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Cosmovisão e Política 05/06 – Jonas Madureira

Cosmovisão e Política 05/06 – Jonas Madureira

Cosmovisão e Política 05/06 – Jonas Madureira

Curso de Teologia Online:

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[música]
>> Então hoje nós vamos terminar o nosso
trajeto.
Parte três da nossa reflexão.
Sobre cosmovisão.
E política.
Meu desejo é que a solução.
Que a gente.
É, vai apresentar hoje para essa relação
entre cristianismo e política, não seja
uma solução tão desastrosa assim.
Mas que seja uma solução.
Capaz de a gente perceber.
O tamanho do cuidado que a gente tem
que, é.
Considerar.
Quando a gente trabalha a relação entre.
Cristianismo.
E política, a relação entre o cristão e
a política.
Porque, de fato, essa relação.
Não é uma relação.
Muito óbvia, não é uma relação muito
fácil, muito simples, muito tranquila de
se estabelecer, de se de se sustentar.
Ah.
A gente vai falar um pouco sobre essa
solução, a partir dessa solução.
Que.
O Grudem apresenta no livro política
segundo a Bíblia.
Que é uma solução baseada no conceito
que ele vai chamar de influência.
Expressiva.
Nós vimos.
>> Que a relação do cristão com a política
não pode ser uma relação de imposição.
Portanto, não podemos defender
a imposição religiosa.
Vimos também que a omissão
tão pouco poderia ser a atitude esperada
do cristão em relação à política.
Ou seja, manter o silêncio diante dos
grandes desafios que a política
ah
eh de alguma forma representa para os
cristãos.
Também vimos
que
uma saída como retirar-se do governo, se
afastar do governo e não se envolver com
o governo
tão pouco seria uma boa atitude, porque
consideraria o governo como algo
demoníaco e por isso
indigno de receber a nossa atenção.
Também vimos que não é uma boa atitude
ou mais uma uma atitude que represente
uma postura bíblica
dedicar-se exclusivamente ao evangelismo
em detrimento
ah dos grandes desafios e do trabalho ah
do cristão na política.
Também vimos
que a postura bíblica tão pouco vai
exigir de nós uma dedicação exclusiva da
política em detrimento da evangelização
porque não acreditamos em hipótese
alguma
que a salvação
da humanidade esteja no governo.
De que nenhuma ideologia
nenhuma forma de governo
nenhuma visão de mundo estritamente
é ideológica do ponto de vista político,
reserve em si uma esperança
que possa ser e brilhar mais do que a
esperança do evangelho do reino de Deus
pregado e anunciado por Jesus Cristo.
Cristãos, portanto,
não impõem a sua religião,
não se omitem tão pouco diante dos
desafios da política, não vão ficar em
silêncio diante
a dos eventos públicos,
não vão se retirar do mundo da política
porque consideram os governos do mundo,
todos eles, obra de Satanás,
tão pouco vão se dedicar ao evangelismo
porque entende que essa seria a função
mais e ação mais importante da igreja e
que a política é, portanto, irrelevante
dentro da missão da igreja e tão pouco
consideraria exclusiva o papel
importante e missão fundamental da
igreja fazer política.
Sendo assim,
se não é nenhum desses cinco pontos,
então, qual é a melhor maneira de se
lidar com a política? Como o cristão
deve lidar com a política e com as
ideologias?
Em outras palavras,
o que é
influência
expressiva?
Que Grudem vai dizer que, de acordo com
o conceito de influência expressiva,
os cristãos devem procurar influenciar o
governo civil
conforme os padrões
morais de Deus
e conforme os propósitos de Deus
para o governo revelados na Bíblia e
devidamente compreendidos.
Que ele vai entender
é de que a influência expressiva
é a atitude do cristão que de alguma
forma
no mundo em que ele vive
ele vai influenciar
fazendo o bem.
E
como
influenciar
no que diz respeito às leis
padrões morais
é uma maneira de se fazer o bem
então o Grudem entende
que o cristão faz o bem não apenas
quando ele distribui, por exemplo, seu
pão ou quando ele
eh está ali cuidando de uma pessoa
carente ou quando ele está dando um
prato de comida para uma pessoa que está
com fome, mas ele está fazendo o bem
quando ele lida também com as estruturas
de corrupção da sociedade.
Quando ele é uma voz para criticar
todas as instâncias
de injustiça social que está diante a da
comunidade que ele vive
justamente porque os padrões do cristão
são os padrões bíblicos
são os são padrões elevados não só
apenas do ponto de vista
daquilo que diz respeito ao certo e ao
errado, mas sobretudo aos padrões morais
que que fundamentam o certo e o errado.
Então nesse sentido
a melhor maneira do cristão se
relacionar com a política não é outra
senão através da influência que ele pode
exercer acompanhando de perto tudo o que
o governo ou de alguma forma o governo
está realizando
e que
em certa medida ou de uma forma também
explícita esteja contrariando a padrões
que sejam
eh
padrões
bíblicos.
E obviamente padrões bíblicos, como ele
diz, devidamente
compreendidos.
Queria ler com vocês duas passagens.
Essas duas passagens bíblicas são
passagens clássicas para falar da
relação
do cristão
a com a a política, com o governo.
Uma é a de Romanos 13, que a gente vai
ler agora, e a outra de primeira Pedro.
Veja o que Paulo diz:
"Todos
devem sujeitar-se
às autoridades governamentais.
Pois não há autoridade
que não venha de Deus.
As autoridades que existem
foram por ele estabelecidas.
Portanto,
aquele que se rebela contra a autoridade
está se colocando contra o que Deus
instituiu.
E aqueles que assim procedem
trazem condenação
sobre si mesmos.
Pois os governantes
não devem ser temidos.
Preste atenção. A não ser
pelos que praticam o mal.
Você quer viver livre do medo da
autoridade?
Pratique
o bem
e ela o enaltecerá.
Pois é serva de Deus
para o seu bem.
Mas se você praticar o mal,
tenha
pois ela não porta a espada sem motivo.
É serva de Deus, agente da justiça para
punir
quem pratica o mal.
Portanto,
é necessário
que sejamos submissos às autoridades,
não apenas por causa da possibilidade de
uma punição,
mas também por questão de consciência.
É por isso também que vocês pagam
imposto,
pois as autoridades estão a serviço de
Deus,
sempre dedicadas a esse trabalho.
Deem a cada um o que lhes é devido. Se
imposto,
imposto. Se tributo,
tributo. Se temor,
temor.
Se honra,
honra.
O outro texto, de primeira Pedro,
capítulo dois, do versículo 13 ao 17.
Por causa do Senhor,
sujeitem-se a toda autoridade
constituída entre os homens,
seja ao rei, como autoridade suprema,
seja aos governantes, como por ele
enviados para punir os que praticam o
mal e honrar os que praticam o bem.
Pois é da vontade de Deus que praticando
o bem, vocês silenciem a ignorância dos
insensatos.
Vivam como pessoas livres,
mas não usem a liberdade como desculpa
para fazer o mal.
Vivam como servos de Deus.
Tratem a todos com devido respeito.
Amem os irmãos.
Temam a Deus
e honrem o rei.
É muito interessante esses dois textos,
não?
A gente esquece deles o tempo todo.
Principalmente naquela parte em que eles
convocam, os dois textos convocam os
cristãos a praticarem o bem.
Uma das das expressões, das palavras
é que eu considero importantíssima na
reflexão sobre a relação entre
pensamento e ação
e que faz parte
de um dos elementos constitutivos
daquilo que a gente tem trabalhado, já
trabalhamos aqui quando a gente falou
sobre a inteligência humilhada
sobre essa relação entre ação e
pensamento é o conceito de frônesis
ou o conceito de prudência, se você
quiser pensar já na tradição latina,
romana.
Uma das coisas que a gente não pode
perder de vista quando a gente fala
sobre a frônesis ou sobre a prudência e
e principalmente pensando
na sua relação com Cristo
uma coisa que a gente nunca pode perder
de vista é que a frônesis
jamais é uma atitude
sem a consciência
do bem
de que a frônesis
jamais poderia ser a mera consciência do
bem
de que a frônesis tão pouco poderia ser
um sentimento desejoso de fazer o bem.
Por isso quando Paulo escreve a epístola
aos Filipenses, no capítulo dois, a
partir do versículo cinco, onde se trata
de uma da de uma das doutrinas mais
importantes da cristologia, que é a
doutrina do esvaziamento
quando Paulo diz exatamente isso
tende em vós a mesma
sentimento
razão
atitude
modo de pensar.
Do que Paulo está falando quando ele usa
o fronete ali?
Do que Paulo está
a que o a que o Paulo está se referindo
quando ele diz: "Tenham vocês a mesma
atitude de Jesus".
Ou
tenha o sentimento de Cristo Jesus como
usa como é atualizada ou atitude como é
a NVI, eu acho que se não me falha a
memória,
a nova tradução na linguagem de hoje que
traduz como modo de pensar.
Veja, são três palavras distintas para
traduzir uma expressão
grega que não tem um correlato eficiente
no português.
Se você disser simplesmente: "Tenha o
mesmo sentimento que houve em Cristo
Jesus", o que você está dizendo é que
basta você sentir, basta você querer
agir bem
e ponto.
Você não precisa agir, você não precisa
efetuar o bem.
No entanto, a fronesis cristã
ou a prudência cristã,
ela é marcada pela combinação de três
elementos fundamentais constitutivos
daquilo que seria a prudência cristã ou
a prudência do ponto de vista bíblico,
que não é apenas desejar fazer o bem
para o próximo,
nem tão pouco a mera consciência do que
é fazer o bem para o próximo, mas é
fazer o bem para o próximo.
Porém, não é simplesmente fazer o bem,
mas é fazer o bem tendo a consciência de
que se está fazendo o bem e desejando-se
fazer o bem. Ninguém pode simplesmente
fazer um bem
que não tinha consciência de que estava
fazendo o bem, de repente, sem querer
fez o bem.
Não é? De repente, estava ali, passou,
deu uma de chaves, virou e aí salvou uma
criança de um acidente terrível. Você
pergunta: "Nossa, mas o que vocês
vocês estão me louvando por isso, mas eu
não sei o que que eu fiz". Não, é porque
quando você virou,
você bateu esse cabo de vassoura num
lugar e aí você salvou uma criança.
Ah, mas isso foi sem querer, eu nem
sabia, não foi voluntário, eu não queria
fazer isso. Na verdade eu tava querendo
fazer outra coisa. Isso não é frônesis.
Você fazer o bem sem ter a consciência
de que o que você está fazendo é um bem
e sem desejar fazer o bem não é
prudência.
A prudência cristã, ela vem acompanhada
desse movimento de não somente fazer o
bem, querer fazer o bem e desejar fazer
o bem. E o cristão
entende que a prudência nunca vai ser
uma obra meramente intelectual como a
tradição latina, grega e latina vai
trabalhar a
o conceito de frônesis. A frônesis para
um Aristóteles,
como a frônesis ou a prudência para um
Cícero, vai ter uma conotação muito
semelhante e um e de um intelectualismo
muito forte.
Traduzindo sempre para o homem
que todas as vezes que o homem tiver a
consciência e compreender bem a
realidade, ele vai agir bem. Mas o
cristão entende que por força do pecado
e daí a importância de se ter uma
cosmovisão cristã e uma cosmovisão
bíblica, que por causa do pecado a nossa
inteligência foi afetada de uma tal
maneira que não temos condições de por
nós mesmos e pela nossa mera reflexão
simplesmente ter a consciência do bem,
desejar o bem e fazer o bem. A gente
sabe que todas as vezes que a gente
deseja fazer o bem
e a gente tem a consciência do bem e faz
o bem, foi fruto da graça de Deus.
Porque todos nós olhamos no espelho
e porque somos
controlados pela visão cristã de mundo,
que é uma visão bíblica, olhamos no
espelho e lembramos todos os dias quando
nos olhamos no espelho:
"Todos
pecaram
e por isso carecem
e são carentes de Deus, são carentes da
graça, da obra, da operosidade do
Espírito Santo. Então, nenhum de nós
aqui
será capaz de fazer o bem bíblico
se não for pela graça de Deus. A
prudência cristã,
a atitude fronética, a frônesis, a
prudência do cristão, só vai ser
possível
se ele confiar inteiramente
de que tudo que nasce de bom no coração
dele
vem de Deus.
Por isso,
quando a gente faz o bem, é uma maneira
de a gente também perceber o quanto a
graça de Deus tem trabalhado com o nosso
egoísmo, com toda a nossa, aquilo que é
tão claro e presente na natureza de um
homem marcado pela queda.
Então, em outras palavras, ninguém fica
assim: "Ai, não fico com uma comichão,
não vejo a hora de fazer um bem para
alguém".
Tá entendendo? Não, você nunca vai ver
ninguém assim num ônibus, né?
"Ai,
nossa, eu estou com uma vontade de orar.
Ai, eu não estou me controlando, vou
orar aqui mesmo".
A gente tem que aprender a se olhar no
espelho e perceber que dentro de nós
existe as marcas e os efeitos da queda.
E que a gente depende da graça de Deus
mesmo para fazer o bem.
E é por isso que não existe cristão
convertido
porque tem cristão endemoniado.
Cristão convertido,
eu estou falando cristão rendido à
palavra de Deus,
que ao fazer o bem não dobra os seus
joelhos e glorifique a Deus por ter
vencido a si mesmo pela graça do
Espírito Santo.
Por isso todas as vezes que um crente
faz um bem,
ele percebe o poder do Espírito Santo de
vencer todas as estruturas de
pecaminosidade que envolvem a natureza
caída que a gente tem.
Por isso é um grande desafio para os
cristãos fazer o bem.
Por isso é um grande desafio para mim e
para você fazer o bem. Por isso nós
cristãos não podemos aceitar o silêncio
diante da maldade das estruturas de
pecaminosidade, sejam elas em nós
mesmos, na nossa igreja, na comunidade à
nossa volta. Porque nós não fomos
regenerados para viver uma vida ainda
plantada, enraizada no reino das trevas.
Se somos os filhos da luz, se nosso
coração prova as marcas da obra
redentora de Cristo Jesus que nos
regenerou para uma nova realidade e uma
nova vivência do reino e da realidade do
reino de Deus em nossa vida, em algum
momento a gente vai precisar entender
que fazer o bem se torna uma implicação
das verdades do evangelho marcadas em
nossa mente, marcadas em nosso coração e
marcadas em nossas atitudes.
Por isso fazer o bem para o cristão
não é um
uma opção.
Não é uma alternativa que ele pode se
furtar.
É consequência da operosidade da graça
divina
que redimiu o homem para uma nova
realidade.
A realidade que toma como padrão para
vida não mais a si mesmo.
E nem os santos deste mundo,
mas toma como padrão para vida o único
que merece ser imitado.
Que é Jesus de Nazaré.
A imitar-se o Cristo, a tradição da
imitação de Cristo, de fazer de Cristo o
modelo da vida.
Tem que ser aquilo que persegue todo o
cristão
que foi convertido.
Por isso que é difícil dizer que a gente
se converte.
É melhor a gente entender que a gente é
convertido.
Que a gente é fruto
sempre da graça de Deus.
De que o homem miserável
Romanos 7
e aí a gente deixa um pouquinho de lado
toda aquela discussão se Romanos 7 de
fato se trata está tratando se o homem
miserável é de fato Paulo antes ou
depois.
Mas independente disso, seja ele antes
ou depois, não importa qual
qual das duas correntes você se adéque,
o fato é que a característica do homem
miserável é a incapacidade da prudência,
é a incapacidade da fronesis.
Porque ele tem a consciência do bem, ele
deseja fazer o bem e o bem que ele tem a
consciência e o bem que ele deseja ele
não faz. O desencontro da atitude com a
consciência do bem e o desejo do bem é
exatamente o oposto.
É a antítese da prudência cristã.
Por isso que o bem que se deseja fazer e
se tem a consciência de se fazer
e não se faz é a marca da miséria
humana.
Da carência humana da graça de Deus.
A gente viu
nesse livro que vai ser em breve
publicado Produções da Nova, Visões
Políticas, Visões e Ilusões Políticas
um panorama
e crítica cristã das ideologias
contemporâneas
o Quays ele
trabalhou a relação entre visão e
ilusão.
Vamos repetir novamente o que ele disse,
vai ser importante para essa essa
transição que a gente vai fazer agora.
Toda visão está sujeita a distorção
e damos o nome de
ilusões a visões distorcidas.
Você é um cristão, você sabe,
portanto, que fazer o bem é algo que
está implicado na transformação que o
evangelho fez em sua vida e que,
portanto, uma vez que o evangelho é
operoso em seu coração,
os frutos desse evangelho está eles eles
estão expressos exatamente na luta
contra as estruturas de pecaminosidade e
de autonomia do indivíduo em relação à
busca da felicidade da salvação de si
mesmo.
O evangelho
só é aceito ou vivido
por aqueles que se consideram
incompetentes
para salvarem a si mesmos.
Mas a gente pode encontrar
várias propostas no mundo que são
chamadas de ideologias,
que são propostas que tentam lidar com
as estruturas de pecaminosidade.
São propostas que tentam lidar com a
questão da injustiça.
São propostas que tentam lidar com as
questões relacionadas à justa causa pela
justiça social.
São ideologias, são princípios, são
maneiras de se ver o mundo que de alguma
forma tentam lidar com as questões mais
importantes relacionadas à vida
em em sociedade.
E por isso o cristão, como alguém que
tem
por natureza
a vivência da fronesis ou padrão da
prudência bíblica, da prudência cristã,
para exercer no mundo,
então de alguma forma o cristão pode se
ver diante do mercado das ideologias e
das propostas que o mundo oferece
como uma possibilidade
de resolver os problemas sociais e as
injustiças e o problema da corrupção de
sua comunidade, de sua sociedade.
No entanto
toda a visão
como diz o Coises
está sujeita
a distorção.
Porque toda a visão, como a gente viu e
tem falado nesses dias
ela é sempre uma visão parcial e nunca
consegue dar conta do todo.
Mas existe uma gravidade
em relação
a estrutura
eu diria
é
falseável
de toda e qualquer visão
em face exatamente dessa inclinação que
nós temos
de poder encontrar e até mesmo desejar
uma salvação para os problemas que
estamos vivendo que não seja em Cristo.
E todas as vezes que a gente busca a
salvação para além
daquilo que o evangelho nos ofereceu
como a salvação do homem
nós estamos iludidos.
Portanto, cristãos podem se iludir.
Cristãos podem abraçar visões que tentam
resolver o problema do mal no mundo
e se iludir de uma tal forma com essas
visões
e seriam capazes de perceber que essas
ilusões
nos dão uma falsa interpretação do
mundo.
Uma ilusão,
como a gente viu nesses dias,
ela pode ser tão persuasiva que ela pode
nos convencer
e convencer um sem número de pessoas,
como diz Coises,
de que as suas pretensões
de levar e conduzir a humanidade ou uma
sociedade à felicidade
representam, na verdade, não uma
parcela, uma uma certa visão da
realidade,
mas uma visão totalitária, de tudo, de
toda a realidade humana.
Nesse sentido,
as ideologias e as visões,
elas batalham pela tua mente.
Elas querem a tua mente.
Mas o evangelho
não vai dividir a tua mente
com outras ideologias.
Porque a nossa mente,
ela precisa ser cativa ao evangelho de
Cristo Jesus.
Nossa mente não pode ser cativa de
nenhuma ideologia
que não seja
a palavra de Deus.
Tem um livro, você não pode passar
dessa vida para outra
sem ler.
Chama-se Invasão Vertical
dos Bárbaros, escrito por um filósofo
brasileiro
chamado Mário Ferreira dos Santos.
O que que é Invasão Vertical dos
Bárbaros?
Olha o que ele diz:
A invasão,
que é a penetração gradual e ampla dos
bárbaros.
Não só se processa horizontalmente pela
penetração no território civilizado.
Ou seja,
a invasão do bárbaro
não é só uma invasão que domina
territórios,
que quer ocupar territórios, que quer
ocupar um espaço de terra,
não é? Não é só uma luta por terra, não
é só uma luta por espaço.
A invasão bárbara é também uma invasão
vertical,
porque ela também
busca penetrar a cultura,
solapar os seus fundamentos e preparar
para uma cultura civilizada
a corrupção mais fácil do ciclo natural,
como aconteceu no Império Romano.
Quando os os os bárbaros invadem o
Império Romano, não é só as terras que
eles vão invadindo,
mas eles vão deturpando, destruindo e
corrompendo todo o padrão cultural, todo
o padrão espiritual e intelectual que
Roma até então tinha.
E a tese do Mário Ferreira dos Santos é
que o bárbaro
está entre nós.
De que já vivenciamos uma experiência
de barbárie cultural,
ou seja,
de uma corrupção
da moral, dos costumes,
da maneira de se ver a realidade de uma
maneira em que se tenha padrões
absolutos e eternos e que garantam a
dignidade do indivíduo de uma tal
maneira
que a gente consegue perceber e qualquer
um pode perceber
a degradação cultural que vivemos hoje.
De que a corrupção
que vemos, ela já se tornou endêmica
de uma tal forma que determinadas
atitudes que deveriam ser reprovadas por
nós, em vez de ser vistas como ruins,
elas são muitas vezes até louvadas como
atitudes
eh eh inteligentes.
Porque afinal de contas o mundo é dos
espertos.
Mário Ferreira dos Santos, ele vai dizer
uma coisa interessantíssima. Olha o que
ele vai dizer.
Primeiro ele vai dizer que a tese dele
é uma obra de denúncia.
E é necessário caracterizar a cultura
cristã ocidental
que enquanto cristã
se caracteriza por uma cosmovisão
que inclui diversos princípios
fundamentais como o mundo criado por
Deus, povos que têm, portanto, que são
iguais perante a Deus e uma série de
outros padrões que constituem a
cosmovisão cristã. E aí ele conclui
dizendo: Os princípios da cosmovisão
cristã
são constituintes da espinha dorsal
desta cultura, que é chamada cultura
ocidental, cultura cristã ocidental.
O que não impede que nela sobrevivam
resquícios de uma cosmovisão grega ou de
uma cosmovisão latina ou islâmica ou
hebraica.
Contudo
todas elas deveriam estar subordinadas
em graus
intensistas
maiores ou menores
à concepção cristã. Se a Se a lembrar do
que a gente viu ontem, antes de ontem,
sobre a relação entre cosmovisões
majoritárias e cosmovisões minoritárias,
o que o Mário Ferreira está tentando
mostrar é que de alguma forma a gente
precisa compreender que uma uma uma
sociedade,
se é uma sociedade que ela está sendo
governada sobre padrões e princípios
que sejam eh correspondentes a
princípios bíblicos e cristãos, é
necessário
que a cosmovisão majoritária seja
cristã. E a gente sabe que a cosmovisão
majoritária não é necessariamente a
quantidade de pessoas de um país ou de
uma sociedade, mas sim aqueles que de
fato representam a maneira de pensar e a
cultura e a inteligência de um povo.
Por isso nunca subestime o poder dos
intelectuais numa cultura.
Todas as vezes
que os pensadores cristãos,
aqueles que deveriam ter o seu coração e
a sua mente cativos à palavra de Deus,
se perdem no mundo da vida
e se esquecem do comprometimento do
evangelho, eles tornam cada vez mais o
mundo à nossa volta presa fácil de
outras intelectualidades, de outros
pensamentos que por sua vez podem se
tornar cosmovisões majoritárias que vão
dominar e vão controlar todas as outras
cosmovisões como controlam, por exemplo,
hoje a cosmovisão de muitos e talvez da
maioria de brasileiros que são cristãos
no nosso país, não importa se são
católicos ou protestantes.
De que maneira a gente poderia se
proteger contra essa invasão ideológica?
Contra essa parece que cosmovisão
majoritária.
Se existe nesse país
algum ordenamento, obviamente se esse
ordenamento ele é
elaborado, desenvolvido por uma
cosmovisão majoritária. E a pergunta que
eu lhes faço é: qual é a cosmovisão
majoritária de nosso país?
Eu não estou dizendo qual é a quantidade
maior de pessoas que creem em uma ideia.
Eu estou dizendo é: qual é a ideia,
ainda que seja defendida por uma
minoria, que tem governado esse país,
que tem governado a mente dessa desse
país, que tem dominado a mente e o
coração de estudantes universitários,
nas seja nas universidades públicas e
pasme, seja também nas universidades
privadas.
Não só nos ambientes ditos seculares,
mas uma cosmovisão que inclusive tem
dominado a mente e o coração de
pastores.
Como a gente poderia se proteger
da influência de cosmovisões que não são
compatíveis ao cristianismo
e ao mesmo tempo
com a cosmovisão cristã influenciar
a nossa cultura, influenciar a política,
influenciar a realidade a nossa volta.
Tem um livrinho
espetacular.
Você não pode passar dessa vida para
outra
sem ler.
Esse livro
ele é pequenininho, você está vendo?
Você lê rapidinho ele.
Mas vai passar um filme na sua cabeça na
hora que você ler esse livro.
Esse livro foi escrito por André Pleixo.
Foi um romeno
que viveu na Romênia
no contexto
daquilo que
a gente poderia chamar muito bem de uma
invasão
marxista do seu país.
Se você ler esse livro,
você vai conseguir enxergar não a
Romênia, você vai enxergar o seu país.
Mas o pior de tudo
é que você não vai só enxergar aqui o
seu país hoje,
você vai enxergar o seu país amanhã.
Você vai ver o que está acontecendo hoje
e que aconteceu lá na Romênia
e você só vai precisar somar os fatos
como você como você calcula quando 2 + 2
é igual a 4.
Então eu quero desafiar você a ler esse
livro.
Chama-se Da Alegria no Leste Europeu e
na Europa Ocidental e Outros Ensaios.
Ele fala sobre exatamente isso.
A vivência
debaixo de um de um governo e de uma
política
que se tornou idólatra
porque não se considerou mais uma visão
parcial do mundo diante de tantas
outras, mas se considerou a única visão
verdadeira, a única que dá conta do
todo, a única que consegue lidar com o
problema do pobre, a única que consegue
resolver o problema da justiça social no
país, a única que consegue resolver as
dificuldades enfrentadas no país.
Olha o que ele diz.
Uma primeira forma de proteção contra a
invasão ideológica
é o pensamento autônomo. E aqui
pensamento autônomo, preciso fazer um
parênteses, ele não está defendendo aqui
aquele princípio de autonomia do
pensamento que é justamente o oposto da
inteligência humilhada, aquela ideia de
que o o a mente ela é independente da da
revelação de Deus para conhecer a
verdade.
Não, aqui o o pensamento autônomo que
ele está se referindo é essa ideia. O
pensamento por conta própria.
O pensamento
que não é entregue para você mastigado e
faz você pensar o que o outro quer que
pense.
É o pensamento que é o teu pensamento.
É o pensamento que você chega à
conclusão, você pensa. Não é alguém
pensando por você, não é um partido
político pensando por você, não é um
grupo pensando por você, não é uma massa
pensando por você, não é uma ideologia
pensando por você, é você pensando a
despeito de todas as outras comunidades,
de toda, de toda a realidade comunitária
à sua volta.
Então, olha o que ele diz: "Uma primeira
forma de proteção contra a invasão
ideológica
é o pensamento autônomo".
Qualquer ideia vinda de fora,
qualquer produto pronto para usar,
qualquer moda lançada ciclicamente na
cena pública, tende ser pesada com uma
suspeição saudável.
As ideologias são, de regra, pensamento
massificado.
O sujeito deixa de ser proprietário de
seus próprios pensamentos.
Paul Ricoeur diz que toda ideologia é
esquemática.
Toda ideologia é esquemática, porque ele
diz o seguinte: a ideologia é muito
fácil, é muito simples de entender.
Ela é tão simples de entender que te
impede de pensar.
Então, como não te faz pensar, ótimo,
gostei dessa ideologia, não precisei
pensar.
Quem não gostaria de fazer uma faculdade
que você não pudesse pensar?
Você sai com um diploma sem pensar.
Bom, hoje em dia tem, né?
>> Se tornar proprietário dos pensamentos
significa
que chega um momento da tua vida
em que você não pode mais
acreditar em verdades porque alguém
disse
mas porque você chegou às conclusões.
Você pensou.
Chega um momento da vida da gente
e aí eu quero falar em especial, quem
aqui é crente desde pequenininho?
Ah, que bonitinho.
Ah lá, lá em cima tem mais, né?
Olha que coisa curiosa.
Você aprende desde pequenininho o
evangelho.
Posso ser um missionariozinho.
Serve para nada hoje, porque hoje você
tá fazendo outra coisa na vida.
Mas enfim,
canta lá os Samuel, Samuel, não lembra?
Lembra dessa ou não?
Não, essa é só do meu tempo mesmo.
Você cresce com toda a história bíblica
na cabeça,
com as pregações e os ensinos da escola
bíblica dominical e você recebe isso.
Mas chega uma hora na tua vida
que se você não pensar e não chegar às
conclusões de que essa verdade que você
repetiu por toda a tua vida é de fato
uma verdade,
você simplesmente não vai saber o poder
que essa verdade tem.
E o como essa verdade
pode transformar não só a tua vida, como
pode transformar a vida de pessoas à tua
volta e até mesmo a vida de uma
comunidade.
A coisa mais difícil do mundo
é a gente ter o nosso próprio
pensamento.
A gente chegar a determinadas conclusões
porque a gente pensou.
E não porque alguém deu mastigadinho
para a gente um esquema.
Olha, é muito simples. É só a gente
chegar no poder e você vai prosperar.
Oh, esse esquema é maravilhoso.
Mano, quem não quer um esquema desse?
Qualquer esquema que prometa para você
uma felicidade do tipo: "Olha, você vai
ser feliz aqui".
Uma outra maneira de se proteger,
Plecheu vai dizer,
o segundo exercício de proteção
é o esforço de pensar as coisas até ao
fim.
Quando você escuta uma ideia pela
primeira vez,
você acha o máximo, né?
Por isso que o seminário acaba às vezes
com a vida da gente.
Porque o cara vem um professor e conta
uma ideia para a gente, a gente acha o
máximo.
Aí vem outra. Nossa, que legal.
Aí vem outra. Que legal. E aí uma ideia
atrás da outra, um monte de ideia legal.
Mas qual é a maior tarefa da tua vida?
Ir a fundo até ao final para ver as
consequências dessa ideia.
É por isso que um dia você acorda
calvinista, outro dia acorda arminiano,
outro dia vira molinista, aí depois
volta, vira universalista, aí depois
fica crente de novo, se converte de
novo.
Não é? Porque aí berou a apostasia, aí
não dá, né?
Apostasia não dá.
Aí você fala: "Não, verdade, não dá para
falar um negócio desse aqui, eu sou
crente, eu tinha me esquecido desse
detalhe".
Não, aí você volta para o caminho de
novo, você não vou mudar de novo, não
dá, essa teologia não cabe.
E aí a gente fica mudando de ideia o
tempo todo. A gente precisa aprender
a quando achar uma ideia legal, não
ficar muito animada com ela.
Vem uma ideia legal, você: "Nossa, que
legal, nunca pensei nisso.
Cara, vai até o fim com essa ideia.
Porque às vezes ela pode ser bonitinha.
Mas as implicações dessa ideia podem ser
mortais para sua vida.
É muito interessante você condenar, por
exemplo, a ideia de um Deus
todo-poderoso
diante do mal que existe no mundo.
E por isso é muito interessante você
achar legal a ideia de que é melhor que
Deus seja só amoroso e não seja
todo-poderoso. Porque pelo menos é
melhor ficar com Deus todo amoroso,
que está comigo na hora da luta, do que
um Deus que seja todo-poderoso, mas que
não me livra do mal.
Pode parecer muito bonitinha essa ideia.
Ai, que legal essa ideia. Eu tô dizendo
para você, vá até o final com essa
ideia.
Veja se você consegue sustentar
a tua fé em Deus com essa ideia.
Veja se você consegue sustentar o real,
o mundo real com essa ideia.
Então, o grande desafio que o Pleito
apresenta para a gente é: todas as vezes
que a gente ouviu uma ideia,
calma, não seja ligeiro.
Não pega essa ideia que você achou legal
e já começa a dizer: "Olha, gente,
achei, encontrei a salvação do mundo.
Achei uma ideia para resolver o problema
do mal".
Um segundo exercício de proteção é o
esforço de pensar as coisas até o fim,
para além da evidência de primeira
instância,
sem atalhos e correrias lógicas ou
sentimentais.
Em algum momento a gente precisa deixar
todos esses detalhes de lado.
Porque as ideologias,
elas são pensamentos burocratizados,
assim como fast
é a alimentação burocratizada.
O pensamento esquemático
é pensamento para quem não está
acostumado a comer.
Pensamento esquemático é para quem tem
muita pressa.
Pensamento esquemático é para aquele que
não aguenta comida de verdade, por isso
come besteira.
Aí fica com essa pança horrorosa.
Faz mal.
Fast-food faz mal, faz mal.
Porque é rápido demais.
Você tem que engolir, você não come,
você engole.
Então o que acontece muitas vezes com a
gente é isso.
A gente pode simplesmente engolir ideias
e achar que elas são maravilhosas.
Mas olha como ele concluiu o raciocínio
dele.
A ideologia
é pensamento espectral, de espectro, de
fantasma, fantasmagórico.
Não é real, tá entendendo? Uma ideia
muito mirabolante, muito legal, mas a
pergunta é: cadê o vínculo com a
realidade?
Reduz a riqueza do real à inconsistência
fantasmagórica.
É a tal da proposta que é muito linda,
que é maravilhosa. Quantos e quantos
aqui
em algum momento de suas vidas não
caíram no canto da sereia?
Naquele projeto lindo e maravilhoso.
Você olha e você fala: "Meu, que coisa
linda". Aí você tinha um outro projeto
de vida que não era tão assim glamoroso,
não era tão belo assim, mas você olhou
mais bonito, que tinha promessas e
nossa, a aparência é linda. Olha, o
discurso é maravilhoso. Compra. Quando
você compra
você compra na verdade uma bucha, porque
você não consegue vender depois o
automóvel,
não é? Porque ele é ruim,
porque o discurso era maravilhoso,
mas simplesmente não existe aquilo que
você comprou. Aquilo que você comprou é
outra coisa.
Por isso é muito bonito ouvir discursos
do tipo:
"É possível uma humanidade linda e
maravilhosa e bondosa. É possível
encontrarmos paz na Terra".
A gente precisa ter um confronto com o
real.
A gente precisa olhar para o mundo real
o tempo todo a nossa vida,
da nossa vida. A gente tem que manter os
olhos abertos o tempo todo para a gente
não cair na falácia de acreditar que
esse mundo e as pessoas todas do mundo,
inclusive nós,
estamos blindados contra o mal.
Não se propaga por persuasão,
ou seja, as pessoas não são persuadidas
quando uma ideologia as conquista.
Mas ronda inquietante, é uma epidemia, é
viral.
Todo mundo tem que pensar igual. Todo
mundo tem que falar a mesma linguagem.
Todo mundo tem que falar do mesmo jeito.
Se o líder da ideologia tem a mão torta,
todo mundo vai ficar com a mão torta,
mas ele teve um acidente de carro, os
outros não.
O jeito de falar tem que ser o mesmo, o
jeito de vestir tem que ser o mesmo.
Cansei de ver na PUC de São Paulo
os carinhas lá,
não é?
Chegando lá na na na PUC,
não é? Na naquele ambiente efervescente,
parecia que o cara estava entrando
entrando na PUC de maio de 64.
O cara saindo de um Corolla do ano,
novinho, ele sai de lá com aquele
chinelo de couro, com a calça toda
surrada, uma camisa vermelha de Che
Guevara. Viva la revolución!
Até assim, meu, qualquer um vira
revolucionário, bicho.
O que faz um indivíduo que tem
massa cefálica entre as orelhas
sair de dentro de um automóvel desse
e pregar uma ideologia que ele não vive?
Senão a ilusão.
Ele vive um mundo que não existe.
Não é real o mundo que ele prega. Ele
vive em 64 ainda. Ele não percebeu que o
mundo mudou.
Ele esqueceu que o muro de Berlim caiu.
Ele esqueceu do totalitarismo, do
comunismo, do nazismo, de todos os
socialismos que destruíram e ceifaram
milhões e milhões de pessoas.
Ele esqueceu de ler jornal, ele esquece
de ver jornal,
esquece de olhar para a pessoa que está
do lado.
Ele esquece de se ver, de se olhar no
espelho.
A ideologia é tão cega.
Ela é tão, ela tem um poder de cegar tão
grande
que vem acompanhado de uma extrema
confiança.
A confiança
de que as, de que as pessoas não pensam.
De que as pessoas,
elas, de alguma forma podem ser
conduzidas e controladas pela ideologia.
Por isso o tempo todo eu estou te
dizendo, a gente vive uma batalha
onde a tua mente é o grande objetivo, o
grande tesouro das ideologias.
E a pergunta que eu te faço é, hoje é,
onde está a tua mente?
Tua mente sempre vai ser cativa.
A minha pergunta para você é: de quem
ela é cativa?
Qual é o senhor da tua mente?
Que a tua mente sempre vai ser cativa,
não tenha dúvida.
Mas a grande pergunta que você tem que
responder hoje é: de quem a tua mente é
cativa?
A ideologia oferece o lugar, no lugar de
uma presença límpida e analisável, o
concreto,
a sensação vaga de uma presença sem
corpo, a ilusão, o simulacro de uma
presença.
As ideologias são difíceis de agarrar
com os instrumentos correntes da razão.
Para resistir a ela,
tens de permanecer vivo,
reativo,
não arregimentável
e sobretudo você tem que manter o bom
humor.
Nada é mais ridículo
do que um fantasma que provoca o riso.
A gente tem que aprender
a perceber
em toda a ideologia
esse tom risível da ideologia que,
vendo em parte,
se diz capaz de ver o todo.
Se diz capaz de falar sobre o todo
e de governar sobre tudo e sobre todos,
não reconhecendo a multiplicidade de
esferas de soberania que uma sociedade
possui.
Tim Keller disse, a gente repete
novamente o que ele falou, o que a gente
usou
nesses dois dias aí. A palavra ideologia
pode ser usada para designar qualquer
conjunto de ideias sobre um assunto, mas
também pode ter uma conotação negativa,
próxima de uma palavra parecida, a
idolatria.
Uma ideologia,
assim como um ídolo, é uma descrição
parcial e limitada da realidade que foi
promovida ao nível de palavra final
sobre as coisas.
Ideólogos acreditam que sua escola ou
partido tem a resposta real e completa
para os problemas da sociedade.
A gente precisa rir desses caras.
A gente precisa aprender a rir de todos
aqueles que prometem para a gente uma
salvação que não é Cristo Jesus.
A gente tem que aprender a ter confiança
de que qualquer
qualquer proposta que nos dê a
felicidade e que não parta de Cristo é a
felicidade de um anticristo.
De que vivemos numa sociedade repleta de
anticristo.
Repleto de movimentos que são contrários
a todo o estabelecimento de uma nova
maneira de se pensar a realidade do
mundo e de da nossa volta que o
evangelho provoque e realize.
E isso só acontece porque o evangelho
quer tirar você, quer me tirar de nossa
zona de conforto.
A pior prisão da tua mente é o conforto.
A pior prisão da tua mente são os
pensamentos, as pregações idiotizantes.
A pior prisão da tua mente são aqueles
movimentos, mesmo dentro da igreja, que
te impedem de usar a tua mente para
glorificar Deus.
A pior de todas as prisões é o conforto
de receber mensagens mastigadas.
De receber palavras mastigadas.
Se a gente quer encontrar um pensamento
verdadeiro e aprofundar um pensamento
verdadeiro, a gente tem que aprender a
mastigar o pensamento. Ninguém pode
mastigar por você. Não aceite que
pessoas mastiguem por você.
Quem aqui
acreditaria em mim se eu olhasse para
você agora com um chapéu aqui na minha
cabeça
e com uma voz meio rouca, com drive aqui
na garganta,
olhasse para você e dissesse assim: "Se
você não tem fé, eu vou ter fé por
você".
Quem aqui se entregaria e confiaria em
mim?
E eu lhe faço outra pergunta.
Por que então você é capaz de confiar
sua mente,
a sua inteligência, para que outras
pessoas pensem por você?
Famoso clichê.
Deus
tirou o teu pecado, não a tua
inteligência. Use-a para a glória de
Deus.
Para terminar essa primeira etapa, a
gente vai para o intervalo.
Se a gente fizer uma análise do nosso
país hoje,
a pergunta que você vai fazer é a
seguinte: "Jonas,
de que ideologias você está falando?
Existe alguma ideologia,
tipo, liberalismo, conservadorismo,
anarquia, nacionalismo, democracia,
ah, existe alguma ideologia que seja
compatível com a palavra de Deus, com a
Bíblia?"
Tem um artigo
publicado
na teologia, no site Teologia
Brasileira, publicado recentemente pelo
Franklin Ferreira. Chama-se:
"Totalitarismo, o culto do Estado e a
liberdade evangélica".
Ele fez um estudo bem interessante e ele
diz o seguinte: "O conservadorismo e o
liberalismo, por exemplo,
não são apropriadamente representados
por nenhum dos 32 partidos que existem
atualmente no Brasil. Ou seja, a gente
tem uma cosmovisão majoritária.
Todos os principais partidos políticos
brasileiros são esquerdistas ou
antiliberais.
Uma amostra ajuda a visualizar o atual
quadro político da nação.
PCB, extrema esquerda leninista,
leninista. PCdoB, extrema esquerda
leninista, stalinista. PSC,
centro-direita.
PSD, centro. PSTU, extrema esquerda
leninista, trotskista.
PT, esquerda gramsciana. PSDB,
centro-esquerda. DEM, centro-direita.
PMDB, centro. Mas esse é o centro que
pega tudo. PDT, centro-esquerda. PPS,
centro-esquerda. PSOL, extrema esquerda
leninista, trotskista.
PP, centro. PTB, centro-esquerda. PV,
não é a palavra da vida? PV,
centro-esquerda.
É claro que tem que ter particularidade
partidária, gente. É claro que tem que
existir o contraditório.
Mas isso aqui é uma hegemonia
de um jeito de pensar.
Isso é uma única maneira de pensar.
E aí a gente se pergunta: "Puxa, mas
toda hora eu escuto no país
falarem de direito e de esquerda".
A gente precisa repensar isso também.
Para isso,
tem um um artigo magistral, acabou de
ser publicado pelo Teologia Brasileira,
magistral, de uma lucidez incrível,
escrito por André Venâncio.
Esposo da Norma Norma Braga.
Ele escreveu um texto que chama
Armadilhas do Vocabulário Político. É um
texto extremamente esclarecedor.
Essa maneira de a gente identificar a
discussão política entre direita e
esquerda, e aí pergunta assim: "Bom, com
que que os evangélicos têm que se
identificar? Com a direita ou com a
esquerda"? No Brasil a gente tem que
primeiro se perguntar o seguinte: "Com
qual esquerda a gente vai se
identificar"? Esse é o primeiro ponto.
Porque direita simplesmente não tem.
Direita para valer, como a gente poderia
pensar, não tem. E aí, para pensar o que
tem de direita, a gente precisaria,
primeiro, ter um conceito de direita que
pudesse ser, de fato, genuíno e
verdadeiro, ou um conceito de esquerda
que pudesse ser genuíno e verdadeiro. E
isso não tem, não é aqui, não é nos
Estados Unidos, não é na Europa, não
tem. É difícil, muito complexo de se
definir, de se classificar
posicionamentos.
No entanto,
o que eu quero dizer para você hoje,
não importa
qual seja a ideologia,
seja uma
uma ideologia liberal, seja uma
ideologia nacionalista, seja uma
ideologia conservadora, seja uma
ideologia marxista,
todas elas
são poten- potencialmente
idolatria.
Nenhum partido político vai salvar sua
alma,
nem seu corpo,
nem a integralidade da tua vida.
Não existe uma ideologia
que seja compatível "ipsis litteris" com
a palavra de Deus.
O que você vai encontrar são ideologias
que podem ter vários elementos que podem
ser compatíveis e podem ser semelhantes
à visão bíblica do mundo.
Mas nenhum desses partidos serão
tão grandiosos
ao ponto de terem a grandeza da visão
cristã do mundo.
Por isso o cristão,
ele não pode, em primeira instância, e
aí eu quero dizer, o cristão que quer se
identificar, em primeiro lugar, com a
Bíblia, ele não pode, em primeira
instância, se identificar com nenhuma
ideologia.
Porque a mente dele já está cativa, e
está cativa ao modo de pensar da palavra
de Deus entendida de uma maneira
correta.
Devidamente entendida.
Entretanto.
Se [roncando]
não podemos nos identificar com nenhum
partido político.
Se não podemos nos identificar com
nenhuma ideologia, a pergunta é, então
como é que a gente vai influenciar?
Como é que a gente vai influenciar
se nós.
Ah, não nos identificamos.
Com.
Ah,
nenhum partido político. Eu preciso me
identificar com um partido político.
Vamos para o intervalo.

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