Espiritualidade e Saúde Mental – Café Teológico 002 (Kauane Leite)
25/06/2026
Espiritualidade e Saúde Mental – Café Teológico 002 (Kauane Leite)
Muito bem, muito bem, muito bem! Está no ar mais um Café Teológico! Neste episódio, Rodrigo Bibo e Fabrício Arendt recebem Kauane Leite para uma conversa sensível, profunda e necessária sobre a relação entre espiritualidade e saúde mental. Afinal, como a fé dialoga com nossas emoções? O que a Bíblia tem a dizer sobre ansiedade, sofrimento, esgotamento e cuidado com a mente? Existe diferença entre confiar em Deus e negligenciar a própria saúde emocional?
Ao longo deste episódio, Bibo, Fabrício e Kauane conversam sobre sofrimento psíquico, espiritualidade saudável, o papel da comunidade cristã, acompanhamento pastoral, terapia, esperança e os desafios de viver a fé em meio às fragilidades da vida.
Partindo das Escrituras, da tradição cristã e também das experiências comuns de quem enfrenta lutas emocionais, este papo mostra que cuidar da saúde mental não é sinal de falta de fé, mas pode ser uma expressão de boa mordomia da vida que Deus nos concedeu. Pegue sua xícara, sente-se à mesa e venha refletir com a gente sobre uma espiritualidade que acolhe a dor, promove esperança e caminha em direção à restauração.
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Fonte: Bibotalk
Legendas automáticas:
Gente, vamos lá. Vamos começar então. Carl, muito obrigado pela tua palestra, eh, por falar sobre como Jesus, né, lidou a com as emoções. E a primeira pergunta que eu queria te fazer é: identificar que eu preciso de ajuda? Assim, talvez você falou um pouco na sua palestra sobre alguns sinais, né, que o nosso corpo vai apresentando, mas eu queria que você explorasse um pouco mais especificamente essa ideia. quando eu me dou conta de que algo está fora eh do normal, porque essa loucura da vida, né? Correria, correria e a gente nem sempre pensa nas emoções. E quais sinais assim que nós devemos atentar, tanto para mim fazer aí uma autoobservação, como também eu, opa, né, o meu companheiro, minha companheira, meu, né, enfim, meu amigo, minha amiga, tá precisando ser internado quando não é para tanto. Calma. Boa. É uma dúvida, né, de muita gente. [roncando] Eh, eu gosto de pensar que você vai saber o momento que algo ali não tá bem certo. Difícil mesmo é admitir, né, e reconhecer isso. >> Pausa, não, já vou te cortar, >> tá? Vamos lá. >> Por que a gente tem essa dificuldade de reconhecer? Porque eu acho que parte de não saber identificar é não querer o medo do reconhecer. Por que que a gente tem essa dificuldade? Então depois tu volta para dar as dicas, mas eu acho que essa é muito importante, tipo, por que que a gente tem essa dificuldade em reconhecer esse rolê? >> Penso que de certa forma a gente normalizou o adoecimento. A gente vive num mundo doente, né? O o Bunhan fala sobre a sociedade do cansaço. É normal estar cansado, estar super atarefado, é normal estar desequilibrado, é normal ter um surto e quando você viu, você gritou com a pessoa e você nem é uma pessoa assim de se irritar tão fácil, tá normalizado o adoecimento, né? Então, às vezes a gente se compara até com outros e pensa: "Ah, até que acho que eu tô bem, porque até consigo seguir com a vida, né?" Então assim, a gente vive um mundo doente, né? E às vezes é confuso mesmo discernir. Eu acho que de uma maneira muito clara tem três pontos que a gente pode observar para eu perceber, será que eu preciso de uma ajuda profissional? observar a intensidade das minhas emoções, a frequência dessas emoções e o grau de prejuízo na minha vida comum. Então, vou dar um exemplo. Ansiedade faz parte da vida. É normal que a gente tenha ansiedade, igual eu dei o exemplo ali, né, para fazer uma prova, vou fazer uma palestra, um nível de ansiedade, um nível de cortisol atuando no corpo. É normal, né? É necessário inclusive agora, quando é uma ansiedade numa intensidade que eu começo a perceber que tá além do normal, numa frequência, dei o exemplo do carro, né, quando o alarme tá disparado, mesmo sem uma situação de perigo. Então, eu tô sempre ansiosa, tá tudo bem, eu não tenho nenhum compromisso, não tem nada, tá tudo certo, mas eu eu tô com aquele aceleramento dentro de mim, eu tô me sentindo agitada internamente, meus pensamentos eles estão muito intensos, é uma frequência muito grande. E também quando eu começo ver prejuízos nas áreas da minha vida, como por exemplo, muitos lapsos de memória, então tu esquece o que tu ia falar, o que tu ia fazer, uma fadiga extrema para coisas que seriam normais na tua rotina, como levantar e trabalhar, tomar um banho. Então você tá fadigado para coisas que são comuns, né? eh, pessimismo, um nível muito exagerado de irritabilidade. Então, tudo te irrita, tu já não tem perspectiva de vida, vontade de de sonhar, de criar, porque nada vai dar certo, né? Um pessimismo exacerbado. Então, são alguns sinais. Eu poderia falar tantas coisas, né? Mas acho que esses três nos orientam bem: intensidade em alguns sintomas, frequência e graus de prejuízos nas diferentes áreas da vida. No casamento, você começa a notar nas relações, no trabalhou, >> mas tá normalizado, tá doente, né? Tá, a gente às vezes nem se reconhece porque tá todo mundo meio doido, tá todo mundo meio estragado, né? E é preocup, >> se fala de um apocalipse da saúde mental, né, que a gente tá vivendo, né? >> É, tem uma pergunta que de repente conecta com isso, diz aqui: "Você falou para a pessoa sempre expressar como está, como proceder quando a pessoa sempre coloca suas dificuldades e ninguém aguenta mais? Nossa, essa pergunta aí é >> aquela pessoa que é carregada, né? Tem gente que é assim assim, mano, ela nunca tá bem nunca e sempre é esse tipo de pergunta aí que tipo >> pessoa meio carregada. >> Essa pessoa precisa de uma intervenção profissional, né? Eh, porque aquele profissional é quem vai sustentar, talvez como outras pessoas não vão dar conta. oicot, que é um autor eh dentro da psicologia, na verdade dentro da psicanálise, Donald Winicot, que é o autor que eu estudo, né? Dentro da psicologia a gente tem psicologias, tem muitas abordagens, tem muitas linhas teóricas e a gente tem que escolher igual na teologia, né? a gente tem muitas teologias e na psicologia eu tenho, né, estudado sobre esse cara ao Donald de Winicot, que ele foi um pediatra e ele observou muito a relação das mães com os bebês. E uma das coisas que ele fala é sobre a importância do analista, do psicólogo, sobreviver aos ataques do paciente. O que que é sobreviver? é é permanecer ali, é, é, é dar sustentação, porque às vezes essa, essa criança, essa, esse adulto pode ter sido uma criança que expressou agressividades e posicionamentos e expressões e tinha sensação que o ambiente ao redor dela, figura materna, figura paterna, quebrava, não dava conta, não sustentava aqueles testes que ela fazia de deixa eu ver até onde eu posso ir, né? E e muitas vezes é uma estrutura de um set terapêutico, de um profissional, que a pessoa vai talvez ter a sensação pela primeira vez de que o mundo sobrevive a ela, né? Claro que quando a gente tá falando assim disso de uma maneira bem prática sobre expressar o que sente também não [roncando] é pra gente sair expressando para qualquer pessoa em qualquer momento tem lugar, tem pessoa. A gente vê ali a experiência de Cristo no Getsemane. Ele tava num lugar específico, num momento específico da vida, com pessoas específicas, né? Tinha um contorno, né? Então pessoas que também já saem expressando tudo, falam tudo que pensam, isso não é saúde, isso é tolice, né? E às vezes é doença também. vai precisar de uma intervenção profissional para contornar. E às vezes uma coisa importante, às vezes a pessoa tá tão surtada, ela tá tão alterada que nem a psicoterapia vai funcionar. Ela precisa de uma intervenção medicamentosa para estabilizar o humor, pra pessoa baixar um pouco os níveis de agitação, para daí ela conseguir ter uma conversa com o psicólogo, entende? Então, às vezes nem a psicoterapia dá conta se a pessoa tá muito alterada. Ela vai precisar de uma medicação para dar uma estabilizada, uma equilibrada e aí ela conseguir se colar, se colocar a trabalho e e perceber suas próprias questões. >> Agora é triste quando a comunidade em que essa pessoa está não reconhece a os problemas, né, e transtornos que envolvem a mente como algo que deva ser tratado e cuidado. Infelizmente a gente vive, né, também esse lance de da negação, né, da psicoterapia, da saúde mental que envolve eh o trat e pessoas assim precisam desse tipo de coisa e às vezes a própria manifestação religiosa dela é é contrária a isso. E aí trazendo pro campo da religião, C, eu queria assim eh a espiritualidade, a cristã, né, que é o nosso campo aqui, como ela se relaciona com a saúde mental no sentido negativo? Eu quero começar pelo lado negativo. Você acredita que possa existir um um uma manifestação da espiritualidade cristã que faz mal pra saúde, pr pra mentalidade? >> Sim, gosto mais de falar do >> do positivo, né? Chegaremos lá, >> chegaremos lá. Tema de livro, né, Bibo? É o tema >> Exato. Tema que a gente vai abordar mais. Mas assim, claro, né, a fé doente adoece, né? Então, por exemplo, a gente poderia colocar aqui nesse contexto as lideranças abusivas, né? A sensação da pessoa achar que a vida cristã ela se reduz a produzir para Deus, né? Então, eu nunca tive um lugar, eu nunca fui visto, eu nunca fui aceito. E aí eu descubro na igreja uma possibilidade de mostrar serviço, de trabalhar, de produzir e aí ser amado, né? ser admirado. Eh, e a gente a as as relações às vezes quando existe, né, por exemplo, eu tenho eh a experiência de ter atendido pessoas que tinham, por exemplo, transtornos de ansiedade decorrentes de questões da sua vida, assim, infância, por exemplo, eu gosto de falar que a infância é a fase da vida que nos acompanha até a morte, né? Geralmente a gente traz os monstros da nossa infância pra vida adulta. Então, a pessoa já tinha essa essa predisposição, mas num ambiente não saudável, religioso, se potencializou, né? Então, assim, achavam que era demônio, aí viviam querendo orar pela pessoa e reforçava uma culpa e a pessoa vivia em crise, né? Eu lembro de uma pessoa que veio para mim e ela falou: "Eu vim para você para ser atendida por você, porque eu tinha certeza que qualquer outro psicólogo iria tentar me tratar, né, com técnicas da psicologia, mas eu sabia que você era uma mulher de Deus e você ia ver que tinha demônio mesmo e você ia tirar >> e tu tirou ou não?" >> Claro que não. Não tinha demônio nenhum. >> Esse pessoal aí, né? Ela tinha um problema um pentecostal. É isso aí. Se fosse aí eu ia dizer para procurar alguém. numa igreja >> especializado em demônios. >> É, nem que a gente se encontre ali na igreja daqui a daqui umas duas horas, mas aqui nesse ambiente, >> OK, temos uma salinha lá na igreja própria. >> É, aqui nesse ambiente é um é um trabalho psicoterapêutico. Acho que tem alguns cuidados e separações que a gente tem que fazer, né? >> Mas então, imagina o sofrimento dessa pessoa, né? Ela já tinha um sofrimento, ela já tinha crise de pânico, mas aquela aquele reforço do ambiente de que ela era louca, de que ela era imatura, de que ela não tinha fé, de que tinha demônio. E ela sempre tentando achar qual que era a brecha que ela deixou. Qual que é a brecha? Qual que é a brecha? Procurando pecado dentro dela loucamente, uma paranoia, porque alguma coisa eu tô pecando, porque isso tá se manifestando, né? Então assim, isso é tão triste, né? nas relações, muitas vezes pessoas que eh vivem uma relação de extrema submissão, de extremo abuso mesmo, isso reforça às vezes coisas que não nasceram ali na igreja, que já tinham um contexto, mas que foram potencializadas num ambiente religioso que não é saudável, né? Então, a fé cristã sadia, ela é promotora de saúde num nível que é é lindo, é é absurdo, a ciência tem falado muito disso, mas a fé deturpada, doente, ela pode adoecer em níveis assustadores. >> Indo para esse benefício, então, né, hoje, a espiritualidade ela tem sido, né, voltou a ser discutida novamente pela academia, né, pela psicologia. é algo que sempre teve muita atenção, mas agora estão aí novamente conversando sobre isso. Até o nosso amigo Daniel Guanes, que já gravou também vários podcasts com a gente, esteve agora lá em Harver lá com 180 pessoas discutindo novamente, né, eh, espiritualidade, psicologia, tratamento, enfim. Então isso é muito bom. Quais são então os benefícios da espiritualidade cristã para a saúde mental? Quais poderia eh mencionar para nós aqui? >> Sim. Eh, [roncando] o o o Daniel, né, Guanais, ele trouxe algum, ele é colonista da Folha de São Paulo, né, e fez uma um artigo essa esses últimos dias falando justamente sobre isso. No Brasil tem muita pouca pesquisa sobre isso e geralmente quando tem tem sobre a espiritualidade num sentido bem amplo. Tem poucos recortes sobre a fé cristã especificamente, né? Mas é o tema do nosso livro que vai sair, né? Que é sobre isso, >> vai sair talvez final do ano, né? Que a gente acabou de lançar agora um kit, o seu é o próximo kit, >> tá? Daí vocês vão comprar, tá? >> Autora da Thomas Nelson. Aguardem. Olha só as oportunidades que o Bibo abre pra gente. É justamente sobre isso, como a fé cristã pode promover saúde, porque a espiritualidade, a religiosidade, tem muito assunto sobre isso, assim, mas a fé cristã, né, eh, como ela gera saúde em nós, dá para falar tanta coisa, eu vou tentar dar uma citada aqui, mas, por exemplo, só entrar no assunto oração, a gente já tem um caminho imenso aí pela frente, os efeitos terapêuticos da oração em nós, fora os efeitos sobrenaturais que nós, como seres, né, que nasceram de novo, experimentam a vida em comunidade. Quando a gente tá falando de relações, né, eu falei ali muito da cura no processo psicoterapêutico, não tem a ver com intervenções ou protocolos, mas com a relação que se estabelece ali. E vejam, na fé cristã, a gente é justamente encorajado a viver relações saudáveis, onde a gente honra uns aos outros, suporta uns aos outros, ama uns aos outros, perdoa uns aos outros. Isso quando vivido na prática é curador, tem efeitos em nós. A maneira como a fé cristã nos ensina a ressignificar o sofrimento. Pra gente, sofrimento é compatível com florescimento, com amadurecimento. A fé cristã não enxerga o sofrimento necessariamente como um problema. O adoecimento, sim, mas o sofrimento na fé cristã, ele é ressignificado. Tanto é que a Bíblia vai nos dizer pra gente se alegrar nas tribulações, né? A Bíblia vai nos dizer pra gente eh que é melhor tá numa casa de velório, numa casa de luto, do que numa casa de festa. Porque o sofrimento, quando ele passado por uma de uma maneira saudável, ele gera em nós aprendizados, lições, reflexões, amadurecimento, né? essa coisa de ter um sentido pra vida, o Victor Frank, que eu falava muito disso, né? De você ter um propósito, de você se sentir útil, né? Quando a gente serve alguém, e isso a gente vive na fé cristã, né? A gente é convidado a viver pro outro, a gente libera doses de ositocina, né? a gente que que gera bem-estar, que gera aquela sensação de utilidade. Então assim, a fé cristã quando vivida de maneira coerente, saudável, ela é promotora de saúde, né? E muitas pessoas aqui podem talvez testemunhar disso, né? Não porque não vão ter problemas ou não vão ter sofrimento, mas porque são práticas, são meios que que são eh até coincidem com as técnicas, por exemplo, a confissão uns pros outros. É isso que a gente faz numa certa medida na psicoterapia, estabelecer essa cultura de diálogo. Isso não existe no mundo. E é na igreja a gente é incentivado a isso. >> Esse lance de perceber, até tu falou na palestra de enxergar o outro, né? o outro ser eh eh visto. Isso é muito legal. Pastor Fabrício, uma pergunta que me ocorreu agora, né, nessa na prática que tu tem de eh de aconselhar, de atender, tu já percebeu assim nesse nesse teu tempo de ministério as pessoas nitidamente eh negando suas emoções ou falseando, né, estão diante de um problema muito intenso, mas às vezes até por ler alguns versículos isolados, não, porque eu estou me gloriando e tá tudo bem e não tá tudo bem, a casa tá caindo, tá desmoronando nesse teu tempo assim de de aconselhamento, de pastorado já percebeu e teve que de alguma forma fazer a pessoa enxergar que é um pouco mais complicado do que ela não está. Ou ela até reconheceu, mas fugiu daquilo e vive uma coisa um pouco meio falseada assim para talvez até dar conta, mas não é um caminho muito bom, né? >> É, é um caminho muito comum, né? Que a gente às vezes com as pessoas que tm uma caminhada mais longa até mesmo de fé, né? que eh começam a se colocar de por detrás de uma fortaleza eh achando que vão comunicar, né, eh certa força, certa maturidade ou às vezes o cargo mesmo, né, o próprio cargo você tem na comunidade ou a tua vivência na comunidade te coloca numa posição que você não pode expressar. E às vezes a gente justamente coloca um igual de expressar emoções igual a fraqueza ou vulnerabilidade ou talvez inaptidão para algumas coisas. a gente coloca às vezes eh a força ou o fato de você fechar, suportar as coisas eh com uma certa força, né, com uma certa qualidade. E à medida que a gente enaltece isso, você acaba fragilizando a ideia ou de um ambiente que você pode ser vulnerável, né? Eu costumo dizer que a gente deveria ser, a igreja deveria ser mais uma oficina do que uma loja de carros. Na loja de carros você maqueia os problemas. Na oficina você tem que dizer pro mecânico qual é o problema, né? Isso tem a ver com uma pergunta que também foi feita aqui falando sobre posicionamento, até que ponto não ser reativa é saudável. Se puder falar um pouco sobre a síndrome da boazinha, né, que >> até que ponto não ser reativa é saudável, tolerar tudo, né? Eh, deixa eu ver por onde eu começo pra gente tentar ser bem claro. Muitas pessoas vivem eh sabe sabe aquela criança na sala de aula que ela não dá trabalho, que ela não ela não bagunça, ela não grita, ela não erra, ela é a o aluninho, a aluninha preferida ali do professor, né? Eh, muitas dessas crianças elas vão crescer, elas vão ter uma vida funcional, elas vão ser às vezes o destaque na igreja, porque elas estão em todas as escalas, elas estão sentadas na primeira fila, elas anotam a pregação, elas são aquelas assim muito submissas, muito participativas no trabalho. Ela é promovida de tempo em tempo porque ela também se adapta à aquele ambiente sempre e vai, né, bajulando e trabalhando certinho. Ela é a pessoa certinha, ela é a boazinha, né? Muitos casos a história se repete, essa pessoa vai ter uma crise lá na vida adulta em algum momento de de ansiedade, de cansaço, às vezes deprime, porque às vezes, primeiro que ninguém é bonzinho, né? Tem uma uma frase que é muito boa, que eu tenho ouvido, que é de pertinho. De pertinho ninguém é certinho, né? Ninguém é tão bonzinho assim. Só que muitas vezes para ser aceito no ambiente, às vezes ela cresceu num ambiente eh familiar tão caótico que ela não pôde dar trabalho, entende? Às vezes ela viu a mãe [roncando] eh extremamente fragilizada, viu situações de violência. Eu tô dando exemplos aqui, tá? Levantando hipóteses, né? Cada um tem uma história, mas era um ambiente às vezes de tanta desestrutura ou que comunicava para ela que ela não podia ser mais uma dando trabalho dentro de casa. Então ela cria um falso si mesmo de não dou trabalho, correspondo às expectativas das pessoas e ela cresce e parece que ela é uma pessoa muito boa, muito legal, muito saudável, mas ela em algum momento a conta vem e ela vai ter uma crise ou deprimir ou eh um cansaço absurdo que não tem férias que arranque dela, porque é uma exaustão de alma, de a vida toda ter tido que se adaptar às necessidades dos outros, ter tido que ser aceita, né, e ficar eh engolindo muitas das suas dores, né? Então, uma criança, por exemplo, voltando pro exemplo inicial, que bagunça, que erra, que chora, às vezes é muito mais saudável do que aquela que não se mexe, não fala, não dá problema, né? Uma pessoa na igreja, né? Isso é bom para para nós líderes também pensarmos que questiona, que fala, que confronta, às vezes tem uma espiritualidade e uma saúde mental melhor do que aquele que se submete, se anula, acha que não pode eh eh falar suas opiniões, acha que não pode contribuir, né? Porque às vezes esse boazinha demais é adoecimento, né? >> Boa. Por falar então em comunidade como uma comunidade eh conselheira, né? esse lance que você cita ali de uns aos outros, algo que é tão caro, né, no Novo Testamento, isso tem muito em Jesus, tem muito na carta do apóstolo Paulo, né, desse uns aos outros. Que dica a gente poderia dar prática para a comunidade que de alguma forma eh tá ali. Nós temos líderes aqui, nós temos a pessoas que são amigas, que vivem e às vezes isso, a gente abre o coração para um amigo, não para um líder. Como é que a gente poderia melhorar essa nossa? Nós não somos psicólogos, não nos formamos, não fizemos, né, a a o curso que um psicólogo fez, mas nós somos uma comunidade que tem a palavra de Deus e que eh nós devemos a aconselhar uns aos outros, né, encorajar uns aos outros, né, admoestar e por aí vai. Que dicas práticas a gente poderia ter nós que de alguma forma estamos aqui caminhando juntos e vamos ouvir, vamos falar, né? Quais cuidados ou quais dicas a psicoterapia, a psicologia poderia agregar na espiritualidade cristã, na vida em comunidade de pessoas que ajudam uns aos outros. >> Eh, comprem meu curso, amar, acolher e aconselhar. Fala >> boa. Ela vai, ó, o gancho, né? [risadas] Sabe que eu fiz uma conferência aqui semana passada e tinha o Guilherme Nunes aqui. Eu vendi dois cursos, ele vendeu 88. Então agora tu vai vender o teu também. >> Qual técnica que ele usou? Só para tu tá me passando. A doença. Doença [risadas] foi a doença. Ele tenho pena de mim. Eu sou doente. >> E o curso dele tava mais barato também do que o meu por isso. Mas enfim, ela tem um curso link na bi. Arrasta para cima. >> Isso. Eh, bom, deixa eu tentar pensar algumas coisas aqui bem práticas. Primeiro, eu gosto de a gente pensar que a gente não precisa ser o psicólogo do nosso irmão na fé, porque às vezes a gente fica assim, como é que eu faço? O que que vocês fazem lá no setting terapêutico para eu reproduzir? O psicólogo, ele tem um cerco no trabalho dele, tem coisas que ele não pode fazer, mas o irmão na fé pode, o pastor pode, o líder pode, né? Como, por exemplo, pegar nas mãos e orar. Eu lá na clínica não posso fazer isso, mas nós podemos orar uns pelos outros. O Richard Baxter, ele tem um livro, um pastor puritano, ele tem um livro que chama Superando a tristeza com fé. É alguma coisa assim, não lembro exatamente o nome do livro. E ele fala assim, ó, eh, quando alguém não estiver estiver mal emocionalmente, não diga para ler a Bíblia, leia a Bíblia com ela. Não diga para orar, mas ore com ela. Muitas vezes, quando a pessoa tá mal emocionalmente, nós temos o impulso de querer dar ordens, de querer dizer o que ela tem que fazer, né? Então, assim, vem mais na igreja, leia mais a Bíblia, ore mais, >> para de bobeira. para de frescura, talvez até bem intencionado, mas pense, gente, se a pessoa tá mal, ela é a primeira que não queria estar nesse lugar, entende? E e muitas vezes quando ela se abre, ela recebe uma lista de tarefas que deixa ela ainda mais frustrada, porque se ela mal consegue levantar da cama, se ela mal consegue fazer as coisas básicas, quanto mais investir nas suas disciplinas espirituais, por exemplo. Então, muito mais nós podemos fazer com a pessoa do que trazer mais um peso sobre a pessoa, né? Eh, uma outra coisa que eu acho que é tão simples, mas pode ser tão proveitoso nas relações, é você validar a dor da pessoa. Esses dias eu recebi um áudio de uma líder de jovens lá de uma igreja X, de uma outra cidade, e ela falou assim: "Olha, Carl, tem uma menina aqui nos jovens que ela tem falado que pensa em tirar a vida". Mas assim, eu não sei se é verdade, sabe? Eu não sei até que ponto é para chamar atenção, não sei até que ponto ela tá exagerando. Passa essa dúvida às vezes na nossa mente quando alguém fala isso. E eu falei para ela: "Olha, não cabe a você saber se é verdade, se não é, mas você precisa tratar ela como quem acredita, porque sendo ou não sendo, ela tá clamando por ajuda. Isso é um grito de ajuda. se ela tem uma ideiação real ao suicídio ou se ela não tem, de qualquer forma, ela atravessou um caminho imenso para te pedir ajuda. Considere que quando uma pessoa ela dá algum sinal, ela verbaliza que ela não tá bem, às vezes ela percorreu um caminho imenso para ter coragem de falar. Então você não precisa entender para acreditar, você não precisa ter passado por aquilo para acreditar. Às vezes o simples fato de você sentir que a pessoa tá olhando para você e ela tá validando o que você tá sentindo é curador por si só. >> O que que é esse validando? Me explica um pouco melhor isso assim. >> É acreditar, é levar a sério, né? Eu lembro que é, eu lembro de de uma época da minha vida, eu tinha, sei lá, 22 anos, eu tinha terminado um namoro e eu tava, eu chorava, parece que a minha vida tinha acabado. E eu fui na minha, na, na, na na psicóloga, né, na terapeuta. E eu lembro que recém tinha saído dela uma outra paciente que eu sabia a história que tava assim, ela sim tava mal, sabe? Tinha perdido gente, pessoas tinham morrido e histórico de câncer. E e eu pensei: "Meu Deus, o que que eu vou fazer aqui?" Eu só terminei um namorico e meu Deus, eu devia ir embora porque assim, isso aí eu supero fácil. E eu lembro que a maneira como ela considerou a minha dor não foi nada do que ela me disse, a maneira como ela me olhou como alguém que, poxa, deixa eu ajudar essa menina, deixa eu, porque naquele momento aquela era a pior dor do mundo para mim, entende? naquele momento eu tava sofrendo com aquela situação. Então o simples fato de você considerar, validar, reconhecer, não ficar duvidando, isso é tão angustiante quando você abre, né, um sentimento e a pessoa fica, é drama, é frescura, mas é só fazer isso, >> só isso? Não, mas olha só, eu eu passei por isso e >> isso só o fato da pessoa se sentir alguém me levou a sério, às vezes ela já se tranquiliza, entende? Sabe uma coisa que acontece muito, por exemplo, casal, tu fala que tu tá preocupada, que tu tá ansiosa, eh, e aí a pessoa ela desvalida, ela não, ela não, ela não valida, ela fala: "Não, não, não, nada a ver, vai dar tudo certo, vai dorme, né, como né, >> ou ela dorme." >> Jas tá aí, não tá lá o marido que lá é o dormá dormindo. >> Bota a mão, J. >> Mas olha só como é um homem de Deus. Gerflexão que eu fiz. Verdade, viu? Olha que erro dele de olha que o ronk bom. [risadas] E aí o marido fica, não, relaxa, vai dar tudo certo. Aí a mulher tem a sensação de que ela tem que se preocupar por ela e por ele. Mas às vezes era só ele dizer assim, ó, é preocupante mesmo, o que que a gente vai fazer? É, tu parece que tu divide aquele fardo. Então você não vai ter protocolos para tratar, não vai poder dar medicação pro teu irmão na fé, mas só o fato de você acreditar, validar, olhar para ele com olhos de que comuniquem para ele que talvez ele não tá ficando louco, mas que ele é só um ser humano em crise, já pode produzir consolo. Tem uma pergunta aqui que fala assim: "Se por um lado é muito positivo levantar eh o levante dos debates sobre saúde mental no meio cristão, principalmente nas igrejas com maior envolvimento intelectual, também existe uma visão mais fria espiritualmente sobre opressões malignas que agem sobre nós, criando uma percepção muito pragmática sobre a vida, ignorando a realidade espiritual. O que que vocês pensam sobre isso? Eu penso que aquilo que o acho que é o Lewis que fala isso, né, de que quando a gente desconsidera totalmente o mundo espiritual é um perigo, mas quando a gente superestima também é um perigo, porque de fato existe uma realidade espiritual que age na direção da nossa fraqueza. Então, eh, uma pessoa que ela já tem um histórico de vida, transtornos, diagnósticos, eu acredito sim, me corrija se eu estiver errado, né, eh, errada, que existem eh intervenções espirituais que trabalham na direção dessa fraqueza, potencializando isso, né? Por isso que quando a gente vai tratar eh, por exemplo, um contexto de adoecimento, eu sempre recomendo um tripé, medicação quando é necessário, psicoterapia e espiritualidade, né? Então, assim, eh, é muito complexo dividir o ser humano. A gente tenta fazer isso, mas isso é impossível. Em termos didático, a gente tenta fazer essas diferenciações, mas nós não somos um ser separado, né, fragmentado, nós somos um ser integral. Então, eh, é difícil separar até que ponto é espiritual, até que ponto são dilemas da mente. Não, ninguém tem resposta muito certa não para isso, tá? Tem tem muitas eh tentativas e interpretações até perigosas, mas a gente é uma coisa só, né? Então, naturalmente, se eu tiver mal emocionalmente, pode ser que a minha espiritualidade seja abalada. Da mesma forma como se eu tiver eh e bem espiritualmente, eu posso ver efeitos, como a gente acabou de dizer, na minha saúde mental. Então, eu acho que a gente não deve desconsiderar, né, que podem ter atuações demoníacas trabalhando na direção das nossas fraquezas. O perigo é quando a gente reduza isso e não tem a responsabilidade de se beneficiar com as belezas da graça comum, né? A medicina, a psicologia, isso tudo tá dentro do guarda-chuva da criação de Deus, que nos permite, né, eh, se utilizar desses recursos que também pertencem ao Senhor. Todas as coisas pertencem ao Senhor. >> Perfeito. Acho que essa essa questão da integralidade do ser humano, né? O ser humano, ele não tem um corpo, uma alma e um espírito, como geralmente se faz essa divisão. É um ser único. E e justamente por ser um ser único, é muito difícil você eh discernir. Mas aí entra a questão também do discernimento dos espíritos, né? Entra a questão do discernimento que vem da palavra da convivência. Então é isso, tipo o o obreiro, o líder, o pastor, ah, até mesmo o psicoterapeuta cristão que tem que é aberto para isso, vai ter que ter essa sensibilidade de dizer: "Não, isso aqui é Rivotril, não, isso aqui é oração, né? É, é, é, é, é outra, é exorcismo, né? Porque é de fato é innegável. Ah, o mundo jaz do maligno, né? Eu penso que hoje, eh, eu o Luiz fala um pouco sobre isso também, né? Essa ideia de que às vezes ficar possuindo as pessoas já não é mais tão atraente pro diabo, né? E ficar abrindo eh eh igrejas satanistas e ficar possuindo as pessoas. Não. Hoje a maioria das possessões que a gente vê na televisão são falsas, né? Inclusive eu já conheci eh atores que que trabalhavam com esse tipo de coisa, eu já vi entrevistas e tal, né? Então esse negócio que a gente vê na televisão é muito circência, é muito Agora quer dizer que não existe possessão maligna, existe, mas acho que não é mais o recurso tão usado pelo diabo hoje em dia, porque é muito melhor ele agir eh naquilo que a gente consome aqui, naquilo que a gente ouve, naquilo que a gente vê, minando as nossas relações. Então é mais uma questão cultural. E de fato, né, a gente não vai negar a realidade espiritual de que a a eles estão ao nosso derredor querendo nos, né, nos tragar. Enfim, existe uma um uma vida, um uma entidades, potestades, a gente não pode negar essa realidade. Mas se vocês lerem cartas de um diabo a seu aprendiz, ah, do Luiz, é sensacional. Leiam esse livro, né? É, é o segundo livro mais vendido da Thomas Nelson Brasil. E porque o primeiro sou eu. Ah, desculpa, desculpa. Mas [risadas] é esse livro é sensacional e muito melhor que o meu a propósito. Inclusive, se você quiser já compre a versão nova que saiu agora, que é com anotações. Meu, isso é maravilhoso. Carta de um diabo a seu aprendiz com anotações. Um especialista em Luis, ele vai lendo cada carta e vendo eh e fazendo a referências de onde Luis tirou e tal. Algo incrível. E você percebe ali que a principal estratégia, né, a do inimigo é isso, é iminando confiança, é iminando relações, mais sutil, discut para não parecer que é que é algo espiritual. >> Exato. Porque quando ele possui alguém, ah, você chama lá alguém e já ora e sai fora e tá tudo bem. Não que isso não aconteça, claro que pode acontecer também, só que em lugares que acontecem demais isso, eu acho que eles também evocam muito esse tipo de coisa para acontecer. E aí já vira um pouco de efeito manada. Isso também é um pouco complicado. Agora nós somos cristãos. É isso, é o discernimento. Assim como um pastor, um líder, uma pastora tem que ter aquele discernimento. Opa, aqui é aconselhamento bíblico. A partir daqui, a Bíblia ela é suficiente para a salvação da pessoa, mas o que ela tem não é algo espiritual, é algo realmente físico. E ela precisa de lítio, né? Então assim, eh, não, e não só de leitura bíblica, precisa de lítio. Então é essa sensibilidade. O o outro ponto é verdadeiro também, não. Aqui não é lítio, aqui não é prosac, né? Acho que nem vende mais, mas é essa ideia, né? Tem hora que não é prosac, aqui é oração mesmo. Então tem que ter esse discernimento, né? Eu eu tive um caso, uma experiência com 16 para 17 para 18 anos que eu fiz um estágio, onde a gente teve um caso de exorcismo, vou chamar ela de Joana numa cidade em que eu estive e que realmente no começo a gente viu que era uma manifestação demoníaca, porque ela muito fraquinha conseguia jogar armários pro outro lado do quarto. Ela às vezes se jogava, tava em cima do armário. Então era uma coisa que foi organizado, um pastor especialista daí em exorcismo, coisa e tal. Mas a gente pensou depois que a gente percebeu de que ela gostava daquele ambiente porque vinha muita gente visitá-la, ela se sentiu centro das atenções e a gente percebeu que no meio daquela realidade espiritual também o déficit emocional dela tava precisava ser trabalhado. Então não era só uma questão de imposição de mãos, mas também era uma questão agora de terapia, de tratamento, de acolhimento de comunidade, né? >> Uhum. >> E aí tem uma uma última pergunta aqui. Todo servir tem algum custo para saúde física e mental? Como definir o limite do custo do servir? >> Eh, a espero que essa pergunta não tenha vindo de alguém que fez o café, porque tava muito bom o serviço >> para continuarem servindo. [risadas] >> Bom, eh, eu acho que a gente às vezes eh reduz o serviço a à vida ministerial na igreja, né? Eh, de fato, Jesus, ele veio para servir e nos ensina a ser, a exemplo dele, servos uns dos outros. Mas eh às vezes algumas igrejas podem se utilizar, por exemplo, dessa máxima da vida cristã para aprender a pessoa dentro da igreja, né, e servir. E porque sempre tem demanda numa igreja, gente. Deixa eu te falar isso. Isso em qualquer igreja sempre tem demanda, né? Sempre precisa de trabalhadores. A oração que Jesus ensinou os discípulos a fazerem, orem por trabalhadores, ela tá sempre atualizada. É sempre uma coisa que toda a igreja tem que tá orando, né? Todo a liderança concordando, porque sempre vai precisar, a demanda sempre tem. Mas eh muitas vezes existem casos das pessoas que se escondem dentro da igreja, né? E abandonam a sua vida familiar, a sua vida profissional, não cuidam da sua saúde, não descansam. muitos casos de pastores, né, adoecidos, porque a vida é a igreja e não tem um tempo para dormir, para respirar, para tirar umas férias. Isso soa espiritual, soa maturidade, né? Mas na verdade isso é tolícia, ignorância, é um perigo, porque na verdade a nossa vida é uma vida cristã, né? O reino de Deus são todas as áreas da nossa vida. Então, qual que era a pergunta mesmo? Até >> como definir o limite o do custo? >> Ah, sim. >> Ou seja, é quando a igreja promove uma cultura onde o servir ele quase escraviza as pessoas num sistema só para retroalimentar o próprio sistema da comunidade. E aí se usa, né, esse discurso, não, você tem que servir porque isso aqui é o reino de Deus. Mas quando na verdade está criando uma estrutura onde se usa o trabalho voluntário para a promoção não do reino de Deus, mas para, né, o o o o próprio ministério crescer e tal. Então, isso é muito custos >> até demais. Eu li um exemplo eh hoje mesmo assim de uma pessoa que uma mulher de Deus que disse que eh iria abrir mão do puerpério dela para poder tá ministrando em outros lugares e tudo mais. Eh, porque entendia que Deus estava exigindo, querendo aquilo dela, >> porque o nosso descanso não é aqui. Já ouvi várias vezes. É, gente, hoje assim, atendendo na clínica, a a maior parte do do adoecimento das pessoas tá nos eh se configurou nos primeiros dias, semanas e meses de vida de uma pessoa, eh, baseado em como tava o estado familiar, o estado da mãe, né, daquele contexto que recebeu aquela criança no mundo. Então, por exemplo, o puerpéreo é um momento, o puerpéreo, para quem não tá familiarizado com o termo, é aquele período ali quando o bebê nasce e a mãe fica dedicada ali ao bebê, né? eh, que enfim, tem algum algumas pessoas que definem um tempo, mas o tempo ele é muito particular também do tempo que aquela mãe, aquela família precisa, né, se voltar às necessidades daquele bebezinho, né, e você pular isso, você não viver isso, porque você tem que tá servindo lá na igreja, você tem que tá fazendo tantas coisas, traz prejuízos tão significativos pra vida dessa criança, porque quanto maior o prejuízo emocional que a criança o adulto tem, possivelmente mais cedo foi a a aquilo que marcou ela. Possivelmente foram experiências muito do início da vida, quanto maior o estrago, não é uma regra, mas muitas vezes tem muito a ver com o início da vida, que ela não teve um ambiente que conseguiu receber, acolher ela no mundo. Imagina, gente, os prejuízos de uma mãe, por exemplo, não viver aquele pererpéreo que até mesmo o corpo, o corpo te deixa imprestável para qualquer outra coisa, a não ser para cuidar de um bebê, né? Então, veja, nisso está a criação de Deus. Deus cria a mulher com a capacidade de amamentar o pós-parto, como o corpo dela fica, situação hormonal, porque é para ela parar e se dedicar àquele bebezinho. E olha que deturpação é essa. Deus exigiu de mim ministrar na cidade tal e Deus exigiu de ti que você esquecesse o resto do mundo e se adaptasse às necessidades daquele bebezinho que precisa de você, porque o resto do mundo se vira com qualquer outro, mas aquele bebê só tem você como mãe, entende? Então, eh, na verdade é uma deturpação até da criação de Deus. Quando a gente reduz a vida de serviço, a igreja, as demandas ministeriais, né? Essa mulher, ela é chamada assim a servir, mas servir aquele bebê, né? Servir a sua casa naquele momento. Então, a gente precisa aprender a diferenciar as estações da nossa vida, né? Eh, tem fases que talvez a gente vai, eu tô vivendo, eu e o meu marido, a gente tá vivendo uma fase de que a gente ficou muitos anos imerso no ministério e foi maravilhoso, foi muito bom, sempre rodeado de gente, sempre com um adolescente jovem na nossa casa, no carro e viaja e vai. E agora a gente tá vivendo um outro momento da nossa vida que nós continuamos congregando, servindo a igreja, mas também nos dedicando às nossas profissões, a nossa família, porque a vida ela tem estações e é sábio que a gente dissirna isso, né? Porque muitas vezes um excesso de serviço eh pode comunicar alguma falta, né? Como até falei na na palestra, né? Às vezes são coisas mal resolvidas e você precisa de um excesso de serviço para ser alguém na vida, mas você é alguém sem fazer nada, né? Jesus, quando o pai fala, né, eh, você é o meu filho amado, de quem me agrado, ele não tinha feito nada ainda ministerialmente. Ele nem tinha começado o ministério. >> E se o serviço na igreja não deixa você ser igreja, né, e de alguma forma faz com que a sua família seja prejudicada com isso, tem algum problema aí? E aí eu só acrescento o que a Cal falou, toda a igreja precisa de voluntário, né? Inclusive, até esse café teológico a gente chegou a conversar, porque eu fiz uma conferência teológica aqui semana passada e boa parte de quem está ajudando no café teológico agora ajudou na conferência. Então foi uma conversa que eu tive, né, galera, mas a gente vai fazer mesmo seguido? Não vamos, não é sempre, mas é, tem um custo. É um custo, é família, é, tem todo voluntário d gasta também um dinheiro, uma coisa assim, o seu tempo. Então tudo tem que ser muito pensado. Agora é innegável, uma igreja sem voluntário, ela não existe. Agora, quanto mais voluntário ela tiver, fica melhor para todo mundo, >> mais leve para todo mundo. >> Fica mais leve para todo mundo. Porque às vezes é isso, algumas pessoas estão se desgastando e se queimando demais porque muitos são só frequentadores de culto, muitos só querem ser servidos, não querem servir, entende? Acham que ao ofertar na comunidade não precisa fazer mais nada. Então o que acontece? Eu não, que bom, né? Sempre tem a pessoa lá que faz, sempre tem aquele casal, sempre tem aquilo. Só que às vezes aquele casal já tá, né? por um fio. E, aliás, se você é um desses, converse com a liderança, não deixe de estragar, né, para depois, né, conversa agora. Mas é innegável, né? Tem que ter mais pessoas querendo onde eu posso ajudar, onde eu posso servir, onde eu posso ser útil com cara, eu não tenho, olha, eu nem sei que domento eu tenho, mas tô aqui. Tá bom, que bom. Entendeu? Quer é nisso que você até descobre o seu talento, o seu dom, porque algum você recebeu para servir no reino de Deus e que inclui, obviamente, a sua congregação local. >> Aliás, servi uma bênção e gera saúde, né? Quando a gente serve alguém, a gente libera o citocina, libera alguns hormônios e neurotransmissores que dão pra gente a sensação de utilidade, de bem-estar, né? Eu gosto quando Paulo fala para Timóteo que aqueles que os diáconos eh alcançarão maior determinação na fé em Jesus. Ou seja, quando eu sirvo, né, na posição ali, por exemplo, tá falando do da diaconia, né, de serviço, quando eu sirvo, a minha fé amadurece, o serviço me faz ser mais convicto, mais firme, né? Então, é um é uma é uma disciplina espiritual o serviço, né? A gente tá falando dos abusos, dos excessos. Com certeza isso tem que ser eh identificado. Tem alguns betcastes, tá, pessoal, sobre esse tema de abuso espiritual. É bem legal, Cau. Agora, para gente encerrar, eu quero pedir para ti um conselho rápido, porque o nosso tempo já deu. Então, é um conselho rápido para jovens e um conselho rápido para os mais velhos dentro desse tema. Agora, queima roupa. Vai. Ai, esa eh, >> qualquer coisa não precisa. Eu te peguei assim, foi aquele porque é conselho rápido assim, tipo pá, parece aquela entrevista da sa. Exato. É tipo isso. Vai lá. Eu não sou a Xuxa, nem gosto muito, mas posso ser a qual é outra lá de frente com a Gabi. Posso ser mais a Gabi. Então, não, Jo Soares, né? Deixa eu pegar um exemplo masculino porque eu sou homem. >> Olha para aqueles jovens lá e dê um conselho. Tem uns velhos ali perdido, né? Mas boa parte é é a nossa JUM aqui. Que conselho você, não precisa ser tão rápido, então, mas em um minuto, >> que conselho você daria para esses jovens? >> Eh, essa geração tem uma tendência de super estimar o que sente, né? Então, assim, não tô com vontade de estudar, não estudo, né? Eh, tô morrendo, meu Deus, isso é muito grande dentro de mim. tem uma hipervalorização do sentimentalismo e isso pode ser complicado, né? O Inicot, esse autor que eu falei, ele fala que a gente precisa aprender a cavalgar o nosso cavalo, né? A gente precisa aprender a eh segurar o cavalo. Agora não é para virar, agora não é para correr, agora não é para andar devagar, é para ir mais rápido. Em Cristo, nós temos a capacidade de cavalgar o nosso cavalo. A gente tem a capacidade de dominar as nossas emoções. Então eu diria isso pros jovens. Observe as suas emoções. E eu sei que você talvez é muito estimulado a isso até pelas músicas, conteúdos, filmes, séries, mas não seja dominado por elas, porque isso é um tiro no pé. É um tiro no pé. Se você fizer tudo que você tem vontade, você se torna escravo de si mesmo. Você se torna escravo dos seus desejos e das suas emoções. E lá na frente você vai ter que pagar por essa conta. É tipo a coisa da aula de inglês. Todo adulto chega na vida adulta e pensa: "Por que eu não fiz inglês quando eu era criança, quando eu era adolescente?" Então, tem coisas que hoje você não tem vontade ou que você tem muita vontade, mas que em nome da sabedoria você não vai ser conduzido por isso, porque seguir as nossas emoções sem calcular, sem equilibrar, é um tiro no pé. Então, eu diria isso pros jovens, né? eh não superestime as suas emoções, mas diria para os anciãos, né, não ignorar, né, eh a tendência talvez dessa outra geração seja, ah, isso é frescura, isso é drama, né, eh, não vou dar bola, mas você tem umas >> Cheguei até aqui, >> cheguei até aqui, nada mais me derruba. >> É, não me matou, né? >> É, então, mas você ainda está vivo, né? ainda está viva, tem uma vida e muito possivelmente você tem uma história e o fato, muito possivelmente não, você tem uma história e às vezes se dispor a olhar com cuidado para essa história, fazer reflexões profundas podem ser o que vão te o que vai te ajudar inclusive a ajudar essa geração, né? Porque que que a Bíblia fala? Os jovens têm a força, mas os mais velhos têm a sabedoria, tem a prudência, tem os cabelos brancos da experiência da vida, né? Então, por isso que a igreja ela precisa ser isso aqui mesmo, né? A igreja precisa ser essa mistura mesmo de experiências dos cabelos brancos com os cabelos com gel, né? Porque eh a força e a sabedoria, a a tendência de superestimar e a tendência de ignorar e assim a gente se soma. Por isso que Deus nos chama para viver em igreja, né? >> Muito bom, gente. Palmas para Cauan Leite, por gentileza. [aplausos] Muito obrigado, C, por ter atendido o nosso convite.