repetir
essas palavras de Jesus porque ia cair
muito mal na internet. Se você falar o
seguinte: "Olha, você tem que odiar o
seu pai e sua mãe". Que ridículo. Às
vezes ele fazia gracejos, às vezes
apontava para uma aparente contradição.
Bom, vamos lembrar em primeiro lugar que
não somente a Bíblia que tem o
mandamento, o quinto mandamento, honra
teu pai e tua mãe, mas a própria cultura
do antigo Oriente Médio, tinha, a gente
vê pelo Taulumud, pela Michn, pela
Guemará e até pelas próprias palavras de
Jesus, um respeito muito grande pelos
genitores, diferente da nossa cultura
ocidental, em que o pai e a mãe são às
vezes assim ridicularizado pelos filhos
que são essa geração de Humor Simpson.
Eh, na cultura bíblica, o pai, a figura
do pai é muito respeitada, especialmente
o pai. Lembra que Jesus um dia até eh
chamou atenção dos religiosos do seu
tempo, porque eles tinham uma oferta que
para não dar pros pais falaram: "Isso
aqui é pro templo". falou o seguinte:
"Por causa da transgressão, por causa da
tradição de vocês, vocês transgridem a
lei do Senhor".
E Paulo até fala: "Honrai a teu pai e
tua mãe, porque esse é o primeiro
mandamento com promessa."
Então, o que eu tenho primeiro lugar o
seguinte: há uma ética muito forte na
Bíblia, inclusive nas palavras de Jesus
sobre honrar pai e mãe. Mas eu tenho de
fato uma fala muito estranha em Jesus,
onde ele fala: "Aquele que não, Vou até
ler de novo, vamos colocar de novo aqui
no na tela. Olha, quem não odeia seu pai
e sua mãe, não pode ser meu discípulo.
Só que eh quando a gente vai para Lucas
14 25,
eh, 26, aliás, Lucas 14:26,
tem uma partezinha mais aí que pode nos
ajudar. O texto completo diz assim:
"Olha, se alguém vem a mim e não me ama
mais do que seu pai e sua mãe, assim tá
na tradução da Nova Almeida atualizada,
a sua mulher e seus filhos, seus irmãos
e suas irmãs, até a sua própria vida não
pode ser meu discípulo. Só que eu tenho
que admitir, a Nova Almeida atualizada
deu uma suavizada, mas no original está
odeia mesmo." Como é que a gente vai
entender isso então Rodrigo? Vamos por
parte. Vamos lá.
Em primeiro lugar, eh, no grego você tem
a palavra mel. Mel, que significa
exatamente odiar, tá? Por da palavra mel
vem a palavra misogenia.
Eh, mel.
Guê é mulher. Guinê é mulher em grego.
Guinê é mulher em grego. Missel é odiar.
Então, a palavra misogenia é odiar a
mulher, tá certo? Eh, e outras outras
exemplos que eu poderia dar, né? Agora
vamos com calma. Já falei com vocês que
a lealdade a pais e mães é uma coisa que
tá clara em toda a Bíblia. Josefo fala
dessa obrigação, tá certo? Mas Josefo,
Flávio Joséfo, que é historiador judeu
do primeiro século, ah, no livro
Contraápio, ele diz algo curioso. Ele
fala que a maior obrigação social é amar
pai e mãe. Mas ele coloca isso em
segundo lugar.
após honrar a Deus. Então, em primeiro
lugar, você tem que honrar a Deus,
depois honrar seu pai e sua mãe. Então,
Lucas usa a palavra mel, mas Mateus usa
pilon, hiper,
amar sobre ou literalmente amar mais
que, tá certo? E como é que a gente
entende isso aqui, Rodrigo? É muito
simples de de entender. Quando você vai
para o Antigo Testamento, vamos pegar
Gênesis 29:31.
Gênesis 29:31
era a maneira que eles tinham de se
expressar.
Gênesis 29 verso 31 diz assim: "Olha,
vou ler para vocês, vou ler o verso 30
também. Eh, e Jacó,
eh, e Jacó teve relações também com
Raquel.
Ele amava Raquel mais do que amava Lia
e continuou trabalhando para Labão
durante mais 7 anos. Quando o Senhor viu
que Lia era desprezada,
a palavra desprezada aqui no hebraico é
sanuar. Sanuar significa odiada.
Mas calma,
odiada aqui significa que ele gostava
mais de uma do que da outra. Era uma
expressão idiomática do hebraico antigo.
Quer ver essa mesma expressão? Vai
aparecer também Deuteronômio, capítulo
21 versículo 15. Deuteronômio.
Deuteronômio, capítulo 21 versículo 15.
Deuteronômio
21,
versículo 15. Se um homem tiver duas
mulheres, uma a quem ama e a outra quem
não ama,
assim tá na minha tradução em português,
só que no hebraico está uma a quem ama e
outra a quem sanua, a quem odeia. Então,
deixa eu explicar isso aqui eh para
vocês, tá bom?
uma expressão eh idiomática do hebraico
antigo era o seguinte:
eles podiam colocar a ideia de
preferência
preto no branco, tá certo? Preto no
branco, algo do tipo assim. Quando eu
falo, eu prefiro lasanha, eu prefiro
lasanha
a strogonof.
Eu as duas comidas eu como, mas lasanha
para mim é um muito gostoso. O strogonof
é bom, mas a lasanha é melhor. Eu
falaria em hebraico assim: "Eu amo
lasanha e odeio o strogonof."
Essa era uma expressão idiomática, um
estilo de linguagem que eles falavam
para dizer que preferiam uma coisa a
outra. Não é literal.
E quando alguém, com todo respeito, vem
na internet cheio de impafia, fala:
"Jesus falou que odeia e como é que fala
isso, crentes?" Eu vejo que essa pessoa
tem zero conhecimento de hebraico e
aramaico da época de Jesus.
É um ignorante, com todo o respeito,
porque nenhum nenhum hebraísta, nenhum
gramático vai ver problema nisso aqui,
porque ele sabe que é uma expressão
idiomática.
O erro que alguém comete ao acusar Jesus
de mandar odiar é tão grande como
daquela menina quem contava essa
história era Milô Fernandes naquele
livro, naquela época que ele escrevia
várias crônicas, criança diz cada uma,
não sei quantos se lembram disso. E ele
contava de uma de uma menina que uma vez
a mãe chegou e encontrou o filhinho
chorando copiosamente correndo da irmã.
E a e a mãe não entendeu porque que ele
tava com tanto medo da irmã. Depois ela
descobriu que ao sair de casa o menino
mais novo escutou a mãe falando pra
filha assim: "Olha, mamãe vai até o
açogo e volta já. Vê se não tira os
olhos do seu irmão, hein".
A expressão vê se não tira os olhos do
seu irmão significa toma conta do seu
irmão. Mas o menininho literalista
pensou que ela ia arrancar os olhos dele
e estava apavorado de medo da irmã.
Essa é uma crônica engraçada, infantil,
contada por Milor Fernandes, mas ela
ilustra o erro de alguém que pega as
palavras de Jesus, comete um erro
anacrônico, como se Jesus estivesse
falando português, e fala: "Tá vendo?
Jesus na Bíblia mandou odiar o pai e a
mãe e segui-lo. Que ridículo. Aí o seu
Jesus mandou odiar seu pai e sua mãe.
Você vai cumprir o que Jesus mandou?
Você vai odiar o seu pai e sua mãe?
Meu pai tá com uma criança falando com
medo da irmã arrancar os olhos dela. E a
prova maior que eu não estou inventando
isso é que quando você vai na no mesmo
texto dito por Mateus, Mateus já traz em
grego uma forma um pouco diferente.
Mateus fala o seguinte: "Aquele que ama
o seu pai e sua mãe mais do que a mim
não é digno de mim". Mateus percebeu que
ao colocar em grego, ele preferiu eh
traduzir o sentido da palavra de Jesus.
E deixa-me explicar a vocês, não é que
Lucas errou
ou Mateus floreou?
Todo tradutor, quem trabalha com
tradução intérprete sabe disso. Primeiro
que traduzir não é fácil. Tenta traduzir
uma poesia para você ver. Não se traduz.
Expressões idiomáticas, pior ainda. E
quando você está diante de uma expressão
idiomática, você tem dois caminhos. Se
tiver alguém que trabalha com tradução,
pode confirmar isso nos comentários.
Você pode fazer uma tradução literal ou
uma tradução dinâmica. Uma tradução
literal, você pega exatamente o que foi
dito e só troca por palavras do outro
idioma. Por exemplo, eu posso dizer para
vocês assim, traduzindo um texto do
inglês, está chovendo cães e gatos.
Eu estou literalmente traduzindo it's
rain dogs and cats. Isso é uma tradução
literal. Eu quis pegar exatamente o que
está em inglês para você entender como
eles falam em inglês. Mas eu posso num
segundo caminho optar por uma tradução
dinâmica.
E eu falo assim: "Estava chovendo
muito".
No original, em inglês não está dizendo
está chovendo muito, mas eu sei que se
eu falar em português está chovendo cães
e gatos talvez as pessoas não vão
entender. Então falei está chovendo
muito ou quem sabe eu até troco por uma
expressão idiomática típica nossa. Eu
posso falar o seguinte, eh, está
chovendo canivetes,
mas se eu falar em inglês, it's rain. H,
agora esqueci como é que a canivete em
inglês deu um, deu um branco aqui agora.
It's rain knives. Não, não é faca. Me
esqueci agora a palavra canivete em
inglês. Daqui a pouquinho eu lembro. Não
vai entender. O americano também não vai
entender. Tá certo? Como muitas pessoas
que eu já conheci de outros países falam
que eles não entendem por que depois de
uma de uma de um favor a gente fala
obrigado.
Eles não entendem. Não faz sentido
obrigado. Como assim obrigado?
Eu lembro uma vez também conversando com
uma senhora da Argentina, ela não
entendia porque os brasileiros falavam
assim: "Vamos comer juntos. Comer juntos
não faz sentido. Você não vai comer
comigo. Cada um vai comer no seu prato."
Entenderam a questão? Então, mais uma
vez, era uma expressão idiomática de
Jesus. Mas para fechar essa minha
resposta, alguém ainda pode falar assim:
"Tá, Rodrigo, mas veja bem, ele está
mandando colocar o chamado dele acima da
família".
Bom, isso é para alguns, aliás, todos
nós. Deixa me explicar para não ser mal
interpretado. O chamado de Deus vem
acima de qualquer coisa. Ponto. Porque
Deus é maior.
Segunda coisa que você tem que entender,
eh, na vida há situações que são
prioritárias ao nosso senso comum. Por
exemplo, eu amo a Laura e amo a minha
filhinha Sara. Eu amo as duas.
E numa situação de risco, eu prefiro me
sacrificar para que elas vivam, correto?
Faz sentido? Beleza, mas se eu estou no
avião
e o avião cai a pressurização dentro do
avião,
caiu oxigenação dentro do avião por
qualquer razão, você sabe o que
acontece? As máscaras de oxigênio caem.
E nessa situação, o que que eu devo
fazer?
Colocar primeiro a máscara em mim.
Pode ouvir quem quem viaja de avião,
muito já ouviu falar isso. Em caso de
desprecição, máscaras de oxigênio cairão
automaticamente sobre você. Retire a
máscara, coloque primeiro em você,
depois auxili quem está do lado. A
lógica é muito simples, porque se eu for
primeiro colocar a máscara numa criança
ou numa outra pessoa, a pessoa se se
debater, eu também vou perder a
oxigenação. Eu não vou conseguir colocar
uma segunda vez.
Então, olha que interessante, apesar de
numa situação de risco, eu preferi me
sacrificar para que a Laura e a Sara
sobrevivam, nessa situação específica do
avião, eu tenho que primeiro pensar em
mim para salvá-las. Eu tenho que
primeiro colocar a máscara em mim.
Ficou claro? Então, as coisas de Deus
vem em primeiro lugar. Segundo, as
situações em que o primeiro
[limpando a garganta] lugar é diferente
do meu senso comum.
Abraão amava Isaque, mas quando Deus
mandou, vai e sacrifica a vontade de
Deus em primeiro lugar. E terceiro, há
pessoas que são chamadas a fazerem
grandes sacrifícios, inclusive de
família. Eu valorizo demais a família,
acabei de me tornar pai agora, mas a
história está repleta de pessoas que
foram chamadas para sacrificar a
família. Por exemplo, hoje muito do que
nós temos da ciência, inclusive de raio
X, que salvaram milhões e milhões de
pessoas na história, foi graças a Mari,
que abandonou a família,
abandonou todos, ficou e trabalhando dia
e noite até sofrendo radiação.
E aí, Mahatm Gandhi, veja a história de
Mahatm Gangandi contada pela esposa e os
filhos dele.
Ele é ele, ele, ele sacrificou o papel
de pai. Ele foi péssimo pai e péssimo
marido.
Mas se não fosse o sacrifício dele ao
sacrificar a família, a Índia estava até
hoje na mão dos colonizadores, dos
imperialistas.
Um um país que, se não me engano,
ultrapassou a a China em população deve
a sua liberdade a Mahatma Gandhi e ele
teve que sacrificar a família. E eu
poderia dar vários outros exemplos. Mart
Luther King.
Mart Luther King para criar os direitos
dos negros nos Estados Unidos, ele sabia
que corria o risco de morrer. Tanto é
que quando ele ele sai de casa eh dois
dias antes daquele que ele foi morto,
ele falou pra esposa dele: "Se alguma
coisa me acontecer, pega nossa filhinha,
cuide, eu não quero que vocês passam um
aperto, não sei o que e tudo mais". Ele
sacrificou, ele colocou o papel de pai e
de marido em segundo lugar em prol da
causa dos negros nos Estados Unidos.
Então Jesus falou que alguns vão ter que
colocar a família em segundo lugar pela
causa do reino. E os discípulos fizeram
isso. Eles abandonaram tudo para seguir
a Jesus. Não que a família deles ficou
ficaram desatendidas,
mas para serem bons pais, bons maridos,
eles tinham ficar quieto dentro de casa,
não sair pelo mundo com Jesus. Paulo,
por exemplo, tinha que ficar quieto ali.
Gand deveria ficar com a esposa dele.
Gand, se Gandy fosse um excelente pai,
um excelente marido,
talvez a história da Índia seria outra.
Tá certo? Se eh Mat Luther King também
tivesse optado por ser um bom marido e
um bom pai, ficar só ali cuidando da
família dele, os negros nos Estados
Unidos também teriam outra história.
Então é isso que Jesus falou. Eh, se o
meu chamado forte para você, coloca o
meu chamado em primeiro lugar.
OK? Esclarecido?
Vamos a mais uma passagem complicada
para Jesus. Deixe os mortos enterrarem
seus mortos. N algumas traduções que eu
prefiro assim: "Deixem os mortos
sepultarem seus mortos". E essa passagem
de Jesus, eu me lembro que ela também
foi um desafio que um ateu fez uma vez
para uma mulher lá nos Estados Unidos.
E eu achei eh eu achei interessante
porque ela me procurou depois para
apresentar o marido dela que era
americano, e ela falou que ele era ateu
e ele sempre debochava da Bíblia. Nota,
isso não significa que todos os ateus
debocham da Bíblia. Eu conheço muitos
ateus que respeitam a Bíblia mesmo sem
acreditar nela. Tô falando daqueles
debochados mesmo. E esse era um deles. E
ela disse que uma das coisas que ele
falou com ela em casa naquele dia foi:
"Ah, esse Jesus da Bíblia, você pensa
que eu não conheço a Bíblia?" Uma vez um
jovem falou: "Senhor, eu te seguiria
onde quer que fores. Deixa só primeiro
sepultar o meu pai". E Jesus respondeu
para ele: "Deixa os mortos sepultar os
seus mortos. Ele me segue." Que tipo de
Jesus é esse que não respeitou nem o
luto daquele rapaz?
Ele falou isso com ela no sábado, na
hora do almoço, e ela insistiu para que
ele fosse à igreja me assistir. Eu era
um arqueólogo e tudo e curioso que
quando eles chegaram na igreja, eu
estava justamente explicando essa
passagem. Ele ficou assim desconcertado.
Você combinou com ele? Ela falou: "Não,
eu nem o conheço". Interessante isso,
né? Mas vamos pegar o contexto. Jesus
estava estrada fora. Quando alguns
jovens aparecem para ele, ele coloca a
prova aquele discipulado.
E ele virou para eles e falou assim, um
deles falou: "Senhor, eu te seguirei
onde quer que o Senhor for. Deixa eu só
primeiro sepultar o meu pai." Jesus
virou para ele e falou assim: "Olha,
deixa os mortos sepultarem os seus
mortos. Agora você vem e me segue.
Olhando assim, parece também um outro
texto muito duro de Jesus. Parece que
ele não respeitou o funeral. E lendo na
nossa cultura ocidental brasileira, pior
a situação. Porque em países como
México, Estados Unidos, a pessoa não é
sepultada assim um ou dois dias depois
que morreu. Ela fica dias.
Os Estados Unidos têm esse sistema,
vocês sabem, né? A pessoa fica numa numa
câmera frigorífica, eles preparam um
embalsamamento, tem todo um critério. A
pessoa é sepultada dias e dias depois
para dar tempo da pra família arrumar a
papelada, chamar parentes que moram
longe. É um sistema bem melhor do que o
do Brasil. Mas muitas pessoas que talvez
só conhecem o jeito brasileiro de
sepultamento, pensam assim: "Puxa, eh, o
pai do do do rapaz tava lá no velório,
ele talvez saiu chorando, falou: "Jesus,
meu pai acabou de morrer, eu vou te
seguir depois, deixa eu só sepultar o
meu pai, amanhã eu tô aí pronto." Jesus
de maneira nem foi lá no funeral do pai
do menino, nem deu os pêmes para ele,
falou: "Não, deixa os mortos sepultar os
seus mortos agora. Vem e me segue, senão
você não é digno do reino". Opa.
Calma, vamos ver isso com calma. Na
época de Jesus era diferente o
sepultamento. Vamos um pouquinho antes
da época de Jesus, na época do Antigo
Testamento, tá bom? Esse que vocês estão
vendo aí é um dentre uma série de
túmulos que foram encontradas na área de
Ketf Rinom, ali no vale de Katef Rinom
em Israel. São túmulos que datam
aproximadamente de 600 anos antes de
Cristo, 600 e poucos anos antes de
Cristo. Essa parte dentada que vocês
estão vendo da pedra aqui é onde eles
deitavam o corpo do difunto com a cabeça
voltada para lá. Esse aqui é o professor
eh Gabriel Barcaí, que faleceu
recentemente há pouco tempo. Eu o
conheci pessoalmente, foi quem descobriu
essa túmula, tumba. Ele tá sentado com
outro homem conversando diante da tumba
de 2600 anos. Eh, aí onde eles estão era
a entrada da tumba e originalmente ela
tinha era uma gruta, era uma caverna, tá
bom? Então havia um teto que desabou
depois de milênios, né? Mas eu vou
mostrar a vocês como é que ela era eh na
época eh bíblica quando ela funcionava.
Estão vendo onde estão sentados na
porta? É a portinha ali, ó. E lá dentro,
aquela parte dentada éonde os corpos
eram deitados. Mas note que há um vão,
você passa por uma portinha, entra num
vão, tem aquela parte deitada que eu
falei com vocês, mas se eu fizer um
recorte, abaixo daquela parte dentada
tem um fço. Um fosso. Perceberam? Então
vamos voltar aqui, ó.
Tem a parte deitada, dentada, com os
dentes ali, mas ali tem um uma abertura
e um fosso logo abaixo disso. Então isso
tudo era assim na época bíblica. O fosso
é esse aí. E acima, onde está a parte
dentada, que na foto está cortando, os
copos eram deitados, como esses meninos
estavam brincando aí. Olha, eles
deitaram. Então, quando uma pessoa
morria, o corpo dela era deitado ali e
esse corpo ficava ali por dias e dias
até sobrarem somente os ossos. Lembre-se
que isso tudo era fechado. Lembra que
tinha uma portinha? Essa portinha era
lacrada e o corpo ficava deitado ali até
sobrarem apenas os ossos. Aí quando
sobravam os ossos, o que que eles
faziam? Eles pegavam os ossos, onde
estão esses meninos? Só vi os ossos.
Eles recolhiam os ossos e jogavam dentro
desse buraco.
E o que que havia lá no fundo do buraco?
Outros ossos de outras pessoas.
Várias pessoas tinham ali. E muitas
vezes, como era um clã inteiro que era
sepultado ali, uma família inteira, os
ossos eram recolhidos e jogados naquele
buraco. Então, vamos recapitular. Você
entra por aquela portinha, deita o corpo
do indivíduo ali dentro de um sol.
Depois que o corpo entra em putrefação e
só sobram os ossos, aí você pega os
ossos, recolhe e joga dentro daquele
buraco para que aquele osso se junte a
ossos de outros mortos que estão ali.
Ok?
Esse ato de recolher os ossos e jogar
ali criou uma expressão, duas expressões
idiomáticas em hebraico. Nessa el amaiu,
que significa eh foi recolhido ao seu
povo. Ai é povo. Amai povo dele seu. Foi
recolhido ao seu povo. Uma expressão
idiomática do hebraico para falar da
morte. O eufemismo pra morte. Quando eu
falo assim, é um sujeito fulano morreu
em hebraico. Pois é, ele morreu, né?
Nesaf el Amaio, ele foi recolhido ao seu
povo. Uma outra expressão parecida eh
com essa seria vacab in abot a a
abotaiu, ou seja, o avotaio, avotaio e
deitou-se com os seus pais. Avot é pai,
tá bom? Avotaio,
pais dele. Pai dele. Então, ah, vacab e
foi deitado com seus pais. Entenderam
sentido? Porque agora os ossos dele
foram misturados com o outro. Aí você
encontra muito essa expressão no Antigo
Testamento. Por exemplo, Gênesis 25
verso 8, quando fala da morte de Abraão,
aparece a expressão idiomática. e foi
recolhido ao seu povo. Ossos recolhidos
e jogados ali. Ismael, quando ele morreu
e foi recolhido ao seu povo. Gênesis
25:17.
Isaque, velho e cheio de dias, foi
recolhido ao seu povo. Quer dizer,
morreu. Jacó é Gênesis 49, 29 e 33.
serei recolhido ao meu povo. E quando
ele morreu no verso 33, foi recolhido ao
seu povo. Então, essas expressões
idiomáticas significam que
ser recolhido ao seu povo significa
morrer. Isso me lança luz na expressão
usada por Jesus. Os mortos sepultem os
seus mortos. Lembra? Jesus estava
falando, isso é, eu deveria ter falado
até desde o início quando eu expliquei
aquela aquela fala de Jesus. Jesus
falava em aramaico, mas os evangelhos
estão traduzidos em grego. Então você já
tem uma perda aí. Muitas vezes nós
estamos lendo os Evangelhos em grego,
mas estamos tentando entender qual era a
frase original que Jesus falou em
aramaico.
É como você está lendo um texto em
inglês, perdão, em português, tentando
imaginar qual que era a expressão
original do inglês. Tanto é que você tem
às vezes três, quatro traduções de um
mesmo livro. Você pode ter, por exemplo,
o livro,
ah, um livro de Shakespeare, que uma uma
editora vai traduzir de um jeito, outra
editora vai traduzir de outro jeito,
outra editora de outro jeito. Então, se
você não tem o original de Shakespeare
em inglês, você fica tentando imaginar
qual qual é o jogo de palavras que está
aqui por detrás do Hamlet que
Shakespeare originalmente falou, como é
que eles declamavam isso na no teatro da
Inglaterra. Então, a gente fica tentando
imaginar também qual era o jogo de
palavras que Jesus falou. Por exemplo,
quando ele fala assim, eh, vocês com
mosquito engolem o camelo, alguns
deduzem. Jesus estava usando um jogo de
de de palavras em aramaico, onde camelo
eh
e e camelo e mosquito
tem o mesmo, são palavras muito
parecidas.
Gamla câla, gamla camla. Então, deu um
trocadilho no original em aramaico, mas
esse trocadilho se perde com traduz pro
grego. A gente fala assim, com o
mosquito engole um camelo, mas Jesus
usou uma um jogo de palavras que na
tradução se perde. É como tentar
traduzir em inglês, espanhol ou qualquer
idioma a seguinte frase: abro aspas, tem
pena de quem tem pena.
Eu desafio qualquer tradutor a traduzir
isso pro inglês ao pé da letra. Não faz
sentido.
Ok. Ah, have feather for someone who has
feather. Não faz sentido em inglês.
Ah, tenga pluma de quien tiene pluma.
Não faz sentido nenhum em nenhuma
língua. Então, em português há
trocadilhas que não faz sentido oro
idioma. A mesma coisa. Então, qual seria
o jogo de palavras de Jesus quando ele
falou: "Deixe os mortos sepultar os seus
mortos"? provavelmente a mesma expressão
idiomática do hebraico,
os mortos vão recolher os seus mortos na
época certa. No tempo de Jesus do Novo
Testamento, era praticamente o mesmo
princípio. Houve uma uma alteraçãozinha
no processo fúnebre, mas com uma
distinção que vai ficar mais fácil de
mostrar para vocês. Isso aqui é um
túmulo típico da época de Jesus do Novo
Testamento. Era um túmulo familiar.
Estão vendo uma pedra redonda similar ao
túmulo em que Jesus foi colocado? Quando
você entrava dentro do túmulo, morreu
alguém, eles colocavam o indivíduo lá
dentro. Tá vendo lá? Aquele indivíduo
com os lençóis e eles pegavam aquela
pedra pesada e lacravam a porta do do
túmulo. Foi assim com Lázaro, foi assim
com Jesus.
Aí o que que acontece? O corpo ficava lá
dentro por aproximadamente um ano.
Depois de um ano só restavam os ossos.
Aí alguns parentes do morto viriam.
pegariam os daquele indivíduo e
colocariam em caixas de pedra como
estas. Esse é um túmulo da época de
Jesus. E essas caixas eram colocadas em
lóculos como esses que vocês estão vendo
aí. Olha, tá bem? Então aqui eu tenho,
olha, uma família preparando um corpo
num túmulo de dois cômodos. Eles
preparam o corpo no na parte superior,
depois levam o corpo lá para baixo, onde
o indivíduo tá lá com a mão levantando
uma lamparina e a outra mais abaixo.
Eles vão colocar esse segundo corpo lá
naquela cama de pedra e depois de um ano
eles tiram os ossos da pessoa e colocam
naqueles ossários ali. Um ano depois da
morte dele. Aí o o túmulo estava pronto
para receber outro corpo, tá certo?
Lembra que Jesus foi colocado num túmulo
onde ninguém havia sido colocado? Pois
é. Agora veja bem que interessante esse
sepultamento em duas etapas da época de
Jesus. Uma primeira etapa em que você
colocava o túmulo, o corpo dentro do
túmulo e uma segunda etapa em que você
tirava os ossos da pessoa para colocar
naquela caixa de pedra
com o intervalo de um ano entre uma
coisa e outra. Era entendido assim: "O
sujeito só era sepultado
quando os ossos eram colocados dentro da
caixa de pedra chamada ossoário." Porque
às vezes dentro de um mesmo ossoário
eles colocavam os ossos do pai, da mãe e
de um filho mais velho, às vezes de um
marido e uma esposa. Então,
literalmente, como no Antigo Testamento,
o morto encontrou seus mortos, o osso
encontrou seus ossos,
ou seja, a pessoa só era sepultada um
ano depois da morte dela, porque
sepultamento era quando os ossos eram
colocados nessas caixas de pedra, tá
certo? Tanto é que quando você lê nos
Evangelhos sobre o túmulo de Jesus, não
fala em nenhum lugar que Jesus foi
sepultado. Fala que ele foi colocado no
sepulcro. E de fato Jesus não foi
sepultado. Há apenas duas passagens da
Bíblia que parecem contradizer o que eu
estou explicando. Uma delas é quando
Jesus vai encontrar eh Lázaro morto e a
irmã de Lázaro fala: "Senhor, se o
senhor estivesse aqui, nosso irmão não
teria morrido, porque já tem quatro dias
que está sepultado."
Só que esse foi um problema de tradução,
porque no grego está há quatro dias que
ele está no sepulcro. Estar no sepulcro
não é sinônimo de estar sepultado,
viu? A a questão eh linguística. Estar
no sepulcro não é estar sepultado.
Lázaro estava no sepulcro. Jesus esteve
no sepulcro. Jesus não foi sepultado.
Nem Lázaro. Porque para ser sepultado
significa que passado um ano os ossos
seriam tirados e colocados. Então, aí
sim o sepultamento estaria completo. Até
então ele estaria no sepulcro, mas não
sepultado. Ou seja, Jesus esteve no
sepulcro, mas Jesus não esteve
sepultado.
Ficou claro para você? Porque para estar
sepultado, Jesus deveria ficar um ano
morto, os ossos dele serem tirados e
colocados dentro da caixa. Aí sim seria
sepultado. Mas aí vem a segunda passagem
bíblica que aparentemente contradiz
isso. Quando Paulo fala no credo eh que
Jesus morreu, eh foi sepultado e
ressuscitou. De fato, Paulo fala que
Jesus foi eh sepultado. Mas qual a
explicação que os teólogos dão para
Paulo? Paulo estava escrevendo para um
público não judeu.
Então esse costume que eu expliquei era
dentro do judaísmo,
especialmente dentro dos judeus da
região da Galileia, Samaria, eh na
Samaria eh Samaria também e da Judeia e
da Pereia, não judeus da diáspora.
Então Paulo para por estar escrevendo
para um pessoal de fora, ele falou uma
linguagem que eles pudessem entender.
Voltando à fala de Jesus, quando ele diz
ao ao jovem,
"Deixe os mortos sepultar os seus
mortos", ele não estava desrespeitando o
luto daquele rapaz. E quando o rapaz
falou, deixe-me primeiro sepultar o meu
pai, ele não estava pedindo a Jesus, vou
até botar a imagem aqui, ele não estava
pedindo a Jesus para deixar ele enterrar
o pai dele no dia seguinte. O que ele
tava pedindo para Jesus era opção A, o
pai dele estava morto. Ele queria
esperar passar um ano do da morte do pai
para sepultar o pai, isso é tirar os
ossos do pai e depois de um ano ele
estaria livre para seguir a Jesus. Onde
Jesus falou o seguinte: "Não, deixe na
época certa o morto vai encontrar os
seus mortos. Agora me segue". Ou letra
B, o pai dele talvez estivesse até vivo.
Kennety, que trabalhou muito tempo com o
pessoal no Oriente Médio, especialmente
no Líbano, ele costumava ouvir lá no
porto de Beirute um jovem falando pro
outro assim: "Rapaz, eu quero ir pra
América lá que tem bom emprego". E o
outro falou assim: "Seu louco, você
ainda nem sepultou o seu pai, como é que
você vai paraa América e sepultar o pai
na cultura eh eh do ali libanesa? Era
esperar o pai morrer, ele fazer às vezes
de filho, não que tivesse esse processo
do judaísmo da época de Jesus. Eu tô
colocando apenas a mesma expressão que
ainda era usada no árabe do Líbano, na
língua árabe. Porque você sabe que os
árabes também têm todo um cuidado com o
corpo de alguém que morre. O corpo tem
que ser lavado. O filho mais velho tem
toda uma responsabilidade com o corpo do
seu pai. Mas a expressão ainda mantinha
no árabe. Você nem sepultou o seu pai,
como é que você vai paraos Estados
Unidos? Mas o pai dele tava trabalhando
com eles no porto. Então, desde primeiro
sepultar o meu pai. Era todo um processo
que não tinha nada a ver com que as
pessoas pensam com Jesus desrespeitando
o luto de alguém. Deixa eu perguntar
para você antes de passar paraos dois
últimos elementos aqui. Você tá gostando
desse conteúdo?
Então, deixa eu falar uma coisa para
você. Seja meu aluno, Bíblia comentada,
o que que você tá esperando lá? Eu
esclareço essas e outras passagens e a
Bíblia como um todo. E não somente eu,
tem um time de arqueólogos e teólogos
comigo também. E mais, o Bíblia
comentado tá com a novidade agora.
Bíblia para quem não tem tempo de
estudar a Bíblia. Se você só tem 10
minutos diários para estudar a Bíblia,
10 minutos eu vou pegar na sua mão todos
os dias do ano e vou ensinar a Bíblia
para você por 10 minutos. E se você tem
tempo e quer aprofundar mais, tem mais
de 400 aulas ali. Tem o curso de grego,
curso de hebraico, tá certo? Tem outras
novidades que estão chegando na
plataforma aí. Nossa, você não pede por
esperar. Então, já está aqui na
descrição do vídeo o link. Seja meu
aluno Bíblia comentada, você só vai
ganhar conhecimento da palavra de Deus.
Se você já gosta do que eu coloco aqui
nas segundas-feiras, aqui é apenas uma
degustação. Lá tem muito mais com muito
mais propriedade, muito mais
embasamento.
Bom, a outra passagem que eu queria
pegar para vocês, que muitas pessoas
também usam para dizer que Jesus se
equivocou mentiu, é que depois de falar
da sua segunda vinda e do fim do mundo,
ele disse assim: "Em verdade vos digo,
os discípulos que estavam ali no monte
das oliveiras com ele, não passará esta
geração sem que tudo isso aconteça." Se
está em Mateus, capítulo 24, verso 34.
Se você olhar o contexto, Jesus está
justamente falando sobre o fim dos
tempos. E então Jesus equivocou. Ele
pensava mesmo que aquela geração iria
ver o a volta dele. Isso não aconteceu.
Jesus mentiu. Jesus é um falso profeta.
Tá vendo o perigo de pegar uma fala
isolada e querer sapatear em cima
daquilo? Vamos com calma. Para entender
a mentalidade da época, deixa eu
explicar para você uma coisa curiosa que
nós temos esse fenômeno no Antigo
Testamento e também na literatura
judaica. É quando um profeta vê dois
eventos ao mesmo tempo, tá certo? Um
primeiro evento num horizonte, no
horizonte próximo do seu contexto
e depois num horizonte distante. Eu vou
dar exemplos para vocês,
eh, e vai ficar bem claro de vocês
entenderem. Eh, quando Isaías falou:
"Eis que a virgem conceberá e dará luz
ao menino". Num primeiro momento ali,
parece que está falando do filho do rei
ou filho do profeta, que não seria um
Emanuel daquele tempo. Mas aquela
situação ali também apontava
para uma realidade maior no futuro,
tá certo? Então, é como se fosse uma
profecia que acontece hoje em miniatura,
mas ela está apontando para algo muito
mais significativo no futuro. Eu vou dar
um exemplo para vocês aqui no livro de
Judas, quando fala, por exemplo, das
cidades de Sodoma e Gomorra, o livro de
Judas, você sabe, ele tem só uma uma
página. O livro de eh de Judas fala o
seguinte, eu vou ler para vocês aqui,
deixe me ver.
Racionais, Corá,
São Paulo, Bravios. Deixe-me ver.
Enoque.
Hum.
Nossa, justamente um livro que é tão,
tão, tão simples e eu não tô achando
agora o versículo que eu quero aqui.
Achei aqui, ó, verso 7. Olha o que que é
que Judas fala. Igualmente, Sodoma e
Gomorra e as cidades vizinhas que se
entregaram à imoralidade e adotaram
práticas contrárias a natureza, foram
postas como exemplo do castigo de um
fogo eterno.
Ora, Sodoma e Gomorra não estão
queimando até hoje. Elas foram
destruídas por Deus e acabou lá. Mas
olha que eles pegaram Sodoma e Gomorra
como um exemplo do que vai acontecer no
fim dos tempos, o lago de fogo e enxofre
descrito no Apocalipse.
Então eu aprendo Paulo também, outro
exemplo que eu posso dar, Paulo fala do
anticristo e Paulo fala que ele não usa
o nome anticristo, quem usa é João, mas
Paulo fala do mesmo indivíduo, ele fala
o filho da iniquidade e você sabe o que
o detém hoje. Então Paulo reporta que o
filho da iniquidade é uma coisa que vai
acontecer no fim dos tempos, mas já
havia algo na época de Paulo que o
impedia. João também quando fala do
anticristo fala: "Vocês sabem que muitos
anticristos já saíram pelo mundo porque
vocês sabem que agora são os últimos
dias. Mas ele fala quando o anticristo
vier lá na frente". Então eles tinham
uma mescla. Isso é chamado de midrash. É
quando você pega uma história aqui e ela
aponta para uma realidade maior no
futuro, tá certo? Bom, sendo assim,
Jesus então teria usado um midrach ali?
Sim, ele juntou dois eventos, um menor
para significar outro maior. E eu vou
explicar isso para você. Vamos com
calma. Vamos pegar aqui eh
como o texto está em Mateus. Olha aqui,
o evangelho começa assim, Mateus
capítulo 24 1 a 22, tá bom? Eh, Jesus
estava com os discípulos no templo,
versos 1 e verso 2, e eles estavam
admirados com as pedras da suntuosidade
do templo. E Jesus falou o seguinte: "Em
verdade vos digo que aqui não ficará
pedra sobre pedra que não seja
derrubada." Então, calma. Jesus avisou
que o templo de Jerusalém seria
destruído, OK?
Quando ele sobe com os discípulos no
Monte das Oliveiras, os discípulos
intrigados
fazem uma [limpando a garganta]
uma pergunta dupla para ele. Quando
sucederão essas coisas? A destruição do
templo de Jerusalém. E qual o sinal da
tua vinda e do fim do mundo? São duas
perguntas. Quando sucederão essas coisas
a destruição de Jerusalém? E que sinal
haverá da tua vinda? e do fim do mundo.
Aí Jesus, de maneira muito sábia,
rabínica, Jesus responde alternando
os dois eventos, a destruição do templo
e a segunda vinda. Essa era uma forma
didática que eles tinham de ensinar.
Isso você vê exemplos em Isaías, em
vários outros. Então, além daquilo que
eu falei, de pegar um evento menor do
presente e jogá-lo no futuro, num senso
mais apropriado, havia também o costume
de mesclar
um assunto e outro, um assunto e outro.
Era a maneira que eles tinham para
decorar o tema, tá certo? Decorar o
tema. É como na academia que às vezes
você faz dois exercícios ao mesmo tempo.
Você faz aqui o tríceps e faz supino.
Enquanto você tá descansando o supino,
você faz o trícepe. Eles faziam isso.
Então era a maneira didática que eles
tinham. Então Jesus começa, vejam que
ninguém engane vocês, porque virão
muitos em meu nome, virá falsos mestres,
eh eh que ensinarão muitas pessoas. Veja
que aqui ele está construindo o que
aconteceria ao longo da história, desde
o tempo deles
até uma realidade superior no futuro.
Vocês vão ser eh eh perseguidos, vocês
vão ser perseguidos, virão falsos
profetas. Mas lembra, tudo isso é o
princípio das dores. Ainda não é o fim.
Mas ele termina falando, então virá o
fim quando o evangelho ficou pregado a
todo mundo em testemunho de todas as
nações. Olha que interessante, ele
começa a falar de guerra, terremoto, e
ele vai avolumando desde agora porque
ele fala: "Vocês, vocês que aqui estão
serão odiados de todos por causa do meu
nome. Vocês ouvirão falar de guerras,
mas calma, ainda não é o fim. Nação
contra nação é princípio das dores, mas
esse evangelho vai ser pregado a todo
mundo em testemunho de todas as nações.
Então virá o fim.
Uau! Ele fez um panorama dali até o fim,
mas agora ele volta para falar da
destruição de Jerusalém. Por isso que eu
marquei com outra cor aqui, com uma cor
salmão. Primeiro eu usei o verde. Agora
na cor salmão que vai do verso 15 até o
verso 22, pode olhar que ele só está
falando da destruição de Jerusalém. Ele
fala: "Quando vocês virem o abominável
da desolação de que falou o profeta
Daniel no lugar santo, os que tiverem em
Jerusalém fujam para os montes. Ainda
das mulheres que tiverem grávidas
naquele dia, orem para que a fuga de
vocês não se dê num sábado. Jerusalém
será cercada por exércitos de acordo com
a versão de Lucas, não é isso? Haverá
uma grande tribulação como nunca houve.
Ele tá falando do cerco do ano 70.
Ele fala: "Se aqueles dias não tivessem
sido abreviados, ninguém sobreviveria".
Aí depois que ele fala daqueles dias,
ele fala ainda: "Olha, cuidado naquele
dia, se alguém disser para vocês, o
Cristo está dentro da casa, não vai
atrás". Falar: "Tá no deserto". Não
acredita nisso, porque virão falsos
Cristos e falsos falsos profetas.
Aí quando ele termina o verso 26, deixa
eu até abrir minha Bíblia aqui, falando
a respeito da destruição de Jerusalém.
Então, veja bem, primeiro ele começou a
falar de coisas que iam acontecer no
mundo desde a sua época até o fim.
Depois ele só tá falando da destruição
de Jerusalém. Esse é um dado importante.
Aí quando ele termina de falar isso no
verso 27,
ele já muda. Ele coloca aqui, olha,
porque assim como o relâmpago sai do
oriente e se mostra até no oriente,
assim será a vinda do filho do homem.
Esse porquê aqui é que às vezes dá um
problema, parece que tá ligando ao que
está antes, tá abrindo uma nova sessão.
Eis que assim como o relâmpago sai do
oriente e brilha até o ocidente, assim
será a vinda do filho do homem.
Diferente do que ele estava narrando,
a vida do filho do homem não é algo
localizado em Jerusalém, é mundial.
Não é como aqueles falsos Cristos que
vão surgir. Ele já abre um iato para
falar do futuro.
E aí ele joga um provérbio de transição.
Por isso que eu marquei de verde aqui o
verso 28.
Onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão
os abutres. E aí do verso 29 em diante,
ele mudou de assunto. Ele tá falando
agora da volta dele. Aí ele fala sinais
no sol, na lua e nas estrelas.
Os poderes do céu sendo abalados, o
filho de do homem aparecendo no céu com
poder e grande glória, a reunião
universal dos eleitos.
E depois que ele coloca tudo isso aí, no
verso 32, o que que ele faz? Ele volta a
falar da destruição de Jerusalém. Quer
ver? Olha, olha como é que ele fala
aqui. Olha, aprendam a parábola da
figueira. Quando já os seus ramos se
renovam e as folhas brotam, vocês sabem
que o verão está próximo. Assim também
vocês quando virem acontecer essas
coisas, saibam que está próximo às
portas. Lucas coloca is de maneira muito
clara. Quando vocês virem Jerusalém
cercada de exércitos,
em verdade lhes digo que não passará
essa geração sem que tudo isso aconteça.
Tudo isto o quê? A destruição de
Jerusalém. Por isso que eu coloquei aqui
na cor salmão,
passará o céu e a terra, porém as minhas
palavras não passarão. Ou seja, tem como
vocês saberem a data da destruição de
Jerusalém. Quando vocês virem Jerusalém
cercada de exército, quando vocês viram
o abominável da desolação no lugar
santo, saibam que chegou a época de
Jerusalém. E saibam disso,
essa geração não passará sem que veja
isso acontecendo.
Aí no verso seguinte, que é o verso 36,
ele tem uma palavra
que em grego é de, mas
é uma é uma conjunção adversativa,
mas a respeito daquele dia e hora, ele
voltou a falar agora da volta dele.
Ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o
filho, senão somente o pai. Porque assim
como foi nos dias do dilúvio, assim será
a vinda do filho do homem. Todos estavam
casando, dando em casamento, até que
veio o dilúvio e os levou a todos. Assim
será a vinda do filho do homem. Ou seja,
olha o más, gente. Olha aqui. O verso
começa com o má. Então, a conjunção
adversativa, como qualquer conhecedor
mínimo da gramática sabe, ela diferencia
o que está antes do que está depois.
Se eu digo a vocês assim, eu queria
muito eh ir ao churrasco na sua casa,
mas
olha, se tem mas significa que eu não
vou, tá certo? durante o dia faz muito
sol. Mas então agora tô falando de uma
outra realidade. Então quando ele falou,
aprendo a parábola da figueira, quando
os ramos renovam, vocês sabem que o
verão tá próximo. Assim também quando
vocês virem acontecer essas coisas,
saibam que está próximo às portas. E
essa geração não passará sem que veja
isso acontecendo, a destruição de
Jerusalém. Mas
a respeito daquele dia e hora à minha
volta, ninguém sabe. Aí a comparação não
é a a Oliveira.
Agora a a comparação é com relação ao ao
a Noé e o dilúvio, tá certo? Figueira,
perdão. A comparação agora não é mais a
figueira, agora a comparação é a Noé e o
dilúvio. Então Jesus não errou. Jesus
não cometeu um equívoco.
Aprenderam isso? Entenderam? Viu como é
que é? É bom estudar a Bíblia dentro do
contexto da época, entender a o modo
como eles ensinavam, como eles
gesticulavam, como eles falavam, como
eles usavam a organização do pensamento.
É diferente da nossa organização
ocidental.
Gente, já estamos com 1 hora e 10
minutos de bate-papo aqui e eu teria
outros textos que eu separei para vocês,
outras palavras difíceis de entender de
Jesus. Eh, mas eu de propósito não vou
colocar hoje, não. Faz o seguinte, se
você gostou dessas palavras de Jesus que
eu falei até agora, se esclareceu, se
ficou mais fácil de entender, mas você
quer saber de outras também que ele
falou, por exemplo, é mais fácil passar
um camelo no fundo de uma agulha do que
um rico entrar no céu. Não acumulem
tesouros na terra, então significa que
ninguém pode ter nada.
Então, como é que entende isso? Será que
nenhum rico vai ser salvo? Então, porque
um camelo não passa no fundo de uma
agulha. O que que Jesus quis dizer com
isso? Se você quer aprender sobre essas
e outras passagens estranhas, palavras
complicadas de Jesus, é só você deixar
no comentário aqui que a gente comenta
numa próxima live, tá bom? Aliás, o que
eu comentei hoje já atendendo ao pedido
de vários. Que Deus abençoe você, seja
meu aluno Bíblia comentada, não deixe de
assinar. Um grande abraço e até o nosso
próximo encontro. Ciao. Ciao.

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