Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Espiritualidade e Saúde Mental – Café Teológico 002 (Kauane Leite)

Espiritualidade e Saúde Mental – Café Teológico 002 (Kauane Leite)

Espiritualidade e Saúde Mental – Café Teológico 002 (Kauane Leite)

Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um Café Teológico! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Fabrício Arendt recebem Kauane Leite para uma conversa sensível, profunda e necessária sobre a relação entre espiritualidade e saúde mental. Afinal, como a fé dialoga com nossas emoções? O que a Bíblia tem a dizer sobre ansiedade, sofrimento, esgotamento e cuidado com a mente? Existe diferença entre confiar em Deus e negligenciar a própria saúde emocional?
Ao longo deste episódio, Bibo, Fabrício e Kauane conversam sobre sofrimento psíquico, espiritualidade saudável, o papel da comunidade cristã, acompanhamento pastoral, terapia, esperança e os desafios de viver a fé em meio às fragilidades da vida.
Partindo das Escrituras, da tradição cristã e também das experiências comuns de quem enfrenta lutas emocionais, este papo mostra que cuidar da saúde mental não é sinal de falta de fé, mas pode ser uma expressão de boa mordomia da vida que Deus nos concedeu. Pegue sua xícara, sente-se à mesa e venha refletir com a gente sobre uma espiritualidade que acolhe a dor, promove esperança e caminha em direção à restauração.

Torne-se mantenedor ou mantenedora do Bibotalk: https://bibotalk.com/mantenedores/
Compre na Amazon pelo link do Bibotalk: https://bibotalk.com/amazon
Torne-se um Prime na Amazon: https://amzn.to/43cww5F
Vantagens de ser Prime: (1) frete grátis nos produtos enviados pela Amazon; (2) séries e filmes originais e um variado catálogo de outros filmes e séries; (3) descontos especiais; (4) tudo isso por cerca de R$20 mensais

Acompanhe as novidades nos nossos canais:
Instagram https://www.instagram.com/channel/AbZi28Coo0zurkY4/?igsh=MW0xeG1uaXRleXB2dw==
WhatsApp: https://whatsapp.com/channel/0029Va9mh5j9Bb66vk6dFT1P

Playlists legais para você maratonar:

– Série Gigantes: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAK7V6Bz-YUuESPPiCi6Gy2B
– Série Os Outros: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALUz4ZnUbe1id7GI4BVDs-O
– Série Aliança: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALKeBBgfaSYx_7eWJWPKN3k
– Série Parábolas: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALmTOownlMJJ_SGOsn1R0Mr
– Série Origens Cristãs: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYALjBXZp2y9551ayHWhdKBS5
– BTCasts MC: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAInhfKseQ-DMuNBW1V081oF
– BTCasts ABC2: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAJQRa75AUS1NKO-lWMikCot
– BTPapo: https://www.youtube.com/playlist?list=PLrTwIXAcjYAIbR1ZXQYUseXslZ75CGud9

Legendas automáticas:

Gente, vamos lá. Vamos começar então.
Carl, muito obrigado pela tua palestra,
eh, por falar sobre como Jesus, né,
lidou a com as emoções. E a primeira
pergunta que eu queria te fazer é:
identificar que eu preciso de ajuda?
Assim, talvez você falou um pouco na sua
palestra sobre alguns sinais, né, que o
nosso corpo vai apresentando, mas eu
queria que você explorasse um pouco mais
especificamente essa ideia. quando eu me
dou conta de que algo está fora eh do
normal, porque essa loucura da vida, né?
Correria, correria e a gente nem sempre
pensa nas emoções. E quais sinais assim
que nós devemos atentar, tanto para mim
fazer aí uma autoobservação,
como também eu, opa, né, o meu
companheiro, minha companheira, meu, né,
enfim, meu amigo, minha amiga, tá
precisando ser internado quando não é
para tanto. Calma.
Boa. É uma dúvida, né, de muita gente.
[roncando] Eh, eu gosto de pensar que
você vai saber o momento que algo ali
não tá bem certo. Difícil mesmo é
admitir, né, e reconhecer isso.
>> Pausa, não, já vou te cortar,
>> tá? Vamos lá.
>> Por que a gente tem essa dificuldade de
reconhecer? Porque eu acho que parte de
não saber identificar é não querer o
medo do reconhecer. Por que que a gente
tem essa dificuldade? Então depois tu
volta para dar as dicas, mas eu acho que
essa é muito importante, tipo, por que
que a gente tem essa dificuldade em
reconhecer esse rolê?
>> Penso que de certa forma a gente
normalizou o adoecimento. A gente vive
num mundo doente, né? O o Bunhan fala
sobre a sociedade do cansaço.
É normal estar cansado, estar super
atarefado, é normal estar
desequilibrado, é normal ter um surto e
quando você viu, você gritou com a
pessoa e você nem é uma pessoa assim de
se irritar tão fácil, tá normalizado o
adoecimento, né? Então, às vezes a gente
se compara até com outros e pensa: "Ah,
até que acho que eu tô bem, porque até
consigo seguir com a vida, né?" Então
assim, a gente vive um mundo doente, né?
E às vezes é confuso mesmo discernir. Eu
acho que de uma maneira muito clara tem
três pontos que a gente pode observar
para eu perceber, será que eu preciso de
uma ajuda profissional? observar a
intensidade das minhas emoções, a
frequência dessas emoções
e o grau de prejuízo na minha vida
comum. Então, vou dar um exemplo.
Ansiedade faz parte da vida. É normal
que a gente tenha ansiedade, igual eu
dei o exemplo ali, né, para fazer uma
prova, vou fazer uma palestra, um nível
de ansiedade, um nível de cortisol
atuando no corpo. É normal, né? É
necessário inclusive agora, quando é uma
ansiedade numa intensidade que eu começo
a perceber que tá além do normal, numa
frequência, dei o exemplo do carro, né,
quando o alarme tá disparado, mesmo sem
uma situação de perigo. Então, eu tô
sempre ansiosa, tá tudo bem, eu não
tenho nenhum compromisso, não tem nada,
tá tudo certo, mas eu eu tô com aquele
aceleramento dentro de mim, eu tô me
sentindo agitada internamente, meus
pensamentos eles estão muito intensos, é
uma frequência muito grande. E também
quando eu começo ver prejuízos nas áreas
da minha vida, como por exemplo, muitos
lapsos de memória, então tu esquece o
que tu ia falar, o que tu ia fazer, uma
fadiga extrema para coisas que seriam
normais na tua rotina, como levantar e
trabalhar, tomar um banho. Então você tá
fadigado para coisas que são comuns, né?
eh, pessimismo, um nível muito exagerado
de irritabilidade.
Então, tudo te irrita, tu já não tem
perspectiva de vida, vontade de de
sonhar, de criar, porque nada vai dar
certo, né? Um pessimismo exacerbado.
Então, são alguns sinais. Eu poderia
falar tantas coisas, né? Mas acho que
esses três nos orientam bem: intensidade
em alguns sintomas, frequência e graus
de prejuízos nas diferentes áreas da
vida. No casamento, você começa a notar
nas relações, no trabalhou,
>> mas tá normalizado, tá doente, né? Tá, a
gente às vezes nem se reconhece porque
tá todo mundo meio doido, tá todo mundo
meio estragado, né? E é preocup,
>> se fala de um apocalipse da saúde
mental, né, que a gente tá vivendo, né?
>> É, tem uma pergunta que de repente
conecta com isso, diz aqui: "Você falou
para a pessoa sempre expressar como
está, como proceder quando a pessoa
sempre coloca suas dificuldades e
ninguém aguenta mais?
Nossa, essa pergunta aí é
>> aquela pessoa que é carregada, né? Tem
gente que é assim assim, mano, ela nunca
tá bem nunca e sempre é esse tipo de
pergunta aí que tipo
>> pessoa meio carregada.
>> Essa pessoa precisa de uma intervenção
profissional, né? Eh, porque aquele
profissional é quem vai sustentar,
talvez como outras pessoas não vão dar
conta. oicot, que é um autor eh dentro
da psicologia, na verdade dentro da
psicanálise, Donald Winicot, que é o
autor que eu estudo, né? Dentro da
psicologia a gente tem psicologias, tem
muitas abordagens, tem muitas linhas
teóricas e a gente tem que escolher
igual na teologia, né? a gente tem
muitas teologias e na psicologia eu
tenho, né, estudado sobre esse cara ao
Donald de Winicot, que ele foi um
pediatra e ele observou muito a relação
das mães com os bebês. E uma das coisas
que ele fala é sobre a importância do
analista, do psicólogo, sobreviver aos
ataques do paciente. O que que é
sobreviver? é é permanecer ali, é, é, é
dar sustentação, porque às vezes essa,
essa criança, essa, esse adulto pode ter
sido uma criança que expressou
agressividades e posicionamentos e
expressões e tinha sensação que o
ambiente ao redor dela, figura materna,
figura paterna, quebrava, não dava
conta, não sustentava
aqueles testes que ela fazia de deixa eu
ver até onde eu posso ir, né? E e muitas
vezes é uma estrutura de um set
terapêutico, de um profissional, que a
pessoa vai talvez ter a sensação pela
primeira vez de que o mundo sobrevive a
ela, né? Claro que quando a gente tá
falando assim disso de uma maneira bem
prática sobre expressar o que sente
também não [roncando] é pra gente sair
expressando para qualquer pessoa em
qualquer momento tem lugar, tem pessoa.
A gente vê ali a experiência de Cristo
no Getsemane. Ele tava num lugar
específico, num momento específico da
vida, com pessoas específicas, né? Tinha
um contorno, né? Então pessoas que
também já saem expressando tudo, falam
tudo que pensam, isso não é saúde, isso
é tolice, né? E às vezes é doença
também. vai precisar de uma intervenção
profissional para contornar. E às vezes
uma coisa importante, às vezes a pessoa
tá tão surtada, ela tá tão alterada que
nem a psicoterapia vai funcionar. Ela
precisa de uma intervenção medicamentosa
para estabilizar o humor, pra pessoa
baixar um pouco os níveis de agitação,
para daí ela conseguir ter uma conversa
com o psicólogo, entende? Então, às
vezes nem a psicoterapia dá conta se a
pessoa tá muito alterada. Ela vai
precisar de uma medicação para dar uma
estabilizada, uma equilibrada e aí ela
conseguir se colar, se colocar a
trabalho e e perceber suas próprias
questões.
>> Agora é triste quando a comunidade em
que essa pessoa está não reconhece a os
problemas, né, e transtornos que
envolvem a mente como algo que deva ser
tratado e cuidado. Infelizmente a gente
vive, né, também esse lance de da
negação, né, da psicoterapia, da saúde
mental que envolve eh o trat e pessoas
assim precisam desse tipo de coisa e às
vezes a própria manifestação religiosa
dela é é contrária a isso. E aí trazendo
pro campo da religião, C, eu queria
assim eh a espiritualidade, a cristã,
né, que é o nosso campo aqui,
como ela se relaciona com a saúde mental
no sentido negativo? Eu quero começar
pelo lado negativo. Você acredita que
possa existir um um uma manifestação da
espiritualidade cristã que faz mal pra
saúde, pr pra mentalidade?
>> Sim, gosto mais de falar do
>> do positivo, né? Chegaremos lá,
>> chegaremos lá. Tema de livro, né, Bibo?
É o tema
>> Exato. Tema que a gente vai abordar
mais. Mas assim, claro, né, a fé
doente adoece, né? Então, por exemplo, a
gente poderia colocar aqui nesse
contexto as lideranças abusivas, né? A
sensação da pessoa achar que a vida
cristã ela se reduz a produzir para
Deus, né? Então, eu nunca tive um lugar,
eu nunca fui visto, eu nunca fui aceito.
E aí eu descubro na igreja uma
possibilidade de mostrar serviço, de
trabalhar, de produzir e aí ser amado,
né? ser admirado.
Eh, e a gente a as as relações às vezes
quando existe, né, por exemplo, eu tenho
eh a experiência de ter atendido pessoas
que tinham, por exemplo, transtornos de
ansiedade decorrentes de questões da sua
vida, assim, infância, por exemplo, eu
gosto de falar que a infância é a fase
da vida que nos acompanha até a morte,
né? Geralmente a gente traz os monstros
da nossa infância pra vida adulta.
Então, a pessoa já tinha essa essa
predisposição, mas num ambiente não
saudável, religioso, se potencializou,
né? Então, assim, achavam que era
demônio, aí viviam querendo orar pela
pessoa e reforçava uma culpa e a pessoa
vivia em crise, né? Eu lembro de uma
pessoa que veio para mim e ela falou:
"Eu vim para você para ser atendida por
você, porque eu tinha certeza que
qualquer outro psicólogo iria tentar me
tratar, né, com técnicas da psicologia,
mas eu sabia que você era uma mulher de
Deus e você ia ver que tinha demônio
mesmo e você ia tirar
>> e tu tirou ou não?"
>> Claro que não. Não tinha demônio nenhum.
>> Esse pessoal aí, né? Ela tinha um
problema um pentecostal. É isso aí. Se
fosse aí eu ia dizer para procurar
alguém. numa igreja
>> especializado em demônios.
>> É, nem que a gente se encontre ali na
igreja daqui a daqui umas duas horas,
mas aqui nesse ambiente,
>> OK, temos uma salinha lá na igreja
própria.
>> É, aqui nesse ambiente é um é um
trabalho psicoterapêutico. Acho que tem
alguns cuidados e separações que a gente
tem que fazer, né?
>> Mas então, imagina o sofrimento dessa
pessoa, né? Ela já tinha um sofrimento,
ela já tinha crise de pânico, mas aquela
aquele reforço do ambiente de que ela
era louca, de que ela era imatura, de
que ela não tinha fé, de que tinha
demônio. E ela sempre tentando achar
qual que era a brecha que ela deixou.
Qual que é a brecha? Qual que é a
brecha? Procurando pecado dentro dela
loucamente, uma paranoia, porque alguma
coisa eu tô pecando, porque isso tá se
manifestando, né? Então assim, isso é
tão triste, né? nas relações, muitas
vezes pessoas que eh vivem uma relação
de extrema submissão, de extremo abuso
mesmo, isso reforça às vezes coisas que
não nasceram ali na igreja, que já
tinham um contexto, mas que foram
potencializadas num ambiente religioso
que não é saudável, né? Então, a fé
cristã sadia, ela é promotora de saúde
num nível que é é lindo, é é absurdo, a
ciência tem falado muito disso, mas a fé
deturpada, doente, ela pode adoecer em
níveis assustadores.
>> Indo para esse benefício, então, né,
hoje, a espiritualidade ela tem sido,
né, voltou a ser discutida novamente
pela academia, né, pela psicologia. é
algo que sempre teve muita atenção, mas
agora estão aí novamente conversando
sobre isso. Até o nosso amigo Daniel
Guanes, que já gravou também vários
podcasts com a gente, esteve agora lá em
Harver lá com 180 pessoas discutindo
novamente, né, eh, espiritualidade,
psicologia, tratamento, enfim. Então
isso é muito bom. Quais são então os
benefícios da espiritualidade cristã
para a saúde mental? Quais poderia eh
mencionar para nós aqui?
>> Sim. Eh,
[roncando] o o o Daniel, né, Guanais,
ele trouxe algum, ele é colonista da
Folha de São Paulo, né, e fez uma um
artigo essa esses últimos dias falando
justamente sobre isso. No Brasil tem
muita pouca pesquisa sobre isso e
geralmente quando tem tem sobre a
espiritualidade num sentido bem amplo.
Tem poucos recortes sobre a fé cristã
especificamente, né? Mas é o tema do
nosso livro que vai sair, né? Que é
sobre isso,
>> vai sair talvez final do ano, né? Que a
gente acabou de lançar agora um kit, o
seu é o próximo kit,
>> tá? Daí vocês vão comprar, tá?
>> Autora da Thomas Nelson. Aguardem. Olha
só as oportunidades que o Bibo abre pra
gente. É justamente sobre isso, como a
fé cristã pode promover saúde, porque a
espiritualidade, a religiosidade, tem
muito assunto sobre isso, assim, mas a
fé cristã, né, eh, como ela gera saúde
em nós, dá para falar tanta coisa, eu
vou tentar dar uma citada aqui, mas, por
exemplo, só entrar no assunto oração, a
gente já tem um caminho imenso aí pela
frente, os efeitos terapêuticos da
oração em nós, fora os efeitos
sobrenaturais que nós, como seres, né,
que nasceram de novo, experimentam a
vida em comunidade. Quando a gente tá
falando de relações, né, eu falei ali
muito da cura no processo
psicoterapêutico, não tem a ver com
intervenções ou protocolos, mas com a
relação que se estabelece ali. E vejam,
na fé cristã, a gente é justamente
encorajado a viver relações saudáveis,
onde a gente honra uns aos outros,
suporta uns aos outros, ama uns aos
outros, perdoa uns aos outros. Isso
quando vivido na prática é curador, tem
efeitos em nós. A maneira como a fé
cristã nos ensina a ressignificar o
sofrimento. Pra gente, sofrimento
é compatível com florescimento, com
amadurecimento. A fé cristã não enxerga
o sofrimento necessariamente como um
problema. O adoecimento, sim, mas o
sofrimento na fé cristã, ele é
ressignificado. Tanto é que a Bíblia vai
nos dizer pra gente se alegrar nas
tribulações, né? A Bíblia vai nos dizer
pra gente eh que é melhor tá numa casa
de velório, numa casa de luto, do que
numa casa de festa. Porque o sofrimento,
quando ele passado por uma de uma
maneira saudável, ele gera em nós
aprendizados, lições, reflexões,
amadurecimento, né? essa coisa de ter um
sentido pra vida, o Victor Frank, que eu
falava muito disso, né? De você ter um
propósito, de você se sentir útil, né?
Quando a gente serve alguém, e isso a
gente vive na fé cristã, né? A gente é
convidado a viver pro outro, a gente
libera doses de ositocina, né? a gente
que que gera bem-estar, que gera aquela
sensação de utilidade. Então assim, a fé
cristã quando vivida de maneira
coerente, saudável, ela é promotora de
saúde, né? E muitas pessoas aqui podem
talvez testemunhar disso, né? Não porque
não vão ter problemas ou não vão ter
sofrimento, mas porque são práticas, são
meios que que são eh até coincidem com
as técnicas, por exemplo, a confissão
uns pros outros. É isso que a gente faz
numa certa medida na psicoterapia,
estabelecer essa cultura de diálogo.
Isso não existe no mundo. E é na igreja
a gente é incentivado a isso.
>> Esse lance de perceber, até tu falou na
palestra de enxergar o outro, né? o
outro ser eh eh visto. Isso é muito
legal. Pastor Fabrício, uma pergunta que
me ocorreu agora, né, nessa na prática
que tu tem de eh de aconselhar, de
atender, tu já percebeu assim nesse
nesse teu tempo de ministério as pessoas
nitidamente eh negando suas emoções ou
falseando, né, estão diante de um
problema muito intenso, mas às vezes até
por ler alguns versículos isolados, não,
porque eu estou me gloriando e tá tudo
bem e não tá tudo bem, a casa tá caindo,
tá desmoronando nesse teu tempo assim de
de aconselhamento, de pastorado já
percebeu e teve que de alguma forma
fazer a pessoa enxergar que é um pouco
mais complicado do que ela não está. Ou
ela até reconheceu, mas fugiu daquilo e
vive uma coisa um pouco meio falseada
assim para talvez até dar conta, mas não
é um caminho muito bom, né?
>> É, é um caminho muito comum, né? Que a
gente às vezes com as pessoas que tm uma
caminhada mais longa até mesmo de fé,
né? que eh começam a se colocar de por
detrás de uma fortaleza eh achando que
vão comunicar, né, eh certa força, certa
maturidade ou às vezes o cargo mesmo,
né, o próprio cargo você tem na
comunidade ou a tua vivência na
comunidade te coloca numa posição que
você não pode expressar. E às vezes a
gente justamente coloca um igual de
expressar emoções igual a fraqueza ou
vulnerabilidade ou talvez inaptidão para
algumas coisas. a gente coloca às vezes
eh a força ou o fato de você fechar,
suportar as coisas eh com uma certa
força, né, com uma certa qualidade. E à
medida que a gente enaltece isso, você
acaba fragilizando a ideia ou de um
ambiente que você pode ser vulnerável,
né? Eu costumo dizer que a gente deveria
ser, a igreja deveria ser mais uma
oficina do que uma loja de carros. Na
loja de carros você maqueia os
problemas. Na oficina você tem que dizer
pro mecânico qual é o problema, né? Isso
tem a ver com uma pergunta que também
foi feita aqui falando sobre
posicionamento, até que ponto não ser
reativa é saudável. Se puder falar um
pouco sobre a síndrome da boazinha, né,
que
>> até que ponto não ser reativa é
saudável, tolerar tudo, né?
Eh,
deixa eu ver por onde eu começo pra
gente tentar ser bem claro.
Muitas pessoas vivem eh sabe sabe aquela
criança na sala de aula que ela não dá
trabalho, que ela não ela não bagunça,
ela não grita, ela não erra, ela é a o
aluninho, a aluninha preferida ali do
professor, né?
Eh, muitas dessas crianças elas vão
crescer,
elas vão ter uma vida funcional, elas
vão ser às vezes o destaque na igreja,
porque elas estão em todas as escalas,
elas estão sentadas na primeira fila,
elas anotam a pregação, elas são aquelas
assim muito submissas, muito
participativas no trabalho. Ela é
promovida de tempo em tempo porque ela
também se adapta à aquele ambiente
sempre e vai, né, bajulando e
trabalhando certinho. Ela é a pessoa
certinha, ela é a boazinha, né?
Muitos casos a história se repete, essa
pessoa vai ter uma crise lá na vida
adulta em algum momento de de ansiedade,
de cansaço, às vezes deprime, porque às
vezes, primeiro que ninguém é bonzinho,
né? Tem uma uma frase que é muito boa,
que eu tenho ouvido, que é de pertinho.
De pertinho ninguém é certinho, né?
Ninguém é tão bonzinho assim. Só que
muitas vezes para ser aceito no
ambiente, às vezes ela cresceu num
ambiente eh familiar tão caótico que ela
não pôde dar trabalho, entende? Às vezes
ela viu a mãe [roncando] eh extremamente
fragilizada, viu situações de violência.
Eu tô dando exemplos aqui, tá?
Levantando hipóteses, né? Cada um tem
uma história, mas era um ambiente às
vezes de tanta desestrutura ou que
comunicava para ela que ela não podia
ser mais uma dando trabalho dentro de
casa. Então ela cria um falso si mesmo
de não dou trabalho, correspondo às
expectativas das pessoas e ela cresce e
parece que ela é uma pessoa muito boa,
muito legal, muito saudável, mas ela em
algum momento a conta vem e ela vai ter
uma crise ou deprimir ou eh um cansaço
absurdo que não tem férias que arranque
dela, porque é uma exaustão de alma, de
a vida toda ter tido que se adaptar às
necessidades dos outros, ter tido que
ser aceita, né, e ficar eh engolindo
muitas das suas dores, né? Então,
uma criança, por exemplo, voltando pro
exemplo inicial, que bagunça, que erra,
que chora, às vezes é muito mais
saudável do que aquela que não se mexe,
não fala, não dá problema, né? Uma
pessoa na igreja, né? Isso é bom para
para nós líderes também pensarmos que
questiona, que fala, que confronta, às
vezes tem uma espiritualidade e uma
saúde mental melhor do que aquele que se
submete, se anula, acha que não pode eh
eh falar suas opiniões, acha que não
pode contribuir, né? Porque às vezes
esse boazinha demais é adoecimento, né?
>> Boa. Por falar então em comunidade como
uma comunidade eh conselheira, né? esse
lance que você cita ali de uns aos
outros, algo que é tão caro, né, no Novo
Testamento, isso tem muito em Jesus, tem
muito na carta do apóstolo Paulo, né,
desse uns aos outros. Que dica a gente
poderia dar prática para a comunidade
que de alguma forma eh tá ali. Nós temos
líderes aqui, nós temos a pessoas que
são amigas, que vivem e às vezes isso, a
gente abre o coração para um amigo, não
para um líder. Como é que a gente
poderia melhorar essa nossa? Nós não
somos psicólogos, não nos formamos, não
fizemos, né, a a o curso que um
psicólogo fez, mas nós somos uma
comunidade que tem a palavra de Deus e
que eh nós devemos a aconselhar uns aos
outros, né, encorajar uns aos outros,
né, admoestar e por aí vai. Que dicas
práticas a gente poderia ter nós que de
alguma forma estamos aqui caminhando
juntos e vamos ouvir, vamos falar, né?
Quais cuidados ou quais dicas a
psicoterapia, a psicologia poderia
agregar na espiritualidade cristã, na
vida em comunidade de pessoas que ajudam
uns aos outros.
>> Eh,
comprem meu curso, amar, acolher e
aconselhar. Fala
>> boa. Ela vai, ó, o gancho, né? [risadas]
Sabe que eu fiz uma conferência aqui
semana passada e tinha o Guilherme Nunes
aqui. Eu vendi dois cursos, ele vendeu
88. Então agora tu vai vender o teu
também.
>> Qual técnica que ele usou? Só para tu tá
me passando. A doença. Doença [risadas]
foi a doença. Ele tenho pena de mim. Eu
sou doente.
>> E o curso dele tava mais barato também
do que o meu por isso. Mas enfim, ela
tem um curso link na bi. Arrasta para
cima.
>> Isso. Eh, bom, deixa eu tentar pensar
algumas coisas aqui bem práticas.
Primeiro, eu gosto de a gente pensar que
a gente não precisa ser o psicólogo do
nosso irmão na fé, porque às vezes a
gente fica assim, como é que eu faço? O
que que vocês fazem lá no setting
terapêutico para eu reproduzir? O
psicólogo, ele tem um cerco no trabalho
dele, tem coisas que ele não pode fazer,
mas o irmão na fé pode, o pastor pode, o
líder pode, né? Como, por exemplo, pegar
nas mãos e orar. Eu lá na clínica não
posso fazer isso, mas nós podemos orar
uns pelos outros. O Richard Baxter, ele
tem um livro, um pastor puritano, ele
tem um livro que chama Superando a
tristeza com fé. É alguma coisa assim,
não lembro exatamente o nome do livro. E
ele fala assim, ó, eh, quando alguém não
estiver estiver mal emocionalmente,
não diga para ler a Bíblia, leia a
Bíblia com ela. Não diga para orar, mas
ore com ela.
Muitas vezes, quando a pessoa tá mal
emocionalmente, nós temos o impulso de
querer dar ordens, de querer dizer o que
ela tem que fazer, né? Então, assim, vem
mais na igreja, leia mais a Bíblia, ore
mais,
>> para de bobeira. para de frescura,
talvez até bem intencionado, mas pense,
gente, se a pessoa tá mal, ela é a
primeira que não queria estar nesse
lugar, entende? E e muitas vezes quando
ela se abre, ela recebe uma lista de
tarefas que deixa ela ainda mais
frustrada, porque se ela mal consegue
levantar da cama, se ela mal consegue
fazer as coisas básicas, quanto mais
investir nas suas disciplinas
espirituais, por exemplo. Então, muito
mais nós podemos fazer com a pessoa do
que trazer mais um peso sobre a pessoa,
né? Eh, uma outra coisa que eu acho que
é tão simples, mas pode ser tão
proveitoso nas relações, é você validar
a dor da pessoa. Esses dias eu recebi um
áudio de uma líder de jovens lá de uma
igreja X, de uma outra cidade, e ela
falou assim: "Olha, Carl, tem uma menina
aqui nos jovens que ela tem falado que
pensa em tirar a vida". Mas assim, eu
não sei se é verdade, sabe? Eu não sei
até que ponto é para chamar atenção, não
sei até que ponto ela tá exagerando.
Passa essa dúvida às vezes na nossa
mente quando alguém fala isso. E eu
falei para ela: "Olha, não cabe a você
saber se é verdade, se não é, mas você
precisa tratar ela como quem acredita,
porque sendo ou não sendo, ela tá
clamando por ajuda. Isso é um grito de
ajuda. se ela tem uma ideiação real ao
suicídio ou se ela não tem, de qualquer
forma, ela atravessou um caminho imenso
para te pedir ajuda. Considere que
quando uma pessoa ela dá algum sinal,
ela verbaliza que ela não tá bem, às
vezes ela percorreu um caminho imenso
para ter coragem de falar. Então você
não precisa entender para acreditar,
você não precisa ter passado por aquilo
para acreditar. Às vezes o simples fato
de você sentir que a pessoa tá olhando
para você e ela tá validando o que você
tá sentindo é curador por si só.
>> O que que é esse validando? Me explica
um pouco melhor isso assim.
>> É acreditar, é levar a sério, né? Eu
lembro que é,
eu lembro de de uma época da minha vida,
eu tinha, sei lá, 22 anos, eu tinha
terminado um namoro e eu tava, eu
chorava, parece que a minha vida tinha
acabado. E eu fui na minha, na, na, na
na psicóloga, né, na terapeuta. E eu
lembro que recém tinha saído dela uma
outra paciente que eu sabia a história
que tava assim, ela sim tava mal, sabe?
Tinha perdido gente, pessoas tinham
morrido e histórico de câncer. E e eu
pensei: "Meu Deus, o que que eu vou
fazer aqui?" Eu só terminei um namorico
e meu Deus, eu devia ir embora porque
assim, isso aí eu supero fácil. E eu
lembro que a maneira como ela considerou
a minha dor não foi nada do que ela me
disse, a maneira como ela me olhou como
alguém que, poxa, deixa eu ajudar essa
menina, deixa eu, porque naquele momento
aquela era a pior dor do mundo para mim,
entende? naquele momento eu tava
sofrendo com aquela situação. Então o
simples fato de você considerar,
validar, reconhecer, não ficar
duvidando, isso é tão angustiante quando
você abre, né, um sentimento e a pessoa
fica, é drama, é frescura, mas é só
fazer isso,
>> só isso? Não, mas olha só, eu eu passei
por isso e
>> isso só o fato da pessoa se sentir
alguém me levou a sério, às vezes ela já
se tranquiliza, entende? Sabe uma coisa
que acontece muito, por exemplo, casal,
tu fala que tu tá preocupada, que tu tá
ansiosa,
eh, e aí a pessoa ela desvalida, ela
não, ela não, ela não valida, ela fala:
"Não, não, não, nada a ver, vai dar tudo
certo, vai dorme, né, como né,
>> ou ela dorme."
>> Jas tá aí, não tá lá o marido que lá é o
dormá
dormindo.
>> Bota a mão, J.
>> Mas olha só como é um homem de Deus.
Gerflexão que eu fiz. Verdade, viu? Olha
que erro dele de olha que o ronk bom.
[risadas]
E aí o marido fica, não, relaxa, vai dar
tudo certo. Aí a mulher tem a sensação
de que ela tem que se preocupar por ela
e por ele. Mas às vezes era só ele dizer
assim, ó, é preocupante mesmo, o que que
a gente vai fazer? É, tu parece que tu
divide aquele fardo. Então você não vai
ter protocolos para tratar, não vai
poder dar medicação pro teu irmão na fé,
mas só o fato de você acreditar,
validar, olhar para ele com olhos de que
comuniquem para ele que talvez ele não
tá ficando louco, mas que ele é só um
ser humano em crise, já pode produzir
consolo.
Tem uma pergunta aqui que fala assim:
"Se por um lado é muito positivo
levantar eh o levante dos debates sobre
saúde mental no meio cristão,
principalmente nas igrejas com maior
envolvimento intelectual, também existe
uma visão mais fria espiritualmente
sobre opressões malignas que agem sobre
nós, criando uma percepção muito
pragmática sobre a vida, ignorando a
realidade espiritual. O que que vocês
pensam sobre isso? Eu
penso
que
aquilo que o acho que é o Lewis que fala
isso, né, de que quando a gente
desconsidera totalmente o mundo
espiritual é um perigo, mas quando a
gente superestima também é um perigo,
porque de fato existe uma realidade
espiritual que age na direção da nossa
fraqueza.
Então, eh, uma pessoa que ela já tem um
histórico de vida, transtornos,
diagnósticos, eu acredito sim, me
corrija se eu estiver errado, né, eh,
errada, que existem eh intervenções
espirituais que trabalham na direção
dessa fraqueza, potencializando isso,
né? Por isso que quando a gente vai
tratar eh, por exemplo, um contexto de
adoecimento, eu sempre recomendo um
tripé, medicação quando é necessário,
psicoterapia
e espiritualidade, né? Então, assim, eh,
é muito complexo dividir o ser humano. A
gente tenta fazer isso, mas isso é
impossível. Em termos didático, a gente
tenta fazer essas diferenciações, mas
nós não somos um ser separado, né,
fragmentado, nós somos um ser integral.
Então, eh, é difícil separar até que
ponto é espiritual, até que ponto são
dilemas da mente. Não, ninguém tem
resposta muito certa não para isso, tá?
Tem tem muitas eh tentativas e
interpretações até perigosas, mas a
gente é uma coisa só, né? Então,
naturalmente, se eu tiver mal
emocionalmente, pode ser que a minha
espiritualidade seja abalada. Da mesma
forma como se eu tiver eh e bem
espiritualmente, eu posso ver efeitos,
como a gente acabou de dizer, na minha
saúde mental. Então, eu acho que a gente
não deve desconsiderar, né, que podem
ter atuações demoníacas trabalhando na
direção das nossas fraquezas. O perigo é
quando a gente reduza isso e não tem a
responsabilidade de se beneficiar com as
belezas da graça comum, né? A medicina,
a psicologia, isso tudo tá dentro do
guarda-chuva da criação de Deus, que nos
permite, né, eh, se utilizar desses
recursos que também pertencem ao Senhor.
Todas as coisas pertencem ao Senhor.
>> Perfeito. Acho que essa essa questão da
integralidade do ser humano, né? O ser
humano, ele não tem um corpo, uma alma e
um espírito, como geralmente se faz essa
divisão. É um ser único. E e justamente
por ser um ser único, é muito difícil
você eh discernir. Mas aí entra a
questão também do discernimento dos
espíritos, né? Entra a questão do
discernimento que vem da palavra da
convivência. Então é isso, tipo o o
obreiro, o líder, o pastor, ah, até
mesmo o psicoterapeuta cristão que tem
que é aberto para isso, vai ter que ter
essa sensibilidade de dizer: "Não, isso
aqui é Rivotril, não, isso aqui é
oração, né? É, é, é, é, é outra, é
exorcismo, né? Porque é de fato é
innegável. Ah, o mundo jaz do maligno,
né? Eu penso que hoje, eh, eu o Luiz
fala um pouco sobre isso também, né?
Essa ideia de que às vezes ficar
possuindo as pessoas já não é mais tão
atraente pro diabo, né? E ficar abrindo
eh eh igrejas satanistas e ficar
possuindo as pessoas. Não. Hoje a
maioria das possessões que a gente vê na
televisão são falsas, né? Inclusive eu
já conheci eh atores que que trabalhavam
com esse tipo de coisa, eu já vi
entrevistas e tal, né? Então esse
negócio que a gente vê na televisão é
muito circência, é muito Agora quer
dizer que não existe possessão maligna,
existe, mas acho que não é mais o
recurso tão usado pelo diabo hoje em
dia, porque é muito melhor ele agir eh
naquilo que a gente consome aqui,
naquilo que a gente ouve, naquilo que a
gente vê, minando as nossas relações.
Então é mais uma questão cultural. E de
fato, né, a gente não vai negar a
realidade espiritual de que a a eles
estão ao nosso derredor querendo nos,
né, nos tragar. Enfim, existe uma um uma
vida, um uma entidades, potestades, a
gente não pode negar essa realidade. Mas
se vocês lerem cartas de um diabo a seu
aprendiz, ah, do Luiz, é sensacional.
Leiam esse livro, né? É, é o segundo
livro mais vendido da Thomas Nelson
Brasil. E porque o primeiro sou eu. Ah,
desculpa, desculpa. Mas [risadas] é esse
livro é sensacional e muito melhor que o
meu a propósito. Inclusive, se você
quiser já compre a versão nova que saiu
agora, que é com anotações. Meu, isso é
maravilhoso. Carta de um diabo a seu
aprendiz com anotações. Um especialista
em Luis, ele vai lendo cada carta e
vendo eh e fazendo a referências de onde
Luis tirou e tal. Algo incrível. E você
percebe ali que a principal estratégia,
né, a do inimigo é isso, é iminando
confiança, é iminando relações, mais
sutil, discut para não parecer que é que
é algo espiritual.
>> Exato. Porque quando ele possui alguém,
ah, você chama lá alguém e já ora e sai
fora e tá tudo bem. Não que isso não
aconteça, claro que pode acontecer
também, só que em lugares que acontecem
demais isso, eu acho que eles também
evocam muito esse tipo de coisa para
acontecer. E aí já vira um pouco de
efeito manada. Isso também é um pouco
complicado. Agora nós somos cristãos. É
isso, é o discernimento.
Assim como um pastor, um líder, uma
pastora tem que ter aquele
discernimento. Opa, aqui é
aconselhamento bíblico. A partir daqui,
a Bíblia ela é suficiente para a
salvação da pessoa, mas o que ela tem
não é algo espiritual, é algo realmente
físico. E ela precisa de lítio, né?
Então assim, eh, não, e não só de
leitura bíblica, precisa de lítio. Então
é essa sensibilidade. O o outro ponto é
verdadeiro também, não. Aqui não é
lítio, aqui não é prosac, né? Acho que
nem vende mais, mas é essa ideia, né?
Tem hora que não é prosac, aqui é oração
mesmo. Então tem que ter esse
discernimento, né? Eu eu tive um caso,
uma experiência com 16 para 17 para 18
anos que eu fiz um estágio, onde a gente
teve um caso de exorcismo, vou chamar
ela de Joana numa cidade em que eu
estive e que realmente no começo a gente
viu que era uma manifestação demoníaca,
porque ela muito fraquinha conseguia
jogar armários pro outro lado do quarto.
Ela às vezes se jogava, tava em cima do
armário. Então era uma coisa que foi
organizado, um pastor especialista daí
em exorcismo, coisa e tal. Mas a gente
pensou depois que a gente percebeu de
que ela gostava daquele ambiente porque
vinha muita gente visitá-la, ela se
sentiu centro das atenções e a gente
percebeu que no meio daquela realidade
espiritual também o déficit emocional
dela tava precisava ser trabalhado.
Então não era só uma questão de
imposição de mãos, mas também era uma
questão agora de terapia, de tratamento,
de acolhimento de comunidade, né?
>> Uhum.
>> E aí tem uma uma última pergunta aqui.
Todo servir tem algum custo para saúde
física e mental? Como definir o limite
do custo do servir?
>> Eh, a espero que essa pergunta não tenha
vindo de alguém que fez o café, porque
tava muito bom o serviço
>> para continuarem servindo. [risadas]
>> Bom, eh, eu acho que a gente às vezes eh
reduz o serviço a à vida ministerial na
igreja, né? Eh, de fato, Jesus, ele veio
para servir e nos ensina a ser, a
exemplo dele, servos uns dos outros. Mas
eh às vezes algumas igrejas podem se
utilizar, por exemplo, dessa máxima da
vida cristã para aprender a pessoa
dentro da igreja, né, e servir. E porque
sempre tem demanda numa igreja, gente.
Deixa eu te falar isso. Isso em qualquer
igreja sempre tem demanda, né? Sempre
precisa de trabalhadores. A oração que
Jesus ensinou os discípulos a fazerem,
orem por trabalhadores, ela tá sempre
atualizada. É sempre uma coisa que toda
a igreja tem que tá orando, né? Todo a
liderança concordando, porque sempre vai
precisar, a demanda sempre tem. Mas eh
muitas vezes existem casos das pessoas
que se escondem dentro da igreja, né? E
abandonam a sua vida familiar, a sua
vida profissional, não cuidam da sua
saúde, não descansam. muitos casos de
pastores, né, adoecidos, porque a vida é
a igreja e não tem um tempo para dormir,
para respirar, para tirar umas férias.
Isso soa espiritual, soa maturidade, né?
Mas na verdade isso é tolícia,
ignorância, é um perigo, porque na
verdade a nossa vida é uma vida cristã,
né? O reino de Deus são todas as áreas
da nossa vida. Então, qual que era a
pergunta mesmo? Até
>> como definir o limite o do custo?
>> Ah, sim.
>> Ou seja, é quando a igreja promove uma
cultura onde o servir ele quase
escraviza as pessoas num sistema só para
retroalimentar o próprio sistema da
comunidade. E aí se usa, né, esse
discurso, não, você tem que servir
porque isso aqui é o reino de Deus. Mas
quando na verdade está criando uma
estrutura onde se usa o trabalho
voluntário para a promoção não do reino
de Deus, mas para, né, o o o o próprio
ministério crescer e tal. Então, isso é
muito custos
>> até demais. Eu li um exemplo eh hoje
mesmo assim de uma pessoa que uma mulher
de Deus que disse que eh iria abrir mão
do puerpério dela para poder tá
ministrando em outros lugares e tudo
mais.
Eh, porque entendia que Deus estava
exigindo, querendo aquilo dela,
>> porque o nosso descanso não é aqui. Já
ouvi várias vezes. É, gente, hoje assim,
atendendo na clínica, a a maior parte do
do adoecimento das pessoas tá nos eh se
configurou nos primeiros dias, semanas e
meses de vida de uma pessoa, eh, baseado
em como tava o estado familiar, o estado
da mãe, né, daquele contexto que recebeu
aquela criança no mundo. Então, por
exemplo, o puerpéreo é um momento, o
puerpéreo, para quem não tá
familiarizado com o termo, é aquele
período ali quando o bebê nasce e a mãe
fica dedicada ali ao bebê, né? eh,
que enfim, tem algum algumas pessoas que
definem um tempo, mas o tempo ele é
muito particular também do tempo que
aquela mãe, aquela família precisa, né,
se voltar às necessidades daquele
bebezinho, né, e você pular isso, você
não viver isso, porque você tem que tá
servindo lá na igreja, você tem que tá
fazendo tantas coisas, traz prejuízos
tão significativos pra vida dessa
criança, porque quanto maior o prejuízo
emocional que a criança o adulto tem,
possivelmente mais cedo foi a a aquilo
que marcou ela. Possivelmente foram
experiências muito do início da vida,
quanto maior o estrago, não é uma regra,
mas muitas vezes tem muito a ver com o
início da vida, que ela não teve um
ambiente que conseguiu receber, acolher
ela no mundo. Imagina, gente, os
prejuízos de uma mãe, por exemplo, não
viver aquele pererpéreo que até mesmo o
corpo, o corpo te deixa imprestável para
qualquer outra coisa, a não ser para
cuidar de um bebê, né? Então, veja,
nisso está a criação de Deus. Deus cria
a mulher com a capacidade de amamentar o
pós-parto, como o corpo dela fica,
situação hormonal, porque é para ela
parar e se dedicar àquele bebezinho. E
olha que deturpação é essa. Deus exigiu
de mim ministrar na cidade tal e Deus
exigiu de ti que você esquecesse o resto
do mundo e se adaptasse às necessidades
daquele bebezinho que precisa de você,
porque o resto do mundo se vira com
qualquer outro, mas aquele bebê só tem
você como mãe, entende? Então, eh, na
verdade é uma deturpação até da criação
de Deus. Quando a gente reduz a vida de
serviço, a igreja, as demandas
ministeriais, né? Essa mulher, ela é
chamada assim a servir, mas servir
aquele bebê, né? Servir a sua casa
naquele momento. Então, a gente precisa
aprender a diferenciar as estações da
nossa vida, né? Eh, tem fases que talvez
a gente vai, eu tô vivendo, eu e o meu
marido, a gente tá vivendo uma fase de
que a gente ficou muitos anos imerso no
ministério e foi maravilhoso, foi muito
bom, sempre rodeado de gente, sempre com
um adolescente jovem na nossa casa, no
carro e viaja e vai. E agora a gente tá
vivendo um outro momento da nossa vida
que nós continuamos congregando,
servindo a igreja, mas também nos
dedicando às nossas profissões, a nossa
família, porque a vida ela tem estações
e é sábio que a gente dissirna isso, né?
Porque muitas vezes um excesso de
serviço eh pode comunicar alguma falta,
né? Como até falei na na palestra, né?
Às vezes são coisas mal resolvidas e
você precisa de um excesso de serviço
para ser alguém na vida, mas você é
alguém sem fazer nada, né? Jesus, quando
o pai fala, né, eh, você é o meu filho
amado, de quem me agrado, ele não tinha
feito nada ainda ministerialmente. Ele
nem tinha começado o ministério.
>> E se o serviço na igreja não deixa você
ser igreja, né, e de alguma forma faz
com que a sua família seja prejudicada
com isso, tem algum problema aí? E aí eu
só acrescento o que a Cal falou, toda a
igreja precisa de voluntário, né?
Inclusive, até esse café teológico a
gente chegou a conversar, porque eu fiz
uma conferência teológica aqui semana
passada e boa parte de quem está
ajudando no café teológico agora ajudou
na conferência. Então foi uma conversa
que eu tive, né, galera, mas a gente vai
fazer mesmo seguido? Não vamos, não é
sempre, mas é, tem um custo. É um custo,
é família, é, tem todo voluntário d
gasta também um dinheiro, uma coisa
assim, o seu tempo. Então tudo tem que
ser muito pensado. Agora é innegável,
uma igreja sem voluntário, ela não
existe. Agora, quanto mais voluntário
ela tiver, fica melhor para todo mundo,
>> mais leve para todo mundo.
>> Fica mais leve para todo mundo. Porque
às vezes é isso, algumas pessoas estão
se desgastando e se queimando demais
porque muitos são só frequentadores de
culto, muitos só querem ser servidos,
não querem servir, entende? Acham que ao
ofertar na comunidade não precisa fazer
mais nada. Então o que acontece? Eu não,
que bom, né? Sempre tem a pessoa lá que
faz, sempre tem aquele casal, sempre tem
aquilo. Só que às vezes aquele casal já
tá, né?
por um fio. E, aliás, se você é um
desses, converse com a liderança, não
deixe de estragar, né, para depois, né,
conversa agora. Mas é innegável, né? Tem
que ter mais pessoas querendo onde eu
posso ajudar, onde eu posso servir, onde
eu posso ser útil com cara, eu não
tenho, olha, eu nem sei que domento eu
tenho, mas tô aqui. Tá bom, que bom.
Entendeu? Quer é nisso que você até
descobre o seu talento, o seu dom,
porque algum você recebeu para servir no
reino de Deus e que inclui, obviamente,
a sua congregação local.
>> Aliás, servi uma bênção e gera saúde,
né? Quando a gente serve alguém, a gente
libera o citocina, libera alguns
hormônios e neurotransmissores que dão
pra gente a sensação de utilidade, de
bem-estar, né? Eu gosto quando Paulo
fala para Timóteo que aqueles que os
diáconos eh alcançarão maior
determinação na fé em Jesus. Ou seja,
quando eu sirvo, né, na posição ali, por
exemplo, tá falando do da diaconia, né,
de serviço, quando eu sirvo, a minha fé
amadurece, o serviço me faz ser mais
convicto, mais firme, né? Então, é um é
uma é uma disciplina espiritual o
serviço, né? A gente tá falando dos
abusos, dos excessos. Com certeza isso
tem que ser eh identificado. Tem alguns
betcastes, tá, pessoal, sobre esse tema
de abuso espiritual. É bem legal, Cau.
Agora, para gente encerrar, eu quero
pedir para ti um conselho rápido, porque
o nosso tempo já deu. Então, é um
conselho rápido para jovens e um
conselho rápido para os mais velhos
dentro desse tema. Agora, queima roupa.
Vai.
Ai, esa
eh,
>> qualquer coisa não precisa. Eu te peguei
assim, foi aquele porque é conselho
rápido assim, tipo pá, parece aquela
entrevista da sa. Exato. É tipo isso.
Vai lá. Eu não sou a Xuxa, nem gosto
muito, mas posso ser a qual é outra lá
de frente com a Gabi. Posso ser mais a
Gabi. Então, não, Jo Soares, né? Deixa
eu pegar um exemplo masculino porque eu
sou homem.
>> Olha para aqueles jovens lá e dê um
conselho. Tem uns velhos ali perdido,
né? Mas boa parte é é a nossa JUM aqui.
Que conselho você, não precisa ser tão
rápido, então, mas em um minuto,
>> que conselho você daria para esses
jovens?
>> Eh, essa geração tem uma tendência de
super estimar o que sente, né? Então,
assim, não tô com vontade de estudar,
não estudo, né? Eh, tô morrendo, meu
Deus, isso é muito grande dentro de mim.
tem uma hipervalorização
do sentimentalismo e isso pode ser
complicado, né? O Inicot, esse autor que
eu falei, ele fala que a gente precisa
aprender a cavalgar o nosso cavalo, né?
A gente precisa aprender a eh segurar o
cavalo. Agora não é para virar, agora
não é para correr, agora não é para
andar devagar, é para ir mais rápido. Em
Cristo, nós temos a capacidade de
cavalgar o nosso cavalo. A gente tem a
capacidade de dominar as nossas emoções.
Então eu diria isso pros jovens. Observe
as suas emoções. E eu sei que você
talvez é muito estimulado a isso até
pelas músicas, conteúdos, filmes,
séries, mas não seja dominado por elas,
porque isso é um tiro no pé. É um tiro
no pé. Se você fizer tudo que você tem
vontade, você se torna escravo de si
mesmo. Você se torna escravo dos seus
desejos e das suas emoções. E lá na
frente você vai ter que pagar por essa
conta. É tipo a coisa da aula de inglês.
Todo adulto chega na vida adulta e
pensa: "Por que eu não fiz inglês quando
eu era criança, quando eu era
adolescente?" Então, tem coisas que hoje
você não tem vontade ou que você tem
muita vontade, mas que em nome da
sabedoria você não vai ser conduzido por
isso, porque
seguir as nossas emoções sem calcular,
sem equilibrar, é um tiro no pé. Então,
eu diria isso pros jovens, né? eh não
superestime as suas emoções, mas diria
para os anciãos, né, não ignorar, né, eh
a tendência talvez dessa outra geração
seja, ah, isso é frescura, isso é drama,
né, eh, não vou dar bola, mas você tem
umas
>> Cheguei até aqui,
>> cheguei até aqui, nada mais me derruba.
>> É, não me matou, né?
>> É, então, mas você ainda está vivo, né?
ainda está viva, tem uma vida e muito
possivelmente você tem uma história e o
fato, muito possivelmente não, você tem
uma história e às vezes se dispor a
olhar com cuidado para essa história,
fazer reflexões profundas podem ser o
que vão te o que vai te ajudar inclusive
a ajudar essa geração, né? Porque que
que a Bíblia fala? Os jovens têm a
força, mas os mais velhos têm a
sabedoria, tem a prudência, tem os
cabelos brancos da experiência da vida,
né? Então, por isso que a igreja ela
precisa ser isso aqui mesmo, né? A
igreja precisa ser essa mistura mesmo de
experiências dos cabelos brancos com os
cabelos com gel, né? Porque eh a força e
a sabedoria, a a tendência de
superestimar e a tendência de ignorar e
assim a gente se soma. Por isso que Deus
nos chama para viver em igreja, né?
>> Muito bom, gente. Palmas para Cauan
Leite, por gentileza. [aplausos]
Muito obrigado, C, por ter atendido o
nosso convite.

Tags: