Cosmovisão e Política 05/06 – Jonas Madureira
18/05/2026
Cosmovisão e Política 05/06 – Jonas Madureira
Curso de Teologia Online:
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Fonte: Escola Charles Spurgeon
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[música] >> Então hoje nós vamos terminar o nosso trajeto. Parte três da nossa reflexão. Sobre cosmovisão. E política. Meu desejo é que a solução. Que a gente. É, vai apresentar hoje para essa relação entre cristianismo e política, não seja uma solução tão desastrosa assim. Mas que seja uma solução. Capaz de a gente perceber. O tamanho do cuidado que a gente tem que, é. Considerar. Quando a gente trabalha a relação entre. Cristianismo. E política, a relação entre o cristão e a política. Porque, de fato, essa relação. Não é uma relação. Muito óbvia, não é uma relação muito fácil, muito simples, muito tranquila de se estabelecer, de se de se sustentar. Ah. A gente vai falar um pouco sobre essa solução, a partir dessa solução. Que. O Grudem apresenta no livro política segundo a Bíblia. Que é uma solução baseada no conceito que ele vai chamar de influência. Expressiva. Nós vimos. >> Que a relação do cristão com a política não pode ser uma relação de imposição. Portanto, não podemos defender a imposição religiosa. Vimos também que a omissão tão pouco poderia ser a atitude esperada do cristão em relação à política. Ou seja, manter o silêncio diante dos grandes desafios que a política ah eh de alguma forma representa para os cristãos. Também vimos que uma saída como retirar-se do governo, se afastar do governo e não se envolver com o governo tão pouco seria uma boa atitude, porque consideraria o governo como algo demoníaco e por isso indigno de receber a nossa atenção. Também vimos que não é uma boa atitude ou mais uma uma atitude que represente uma postura bíblica dedicar-se exclusivamente ao evangelismo em detrimento ah dos grandes desafios e do trabalho ah do cristão na política. Também vimos que a postura bíblica tão pouco vai exigir de nós uma dedicação exclusiva da política em detrimento da evangelização porque não acreditamos em hipótese alguma que a salvação da humanidade esteja no governo. De que nenhuma ideologia nenhuma forma de governo nenhuma visão de mundo estritamente é ideológica do ponto de vista político, reserve em si uma esperança que possa ser e brilhar mais do que a esperança do evangelho do reino de Deus pregado e anunciado por Jesus Cristo. Cristãos, portanto, não impõem a sua religião, não se omitem tão pouco diante dos desafios da política, não vão ficar em silêncio diante a dos eventos públicos, não vão se retirar do mundo da política porque consideram os governos do mundo, todos eles, obra de Satanás, tão pouco vão se dedicar ao evangelismo porque entende que essa seria a função mais e ação mais importante da igreja e que a política é, portanto, irrelevante dentro da missão da igreja e tão pouco consideraria exclusiva o papel importante e missão fundamental da igreja fazer política. Sendo assim, se não é nenhum desses cinco pontos, então, qual é a melhor maneira de se lidar com a política? Como o cristão deve lidar com a política e com as ideologias? Em outras palavras, o que é influência expressiva? Que Grudem vai dizer que, de acordo com o conceito de influência expressiva, os cristãos devem procurar influenciar o governo civil conforme os padrões morais de Deus e conforme os propósitos de Deus para o governo revelados na Bíblia e devidamente compreendidos. Que ele vai entender é de que a influência expressiva é a atitude do cristão que de alguma forma no mundo em que ele vive ele vai influenciar fazendo o bem. E como influenciar no que diz respeito às leis padrões morais é uma maneira de se fazer o bem então o Grudem entende que o cristão faz o bem não apenas quando ele distribui, por exemplo, seu pão ou quando ele eh está ali cuidando de uma pessoa carente ou quando ele está dando um prato de comida para uma pessoa que está com fome, mas ele está fazendo o bem quando ele lida também com as estruturas de corrupção da sociedade. Quando ele é uma voz para criticar todas as instâncias de injustiça social que está diante a da comunidade que ele vive justamente porque os padrões do cristão são os padrões bíblicos são os são padrões elevados não só apenas do ponto de vista daquilo que diz respeito ao certo e ao errado, mas sobretudo aos padrões morais que que fundamentam o certo e o errado. Então nesse sentido a melhor maneira do cristão se relacionar com a política não é outra senão através da influência que ele pode exercer acompanhando de perto tudo o que o governo ou de alguma forma o governo está realizando e que em certa medida ou de uma forma também explícita esteja contrariando a padrões que sejam eh padrões bíblicos. E obviamente padrões bíblicos, como ele diz, devidamente compreendidos. Queria ler com vocês duas passagens. Essas duas passagens bíblicas são passagens clássicas para falar da relação do cristão a com a a política, com o governo. Uma é a de Romanos 13, que a gente vai ler agora, e a outra de primeira Pedro. Veja o que Paulo diz: "Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais. Pois não há autoridade que não venha de Deus. As autoridades que existem foram por ele estabelecidas. Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu. E aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos. Pois os governantes não devem ser temidos. Preste atenção. A não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal. Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência. É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho. Deem a cada um o que lhes é devido. Se imposto, imposto. Se tributo, tributo. Se temor, temor. Se honra, honra. O outro texto, de primeira Pedro, capítulo dois, do versículo 13 ao 17. Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda autoridade constituída entre os homens, seja ao rei, como autoridade suprema, seja aos governantes, como por ele enviados para punir os que praticam o mal e honrar os que praticam o bem. Pois é da vontade de Deus que praticando o bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. Vivam como pessoas livres, mas não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal. Vivam como servos de Deus. Tratem a todos com devido respeito. Amem os irmãos. Temam a Deus e honrem o rei. É muito interessante esses dois textos, não? A gente esquece deles o tempo todo. Principalmente naquela parte em que eles convocam, os dois textos convocam os cristãos a praticarem o bem. Uma das das expressões, das palavras é que eu considero importantíssima na reflexão sobre a relação entre pensamento e ação e que faz parte de um dos elementos constitutivos daquilo que a gente tem trabalhado, já trabalhamos aqui quando a gente falou sobre a inteligência humilhada sobre essa relação entre ação e pensamento é o conceito de frônesis ou o conceito de prudência, se você quiser pensar já na tradição latina, romana. Uma das coisas que a gente não pode perder de vista quando a gente fala sobre a frônesis ou sobre a prudência e e principalmente pensando na sua relação com Cristo uma coisa que a gente nunca pode perder de vista é que a frônesis jamais é uma atitude sem a consciência do bem de que a frônesis jamais poderia ser a mera consciência do bem de que a frônesis tão pouco poderia ser um sentimento desejoso de fazer o bem. Por isso quando Paulo escreve a epístola aos Filipenses, no capítulo dois, a partir do versículo cinco, onde se trata de uma da de uma das doutrinas mais importantes da cristologia, que é a doutrina do esvaziamento quando Paulo diz exatamente isso tende em vós a mesma sentimento razão atitude modo de pensar. Do que Paulo está falando quando ele usa o fronete ali? Do que Paulo está a que o a que o Paulo está se referindo quando ele diz: "Tenham vocês a mesma atitude de Jesus". Ou tenha o sentimento de Cristo Jesus como usa como é atualizada ou atitude como é a NVI, eu acho que se não me falha a memória, a nova tradução na linguagem de hoje que traduz como modo de pensar. Veja, são três palavras distintas para traduzir uma expressão grega que não tem um correlato eficiente no português. Se você disser simplesmente: "Tenha o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus", o que você está dizendo é que basta você sentir, basta você querer agir bem e ponto. Você não precisa agir, você não precisa efetuar o bem. No entanto, a fronesis cristã ou a prudência cristã, ela é marcada pela combinação de três elementos fundamentais constitutivos daquilo que seria a prudência cristã ou a prudência do ponto de vista bíblico, que não é apenas desejar fazer o bem para o próximo, nem tão pouco a mera consciência do que é fazer o bem para o próximo, mas é fazer o bem para o próximo. Porém, não é simplesmente fazer o bem, mas é fazer o bem tendo a consciência de que se está fazendo o bem e desejando-se fazer o bem. Ninguém pode simplesmente fazer um bem que não tinha consciência de que estava fazendo o bem, de repente, sem querer fez o bem. Não é? De repente, estava ali, passou, deu uma de chaves, virou e aí salvou uma criança de um acidente terrível. Você pergunta: "Nossa, mas o que vocês vocês estão me louvando por isso, mas eu não sei o que que eu fiz". Não, é porque quando você virou, você bateu esse cabo de vassoura num lugar e aí você salvou uma criança. Ah, mas isso foi sem querer, eu nem sabia, não foi voluntário, eu não queria fazer isso. Na verdade eu tava querendo fazer outra coisa. Isso não é frônesis. Você fazer o bem sem ter a consciência de que o que você está fazendo é um bem e sem desejar fazer o bem não é prudência. A prudência cristã, ela vem acompanhada desse movimento de não somente fazer o bem, querer fazer o bem e desejar fazer o bem. E o cristão entende que a prudência nunca vai ser uma obra meramente intelectual como a tradição latina, grega e latina vai trabalhar a o conceito de frônesis. A frônesis para um Aristóteles, como a frônesis ou a prudência para um Cícero, vai ter uma conotação muito semelhante e um e de um intelectualismo muito forte. Traduzindo sempre para o homem que todas as vezes que o homem tiver a consciência e compreender bem a realidade, ele vai agir bem. Mas o cristão entende que por força do pecado e daí a importância de se ter uma cosmovisão cristã e uma cosmovisão bíblica, que por causa do pecado a nossa inteligência foi afetada de uma tal maneira que não temos condições de por nós mesmos e pela nossa mera reflexão simplesmente ter a consciência do bem, desejar o bem e fazer o bem. A gente sabe que todas as vezes que a gente deseja fazer o bem e a gente tem a consciência do bem e faz o bem, foi fruto da graça de Deus. Porque todos nós olhamos no espelho e porque somos controlados pela visão cristã de mundo, que é uma visão bíblica, olhamos no espelho e lembramos todos os dias quando nos olhamos no espelho: "Todos pecaram e por isso carecem e são carentes de Deus, são carentes da graça, da obra, da operosidade do Espírito Santo. Então, nenhum de nós aqui será capaz de fazer o bem bíblico se não for pela graça de Deus. A prudência cristã, a atitude fronética, a frônesis, a prudência do cristão, só vai ser possível se ele confiar inteiramente de que tudo que nasce de bom no coração dele vem de Deus. Por isso, quando a gente faz o bem, é uma maneira de a gente também perceber o quanto a graça de Deus tem trabalhado com o nosso egoísmo, com toda a nossa, aquilo que é tão claro e presente na natureza de um homem marcado pela queda. Então, em outras palavras, ninguém fica assim: "Ai, não fico com uma comichão, não vejo a hora de fazer um bem para alguém". Tá entendendo? Não, você nunca vai ver ninguém assim num ônibus, né? "Ai, nossa, eu estou com uma vontade de orar. Ai, eu não estou me controlando, vou orar aqui mesmo". A gente tem que aprender a se olhar no espelho e perceber que dentro de nós existe as marcas e os efeitos da queda. E que a gente depende da graça de Deus mesmo para fazer o bem. E é por isso que não existe cristão convertido porque tem cristão endemoniado. Cristão convertido, eu estou falando cristão rendido à palavra de Deus, que ao fazer o bem não dobra os seus joelhos e glorifique a Deus por ter vencido a si mesmo pela graça do Espírito Santo. Por isso todas as vezes que um crente faz um bem, ele percebe o poder do Espírito Santo de vencer todas as estruturas de pecaminosidade que envolvem a natureza caída que a gente tem. Por isso é um grande desafio para os cristãos fazer o bem. Por isso é um grande desafio para mim e para você fazer o bem. Por isso nós cristãos não podemos aceitar o silêncio diante da maldade das estruturas de pecaminosidade, sejam elas em nós mesmos, na nossa igreja, na comunidade à nossa volta. Porque nós não fomos regenerados para viver uma vida ainda plantada, enraizada no reino das trevas. Se somos os filhos da luz, se nosso coração prova as marcas da obra redentora de Cristo Jesus que nos regenerou para uma nova realidade e uma nova vivência do reino e da realidade do reino de Deus em nossa vida, em algum momento a gente vai precisar entender que fazer o bem se torna uma implicação das verdades do evangelho marcadas em nossa mente, marcadas em nosso coração e marcadas em nossas atitudes. Por isso fazer o bem para o cristão não é um uma opção. Não é uma alternativa que ele pode se furtar. É consequência da operosidade da graça divina que redimiu o homem para uma nova realidade. A realidade que toma como padrão para vida não mais a si mesmo. E nem os santos deste mundo, mas toma como padrão para vida o único que merece ser imitado. Que é Jesus de Nazaré. A imitar-se o Cristo, a tradição da imitação de Cristo, de fazer de Cristo o modelo da vida. Tem que ser aquilo que persegue todo o cristão que foi convertido. Por isso que é difícil dizer que a gente se converte. É melhor a gente entender que a gente é convertido. Que a gente é fruto sempre da graça de Deus. De que o homem miserável Romanos 7 e aí a gente deixa um pouquinho de lado toda aquela discussão se Romanos 7 de fato se trata está tratando se o homem miserável é de fato Paulo antes ou depois. Mas independente disso, seja ele antes ou depois, não importa qual qual das duas correntes você se adéque, o fato é que a característica do homem miserável é a incapacidade da prudência, é a incapacidade da fronesis. Porque ele tem a consciência do bem, ele deseja fazer o bem e o bem que ele tem a consciência e o bem que ele deseja ele não faz. O desencontro da atitude com a consciência do bem e o desejo do bem é exatamente o oposto. É a antítese da prudência cristã. Por isso que o bem que se deseja fazer e se tem a consciência de se fazer e não se faz é a marca da miséria humana. Da carência humana da graça de Deus. A gente viu nesse livro que vai ser em breve publicado Produções da Nova, Visões Políticas, Visões e Ilusões Políticas um panorama e crítica cristã das ideologias contemporâneas o Quays ele trabalhou a relação entre visão e ilusão. Vamos repetir novamente o que ele disse, vai ser importante para essa essa transição que a gente vai fazer agora. Toda visão está sujeita a distorção e damos o nome de ilusões a visões distorcidas. Você é um cristão, você sabe, portanto, que fazer o bem é algo que está implicado na transformação que o evangelho fez em sua vida e que, portanto, uma vez que o evangelho é operoso em seu coração, os frutos desse evangelho está eles eles estão expressos exatamente na luta contra as estruturas de pecaminosidade e de autonomia do indivíduo em relação à busca da felicidade da salvação de si mesmo. O evangelho só é aceito ou vivido por aqueles que se consideram incompetentes para salvarem a si mesmos. Mas a gente pode encontrar várias propostas no mundo que são chamadas de ideologias, que são propostas que tentam lidar com as estruturas de pecaminosidade. São propostas que tentam lidar com a questão da injustiça. São propostas que tentam lidar com as questões relacionadas à justa causa pela justiça social. São ideologias, são princípios, são maneiras de se ver o mundo que de alguma forma tentam lidar com as questões mais importantes relacionadas à vida em em sociedade. E por isso o cristão, como alguém que tem por natureza a vivência da fronesis ou padrão da prudência bíblica, da prudência cristã, para exercer no mundo, então de alguma forma o cristão pode se ver diante do mercado das ideologias e das propostas que o mundo oferece como uma possibilidade de resolver os problemas sociais e as injustiças e o problema da corrupção de sua comunidade, de sua sociedade. No entanto toda a visão como diz o Coises está sujeita a distorção. Porque toda a visão, como a gente viu e tem falado nesses dias ela é sempre uma visão parcial e nunca consegue dar conta do todo. Mas existe uma gravidade em relação a estrutura eu diria é falseável de toda e qualquer visão em face exatamente dessa inclinação que nós temos de poder encontrar e até mesmo desejar uma salvação para os problemas que estamos vivendo que não seja em Cristo. E todas as vezes que a gente busca a salvação para além daquilo que o evangelho nos ofereceu como a salvação do homem nós estamos iludidos. Portanto, cristãos podem se iludir. Cristãos podem abraçar visões que tentam resolver o problema do mal no mundo e se iludir de uma tal forma com essas visões e seriam capazes de perceber que essas ilusões nos dão uma falsa interpretação do mundo. Uma ilusão, como a gente viu nesses dias, ela pode ser tão persuasiva que ela pode nos convencer e convencer um sem número de pessoas, como diz Coises, de que as suas pretensões de levar e conduzir a humanidade ou uma sociedade à felicidade representam, na verdade, não uma parcela, uma uma certa visão da realidade, mas uma visão totalitária, de tudo, de toda a realidade humana. Nesse sentido, as ideologias e as visões, elas batalham pela tua mente. Elas querem a tua mente. Mas o evangelho não vai dividir a tua mente com outras ideologias. Porque a nossa mente, ela precisa ser cativa ao evangelho de Cristo Jesus. Nossa mente não pode ser cativa de nenhuma ideologia que não seja a palavra de Deus. Tem um livro, você não pode passar dessa vida para outra sem ler. Chama-se Invasão Vertical dos Bárbaros, escrito por um filósofo brasileiro chamado Mário Ferreira dos Santos. O que que é Invasão Vertical dos Bárbaros? Olha o que ele diz: A invasão, que é a penetração gradual e ampla dos bárbaros. Não só se processa horizontalmente pela penetração no território civilizado. Ou seja, a invasão do bárbaro não é só uma invasão que domina territórios, que quer ocupar territórios, que quer ocupar um espaço de terra, não é? Não é só uma luta por terra, não é só uma luta por espaço. A invasão bárbara é também uma invasão vertical, porque ela também busca penetrar a cultura, solapar os seus fundamentos e preparar para uma cultura civilizada a corrupção mais fácil do ciclo natural, como aconteceu no Império Romano. Quando os os os bárbaros invadem o Império Romano, não é só as terras que eles vão invadindo, mas eles vão deturpando, destruindo e corrompendo todo o padrão cultural, todo o padrão espiritual e intelectual que Roma até então tinha. E a tese do Mário Ferreira dos Santos é que o bárbaro está entre nós. De que já vivenciamos uma experiência de barbárie cultural, ou seja, de uma corrupção da moral, dos costumes, da maneira de se ver a realidade de uma maneira em que se tenha padrões absolutos e eternos e que garantam a dignidade do indivíduo de uma tal maneira que a gente consegue perceber e qualquer um pode perceber a degradação cultural que vivemos hoje. De que a corrupção que vemos, ela já se tornou endêmica de uma tal forma que determinadas atitudes que deveriam ser reprovadas por nós, em vez de ser vistas como ruins, elas são muitas vezes até louvadas como atitudes eh eh inteligentes. Porque afinal de contas o mundo é dos espertos. Mário Ferreira dos Santos, ele vai dizer uma coisa interessantíssima. Olha o que ele vai dizer. Primeiro ele vai dizer que a tese dele é uma obra de denúncia. E é necessário caracterizar a cultura cristã ocidental que enquanto cristã se caracteriza por uma cosmovisão que inclui diversos princípios fundamentais como o mundo criado por Deus, povos que têm, portanto, que são iguais perante a Deus e uma série de outros padrões que constituem a cosmovisão cristã. E aí ele conclui dizendo: Os princípios da cosmovisão cristã são constituintes da espinha dorsal desta cultura, que é chamada cultura ocidental, cultura cristã ocidental. O que não impede que nela sobrevivam resquícios de uma cosmovisão grega ou de uma cosmovisão latina ou islâmica ou hebraica. Contudo todas elas deveriam estar subordinadas em graus intensistas maiores ou menores à concepção cristã. Se a Se a lembrar do que a gente viu ontem, antes de ontem, sobre a relação entre cosmovisões majoritárias e cosmovisões minoritárias, o que o Mário Ferreira está tentando mostrar é que de alguma forma a gente precisa compreender que uma uma uma sociedade, se é uma sociedade que ela está sendo governada sobre padrões e princípios que sejam eh correspondentes a princípios bíblicos e cristãos, é necessário que a cosmovisão majoritária seja cristã. E a gente sabe que a cosmovisão majoritária não é necessariamente a quantidade de pessoas de um país ou de uma sociedade, mas sim aqueles que de fato representam a maneira de pensar e a cultura e a inteligência de um povo. Por isso nunca subestime o poder dos intelectuais numa cultura. Todas as vezes que os pensadores cristãos, aqueles que deveriam ter o seu coração e a sua mente cativos à palavra de Deus, se perdem no mundo da vida e se esquecem do comprometimento do evangelho, eles tornam cada vez mais o mundo à nossa volta presa fácil de outras intelectualidades, de outros pensamentos que por sua vez podem se tornar cosmovisões majoritárias que vão dominar e vão controlar todas as outras cosmovisões como controlam, por exemplo, hoje a cosmovisão de muitos e talvez da maioria de brasileiros que são cristãos no nosso país, não importa se são católicos ou protestantes. De que maneira a gente poderia se proteger contra essa invasão ideológica? Contra essa parece que cosmovisão majoritária. Se existe nesse país algum ordenamento, obviamente se esse ordenamento ele é elaborado, desenvolvido por uma cosmovisão majoritária. E a pergunta que eu lhes faço é: qual é a cosmovisão majoritária de nosso país? Eu não estou dizendo qual é a quantidade maior de pessoas que creem em uma ideia. Eu estou dizendo é: qual é a ideia, ainda que seja defendida por uma minoria, que tem governado esse país, que tem governado a mente dessa desse país, que tem dominado a mente e o coração de estudantes universitários, nas seja nas universidades públicas e pasme, seja também nas universidades privadas. Não só nos ambientes ditos seculares, mas uma cosmovisão que inclusive tem dominado a mente e o coração de pastores. Como a gente poderia se proteger da influência de cosmovisões que não são compatíveis ao cristianismo e ao mesmo tempo com a cosmovisão cristã influenciar a nossa cultura, influenciar a política, influenciar a realidade a nossa volta. Tem um livrinho espetacular. Você não pode passar dessa vida para outra sem ler. Esse livro ele é pequenininho, você está vendo? Você lê rapidinho ele. Mas vai passar um filme na sua cabeça na hora que você ler esse livro. Esse livro foi escrito por André Pleixo. Foi um romeno que viveu na Romênia no contexto daquilo que a gente poderia chamar muito bem de uma invasão marxista do seu país. Se você ler esse livro, você vai conseguir enxergar não a Romênia, você vai enxergar o seu país. Mas o pior de tudo é que você não vai só enxergar aqui o seu país hoje, você vai enxergar o seu país amanhã. Você vai ver o que está acontecendo hoje e que aconteceu lá na Romênia e você só vai precisar somar os fatos como você como você calcula quando 2 + 2 é igual a 4. Então eu quero desafiar você a ler esse livro. Chama-se Da Alegria no Leste Europeu e na Europa Ocidental e Outros Ensaios. Ele fala sobre exatamente isso. A vivência debaixo de um de um governo e de uma política que se tornou idólatra porque não se considerou mais uma visão parcial do mundo diante de tantas outras, mas se considerou a única visão verdadeira, a única que dá conta do todo, a única que consegue lidar com o problema do pobre, a única que consegue resolver o problema da justiça social no país, a única que consegue resolver as dificuldades enfrentadas no país. Olha o que ele diz. Uma primeira forma de proteção contra a invasão ideológica é o pensamento autônomo. E aqui pensamento autônomo, preciso fazer um parênteses, ele não está defendendo aqui aquele princípio de autonomia do pensamento que é justamente o oposto da inteligência humilhada, aquela ideia de que o o a mente ela é independente da da revelação de Deus para conhecer a verdade. Não, aqui o o pensamento autônomo que ele está se referindo é essa ideia. O pensamento por conta própria. O pensamento que não é entregue para você mastigado e faz você pensar o que o outro quer que pense. É o pensamento que é o teu pensamento. É o pensamento que você chega à conclusão, você pensa. Não é alguém pensando por você, não é um partido político pensando por você, não é um grupo pensando por você, não é uma massa pensando por você, não é uma ideologia pensando por você, é você pensando a despeito de todas as outras comunidades, de toda, de toda a realidade comunitária à sua volta. Então, olha o que ele diz: "Uma primeira forma de proteção contra a invasão ideológica é o pensamento autônomo". Qualquer ideia vinda de fora, qualquer produto pronto para usar, qualquer moda lançada ciclicamente na cena pública, tende ser pesada com uma suspeição saudável. As ideologias são, de regra, pensamento massificado. O sujeito deixa de ser proprietário de seus próprios pensamentos. Paul Ricoeur diz que toda ideologia é esquemática. Toda ideologia é esquemática, porque ele diz o seguinte: a ideologia é muito fácil, é muito simples de entender. Ela é tão simples de entender que te impede de pensar. Então, como não te faz pensar, ótimo, gostei dessa ideologia, não precisei pensar. Quem não gostaria de fazer uma faculdade que você não pudesse pensar? Você sai com um diploma sem pensar. Bom, hoje em dia tem, né? >> Se tornar proprietário dos pensamentos significa que chega um momento da tua vida em que você não pode mais acreditar em verdades porque alguém disse mas porque você chegou às conclusões. Você pensou. Chega um momento da vida da gente e aí eu quero falar em especial, quem aqui é crente desde pequenininho? Ah, que bonitinho. Ah lá, lá em cima tem mais, né? Olha que coisa curiosa. Você aprende desde pequenininho o evangelho. Posso ser um missionariozinho. Serve para nada hoje, porque hoje você tá fazendo outra coisa na vida. Mas enfim, canta lá os Samuel, Samuel, não lembra? Lembra dessa ou não? Não, essa é só do meu tempo mesmo. Você cresce com toda a história bíblica na cabeça, com as pregações e os ensinos da escola bíblica dominical e você recebe isso. Mas chega uma hora na tua vida que se você não pensar e não chegar às conclusões de que essa verdade que você repetiu por toda a tua vida é de fato uma verdade, você simplesmente não vai saber o poder que essa verdade tem. E o como essa verdade pode transformar não só a tua vida, como pode transformar a vida de pessoas à tua volta e até mesmo a vida de uma comunidade. A coisa mais difícil do mundo é a gente ter o nosso próprio pensamento. A gente chegar a determinadas conclusões porque a gente pensou. E não porque alguém deu mastigadinho para a gente um esquema. Olha, é muito simples. É só a gente chegar no poder e você vai prosperar. Oh, esse esquema é maravilhoso. Mano, quem não quer um esquema desse? Qualquer esquema que prometa para você uma felicidade do tipo: "Olha, você vai ser feliz aqui". Uma outra maneira de se proteger, Plecheu vai dizer, o segundo exercício de proteção é o esforço de pensar as coisas até ao fim. Quando você escuta uma ideia pela primeira vez, você acha o máximo, né? Por isso que o seminário acaba às vezes com a vida da gente. Porque o cara vem um professor e conta uma ideia para a gente, a gente acha o máximo. Aí vem outra. Nossa, que legal. Aí vem outra. Que legal. E aí uma ideia atrás da outra, um monte de ideia legal. Mas qual é a maior tarefa da tua vida? Ir a fundo até ao final para ver as consequências dessa ideia. É por isso que um dia você acorda calvinista, outro dia acorda arminiano, outro dia vira molinista, aí depois volta, vira universalista, aí depois fica crente de novo, se converte de novo. Não é? Porque aí berou a apostasia, aí não dá, né? Apostasia não dá. Aí você fala: "Não, verdade, não dá para falar um negócio desse aqui, eu sou crente, eu tinha me esquecido desse detalhe". Não, aí você volta para o caminho de novo, você não vou mudar de novo, não dá, essa teologia não cabe. E aí a gente fica mudando de ideia o tempo todo. A gente precisa aprender a quando achar uma ideia legal, não ficar muito animada com ela. Vem uma ideia legal, você: "Nossa, que legal, nunca pensei nisso. Cara, vai até o fim com essa ideia. Porque às vezes ela pode ser bonitinha. Mas as implicações dessa ideia podem ser mortais para sua vida. É muito interessante você condenar, por exemplo, a ideia de um Deus todo-poderoso diante do mal que existe no mundo. E por isso é muito interessante você achar legal a ideia de que é melhor que Deus seja só amoroso e não seja todo-poderoso. Porque pelo menos é melhor ficar com Deus todo amoroso, que está comigo na hora da luta, do que um Deus que seja todo-poderoso, mas que não me livra do mal. Pode parecer muito bonitinha essa ideia. Ai, que legal essa ideia. Eu tô dizendo para você, vá até o final com essa ideia. Veja se você consegue sustentar a tua fé em Deus com essa ideia. Veja se você consegue sustentar o real, o mundo real com essa ideia. Então, o grande desafio que o Pleito apresenta para a gente é: todas as vezes que a gente ouviu uma ideia, calma, não seja ligeiro. Não pega essa ideia que você achou legal e já começa a dizer: "Olha, gente, achei, encontrei a salvação do mundo. Achei uma ideia para resolver o problema do mal". Um segundo exercício de proteção é o esforço de pensar as coisas até o fim, para além da evidência de primeira instância, sem atalhos e correrias lógicas ou sentimentais. Em algum momento a gente precisa deixar todos esses detalhes de lado. Porque as ideologias, elas são pensamentos burocratizados, assim como fast é a alimentação burocratizada. O pensamento esquemático é pensamento para quem não está acostumado a comer. Pensamento esquemático é para quem tem muita pressa. Pensamento esquemático é para aquele que não aguenta comida de verdade, por isso come besteira. Aí fica com essa pança horrorosa. Faz mal. Fast-food faz mal, faz mal. Porque é rápido demais. Você tem que engolir, você não come, você engole. Então o que acontece muitas vezes com a gente é isso. A gente pode simplesmente engolir ideias e achar que elas são maravilhosas. Mas olha como ele concluiu o raciocínio dele. A ideologia é pensamento espectral, de espectro, de fantasma, fantasmagórico. Não é real, tá entendendo? Uma ideia muito mirabolante, muito legal, mas a pergunta é: cadê o vínculo com a realidade? Reduz a riqueza do real à inconsistência fantasmagórica. É a tal da proposta que é muito linda, que é maravilhosa. Quantos e quantos aqui em algum momento de suas vidas não caíram no canto da sereia? Naquele projeto lindo e maravilhoso. Você olha e você fala: "Meu, que coisa linda". Aí você tinha um outro projeto de vida que não era tão assim glamoroso, não era tão belo assim, mas você olhou mais bonito, que tinha promessas e nossa, a aparência é linda. Olha, o discurso é maravilhoso. Compra. Quando você compra você compra na verdade uma bucha, porque você não consegue vender depois o automóvel, não é? Porque ele é ruim, porque o discurso era maravilhoso, mas simplesmente não existe aquilo que você comprou. Aquilo que você comprou é outra coisa. Por isso é muito bonito ouvir discursos do tipo: "É possível uma humanidade linda e maravilhosa e bondosa. É possível encontrarmos paz na Terra". A gente precisa ter um confronto com o real. A gente precisa olhar para o mundo real o tempo todo a nossa vida, da nossa vida. A gente tem que manter os olhos abertos o tempo todo para a gente não cair na falácia de acreditar que esse mundo e as pessoas todas do mundo, inclusive nós, estamos blindados contra o mal. Não se propaga por persuasão, ou seja, as pessoas não são persuadidas quando uma ideologia as conquista. Mas ronda inquietante, é uma epidemia, é viral. Todo mundo tem que pensar igual. Todo mundo tem que falar a mesma linguagem. Todo mundo tem que falar do mesmo jeito. Se o líder da ideologia tem a mão torta, todo mundo vai ficar com a mão torta, mas ele teve um acidente de carro, os outros não. O jeito de falar tem que ser o mesmo, o jeito de vestir tem que ser o mesmo. Cansei de ver na PUC de São Paulo os carinhas lá, não é? Chegando lá na na na PUC, não é? Na naquele ambiente efervescente, parecia que o cara estava entrando entrando na PUC de maio de 64. O cara saindo de um Corolla do ano, novinho, ele sai de lá com aquele chinelo de couro, com a calça toda surrada, uma camisa vermelha de Che Guevara. Viva la revolución! Até assim, meu, qualquer um vira revolucionário, bicho. O que faz um indivíduo que tem massa cefálica entre as orelhas sair de dentro de um automóvel desse e pregar uma ideologia que ele não vive? Senão a ilusão. Ele vive um mundo que não existe. Não é real o mundo que ele prega. Ele vive em 64 ainda. Ele não percebeu que o mundo mudou. Ele esqueceu que o muro de Berlim caiu. Ele esqueceu do totalitarismo, do comunismo, do nazismo, de todos os socialismos que destruíram e ceifaram milhões e milhões de pessoas. Ele esqueceu de ler jornal, ele esquece de ver jornal, esquece de olhar para a pessoa que está do lado. Ele esquece de se ver, de se olhar no espelho. A ideologia é tão cega. Ela é tão, ela tem um poder de cegar tão grande que vem acompanhado de uma extrema confiança. A confiança de que as, de que as pessoas não pensam. De que as pessoas, elas, de alguma forma podem ser conduzidas e controladas pela ideologia. Por isso o tempo todo eu estou te dizendo, a gente vive uma batalha onde a tua mente é o grande objetivo, o grande tesouro das ideologias. E a pergunta que eu te faço é, hoje é, onde está a tua mente? Tua mente sempre vai ser cativa. A minha pergunta para você é: de quem ela é cativa? Qual é o senhor da tua mente? Que a tua mente sempre vai ser cativa, não tenha dúvida. Mas a grande pergunta que você tem que responder hoje é: de quem a tua mente é cativa? A ideologia oferece o lugar, no lugar de uma presença límpida e analisável, o concreto, a sensação vaga de uma presença sem corpo, a ilusão, o simulacro de uma presença. As ideologias são difíceis de agarrar com os instrumentos correntes da razão. Para resistir a ela, tens de permanecer vivo, reativo, não arregimentável e sobretudo você tem que manter o bom humor. Nada é mais ridículo do que um fantasma que provoca o riso. A gente tem que aprender a perceber em toda a ideologia esse tom risível da ideologia que, vendo em parte, se diz capaz de ver o todo. Se diz capaz de falar sobre o todo e de governar sobre tudo e sobre todos, não reconhecendo a multiplicidade de esferas de soberania que uma sociedade possui. Tim Keller disse, a gente repete novamente o que ele falou, o que a gente usou nesses dois dias aí. A palavra ideologia pode ser usada para designar qualquer conjunto de ideias sobre um assunto, mas também pode ter uma conotação negativa, próxima de uma palavra parecida, a idolatria. Uma ideologia, assim como um ídolo, é uma descrição parcial e limitada da realidade que foi promovida ao nível de palavra final sobre as coisas. Ideólogos acreditam que sua escola ou partido tem a resposta real e completa para os problemas da sociedade. A gente precisa rir desses caras. A gente precisa aprender a rir de todos aqueles que prometem para a gente uma salvação que não é Cristo Jesus. A gente tem que aprender a ter confiança de que qualquer qualquer proposta que nos dê a felicidade e que não parta de Cristo é a felicidade de um anticristo. De que vivemos numa sociedade repleta de anticristo. Repleto de movimentos que são contrários a todo o estabelecimento de uma nova maneira de se pensar a realidade do mundo e de da nossa volta que o evangelho provoque e realize. E isso só acontece porque o evangelho quer tirar você, quer me tirar de nossa zona de conforto. A pior prisão da tua mente é o conforto. A pior prisão da tua mente são os pensamentos, as pregações idiotizantes. A pior prisão da tua mente são aqueles movimentos, mesmo dentro da igreja, que te impedem de usar a tua mente para glorificar Deus. A pior de todas as prisões é o conforto de receber mensagens mastigadas. De receber palavras mastigadas. Se a gente quer encontrar um pensamento verdadeiro e aprofundar um pensamento verdadeiro, a gente tem que aprender a mastigar o pensamento. Ninguém pode mastigar por você. Não aceite que pessoas mastiguem por você. Quem aqui acreditaria em mim se eu olhasse para você agora com um chapéu aqui na minha cabeça e com uma voz meio rouca, com drive aqui na garganta, olhasse para você e dissesse assim: "Se você não tem fé, eu vou ter fé por você". Quem aqui se entregaria e confiaria em mim? E eu lhe faço outra pergunta. Por que então você é capaz de confiar sua mente, a sua inteligência, para que outras pessoas pensem por você? Famoso clichê. Deus tirou o teu pecado, não a tua inteligência. Use-a para a glória de Deus. Para terminar essa primeira etapa, a gente vai para o intervalo. Se a gente fizer uma análise do nosso país hoje, a pergunta que você vai fazer é a seguinte: "Jonas, de que ideologias você está falando? Existe alguma ideologia, tipo, liberalismo, conservadorismo, anarquia, nacionalismo, democracia, ah, existe alguma ideologia que seja compatível com a palavra de Deus, com a Bíblia?" Tem um artigo publicado na teologia, no site Teologia Brasileira, publicado recentemente pelo Franklin Ferreira. Chama-se: "Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade evangélica". Ele fez um estudo bem interessante e ele diz o seguinte: "O conservadorismo e o liberalismo, por exemplo, não são apropriadamente representados por nenhum dos 32 partidos que existem atualmente no Brasil. Ou seja, a gente tem uma cosmovisão majoritária. Todos os principais partidos políticos brasileiros são esquerdistas ou antiliberais. Uma amostra ajuda a visualizar o atual quadro político da nação. PCB, extrema esquerda leninista, leninista. PCdoB, extrema esquerda leninista, stalinista. PSC, centro-direita. PSD, centro. PSTU, extrema esquerda leninista, trotskista. PT, esquerda gramsciana. PSDB, centro-esquerda. DEM, centro-direita. PMDB, centro. Mas esse é o centro que pega tudo. PDT, centro-esquerda. PPS, centro-esquerda. PSOL, extrema esquerda leninista, trotskista. PP, centro. PTB, centro-esquerda. PV, não é a palavra da vida? PV, centro-esquerda. É claro que tem que ter particularidade partidária, gente. É claro que tem que existir o contraditório. Mas isso aqui é uma hegemonia de um jeito de pensar. Isso é uma única maneira de pensar. E aí a gente se pergunta: "Puxa, mas toda hora eu escuto no país falarem de direito e de esquerda". A gente precisa repensar isso também. Para isso, tem um um artigo magistral, acabou de ser publicado pelo Teologia Brasileira, magistral, de uma lucidez incrível, escrito por André Venâncio. Esposo da Norma Norma Braga. Ele escreveu um texto que chama Armadilhas do Vocabulário Político. É um texto extremamente esclarecedor. Essa maneira de a gente identificar a discussão política entre direita e esquerda, e aí pergunta assim: "Bom, com que que os evangélicos têm que se identificar? Com a direita ou com a esquerda"? No Brasil a gente tem que primeiro se perguntar o seguinte: "Com qual esquerda a gente vai se identificar"? Esse é o primeiro ponto. Porque direita simplesmente não tem. Direita para valer, como a gente poderia pensar, não tem. E aí, para pensar o que tem de direita, a gente precisaria, primeiro, ter um conceito de direita que pudesse ser, de fato, genuíno e verdadeiro, ou um conceito de esquerda que pudesse ser genuíno e verdadeiro. E isso não tem, não é aqui, não é nos Estados Unidos, não é na Europa, não tem. É difícil, muito complexo de se definir, de se classificar posicionamentos. No entanto, o que eu quero dizer para você hoje, não importa qual seja a ideologia, seja uma uma ideologia liberal, seja uma ideologia nacionalista, seja uma ideologia conservadora, seja uma ideologia marxista, todas elas são poten- potencialmente idolatria. Nenhum partido político vai salvar sua alma, nem seu corpo, nem a integralidade da tua vida. Não existe uma ideologia que seja compatível "ipsis litteris" com a palavra de Deus. O que você vai encontrar são ideologias que podem ter vários elementos que podem ser compatíveis e podem ser semelhantes à visão bíblica do mundo. Mas nenhum desses partidos serão tão grandiosos ao ponto de terem a grandeza da visão cristã do mundo. Por isso o cristão, ele não pode, em primeira instância, e aí eu quero dizer, o cristão que quer se identificar, em primeiro lugar, com a Bíblia, ele não pode, em primeira instância, se identificar com nenhuma ideologia. Porque a mente dele já está cativa, e está cativa ao modo de pensar da palavra de Deus entendida de uma maneira correta. Devidamente entendida. Entretanto. Se [roncando] não podemos nos identificar com nenhum partido político. Se não podemos nos identificar com nenhuma ideologia, a pergunta é, então como é que a gente vai influenciar? Como é que a gente vai influenciar se nós. Ah, não nos identificamos. Com. Ah, nenhum partido político. Eu preciso me identificar com um partido político. Vamos para o intervalo.