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A fé vem pelo ouvir

Vaidade, Vaidade, Vaidade | Josemar Bessa

Vaidade, Vaidade, Vaidade  | Josemar Bessa

Vaidade, Vaidade, Vaidade | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Amém. Queria ler com os irmãos em
Eclesiastes,
capítulo 1 de 1 diz assim: "Palavras do
mestre, filho de Davi, rei em Jerusalém.
Vaidade de vaidades, diz o mestre.
Vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
Que proveito.
Deixa eu só ajeitar aqui.
Que proveito tem o homem de todo o seu
trabalho com que tanto se esforça
debaixo do sol? Gerações vêm e gerações
vão, mas a terra permanece para sempre.
O sol se levanta e o sol se põe e volta
ao seu lugar para dali levantar-se de
novo. O vento sopra para o sul e faz o
seu giro para o norte. Vai girando e
girando e volta em seu caminho, os seus
circuitos.
Todos os rios correm para o mar e
contudo o mar nunca se enche.
Ao lugar para onde correm os rios, para
lá eles tornam a correr. Todas as coisas
são canira.
Mais do que alguém pode dizer: "Os olhos
nunca se fartam de ver, nem os ouvidos
de ouvir. O que foi tornará a ser. O que
foi feito se fará novamente. Não há nada
novo debaixo do sol. Haverá algo de que
se possa dizer, veja, isto é novo? Não.
Já existiu há muito tempo antes de nós.
Ninguém se lembra dos que viveram na
antiguidade. E aqueles que ainda virão
também não serão lembrados pelos que
vierem depois. Eu, o mestre, fui rei
sobre Israel em Jerusalém. Apliquei o
coração a buscar e a investigar com
sabedoria tudo que se faz debaixo do
céu. Que enfadonho o trabalho impôs Deus
aos filhos dos homens para com ele os
afligir. Atentei para todas as obras que
se fazem debaixo do sol e eis que tudo
era vaidade e correr atrás do vento.
Aquilo que é torto não se pode
endireitar. Aquilo que falta não se pode
calcular. Disse comigo: "Eis que me
engrandecerei. Me engrandeci.
E sobrepujei em sabedoria a todos os que
antes de mim existiram em Jerusalém. O
meu coração contemplou abundância de
sabedoria e de conhecimento. Apliquei o
coração a conhecer a sabedoria e a
conhecer os desvarios e as loucuras. E
vim a saber que também isso é correr
atrás do vento. Porque na muita
sabedoria há muito infado. E quem
aumenta o conhecimento aumenta sua
tristeza.
Vaidade, né, queridos? Esse é o texto.
Que palavra curta, que palavra eh seca,
que palavra que parece pequena demais
para carregar uma extensão eh do que
pretende realmente dizer a nós. Ela vai
breve na boca, vaidade
quase, não ocupa espaço no ar. É meio
como o próprio texto, mas quando entra
na alma,
essa verdade, ela abre um abismo,
vaidade. Não é só a palavra, não é só
uma coisa trivial, não é só bobagem, não
é uma vaidade, não é só o que é fútil
no sentido mais superficial da palavra,
que às vezes a gente tenta colocar, isso
é uma mera vaidade, como se fosse uma
coisa fútil. Não, não, não é vapor, é
sopro. É o que quer dizer, é névoa, é
fumaça, é aquilo que aparece e se
desfaz. Então,
é por isso que ele tá falando que tudo é
vaidade. É aquilo que pode ser visto,
mas não pode ser agarrado. Já tentou
levar água na mão? Assim, por mais que
alguém ali do lado precise de água, ela
vai escorrendo pelas mãos. Então, é
aquilo vaidade que por um momento parece
estar diante de nós como alguma forma,
como algo que eh vai funcionar
consistente, algo que tem uma beleza,
algo que eh eh
alguma força, algum poder, alguma
capacidade. Então, justamente quando a
mão tenta segurar aquilo mesmo e confiar
naquilo,
se dissolve.
Vaidade é presença sem permanência.
Tudo que tem presença e não tem
permanência é brilho sem uma substância
final. É o esforço eh
sem eh nada que reste duradouro.
É movimento sem lucro último. Você
investe a vida toda, mas aquilo não tem
lucro no fim. É beleza que não pode ser
mantida. Qualquer beleza não pode ser
mantida, não é assim?
Eh, é a realização que não consegue
sustentar o peso da eternidade que a
alma quer colocar sobre todas as coisas
na vida.
E o mestre não diz apenas uma vez, ele
repete, ele dobra, ele insiste, ele
martela, ele diz outra vez e outra vez e
outra vez. É o que você vai ver. Vaidade
de vaidades, vaidade de vaidades, tudo é
vaidade.
mesmo o seu trono, mesmo sendo Salomão,
que Jesus disse, eh, então, nem Salomão
se vestiu como lío do Quando ele quis
mostrar um rei que se vestiu com
riquezas infinitas, né, aos olhos da da
comum, não é, apesar de não existir nada
infinito nesta vida, ele diz: "Não, não
se vestiu como um lírio, como se
soubesse que o coração humano possui uma
habilidade extraordinária de ouvir
palavras terríveis." E essa palavra
vaidade é uma palavra terrível.
Imediatamente suavizar ela. Parece que
vaidade é uma palavra leve. Ah, essa
pessoa é muito vaidosa. Aquilo é é
vaidade, né? Leve. A gente faz isso. É o
que sempre fazemos. Talvez por isso os
sermões não tm moldado nossa vida, a
palavra de Deus, nossas meditações. A
verdade vem pesada e nós tornamos a
verdade leve e continuamos vivendo como
se a a a
verdade fosse leve. A verdade vem afiada
e nós tornamos a verdade algo
decorativo.
A verdade vem para nos ferir e nós a
transformamos em algo inofensivo.
Agora eu posso pensar na vaidade, em
vaidade de vaidades, e aquilo se
inofensivo não está cortando, não se
está separando, mas o mestre não deixa
aqui.
Ele não quer que a gente escape.
Ele quer que a palavra caia com toda a
força que ela tem. Ela, ele quer que e
essa palavra não não fique sem
substância para nós. Ele quer que ela
nos alcance
e faça doer. Quer que nos alcance sem
anestesia, ele quer que ela pressione
nossas construções internas, aquilo que
amamos, aquilo que faz nós levantarmos
de manhã até que alguma coisa ceda.
Tudo é vaidade.
Não uma parte da tua vida,
não a parte que você acha supérfula.
Então é uma vaidade, não alguns momentos
apenas que você estava jogando o tempo
fora. Não alguns projetos na tua vida
que são mera vaidade, não alguns
relacionamentos fracassados, ó, foi
perda de tempo. [roncando] Não, algumas
decepções isoladas, tudo, tudo visto de
determinado ângulo, tudo considerado
dentro de certo eh horizonte, tudo
observado a partir de uma moldura
particular. E qual é a moldura? Debaixo
do sol. Tudo debaixo do sol é vaidade.
Ora, o que você conhece? que não está
debaixo do sol, né, e que você interage.
Aqui está a chave, aqui está a frase que
governa o primeiro movimento de
Eclesiaste, debaixo do sol, uma
expressão que volta, volta de novo,
volta como martelo temático, volta
porque ela é a moldura de toda a análise
debaixo do sol.
Isso é a vida considerada dentro dos
limites da existência terrena.
É quando só o que é terreno é a essência
do humanismo secular. Hã, a vida é
considerada a partir daquilo que pode
ser visto,
medido, experimentado, tocado,
construído e perdido. Tudo, não é,
queridos
e lembrado por algum tempo. A vida
considerada sem transcendência
reconhecida. Quando você não pode ligar
algo a algo que dura para sempre,
qualquer coisa.
vida, relacionamento, trabalho, amizade,
tudo. Se você não pode ligar isso a algo
transcendente, se aquilo é só debaixo do
sol,
é a vida considerada sem trono, é a vida
considerada sem o criador honrado como
uma chave interpretativa do meu
casamento, do meu trabalho, do meu
tempo,
das minhas relações.
É a vida considerada do chão,
da poeira, do suor, do tempo, do
desgaste, do do do túmulo, da repetição.
Você vê o rio corre para o mar e depois
volta e corre para o mar de novo e o
vento fica girando do ciclo, debaixo do
sol, não acima do sol, não da
perspectiva da eternidade,
não da perspectiva da ressurreição. Tudo
que você toca, que não está ligado ou
que você não linca imediatamente com
algo muito maior do que aquilo mesmo,
qualquer relação, qualquer coisa, não da
perspectiva da nova criação, não da
perspectiva do Deus que governa todas as
coisas, as coisas para sua glória. Se eu
não consigo conectar meu casamento à
glória de Deus, ele é vaidade.
ser pai,
ser marido, ser pastor,
ganhar dinheiro,
gastar o dinheiro,
mas
as coisas que não estão ligadas além de
cima do sol, não é? Mas aqui do lugar da
criatura que olha paraa existência como
se fosse algo sobre si mesma, ela que
está debaixo do sol também do lugar do
homem, quando ele tenta interpretar tudo
apenas com os olhos da experiência
terrena.
O meu eh a o meu trabalho é só sobre
experiência terrena, é só sobre ganhar
dinheiro e viver e comprar e melhorar.
Então é é isso, é vaidade. Do lugar do
observador que vê nascimento, trabalho,
movimento, prazer, perda, cansaço,
velice e morte, mas não enxerga por si
mesma a consumação de tudo isso em como
se liga a Deus. É isso que é debaixo do
sol. Debaixo do sol. Então, eh, o mestre
lança a a pergunta, não uma pergunta
pequena. Como eu disse, a gente costuma
esvaziar as palavras como vaidade. Ela é
cortante e a gente tira eh o fio. Não
uma pergunta delicada, não uma pergunta
para ornamentar, uma discussão, um
debate entre nós, intelectual, mas uma
pergunta que entra no peito e cava. Que
proveito tem o homem de todo o seu
trabalho,
de toda a sua luta, de todo o seu
cansaço?
Que proveito, que lucro, que ganho, que
resta no fim, o que sobra, o que
permanece para sempre?
O que fica depois? O que sobra quando o
suor já secou da sua testa, o que sobra
quando os anos passaram e você
envelheceu? O que sobra quando a
juventude acabou? O que sobra quando o
corpo não responde? O que sobra quando a
carreira terminou?
O que sobra quando o nome já não é dito
com a mesma frequência? O que vai sobrar
quando ninguém lembrar que você existiu?
Todas as coisas que você acharam
importantes, as pessoas não vão nem
saber daqui a alguns anos que você
existiu.
O que sobra quando os filhos cresceram,
as metas foram perseguidas, as viagens
foram feitas? Você já viu as coisas que
você achava que era importantíssimo ver?
Ah, os projetos foram tentados, os
relacionamentos já foram vividos, mesmo
os mais felizes que duraram
décadas,
as guerras pessoais foram travadas. O
que sobra?
Que proveito real há? Que lucro final
permanece? Essa é uma pergunta ofensiva.
Ofensiva porque ignora as formas
superficiais pelas quais a gente nutre
a nossa vida. Mesmo nós
que conhecemos essa verdade. Ela não
pergunta se você esteve ocupado.
Ela não pergunta se você pareceu
importante aos olhos das pessoas com
quem você convivia. Não pergunta se você
teve muitas experiências interessantes.
Não pergunta se sua agenda foi uma
agenda cheia. Você tinha muito o que
fazer e trabalhar e viajar e ela não
pergunta se você teve influência sobre
as pessoas, não pergunta se você foi
muito admirado pelas pessoas. Ela não
pergunta se sua vida produziu uma
impressão na sua geração. Não pergunta.
Ela pergunta se produziu permanência, o
que fica no fim. Ela não pergunta quanto
barulho a tua vida fez. Chamou atenção.
Ela pergunta o que ficará quando o
barulho acabar.
Ela não pergunta quantas coisas você
construiu, que patrimônio você
construiu, que família você construiu.
Ela pergunta: "O que vai resistir ao
tempo?
Daqui a 200 anos, o que vai resistir a
esse tempo e há mais tempo?" Ela
não pergunta quantas pessoas te
aplaudiram. Ela pergunta: "O que restará
quando o aplauso da última pessoa viva
que te conheceu não existir mais?"
Que pergunta brutal, porque ela rasga a
superfície da nossa rotina.
Nós vivemos muito sem pensar e vivemos
muito sem pensar nisso. É possível
pensar muitos anos sem nunca pensar
nisso. É possível você se achar uma
pessoa intelectual, que pensa sobre
tudo, que tem uma opinião sobre tudo,
que é bem informada. É possível
manter-se em movimento, manter-se
produtivo no trabalho, manter-se
funcional no casamento, na relação com
os filhos, manter-se socialmente ativo e
jamais parar de verdade diante dessa
pergunta: "O que vai ficar depois?"
Mas o mestre aqui, né, ele não nos
deixa, ele nos pega assim pela orelha,
né, ou pelo colarinho, como o pessoal
dizia antigamente, e ele nos impede de
continuar correndo por alguns instantes.
Ele fala como correr atrás do vento. Ele
nos obriga a olhar para o fundo. Ele
diz: "Tudo bem, você viveu.
Ah, é importante, né, que eu eu vivia,
eu vivi do meu jeito. Tá bom. Você
viveu, mas viveu para quê?
Tá bem, você trabalhou muito. Eh, mas o
que sobrou no fim?
Tudo bem, você lutou, mas qual foi o
lucro da tua luta?
Qual foi o lucro final? Tudo bem, você
construiu, mas o que restou
de permanente
depois de tanto cansaço.
E aqui a alma começa a se inquietar, a
gente começa a chamar isso de crise, né?
E as crises vão acontecendo aos 40,
porque a vida tá acabando, né, queridos?
Porque grande parte da vida humana é
organizada para não encarar isso até o
fim. Finge que
nós preenchemos o tempo para não pensar.
Nós nos cercamos de ruído para não
ouvir. Nós multiplicamos tarefas para
não perguntar.
Não queríamos muito pensar para quê? O
que vai sobrar? Qual vai ser o lucro
final? Nós chamamos de responsabilidade
aquilo que às vezes é apenas fuga
sofisticada da pergunta central que no
nosso dia a dia a gente não faz. A gente
faz um monte de coisa, mas a gente nunca
pergunta: "Eu tô fazendo isso aqui? Que
que vai ficar no fim?"
Nós nos mantemos ocupados para não
sermos encontrados pelo terror dessa
questão.
E no fim, o que vai sobrar?
Quem vai lembrar que eu existi?
>> [roncando]
>> Vaidade. Então o mestre começa a apertar
o coração olhando para a própria
criação. Gerações vêm, gerações vão,
mas a terra permanece. Que humilhação há
nisso, não é, queridos? Que redução da
nossa pretensão de que vamos mudar as
coisas, vamos deixar nossa marca. Essa
pessoa deixou o mundo diferente. Cada
geração se sente única. Por isso que
toda geração acha que Jesus vai voltar
naquela porque ela não consegue imaginar
a vida sem ela. Como é que esse mundo
vai ser sem Josemar?
Como vai ser horrível? Vai ser vazio.
Como é que Jesus vai resolver voltar
daqui a 13.000 anos? Como é que eu vou
ficar 13.000 anos fora da história?
Mas a terra permanece. Isso é uma
humilhação. Que redução na nossa
presença. Cada geração se sente única.
Cada geração se imagina decisiva, mais
evoluída. A gente olha paraas gerações
passadas, que pessoa ignorante. E a
gente nem pensa que daqui a 500 anos vão
olhar pra gente e falar assim: "Que
pessoal ignorante". As pessoas não sabia
nada, nada, nada. Cada geração ama
pensar que a sua dor é a maior dor da
todas as épocas. Ah, essa geração é a
pior. Estamos enfrentando os maiores
problemas. Sua consciência é singular.
Sua crise é singular. Sua visão é
singular. Cada geração imagina que de
algum modo o universo deveria reconhecer
que essa geração é central.
Deus devia reconhecer que a nossa
geração é central, mas o mestre olha e
diz: "Gerações vêm e gerações vão e a
terra permanece".
Você
não era essencial a história como
imaginava.
Vocês chegam, vocês se agitam, vocês se
levam muito a sério à aquilo que não era
a glória de Deus. Vocês criam narrativas
grandiosas sobre a sua própria história,
seus sentimentos, suas convicções, sua
visão de vida. Vocês chamam suas tensões
de inéditas. Ninguém sofreu a noite da
alma como eu. E aí vocês chamam suas
descobertas de descobertas
revolucionárias. Só que as coisas que
nós achamos que lá na antiguidade que
era ou então há um século dois atrás que
aquilo é era uma bobagem. Então, naquela
época era revolucionário. Vocês chamam
seus medos de definitivos, chamam seu
tempo de decisivo, mas a terra
permanece. Ele diz,
vocês entram, vocês saem e ela continua
sem nem perceber.
Vocês gritam, ela permanece, vocês
celebram, vocês se desesperam, vocês
constróem, vocês derrubam
relacionamentos,
eh, enfim, vocês se sucedem, mas a terra
permanece. Não é que o homem não importe
eh eh absolutamente, não é o que ele
está dizendo. O ponto aqui é outro, é
que observado apenas debaixo do sol, o
homem não pode sustentar a sensação de
centralidade que ele atribui a si mesmo,
a sua geração,
a sua vida. A criação não está
impressionada com nossa urgência.
Da mesma forma que nós estamos
impressionados com a nossa urgência, o
sol nasce e o sol se põe e volta ao seu
lugar. Ele lhe diz: "Onde tornará a
nascer?"
Isso acontecia na época de Salomão,
de Noé, e o sol amanhã vai nascer e
daqui a 1000 anos vai nascer. E nós
o que permanece
debaixo do sol. O vento sopra, vai ao
sul, ele diz, vira ao norte, gira e gira
e torna o seu circuito. Os rios correm
para o mar, o mar não enche e os rios
voltam a correr. Não é que retrato, que
sensação de majestosa repetição.
A criação inteira parece executar uma
coreografia
que sempre retorna.
Ah, tá. Tem a música do do do Guilherme
Arantes, né? água, a mesma água que
enche os rios, enche os lagos, é água
que no sertão, que vai para debaixo da
terra, que sobe de novo, que vai de
novo. É isso. A questão inteira para se
executar uma coreografia de retorno, uma
grande liturgia de constância e uma
música que tá em loop,
uma roda que gira com força e beleza,
né? A gente tem que admitir, cada por do
sol, né? Mas sem se oferecer na
observação imediata como escada para
alguma consumação visível.
alguma transformação debaixo do sol. Há
movimento, muito movimento. Há curso, há
refluxo, há intensidade. Há movimentos
incríveis, mas não há a primeira vista
lucro final inscrito nisso tudo.
O sol vai, o sol volta, o vento roda, os
rios correm, o mar recebe e nada para
chegar à plenitude
definitiva que nós possamos observar
debaixo do sol.
E o homem, o homem aparece no meio disso
como um ser de curta duração. É o mais
curto de todas essas coisas que tá
mencionando, né? O sol que nasce põe,
põe, como eu disse, eh, lá estava o sol
se pondo e e e nascendo nos dias de
Salomão, mas a gente tem uma longa, uma
curta duração, mas a gente tem uma
pretensão enorme.
A gente nasce, cresce, sonha, deseja,
trabalha, constrói, eh, defende, luta,
ama, sofre, adoece, envelhece, morre. Aí
vem outra pessoa para fazer isso tudo de
novo. E repete com pequenas variações o
mesmo drama,
muito pequenas. Outro vem e chama de
novidade. O que não é novidade? Nada.
Aquilo já aconteceu sempre. Outro vem e
se imagina central, se imagina único.
Outro vem e some. E todo mundo some e
todo mundo é esquecido.
A terra permanece e isso nos humilha
profundamente. Como eu disse, Lutero,
jamais podia imaginar que nós estaremos
aqui 500 e poucos anos depois. Parecia
que tudo tava todo que tava acontecendo
naqueles dias era tão decisivo e final,
não é? Então que ele podia imaginar que
tantos séculos depois aqui estaríamos
nós. E imagina nós que não somos Lutero.
Isso humilha profundamente. Humilha
porque atinge a ilusão que a intensidade
com que sentimos algo prova que aquilo
tem valor.
Como é intenso, como eu sinto, como eu
experimento. Então, por si só, a minha
percepção dessa intensidade tem valor.
Nós sentimos nosso tempo como
gravíssimo.
Nós sentimos nossa história como imensa,
de uma importância imensa. Nós sentimos
nossos projetos como decisivos
finais. Nós sentimos nossos conflitos
como quase conflitos cósmicos.
Mas o mestre nos força a ver quanto da
nossa emoção não é medida
da estrutura real da existência. A
existência não é medida pela nossa
emoção, pelo que nós sentimos. Tudo é
canira, ele diz. Todas as coisas são
canceras mais do que alguém pode dizer,
ele diz. Que frase dura. Mais do que
você poderia dizer, tudo é cansativo e
tudo não se repete. Que frase que parece
tirar a maquiagem de todas as
idealizações
humanas. Todas. Tira a maquiagem. Todas
as coisas, não apenas as claramente
difíceis, não apenas as tragédias, não
apenas o luto, não apenas o fracasso,
todas as coisas. as mais belas,
as melhores, as desejadas, as pequenas,
as grandes, as nobres,
aquelas coisas que são comuns, mas há
também as que são intensas, as
entediantes, mas a que nós achávamos
muito promissoras e emocionantes, as
frustrantes, todas carregam debaixo do
sol uma textura de cansaço.
Há cansaço em buscar, h cansaço em
esperar, há cansaço em conquistar. Tudo
tá envolvido em cansaço. Há cansaço para
manter o que conquistou. A cansaço em
proteger o que agora conseguimos. A
cansaço em ir perdendo todas as coisas
sem poder impedir. A cansaço em temer
perder antes de perder a ansiedade, né?
A cansaço em recomeçar, a cansaço em
continuar, cansaço até no que parece
prazer,
a cansaço até no que parece ser a
solução das coisas, como nós
imaginávamos. O homem vive imaginando
que se apenas alcançar certo ponto,
certa coisa, ele vai descansar. Se eu
conseguir aquela relação, eu vou
descansar. Se atingir aquele nível, eu
vou descansar. Se obtiver aquela
estabilidade, descansará. Se for notado
por aquela pessoa ou por aquelas
pessoas,
descansará. Se tornar aquilo que pensa,
querer, ser. Se ele tinha um plano de
ser algo e conseguir ser aquilo que ele
imaginava, então ele pensa, vou
descansar. Mas quase sempre que vem, eh,
e ele vai descobrir quase sempre, não,
sempre, é outra forma de cansaço.
É cansaço da manutenção daquilo, é
ansiedade de perder aquilo, é o cansaço
do medo, é o cansaço da administração do
que foi alcançado. Quanto mais eu
alcanço, mais eu tenho que administrar.
É o cansaço da percepção humilhante de
que aquilo não curou o fundo, não me
trouxe descanso.
A vida debaixo do sol torna-se uma
alternância cruel entre cansaço da falta
e o cansaço da posse. É o cansaço para
possuir algo, depois o cansaço de
possuir aquilo que eu queria possuir. É
cansaço por não ter, mas é cansaço por
conseguir ter.
Cansaço para manter, cansaço porque
aquilo não bastou
para nós. Cansaço porque será necessário
procurar outra coisa e começar tudo de
novo. Mais do que alguém pode dizer. Ele
lhe disse, você não pode descrever o
cansaço.
Como se o próprio mestre reconhecesse
que a linguagem é curta diante da
extensão do infado humano de buscar e
nunca alcantar, encontrar descanso.
Nós dizemos: "Estou cansado". A nossa
geração agora é a mais cansada de todas.
Como eu disse, toda geração se acha mais
do que todas.
Agora é bornal, todo mundo é muito
trabalho, tal. Houve não teve geração.
Antes na época da revolução industrial,
as pessoas trabalhavam 18 horas por dia.
Não teve nenhuma geração que trabalhou
menos, teve mais, mais entretenimento e
poôde gastar mais dinheiro com bobagem.
Mas nós somos os mais cansados, os mais
estressados, os mais, coitado de nós,
perto da história do mundo. Nós dizemos:
"Estou cansado, mas é pouco". Dizemos:
"A vida pesa, mas é pouco." Dizemos:
"Está difícil, mas é pouco." A
existência humana carrega um enfado mais
extenso do que nossa fala consegue
medir, expressar. Ele tá dizendo. E
qualquer pessoa que já tenha parado de
verdade para prestar atenção na sua
própria vida, não na vida dos outros,
né? sabe que isso não é exagero.
Os olhos nunca se cansam de ver. Ele diz
aqui o mestre toca o nervo do desejo. O
que ele tá dizendo o seguinte: "O olho
nunca se farta, o desejo nunca acaba.
Ah, se eu tiver isso, eu vou estar
certo." Não vai estar.
Os teus olhos nunca vão cansar. Já vi,
já viajei, já vi muita coisa, agora não
precisa mais ver. Eu já disse que ve as
pessoas falam para mim, tem uma praia lá
no Pará maravilhosa. Eu falei: "Praria é
tudo igual. Que cansaço, né? Praia tem
areia, água vai, água vem. Tem uma praia
ali pertinha, morir vou viajar, andar de
avião, né? Olhar uma praia, depois vou
para pegar o avião de novo. Que cansaço.
Os ouvidos nunca se enchem. Imagina
assim aí chegasse uma hora que ó, não dá
para ouvir a próxima música porque cara
encheu,
mas os ouvidos nunca se enchem, a
imaginação nunca descansa. Ela tá sempre
pensando, imaginando outra coisa, o
apetite natural nunca diz basta. Basta
de dinheiro, basta de sexo, basta de
comida. Basta, basta, basta. Estamos
cheios.
O coração caído foi feito para mais do
que o mundo pode dar e por isso tenta
arrancar do mundo uma plenitude que não
existe.
Então tudo, até as coisas que pareciam
ser melhores é cansaço. Vê algo quer
mais. Ouve algo quer mais. Tem uma
experiência quer ter a próxima
experiência. Como eu disse, eu ouço
muito podcast sobre eh alpinismo, que eu
gosto. Então, até Cláudio dis que você é
obsecado. Você ouve isso o tempo todo,
tudo que tu tá fazendo, tá ouvindo o
alpinismo, gente caindo. Todos os
grandes alpinistas acabam mortos porque
eles nunca param. Ele sobe a pior
montanha, a mais difícil, a mais alta.
Aí o cara pensa: "Não, mas isso aqui é
pelo sul. Nunca ninguém subiu pela face
noroeste. Vou subir pela face noroeste".
Ele vai subindo por faces diferentes,
coisas diferentes, até que ele morre.
Ele já era a lenda da do do alpinismo,
não é? Tanto na rocha quanto no gelo. O
cara era monstro, mas ele vai continuar
subindo até morrer. Logo descobre que o
novo lugar também envelhece. Ele recebe
o aplauso daquela montanha. Se você
abrir uma subir por uma face que ninguém
nunca subiu, você bota o teu nome
naquilo. A face Josemar do Evereste.
Imagina isso. Hã, ele foi o primeiro a
subir por ali. Um troço dificíimo. Você
bota o teu nome, mas logo esse aquele
aplauso. Outra pessoa sobe também outro
lugar. Eh, você compra, consegue,
alcança, possui, obtém, experimenta e
pouco depois sente outra vez o rumor da
falta.
E é por isso que o prazer terreno quando
tomado como fim nunca traz descanso. Se
a pessoa vive para o próximo coisa, a
próxima viagem, o próxima conquista, o
próximo relacionamento,
ele pode fazer o que a gente chama
entreter por um instante.
É, pode e trazer um consolo momentâneo,
pode suspender por um instante a
consciência do vazio da alma,
mas não fecha a ferida, porque a ferida
não é apenas falta de experiências,
falta de paisagens, falta de conhecer
pessoas.
É uma ferida teológica. A alma foi feita
então para o infinito, para algo além do
sol
e tenta se fartar debaixo do sol. Ela
foi feita para Deus e tenta descansar
nos dons, foi feita para a glória e
tenta encontrar casa com fragmentos da
glória de Deus, não com a própria
glória. E é por isso que os olhos nunca
se fartam. Ele tá dizendo: "É por isso
que os ouvidos nunca se enchem.
Parece um buraco. É por isso que a
cultura do consumo não resolve.
É por isso que o excesso de estímulos
não resolve.
E olha que nossa nossa geração tem muito
excesso de estímulos. É por isso que a
multiplicação das possibilidades não
resolve.
Porque o problema não é a escassez de
objetos, o problema é a desordem da
adoração.
Nada novo, não há nada novo debaixo do
sol. Não há nada que todos os homens não
tenham experimentado de várias formas. O
que foi, ele diz, tornará a ser. O que
se fez se fará novamente. Não há nada
novo debaixo do sol. Não houve nada novo
para as outras gerações, nada novo para
mil gerações atrás. Não há nada novo
para a nossa geração. [roncando]
Que golpe na vaidade da novidade, né?
Ah, isso aqui é novo. Isso não é novo.
Ah, eu vou nisso aqui eu vou encontrar.
Já buscaram isso todas as gerações. Cada
geração ama imaginar que inaugurou uma
coisa inédita,
uma uma coisa que outras gerações não
tinham. Cada cultura gosta de olhar para
trás com superioridade, mas o mestre
olha e diz: "Veja melhor,
a roupa muda, o coração continua.
A tecnologia muda, a cobiça continua.
A linguagem muda, mas o orgulho
continua. Os instrumentos mudam, mas a
idolatria continua.
As teorias mudam. A velha tentativa de
ser autônomo diante de Deus continua.
Não há nada novo debaixo do sol.
Novo no anúncio, sim.
Novo na estética, sim. Novo no aparato,
sim. Novo no fundo? Não, nada.
O pecado é antigo. Ah, como o pecado é
antigo. A morte é antiga, os túmulos são
antigos, a soberba é antiga, a ambição é
antiga, a inveja é antiga, a fome de
autonomia, ah, é tão antiga quanto os
primeiros homens. A tentativa de fazer
da criatura o centro é antiga. A
tentativa de salvar-se sem Deus ou
merecendo algo de Deus é muito antiga. O
mestre arranca a maquiagem do progresso
ilusório. Não há progresso nenhum a não
ser tecnológico.
Ele não nega mudanças de superfície,
mas ele expõe a repetição profunda da
alma humana. Não importando quão
tecnológico você ter se tornado, isso
humilha especialmente os tempos que mais
se vangloriam da sua sofisticação. Somos
mais sofisticados do que a idade média.
O homem é melhor, inveja menos, cobiça
menos,
é menos orgulhoso, é menos ansioso.
Ninguém se lembra dos que viveram na
antiguidade. Ele diz, e olha que ele tá
falando isso
há 13.000 1 anos atrás.
É a antiguidade dele, porque ele é a
nossa antiguidade, não é? Ninguém se
lembra dos que viveram na antiguidade e
aqueles que ainda virão também não serão
lembrados pelos que vierem depois. O
homem quer mais do que viver. Nós
queremos permanecer, nós queremos
marcar. Nós queremos que a nossa
história não seja igual a história de
todo mundo. Queremos ser lembrados,
queremos deixar nossa marca, queremos
vencer. Exatamente isso. O que nós mais
queremos vencer? o esquecimento. Por que
que um jogador é difícil encerrar a
carreira? Por que que porque nós nós
queremos eh eh vencer o esquecimento,
nós queremos fazer do próprio nome uma
espécie de continuação da própria
existência.
Mas o mestre diz: "Olhe melhor, quem se
lembra dos antigos, dos grandes?
Quem os guarda? Quem conhece seus
rostos? Quem conhece os medos que eles
sentiram?
As noites da alma?
Seus amores, suas vigílias insônios,
seus fracassos, seus pequenos triunfos
que pareciam tão importantes, suas
orações, suas lágrimas, mesmo os grandes
rareiam. Alexandre o Grande. Quantas
vezes você pensou nele na vida? O que
você sabe sobre ele?
[roncando] Mesmo os nomes célebres eles
encolhem. Mesmo os famosos se tornam e
com um nome lá perdido, sem história,
sem importância. Mas
os gigantes, os maiores, ainda ouviram
nota de rodapé, não importam paraa nossa
vida. O esquecimento é uma das grandes
humilhações da glória humana. Todo mundo
é esquecido.
O homem quer deixar um traço,
mas o templo, como a gente é um pó, o
templo só para a poeira.
Que barulho suficiente pode vencer o
silêncio do tempo.
Mas o silêncio sempre volta, queridos.
sempre aquilo que era agitação, a
agitação chamada Josemar, vira um
silêncio, um silêncio tão profundo, tão
longo, debaixo do sol, até o legado é
frágil demais para ser a nossa salvação.
Então o mestre fala como alguém que foi
longe. Ele não está falando como um
pequeno ressentido porque não teve nada
na vida. Não, não, não, não. Ele não
está falando como um fracassado
invejoso, que tá falando isso só porque
ficou amargo, porque não teve nada. Não
se está falando como um ignorante,
desdenhoso da sabedoria. Ele era muito
sábio.
Ele foi rei, teve recursos enormes, teve
poder, teve alcance, romance sem fim,
teve estrutura para explorar, aplicou o
coração à sabedoria, aplicou o coração
ao conhecimento. Ele diz: "Eu
investiguei, eu fui em todas as áreas,
eu eu fiz tudo. Se o negócio era
construir prédio, construir um monte de
palácio. Se era eh festa, eu contratei
os melhores músicos. Se era tudo que eu
fiz, tudo foi fundo e o veredicto. Tudo
vaidade.
Tudo é correr atrás do vento. Que imagem
devastadora.
Ah, que pode ser uma frase que ficou
bonita, mas a gente perde quanto
devastadora. Correr atrás do vento. É
gastar a vida tentando segurar o que é
impossível.
tentar transformar ar em herança, ar em
identidade.
Como eu disse, a gente, isso é vaidade,
mas a gente pode viver assim todo dia.
E é o normal que os homens naturais
vivam assim. tentar converter a névoa.
Néva é uma coisa bonita, né, de manhã,
mas tentar fazer daquilo o teu
patrimônio,
tentar fazer do que escapa à base da sua
existência firme.
Quantas vidas são exatamente isso? Todo
mundo tá correndo. Corre-se muito.
Corre-se com disciplina, às vezes, não
só indisciplinadamente, corre-se com
inteligência, corre-se com elegância.
Tudo isso podia ser atribuído a a ao
escritor de Eclesiastes. Corre-se com
ambição, corre-se com sucesso, corre-se
com a aprovação de quem está olhando sua
corrida, mas quando se olha para o que
ficou de fato na mão, no fim,
o que há? Ele diz: "O que sobrou?"
vento. Essa pessoa correu atrás do
vento. Tudo que ela fez, não alguém, não
um, todo mundo. Vento admirado, vento
premiado, vento com medalha, vento que
foi aplaudido. Mas vento, o que é torto?
Ele diz, não se pode endireitar. O mundo
está torto.
A vida está torta,
o coração está torto. A história está
torta, a vida está atravessada.
E o homem não consegue por si mesmo, por
tudo em ordem, ele não consegue
desentortar nada na vida. No final,
quando acaba a vida dele, a vida é
torta, igual a torta quando ele nasceu.
Isso fere nosso orgulho, fere
especialmente a ilusão moderna de que
inteligência,
técnica, política, moralidade ou
progresso educacional
bastarão para corrigir a estrutura
profunda da queda.
Não bastarão.
A torção é grande demais.
As faltas são profundas demais.
Há rachaduras que são antigas demais,
há vazios incontáveis. O homem pode ser
instrumento
do bem
horizontal, real. pode aliviar
sofrimentos, pode produzir justiça
apenas relativa, pode servir, pode amar,
pode agir, mas não pode endireitar o
mundo,
não pode curar o coração, não pode
vencer a vaidade. Ele diz: "Quem aumenta
o conhecimento, aumenta a tristeza.
Mais ver, mais pensar, mais refletir,
mais perguntar
e tudo dói demais.
Dói demais
o distraído eh
continua
meio que anestesiado, mas não vai ter
como fugir da dor. Mas o homem que pensa
começa a sentir o peso da pergunta e a
pergunta cava, cansa, a pergunta expõe.
E é por isso que Eclesiasta é tão pesado
emocionalmente
quando olhado seriamente, porque ele não
entrega respostas rápidas. Ele está
fazendo perguntas.
Ele empurra a consciência para fora do
conforto. Ele não deixa o homem viver
como um animal,
como às vezes o homem quer viver. Um
animal ocupado, ele exige pensamento.
Ele diz: "Pense em tudo sem Deus".
Torna-se
porta de infado e cansaço.
Mas então, onde está a esperança?
Não no fechamento confortável das falsas
respostas. Não no humanismo
autossuficiente que a igreja abraça
quase como o mundo, não humanismo eh eh
secular, não no prazer elevado de de se
refugiar em alguma coisa, não na coragem
moral, sem um fundamento transcendente,
mesmo heróica. A esperança vem de fora
do sistema fechado, vem de cima do sol,
vem do Deus vivo, vem do logos. Se
Ecclesiastes pergunta, João responde.
Se Ecclesiastes rasga, João revela.
Ecclesiastes não cura as coisas, ele
rasga, ele faz a ferida, ele machuca.
Se Eclesiástico conduz ao abismo, João
mostra o verbo que entra na história. No
princípio era o verbo, o logos,
o sentido, a razão final. Os gregos
sempre procuraram o logos das coisas.
Qual é a razão final do casamento? Qual
é a razão final da vida? Qual é a razão
final do trabalho? Qual é a razão final
do meu eh eh levantar diário? Qual é a
razão? O logos, o logos de tudo. Qual é
a razão?
[roncando] Qual é a coerência última?
Qual é a coisa que fecha todas as
coisas? O centro pessoal de todas as
coisas. O que a filosofia procurou como
princípio abstrato, Deus revelou como
uma pessoa, o logos.
O sentido da vida não é uma teoria, não
é nada simplesmente debaixo do sol, não
é um lema, não é uma fórmula, é Cristo.
O logo se fez carne. João diz, a razão
eterna, a razão de todas as coisas,
aquele para quem tudo foi feito dele,
por ele, para ele, tal. Entrou, o logos
entrou na história. A glória tomou o
rosto humano. Tudo foi feito para
glória. Então essa glória se tornou e eh
eh tomou um rosto humano e o sentido de
tudo habitou entre nós. Isso é
maravilhoso, não é?
E então tudo muda. Se Cristo é o logos,
a vida não é uma repetição vazia.
Se Cristo é o logos, o trabalho não é
mero suor sem lucro, porque que fica? Se
Cristo é o logos, o amor não é química
sofisticada do cérebro. A paz também não
é.
A justiça não é uma ilusão útil só para
enquanto a gente vive e não ficar tudo
muito desorganizado.
Se Cristo é o logos,
o agora está tocando a eternidade. Ou
seja, o além do sol, não debaixo do sol.
O oposto de vaidade não é mero prazer,
não é mero impacto, não é mera
produtividade.
O oposto de vaidade é Cristo,
porque nele o vapor encontra razão,
encontra peso.
Nele o efêmero toca o eterno. Nele o
casamento faz sentido, o trabalho faz
sentido, a existência faz sentido.
[roncando] Nele o fragmento encontra
coerência. Nele o ordinário é
atravessado pela glória de comer e
beber.
Nele até a fidelidade pequena adquire um
peso eterno. Vai, faça um sapato e venda
por um preço justo.
Tudo ou nada. Sem Deus
nada significa nada. Finalmente,
em Cristo tudo se enche de significado.
Tudo. Sem Deus, a vida inteira corre
para o seu esquecimento, para o
apagamento final, para para o nada. em
Cristo, até a oração escondida que
ninguém nunca viu ganha um peso eterno.
Até o cuidado com o filho de madrugada,
o trabalho honesto,
o serviço não visto,
o consolo silencioso que você deu a
alguém, até a esperança teimosa, tudo
toca glória em Cristo. Porque agora a
vida não se fecha apenas debaixo do sol.
Aquelas coisas não estão simplesmente
debaixo do sol. Agora ela está aberta ao
trono, aberta ao pai, aberta ao reino,
ao reino de Deus, aberta ao Cristo
ressuscitado. Então, a conclusão é
inevitável. Se você vive apenas para a
vida debaixo do sol,
Jesus disse, você vai perder a vida.
Se você vive apenas para a vida debaixo
do sol,
pro agora, você vai perder todo agora
seu. É um desperdício.
Cada pedaço do seu trabalho, cada pedaço
dos seus relacionamentos, cada pedaço da
sua e amizade, cada pedaço do seu
casamento, cada Se você vive apenas para
agora, você vai perder o agora. Se você
vive apenas para construir sentido com
as mãos,
vai descobrir que elas não conseguem
segurar o vento. E você está tentando
fazer isso. Se você vive apenas para o
mundo, o mundo vai engolir você, vai
sacudir você, vai encher você de medo,
de ansiedade, de desespero.
Mas se você vive para Cristo, você
encontra-se. Você não tava buscando se
encontrar, mas você se encontra. Se vive
para a eternidade, você recebe não só a
eternidade. Quem vive para a eternidade
recebe o presente.
O presente agora tem peso, significado.
Tem um logos.
Se você vive para o logos, o cotidiano é
reencantado pela glória dele.
Se você vive para Deus, o trabalho ganha
direção.
Se você viver para Cristo, o ordinário
deixa de ser fútil.
Talvez haja pessoas aqui vivendo como se
Deus não fosse necessário ao sentido da
vida. Não declarando isso, né? Porque
cristãos não declaram isso. Enquanto
usam categorias que só existem porque
Deus é real. Isso acontece no mundo
todo, não é? Falam de dignidade, falam
de justiça, de valor, de compaixão, de
bem, de mal, de beleza, mas recusam
Cristo como centro de tudo isso ou Deus.
Ou seja, respiram o capital dele, usam
os conceitos dele. Porque por que que
matar é melhor do que não matar?
Não há nenhuma razão, a não ser que esse
seja um conceito de Deus. Senão cada um
pode fazer o que quiser.
Recuse o seu senhor. Eclesiaste diz:
"Pense até o fim. Não pare. Se não a
Deus assuma o abismo. Se você acha que
realmente as coisas debaixo do sol é é
onde você está vivendo, é o lugar e é o
que vai dar razão as coisas que você
vive, então assuma o abismo, pense até o
final e veja no final o que o casamento
te deu, o que o teu trabalho te deu, o
que sobra no fim, o que as outras
gerações vão fazer a respeito de você.
Você vai simplesmente passar.
Não há nada novo. Se a Deus, pare de
viver como se não houvesse.
Se a Deus pare de trabalhar como se não
houvesse Deus. Se a Deus pare de tentar
viver o casamento como se ele não
existisse,
como se cada uma das coisas fossem um
fim em si mesmas.
Talvez acha também pessoas que professem
fé, né, mas vivem exatamente de maneira
totalmente incoerente.
Carreira, aparência, sucesso,
relacionamento, estabilidade,
ministério, aprovação. Então, embora
confesse em Cristo,
vivem tentando arrancar sentido dessas
coisas menores, mas falharão, ainda que
elas sejam as melhores.
Nós não podemos dizer Deus não pode
dizer para nós: "Eu sou o teu galardão,
eu sou a tua porção". Deus é minha
porção. E depois tentar tirar nossa
identidade das outras coisas. Então a
gente diz que aquelas outras coisas são
a nossa porção. Nenhum
e eh eh nenhuma coisa é grande o
suficiente para nossa alma. Você foi
criado para ele
e não só para ele, porque fica
aparecendo que ele foi criado para Deus,
mas também para as outras coisas. você
foi criado para ele somente.
Não basta dizer genericamente que Cristo
é importante. Nós temos que conhecê-lo
como a única coisa importante final,
render-se, viver nele. Porque o sentido
da vida não é uma ideia correta, não é
uma experiência, não é uma visão, não é
uma audição, não é uma viagem, não é um
relacionamento.
O sentido da vida é um Senhor vivo. E
então ore assim: "Pai, quando vivo para
mim mesmo, eu me perco.
Quando vivo apenas para o agora, eu
perco agora. Quando eu vivo para o
casamento, eu perco o casamento. Quando
eu vivo para o trabalho, eu perco o
trabalho. Quando eu vivo para o tempo,
eu perco o tempo.
Quando eu vivo para a beleza, eu perco
ela. Quando vivo para os meus pequenos
ídolos, fico menor na minha própria
fome.
Quando vivo para minha imagem, eu
torno-me escravo dela. Eu eu perco.
Quando vivo para aprovação, eu morro com
a ausência da aprovação.
Quando vivo debaixo do sol, como se o
sol fosse tudo, tudo vira vapor, minha
alma fica ansiosa. Eu vivo com medo
porque sei que as coisas vão escapar.
Mas quando vivo para o teu filho,
encontro-me. Quando vivo para a
eternidade, recebo o presente. Quando
vivo para o logos, o ordinário se enche
de glória.
Quando vivo para Cristo, minha vida
deixa de ser um amontoado de fenômenos e
se torna um caminho atravessado eh eh
pelo brilho do Deus vivo na face de seu
filho. Se a vida é só debaixo do sol,
Deus tá dizendo: "Tudo é vaidade,
não as coisas ruins, não as coisas
fúteis. Teu casamento é vaidade, teu
trabalho é vaidade, teu esforço é
vaidade, teu suor é vaidade,
teu trabalho, eh, mesmo que honesto é
vaidade, tudo é vaidade.
Se o filho veio do alto, se o verbo se
fez carne, se a glória entrou na
história, se a cruz venceu o pecado,
se a ressurreição rompeu o túmulo, se a
eternidade, se há reino, se há paz, se
há Cristo,
então nada feito agora é em vão.
Nada, nenhuma lágrima é em vã, em vão.
Nenhuma oração, nenhum arrependimento,
nenhum
serviço,
nenhuma fidelidade que ninguém vê, só
Deus.
Nem o amor sacrificial, nem o trabalho
honesto, nem o testemunho silencioso,
nem a esperança teimosa, é tudo ou nada.
Ou tudo tem um peso, ou tudo é vaidade.
A palavra, como eu disse, é cortante.
Sem ele tudo é vaidade. Se ele não é o
alvo daquilo, é vaidade.
Você pode achar bonito, você pode achar
que teve fases bonitas. Ah, o casamento
é vaidade. Ah, o trabalho vaidade. Ah,
ter filho, vaidade. Todo mundo teve
filho há milhares de anos atrás.
Jesus diz: "Casavam, se davam casamento
até que fechou a porta e veio o dilúvio.
Faziam exatamente o que tá todo mundo
fazendo. Vaidade! Sem ele, aquilo que
você acha mais importante na sua vida é
correr atrás do vento. O melhor.
Nele
tudo encontra sentido, casa e rosto.
Sem ele, nenhuma coisa tem lucro no fim.
O que fica? Ele diz cansaço fado.
Nele até o copo d'água dado em seu nome
você vê entra na eternidade.
Ele disse: "Quando vocês fizeram isso,
isso entrou na eternidade.
Sem ele o homem passa, o homem some.
Nele o homem encontra o pai, o irmão
mais velho, o reino. E a vida não pode
ser engolida por nenhuma vaidade. Ele
chama a vida que não pode ser engolida
pela vaidade de vida abundante.
Eu vi para que vocês tivessem vida e
vida abundante. É a vida que a vaidade
não engole.
Então não viva debaixo do sol.
Todos à nossa volta estão fazendo isso.
Levante os olhos. Olhe para cima do sol.
Olhar para cima do sol é olhar para
Cristo,
olhar para o logos, porque quando tudo
parece vapor, ele dá peso a todas as
coisas. Por ele, por causa dele, para
ele. Quando tudo parece repetição,
ele faz sentido. Ele é o sentido.
Quando tudo parece cansaço, ele diz: "Eu
sou descansou".
Quando tudo parece perda, ele diz: "Eu
sou a tua herança. Eu sou o teu
grandiosíssimo galardão".
Quando tudo parece vaidade,
que é algo ah, sem peso, ele diz: "Eu
sou a tua glória.
Eu sou o peso final".
Eu dividi tudo isso em duas partes, mas
não vou falar a segunda parte hoje, não
é? Precisamos eh
terminar.
Mas queridos, só isso aqui, só isso em
seu coração de verdade. Não como algo
que você vai sair e esquecer o que é
vaidade e vai continuar
correndo atrás do vento como o mundo.
Que triste.
O mundo vai ter que um dia encarar Deus
com o fato de ter corrido atrás do
vento. Nós,
nós que falamos que conhecemos a Cristo,
que ele é o tudo em tudo,
chegamos a à conclusão verdadeira,
evidente. Você não precisa nem de fé de
que tudo é cansaço e no fim não muda
nada.
Ele realmente é tudo em tudo.
O livro de Eclesiastes nos dá perguntas.
João, por exemplo, nos dá respostas.
Vamos deixar as perguntas nos ferirem,
ferirem o que buscamos,
como estamos vivendo todo dia.
Porque como vivemos todo dia, nós
podemos estar perdendo esse dia. Se você
vive para o agora, perde o agora. Se
vive para o casamento, perde o
casamento. Se vive para ganhar dinheiro,
você perde o que aquele recurso podia
dar. Se você vive para o teu trabalho e
você perde aquilo não tem peso no fim.
Você será simplesmente esquecido. Tudo é
canceira, infado.
Mas
quando a o logos, o princípio,
tudo mudou. Você saiu de debaixo do sol
para muito além do sol.
saiu da criação para muito além da
criação,
para o Deus, o Eu sou transcendente,
eterno, criador de todas as coisas, que
como logos, andou entre nós e morreu
numa cruz. Vamos ficar de pé. Santo
Deus, eu me aproximo sem defesa, sem
razão.
Tu me vês nos detalhes, no segredo
[canto] do coração, [música]
nos pequenos pensamentos,
nas palavras [canto] que eu [música]
soltei.
Teu espírito me chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo [canto] minha culpa,
não [música] maquio minha dor.
Contra ti eu pequei
contra [música][canto] o teu santo amor.
Mas que atos minha [canto] raiz,
[música]
um querer desalinhado.
Eu preciso de [música][canto] limpeza.
Eu preciso ser
lavado. [canto]
[música]
Cordeiro, minha justiça,
fim do [canto] meu tribunal. [música]
Eu largo a autojustiça, [canto]
me rendo ao teu final.
[canto] Jesus,
tem misericórdia. [música]
Jesus,
vem me [canto] purificar.
Teu sangue fala mais alto que o meu
pecado a gritar. [grito]
Minha [música][canto] única defesa
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça.
[canto]
[música]
Eu descanso no teu amor.
>> Tua misericórdia [canto][música]
é melhor.
Tua misericórdia [música]
[canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, eu me prostro.
Tu [música] és luz [canto] e eu sou pó.
Quando eu tento ser meu dono, [música]
eu no terco em mim só.
Autonomia [canto]
é mentira,
autossuficiência [música]
também.
Tu és [música] fonte, tu és vida.
Sem ti nada me sustém. [música]
Eu
[canto] não venho com rico,
venho com mãos [música] sem ter. Não
confio no meu choro, [canto]
nem o meu vou vencer. Eu confio [canto]
na firmeza do teu pacto, ó Senhor.
[música]
Tua aliança [canto]
é selada no cordeiro
redentor.
[música]
Restaura [canto] minha alegria,
tua [música] salvação em mim.
Sustenta-me com espírito
[música]
[canto]
pronto até o fim.
Jesus [música]
tem misericórdia. [canto]
[música]
Jesus
vem me purificar. [música]
Teu sangue fulá mais alto [canto]
que [música] o meu pecado a gritar.
[grito]
A minha única [música]
defesa
é a cruz, é o teu favor. [música]
Eu adoro a tua graça.
Eu [canto] descanso no teu amor.
[música]
Inclina o [canto] meu coração, [música]
ensina-me a obedecer.
Dá-me um espírito [canto] pronto, mais
doce do [música] meu querer. Guarda-me
na tentação, [canto]
na rotina e na aflição.
>> [música]

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