Sermões Online

A fé vem pelo ouvir

Gula – Quando o Desejo Devora Você | Josemar Bessa

Gula – Quando o Desejo Devora Você  | Josemar Bessa

Gula – Quando o Desejo Devora Você | Josemar Bessa

QUERO SER MANTENEDOR DESTE MINISTÉRIO:

Pix 21 999811424
Pix josemarbessa@gmail.com
Pix 011.737.737.62

PayPal – math_510@hotmail.com

Caixa Econômica Federal
Agência 4087
Operação 013
Conta 51850-3

Banco Inter ( Beleto bancário )
Agência 0001
C/ C 60240490
CPF 011.737.737.62
Claudia Vidal Bessa

Banco do Brasil
Agência 4315-x
Conta poupança 14957-8
Operação 051
Claudia Vidal Bessa

REDES SOCIAIS:

💻 Site: http://www.josemarbessa.com/
🐦 Twitter: https://twitter.com/JosemarBessa
📷 Instagram: http://www.instagram.com/josemarbessa
💎 Facebook: https://www.facebook.com/josemarbessa
💎 Facebook Page: https://www.facebook.com/pastorjosemarbessa
💌 Email: josemarbessa@gmail.com
🎬 Youtube – Josemar Bessa – https://www.youtube.com/user/JosemarBessa
🎬 Youtube – ReformedSound – https://www.youtube.com/user/reformedSound
🎬 Youtube – SpurgeonTv – https://www.youtube.com/user/spurgeontv

Legendas automáticas:

Há um tempo atrás eu fiz uma uma um
comentário sobre o filme Seven falando
sobre os sete pecados capitais, mas foi
um vídeo só e eu tinha que falar sobre
todos os pecados. Eh, naquele vídeo as
pessoas pediram para mim falar sobre
cada pecado separadamente, né? Então
agora eu quero começar a fazer isso sem
nenhuma eh um cronograma assim. Vou
falando sobre um pecado, por exemplo,
hoje vou falar sobre a gula e nem sei se
vou acabar hoje. E depois a gente vai
andando por todos os pecados, usando
ainda e o o filme como um guia de de
exemplos, né? O filme Seven é de 1995,
né? Com Brad Pitt, que é um detetive
chamado David Mills. Ele tá começando,
então ele tá cheio de paixão, não é? de
garra para resolver as coisas. E tem um
outro detetive já veterano chamado
William Summerset, que é feito pelo
Morgan Freeman, que está na situação
oposta. Aquele é o último caso dele. Ele
nem queria participar porque ele vai se
aposentar. Então, eh, é o último caso
dele, ele tá louco para se ver livre
daquele mundo, não é, de detetive, de
crimes e etc. Tem a Gent Peltro, que é a
esposa do do eh Brad Pitt, né? Trace MS
e o assassino serial que é o Kevin Space
John Do. Então o que acontece, eu não
vou me ater muito a ao filme em partes
que não são eh teológicas, né? Eh, há um
assassino, né, um serial killer que está
matando conforme eh os pecados capitais,
os sete pecados capitais. E o primeiro
eh no filme é a gula, não é? E a gente
vai falar então primeiro sobre a gula em
alguns vídeos, um ou dois, três, sei lá,
e depois vamos seguindo eh os os pecados
na mesma ordem que eh aparecem eh no
filme. Então, o primeiro pecado
apresentado em Seven não aparece em uma
discussão filosófica, nem em uma
confissão religiosa,
nem em uma cena onde alguém tenta
explicar o mal do mundo, não é?
Ele aparece diante de uma mesa. Um homem
eh está morto, mas ele não está morto de
qualquer maneira. Ele não foi apenas
assassinado. Ele foi transformado em
sinal. Seu corpo enorme, né? gordo,
pesado, humilhado, está ali como se a
própria carne tivesse se tornado uma
acusação.
A casa é escura, abafada, suja, quase
irrespirável o ambiente. A comida está
presente não como comunhão, não como
celebração, não como sustento, mas como
instrumento de destruição.
Ele foi forçado a comer. Comer além do
limite, comer além da fome, comer além
da dignidade, comer até que o corpo
feito por Deus para receber alimento
como dádiva fosse esmagado pelo próprio
alimento.
E essa imagem é repulsiva porque ela
toca em algo mais profundo
do que o estômago. Infelizmente, quando
fala de gula, as pessoas às vezes nem
sabem porque colocaram entre os sete
pecados capitais. não é, que são a raiz
de todos os outros pecados, tendo o
orgulho como a raiz dos próprios pecados
capitais e esses sendo os galhos de
todos os outros pecados. Então, eh eh a
imagem é repulsível porque ela toca em
algo mais profundo do que o estômago.
Ela não mostra apenas um homem que comeu
demais. Ela mostra um homem reduzido ao
seu apetite, [tosse]
desculpa, ao desejo, ao seu apetite. Um
homem diante de uma mesa que já não
parece mesa, mas um um altar.
E o que está sendo oferecido ali não é
gratidão pelo alimento, não é vida, não
é alegria, é morte. Esse é o primeiro
sermão de John D, que é o serial killer,
né? O Kevin Space. É um sermão sem
púlpito, sem Bíblia, sem misericórdia,
sem evangelho, mas ainda assim um
sermão. Porque John Du não quer apenas
matar, ele quer interpretar. Ele quer
que cada morte diga alguma coisa,
denuncie alguma coisa. Ele quer que cada
corpo seja uma mensagem. Ele quer
transformar pecadores em ilustrações
grotescas de seus próprios pecados.
E no caso da gula, a mensagem é simples
e terrível. O homem devorou e agora foi
devorado pelo seu apetite. Mas aqui
precisamos tomar cuidado porque é muito
fácil
olhar para aquela cena e manter
distância dela como se não tivesse nada
a ver conosco. E a gente sabe que não é
assim que o pecado realmente age, ele
age igual sobre os homens. Não é? É
fácil pensar que aquilo é extremo
demais, grotesco demais, distante
demais. Aí será que é? É fácil assistir
aquele cadáver e dizer isso não tem nada
a ver comigo. Afinal, a maioria das
pessoas não será encontrada em uma eh
cena de crime como aquela. A maioria das
pessoas não morrerá daquele jeito. A
maioria das pessoas consegue se
convencer de que a gula é apenas o
pecado de alguém sem disciplina, sem
limite, sem controle físico. Mas a
Bíblia nunca nos permite tratar o pecado
apenas como uma caricatura.
dos outros.
Ela não não
nos deixa assistir ao mal como
espectadores confortáveis. Nenhum
pecado, a Bíblia deixa a gente assistir
só como espectador.
Ela nos puxa para dentro da cena. Em
Filipenses 3 18 19, Paulo escreve: "Pois
como já lhes disse repetidas vezes e
agora repito com lágrimas, há muitos que
vivem como inimigos da cruz de Cristo. O
destino deles é a perdição e o seu Deus
é o estômago. E eles têm orgulho do que
é vergonhoso. Só pensam nas coisas
terrenas." Essa frase é
devastadora. O seu Deus é o estômago.
Paulo não está falando apenas de comida.
Paulo está falando de adoração. Está
dizendo que é possível um desejo
corporal assumir um lugar espiritual,
religioso. É possível o apetite se
tornar Senhor.
É possível o homem viver guiado não pela
glória de Deus, mas pela exigência
imediata da própria fome, do próprio
desejo. E essa fome pode ter muitos
nomes. Pode ser comida, pode ser prazer,
pode ser conforto, pode ser consumo,
pode ser sexo, pode ser descanso, pode
ser entretenimento, pode ser aprovação,
pode ser sensação constante de estar eh
satisfeito, distraído, servido,
protegido de qualquer desconforto.
Ou seja, a gula é algo muito mais
abrangente.
Estômago em Paulo representa muito mais
do que um órgão. Representa o homem
governado por desejos terrenos.
O homem que não olha para cima, o homem
que não pergunta: "Isso glorifica Deus?"
O homem que só pergunta: "Isso me
satisfaz agora".
E esse é o ponto em que Seven começa a
ficar espiritualmente desconfortável,
porque o cadáver diante da mesa é
extremo, mas a lógica por trás dele é
comum no mundo, nos homens, em todo
homem. O homem caído vive tentando
transformar a criação em Salvador. Ele
pega aquilo que Deus criou, bom, e tenta
extrair daquilo,
eh, extrair dali aquilo que só Deus pode
dar. Ele recebe alimento, mas quer que o
alimento seja consolo para ele, consolo
absoluto. Ele recebe prazer, mas quer
que prazer seja redenção. Recebe
descanso, mas quer que o descanso seja
fuga da alma.
recebe o mundo criado, mas exige que o
mundo criado funcione com Deus. Todas as
coisas, romance, sexo e o mundo criado
não suporta esse peso.
Nada criado consegue carregar o peso da
adoração. Quando o homem transforma
comida em Deus, a comida o escraviza.
Quando transforma prazer em Deus, o
prazer o consome. Quando transforma
conforto em Deus, qualquer sofrimento
vira uma ameaça insuportável.
Quando transforma o corpo em Deus,
envelhecer se torna terror. Quando
transforma a sensação em Deus, o
silêncio se torna inimigo. Agula, então,
não é apenas sobre comer muito, é sobre
ser governado por um desejo que perdeu o
seu lugar legítimo.
É sobre a alma tentando se alimentar de
algo que nunca poderá salvá-la.
E aqui a a Bíblia nos ajuda a enxergar
com mais profundidade. O pecado nunca é
apenas comportamento externo.
Ele nasce em coração. Antes de aparecer
na mesa, aparece no desejo. Antes de
aparecer no prato, aparece na adoração.
Antes de dominar o corpo, já começou a
negociar com a alma.
Tiago 1 14 15 diz: "Cada um, porém, é
tentado pelo próprio mau desejo, sendo
por este arrastado e seduzido."
Segula, né? Então, esse desejo, tendo
concebido, dá a luz o pecado. E o pecado
após ter sido consumado, gera morte.
Essa é praticamente a anatomia
espiritual daquela cena, não é? Da
primeira cena do filme. Desejo, sedução,
pecado, morte. Tiago não descreve o
pecado como algo que simplesmente cai
sobre o homem de fora para dentro. Ele
mostra que existe algo dentro de nós que
responde à tentação. É a concupiscência.
A própria concupiscência tenta o homem.
não precisa de nada fora dele. O desejo
arrasta, o desejo seduz, o desejo
promete, o desejo oferece uma versão de
felicidade.
E quando o homem se entrega, aquilo que
parecia pequeno começa a crescer. O
pecado concebido amadurece e quando
amadurece acaba sempre em morte.
A mesa de Svenem é horrível porque
mostra o final de um caminho, mas a
Bíblia nos obriga a olhar para o começo
desse caminho. O começo é o coração
querendo ser satisfeito longe de Deus.
Essa é a tragédia do homem caído. Ele
não é apenas alguém que sente fome, ele
é alguém que tenta fazer da fome sua
identidade. Ele não é apenas alguém que
deseja, ele é alguém que confia no
desejo como guia.
como aquele que vai direcioná-lo. E
quando o desejo assume governo, o homem
não se torna mais livre, torna-se menos
humano. Aquela cena mostra isso
perfeitamente, porque liberdade na
Bíblia não quer fazer tudo o que o
apetite manda. Isso é escravidão com
outro nome. O mundo moderno costuma
chamar de de eh eh liberdade, a
capacidade de obedecer imediatamente aos
próprios impulsos e desejos. Se eu
quero, devo ter. Se sinto, devo seguir.
Se desejo, devo me expressar. Se me
satisfaz, deve ser legítimo. Mas essa é
uma das grandes mentiras do pecado. O
pecado sempre se apresenta como
libertador antes de se revelar como
carcereiro. Ele diz: "Coma". Depois diz:
"Continue comendo". Depois diz: "Você
precisa disso." Depois diz: "Você não
consegue parar". Depois diz: "Agora você
é isso." É assim que os ídolos
funcionam. Eles primeiro prometem servir
ao homem, depois exigem ser servidos por
ele. E isso torna o primeiro crime de
Seven tão teologicamente forte. É isso
que torna.
A vítima está diante da comida, mas não
está celebrando uma dádiva e agradecendo
a Deus pelo alimento. Está sendo
destruída por ela, pela dádiva. O
alimento que deveria sustentar a vida
foi transformada em instrumento de
morte. A mesa que poderia ser lugar de
comunhão, virou lugar de juízo. O corpo
que deveria ser recebido como criação de
Deus foi reduzido a palco de degradação.
Mas o serial killer, né, John Drew, não
entende a profundidade disso. Ele vê o
pecado, mas não vê o pecador como alguém
que precisa de graça. Ele vê a
deformidade, mas não conhece redenção.
Ele vi a culpa, mas não sabe o que fazer
com ela, além de puni-la.
E essa é uma diferença essencial entre o
moralismo sombrio de John Do e o
evangelho de Cristo. John Do olha para o
guloso e diz: "Morra pelo seu pecado". O
evangelho olha para o pecador e diz:
"Cristo morreu por pecadores."
Isso não diminui a gravidade da gula.
Pelo contrário, a cruz jamais diminui a
gravidade do pecado. Ela revela que o
pecado é tão grave que exigiu sangue,
sangue de Deus, sangue puro. Mas a cruz
também revela algo que John Du jamais
poderia oferecer. Misericórdia santa.
Não só misericórdia, não é?
O grande enigma é oferecer uma
misericórdia que seja santa, que não
ofenda a justiça. Não uma misericórdia
que finge que o pecado não importa ou
que não é tão sério, mas uma
misericórdia que julga o pecado em
Cristo para salvar aqueles que pertencem
a Cristo.
O cadáver diante da mesa mostra o que o
pecado faz. A cruz mostra o que Deus fez
para salvar pecadores do pecado. E essa
diferença muda tudo. Porque sem
evangelho, a percepção do pecado só
produz duas coisas: desespero ou
crueldade.
Alguns veem o pecado e desistem do
mundo. Outros vem o pecado e querem
punir o mundo.
Nesse caso, John, que é o seral Kir,
escolhe a segunda opção. Ele não é um
profeta, ele é um assassino com
linguagem religiosa. Ele não chama
pecadores ao arrependimento. Ele os
transforma em monumentos de condenação.
Ele não oferece verdade com lágrimas,
oferece morte com método. Paulo em
Filipenses fala dos inimigos da cruz com
lágrimas.
John Du fala dos pecadores com desprezo.
Essa diferença importa porque a teologia
bíblica, quando é realmente bíblica,
nunca nos ensina a olhar para o pecado
humano com inocência
ou com compreensão
ou chamá-lo por nomes humanistas
seculares, terapêuticos, mas também
nunca nos autoriza a olhar para
pecadores com prazer na destruição.
Ela nos ensina que o homem é mais
corrupto do que admite, mais escravizado
do que percebe, mais culpado do que
gostaria de admitir. E ainda assim a
graça de Deus é mais soberana, mais
profunda e mais poderosa do que o pecado
de seus eleitos.
A cena da Gul então nos coloca diante de
uma pergunta que vai além do filme. O
que governa o homem?
Não o que ele diz que governa, não o que
ele posta, não o que ele canta no
domingo, não o que ele afirma em uma
conversa religiosa, mas o que realmente
o conduz quando ninguém está olhando. O
que ele busca como consolo ou para
consolo, para onde corre quando está
vazio, o que ele sente que precisa para
se sentir melhor, o que precisa ter para
sentir que consegue continuar.
O que se Deus tirar, fará seu coração
acusar Deus de falta de bondade,
injustiça. Ou se não tiver coragem de
acusar, vai dizer: "Não estou
entendendo".
Essas perguntas revelam nossos altares.
Porque o Deus de alguém não é apenas
aquilo que ele confessa com a boca.
muitas vezes é aquilo que ele obedece
com o corpo, protege com a agenda,
justifica com a mente e busca com
desespero quando a alma está inquieta.
Por isso, a gula é um começo perfeito
para Seven. Ela é primitiva, corporal,
imediata, quase animalesca, mas ao mesmo
tempo profundamente espiritual. Ela
mostra que o pecado não vive apenas nas
ideias, vive nos apetites, não apenas em
grandes crimes. O pecado aparece na
forma como lidamos com as coisas
simples, a comida, o conforto, o prazer,
o excesso, o só mais um pouco, o eu
mereço, o não consigo ficar sem isso. E
quando o coração se acostuma a obedecer
ao apetite, ele começa a chamar
escravidão de necessidade.
Esse é o horror da gula. Não é apenas
comer, é ser comido pelo próprio desejo.
Ser devorado pelo desejo. Não é apenas
consumir, é ser consumido. Não é apenas
sentar-se à mesa. É transformar a mesa
em altar e depois descobrir que o Deus
servido ali não dá vida. Ele cobra. Ele
exige, ele devora.
E diante daquele primeiro cadáver, Sven
nos força a encarar uma verdade que a
escritura já havia revelado muito antes.
O homem longe de Deus não sabe usar
corretamente nem as dádivas mais simples
como a comida.
Ele pega o pão e tenta fazer dele um
salvador. Pega um prazer
e tenta fazer dele um refúgio. Pega o
corpo e tenta fazer dele um reino.
Mas tudo aquilo que é colocado no lugar
de Deus se volta contra o homem. A gula
é apenas a primeira porta.
Atrás dela está o coração humano. E esse
coração, se não for resgatado pela
graça, continuará fazendo a mesma coisa
até o fim, procurando vida onde só
encontrará morte.
E o horror da primeira morte em Seven
não está apenas no excesso, está na
inversão.
A comida que deveria sustentar a vida
foi transformada em instrumento de
morte. A mesa que poderia ser lugar de
comunhão, virou cenário de degradação. O
corpo que deveria ser cuidado como
criação de Deus foi usado como palco de
humilhação
a escravização do desejo. E isso é
importante porque quando olhamos para
aquela cena, podemos cair em um erro
antigo. imaginar que o problema está na
matéria, no corpo, no alimento, no
prazer, na fome.
Mas esse não é o diagnóstico bíblico. A
Bíblia não trata o corpo como inimigo da
alma, não ensina que a comida é impura
em si mesma, não apresenta o prazer
legítimo, seja ele qual for, não é?
Comer, beber, sexo não apresenta o
prazer legítimo como algo
necessariamente suspeito. A fé cristã
não é uma espiritualidade de desprezo
pela criação. O Deus da Bíblia não é um
Deus frio, distante, incapaz de se
agradar da beleza, do sabor, da textura,
do descanso, da celebração, da mesa
cheia, do pão partido, do vinho servido,
da comunhão ao redor de uma refeição.
Foi ele que criou todas essas coisas. O
problema não é que o homem tem corpo. O
problema é que o homem caído quer fazer
do corpo seu senhor. O problema não é
que o homem sente fome. O problema é que
o a fome depois da queda pode deixar de
serva e começar a governar.
O problema não é a dádiva, não são os
prazeres que Deus concedeu. O problema é
quando a dádiva ocupa o lugar do doador.
Essa distinção é essencial, porque sem
ela podemos interpretar a gula de
maneira superficial. Podemos imaginar
que o caminho da santidade é
simplesmente negar tudo que dá prazer,
como se o pecado estivesse nas coisas
criadas e não no coração que as
distorce.
Mas a verdade de Deus sempre preservou
isso claramente. Deus criou um mundo
bom. A queda nos transformou eh eh não
transformou a criação em algo
essencialmente mau. Ela corrompeu o modo
como o homem se relaciona com a criação.
Em Gênesis
1:31 a gente lê: "E Deus viu tudo que
havia feito e tudo havia ficado muito
bom. Tudo era muito bom". Essa frase vem
antes da queda, antes da culpa, antes da
morte, antes da vergonha, antes do
pecado, entrar na experiência humana.
Deus olha para o mundo que fez e declara
que tudo era muito bom. Não apenas a
alma, não apenas o invisível, não apenas
aquilo que chamamos de espiritual, tudo.
A terra, o céu, os animais, as árvores,
os rios, os frutos, o corpo humano, os
sentidos, a capacidade de provar, tocar,
ver, ouvir, trabalhar, descansar, comer
e desfrutar.
Isso significa que a comida em sua
origem não é uma armadilha, é uma
dádiva. O corpo não é um acidente, é
criação. O prazer legítimo não é uma
sujeira, é parte de um mundo que saiu
das mãos do Deus como algo muito bom.
E é justamente por isso que o pecado é
tão grave, que o pecado não cria um
mundo próprio nada. Ele pega o que Deus
fez e distorce. Pega uma coisa boa e
desorganiza. Pega uma dádiva e a
transforma em ídolo. Pega um apetite
legítimo e o transforma em tirano. Pega
o pão que deveria nos lembrar da bondade
de Deus
e comermos e bebermos para sua glória e
o transforma em um falso salvador.
Essa é a tragédia da gula.
Ela não é apenas uma fraqueza de
disciplina, não é só sobre comida. Ela é
uma mentira sobre a criação. Ela diz ao
coração humano: "Esta comida pode
consolar você como Deus não consola".
esse relacionamento, essa conquista,
esse prazer, este prazer pode preencher
você como Deus não preenche.
Essa sensação pode proteger você do
vazio. Esse relacionamento pode proteger
sua alma do vazio. Esse excesso pode
silenciar sua alma angustiada.
esta próxima mordida, este próximo gole,
este próximo prazer, este próximo
relacionamento, este próximo alívio,
talvez finalmente entregue aquilo que
você está buscando, procurando, mas
nunca entrega. Porque a criação não foi
feita para ser Deus, ela foi feita para
apontar para Deus. Quando o homem recebe
a criação com gratidão, ela se torna
ocasião de adoração. Mas quando o homem
exige da criação aquilo que só o criador
pode dar, ela se torna ocasião de
escravidão. Por isso,
a mesa em Seven é tão perturbadora,
ela mostra uma criação arrancada do seu
propósito.
O alimento está ali, mas não há
gratidão. Há abundância, mas não há
alegria. Há consumo, mas não há
comunhão. Há corpo, mas não há
dignidade.
Tudo que poderia apontar para a bondade
de Deus foi reorganizado em torno da
morte. E é isso que o pecado faz. O
pecado não precisa destruir
imediatamente uma coisa boa para
torná-la perigosa. Às vezes
ele apenas muda seu lugar. Ele não
precisa remover a comida, basta fazer
dela um Deus. Não precisa remover o
prazer, basta fazer dele uma identidade.
Não precisa remover o descanso, basta
fazer dele uma fuga. Não precisa remover
o corpo, basta fazer dele o centro da
existência.
O pecado é muitas vezes uma questão de
senhorio. Quem governa? Quem manda? Quem
define o limite? Quem recebe a glória?
Quem diz sim? Quem diz basta?
Quem está no trono?
Essa é a pergunta que a gula nos obriga
a fazer. Porque um apetite não é mal
simplesmente por existir. Fome é parte
da nossa humanidade. Deus fez o homem
como criatura dependente. O ser humano
precisa comer, precisa dormir, precisa
respirar, precisa de descanso, precisa
de água. Essa dependência
precisa do outro, né? Essa dependência
não é consequência do pecado, ela faz
parte da condição de criatura.
Adão, antes de pecar não era
autossuficiente. Ele precisava do mundo
que Deus havia feito. Precisava do
jardim, precisava do fruto, precisava da
presença de Deus. A diferença é que
antes da queda a dependência era vivida
como adoração.
Depois da queda a dependência é
frequentemente vivida como idolatria.
O homem continua precisando das dádivas,
mas agora tenta usá-las sem submissão ao
doador.
Continua recebendo o mundo de Deus, mas
quer interpretá-lo sem Deus
ou substituindo Deus
ou somando a Deus. continua comendo o
pão que Deus permite, mas quer comer
como se fosse dono absoluto da mesa.
Essa é uma das marcas mais profundas do
pecado. Receber tudo de Deus e agir como
se nada viesse dele e como se tudo fosse
a respeito de nós. O pecador respira ar
emprestado e usa esse fôlego para se
exaltar.
Come alimento sustentado pela
providência e usa essa força para fugir
de Deus.
Vive em um corpo tecido pelo Criador e
usa esse corpo como instrumento de
rebelião.
Desfruta de prazeres que só existem
porque Deus é generoso e depois
transforma esses prazeres em desculpas
para esquecer o próprio Deus.
É por isso que a ingratidão está no
centro de tantos pecados.
A gula raramente começa com ódio
declarado contra Deus. Muitas vezes
começa com gratidão, começa quando o
coração deixa de receber e começa a
exigir. Deixa de agradecer e começa a
consumir. Deixa de reconhecer o doador e
passa a olhar para a dádiva como se ela
existisse apenas para servir aos seus
impulsos.
Paulo
corrige isso em primeira Timóteo 4 4 e
5. Pois tudo que Deus criou é bom e nada
deve ser rejeitado se for recebido com
ação de graças, pois é santificado pela
palavra de Deus e pela oração. Essa
passagem é importante porque impede
dois erros. O primeiro erro é tratar a
criação como má.
O segundo erro é tratar a criação como
absoluta.
Paulo não diz que a comida deve ser
rejeitada para que sejamos espirituais.
Ele diz que aquilo que Deus criou é bom
e deve ser recebido com ação de graças.
Mas também não diz que devemos receber
as coisas como animais governados por
instinto, desejos, hormônios.
A dádiva deve ser recebida diante de
Deus pela palavra, com oração, com
gratidão, com consciência de que nada
pertence a nós de forma independente.
Ação de graças é mais do que uma
formalidade antes, por exemplo, de uma
refeição. É uma postura diante da
realidade. É o coração dizendo: "Isto
não é meu por direito absoluto. Isso
veio de Deus. Isto deve ser usado diante
de Deus. Isto não pode tomar o lugar de
Deus. Isto deve me levar a Deus. A
gratidão protege a criação da idolatria.
Quando agradecemos de verdade, a dádiva
volta para o seu lugar. Ela deixa de ser
um Deus e volta a ser presente. Deixa de
ser senhor e volta a ser serva. Deixa de
ser fim último e volta a ser sinal da
bondade divina.
Mas o homem caído não quer apenas
receber, ele quer possuir, ele quer
dominar, ele quer consumir sem prestar
contas. Por isso, a gula tem uma relação
tão íntima com a ausência de gratidão.
O guloso não é simplesmente alguém que
aprecia comida. Apreciar comida pode ser
santo. Comer com alegria diante de Deus
pode ser expressão legítima de gratidão.
Uma mesa pode ser lugar de comunhão,
hospitalidade,
celebração e amor. O problema surge
quando a comida deixa de ser recebida e
começa a ser usada como substituto de
Deus. Qualquer desejo que substitua
Deus,
não é? É um desejo guloso, não importa
sobre o quê. A gula é o apetite sem
duxologia, o apetite sem adoração.
Eh,
fome sem adoração, sede sem adoração, eh
desejo de romance sem adoração, sexo,
né? É o prazer sem gratidão,
é o corpo sem submissão, é a mesa sem
Deus. A gula é a mesa sem Deus. É uma
mesa sem Deus cedo ou tarde. Qualquer
mesa sem Deus, cedo ou tarde deixa de
ser comunhão e se torna um cativeiro da
prisão.
Isso não
aparece apenas no excesso visível.
Às vezes a gula se manifesta de formas
eh socialmente aceitáveis. Pode aparecer
no refinamento do paladar como
identidade. Pode aparecer na necessidade
de conforto constante, pode aparecer na
incapacidade de dizer não a si mesmo em
qualquer prazer. Pode aparecer na
irritação quando a vontade é contrariada
em qualquer situação.
Pode aparecer na ansiedade de sempre
precisar de alguma sensação para
suportar a vida.
pode aparecer na relação secreta com
comida, bebida, compras, séries, telas,
prazeres, sex ou qualquer coisa que
prometa alívio imediato.
O coração humano é muito habilidoso em
disfarçar seus altares. Ele pode
transformar até autocuidado em
idolatria. Pode transformar descanso em
fuga. Pode transformar prazer legítimo
em escravidão secreta.
Pode transformar uma refeição em consolo
supremo. Pode transformar disciplina
alimentar em orgulho espiritual.
Porque o pecado é mais profundo do que o
objeto.
Duas pessoas podem estar diante da mesma
mesa, comendo o mesmo alimento e
espiritualmente fazendo coisas
completamente diferentes.
Uma come gratidão, reconhecendo a
bondade de Deus. A outra come alguém
tentando medicar a alma.
Uma recebe, a outra se curva e adora.
Uma desfruta, a outra obedece como a um
senhor ao apetite. Uma vê o alimento
como dádiva, a outra exige que o
alimento seja salvador. Por isso, não
basta perguntar o que o homem consome.
Eu preciso perguntar o que o consome, o
que domina seus pensamentos, o que
governa as suas escolhas.
desejo extinto,
o que ele protege com suas desculpas e
racionalizações
com o humanismo secular, o que ele não
suporta perder, o que ele chama de
necessidade, mas talvez seja senhorio,
de algo sobre ele, o que ele usa para
não encarar Deus.
Essa é uma das grandes contribuições,
né? Eh, por exemplo, da teologia
reformada paraa leitura do pecado. Ela
não nos deixa parar na superfície.
Ela não trata o homem como uma máquina
de comportamentos isolados. Ela ela olha
para o coração como centro de adoração.
O coração é um centro de adoração. O ser
humano não é apenas um agente moral que
toma decisões. Ele é um adorador. Seus
desejos têm
direção. Seus hábitos revelam devoções.
Seus excessos denunciam esperanças.
Seus vícios mostra onde ele tentou
encontrar vida.
O problema da gula, então não é que
alguém amou comida, é que amou comida de
modo errado.
Amou como refúgio, amou como senhor,
amou como consolo final, amou como fuga
da dor, amou como substituto da presença
de Deus.
E sempre que um amor criado assume
proporções divinas, não importa o quê,
ele começa a destruir. Isso vale para
comida, mas é óbvio, não termina nela,
porque a gula é apenas uma porta
para todos os apetites. Tá falando como
nós lidamos com todos os apetites. O
pecado da gula nos ensina como o coração
funciona diante de qualquer prazer.
Primeiro ele recebe algo bom, depois
deseja aquilo com uma força crescente,
cada vez mais crescente. Depois começa a
justificar, depois negocia limites,
depois se irrita quando é impedido de
ter. Depois se acostuma à escravidão,
depois chama a escravidão de
personalidade, necessidade ou direito.
E quando alguém tenta confrontar, o
coração responde: "Mas eu preciso disso.
Mas isso me ajuda, mas isso é a única
coisa que me acalma.
Mas Deus entende, mas não é tão grave.
Mas todo mundo tem alguma coisa.
Essas frases parecem pequenas, mas
revelam uma guerra de senhoria,
de governo. Porque tudo aquilo que eu
preciso de maneira absoluta começou a
disputar o lugar de Deus. Tudo aquilo
que eu não consigo entregar nas mãos do
Senhor, sem acusá-lo de crueldade ou me
desesperar em ansiedade,
talvez já tenha se tornado mais do que
uma dádiva,
um presente.
Tudo aquilo que eu uso para sobreviver
espiritualmente no lugar de Cristo se
tornou um falso pão. Só que só ele é o
pão da vida.
É por isso que Paulo diz em Primeira
Coríntios 10:31:
"Assim quer vocês comam, bebam ou façam
qualquer outra coisa, façam tudo para
glória de Deus".
Todas as coisas que Deus criou, eh, não
podem governar vocês por, eh, apetites
extintos.
Esse versículo é imenso porque pega uma
das coisas mais comuns da vida, comer e
beber, e coloca diante da glória de
Deus. Paulo não disse: "Quando vocês
pregarem, façam para a glória de Deus".
Embora isso seja verdade. Ele não diz
apenas: "Quando vocês orarem, façam para
a glória de Deus". Embora isso também
seja verdade. Ele diz: "Quando comerem,
quando beberem, quando fizerem qualquer
outra coisa". Ou seja, não existe uma
parte neutra da vida humana. Não existe
uma área onde o homem pode dizer: "Aqui
Deus não entra. Aqui isso é mais
importante do que Deus". A glória de
Deus alcança a mesa, o prato, o corpo,
o copo, a cama, o descanso, o prazer, o
romance, o trabalho, a rotina, o uso do
tempo, a forma como gastamos dinheiro, a
forma como buscamos alívio, a forma como
lidamos com desejos, apetites. Isso
desmonta a falsa separação entre vida
espiritual e vida comum.
Para a Bíblia, até comer é teológico,
até beber é espiritual, até o modo como
lidamos com o corpo revela quem é nosso
Senhor. Isso é profundamente
eh
eh sondador dos nossos corações, porque
se Deus é soberano sobre todas as
coisas, então nada pertence a uma zona
independente.
Se Cristo é Senhor, ele não reina apenas
sobre o culto de domingo, mas sobre a
mesa de segunda-feira.
Ele não governa apenas nossas doutrinas,
mas nossos apetites,
nossos desejos. Ele não governa apenas
nossas palavras públicas, mas nossos
desejos secretos. Não apenas nossa
confissão de fé, mas aquilo que buscamos
quando estamos cansados, ansiosos,
sozinhos ou frustrados.
A pergunta não é se vamos comer, vamos
comer.
A pergunta é se comeremos como criaturas
agradecidas ou como adoradores
desordenados?
A pergunta não é se teremos corpo. Temos
corpo. A pergunta é se o corpo será
apresentado a Deus como um sacrifício
vivo ou entregue ao governo dos desejos,
prazeres e apetites.
A pergunta não é se sentiremos prazer.
Sentiremos. A pergunta é se o prazer
será recebido dentro da ordem de Deus ou
usado como uma tentativa de escapar dele
e nos dar o que só ele pode dar. É nesse
ponto que John Doom erra de maneira
profunda. Ele olha para o pecado da gula
e transforma o corpo em inimigo. Ele não
vê uma criação boa distorcida pelo
pecado. Ele vê uma carne que precisa ser
castigada.
Sua resposta ao pecado não é redenção,
mas espetáculo.
Ele não procura restaurar a ordem, ele
encena a condenação. Ele não chama o
pecador a voltar ao criador. Ele esmaga
o pecador debaixo da própria
deformidade.
Mas Deus não trata as suas dádivas
assim.
Deus não odeia o corpo. Foi ele quem
criou o corpo. Deus não odeia a mesa.
Ele mesmo usou mesas como lugares de
comunhão, aliança, provisão e promessa.
Deus não odeia o pão. Cristo multiplicou
o pão, partiu o pão, ensinou seus
discípulos a pedir o pão diário e se
apresentou como o pão da vida. O
problema não é o pão. O problema é
quando o homem quer pão sem Deus.
O problema não é o prazer. O problema é
quando o prazer exige autonomia.
O problema não é o corpo. O problema é
quando o corpo deixa de ser instrumento
de adoração e se torna trono de desejos
caídos.
Essa visão nos livra tanto do aceticismo
orgulhoso e
legalista, quanto do hedonismo
escravizador.
Um aceto orgulhoso olha para as dádivas
de Deus e diz: "Sou mais santo porque
rejeito".
O hedonista olha para as dádivas e diz:
"Sou mais livre porque consumo,
satisfazço meu apetite". O evangelho
olha para as dádivas e diz: "Receba com
gratidão, use com santidade, submita
tudo à glória de Deus". Essa é a
liberdade cristã. Não a liberdade para
ser dominado. É liberdade para receber
sem adorar. Liberdade para desfrutar sem
se curvar. Liberdade para agradecer sem
absolutizar
aquilo na sua vida. Liberdade para dizer
sim quando Deus permite e dizer não
quando o desejo quer governar.
O cristão não precisa ter medo da
criação, mas precisa desconfiar do
próprio coração. Porque a criação é boa,
mas o coração caído é enganoso. A comida
é boa, mas pode ser idolatrada. O prazer
é dádiva, mas pode se tornar senhor. O
descanso é necessário, mas pode virar
fuga.
A beleza é dom, mas pode virar obsessão.
O corpo é criação, mas pode virar altar
do ego.
Por isso, a vida cristã exige
vigilância.
Não uma vigilância neurótica, como se
cada prazer fosse necessariamente
suspeito.
A suspeita está sobre o nosso coração,
não é? Então, não como se cada prazer
fosse necessariamente suspeito, mas uma
vigilância humilde, consciente de que
ainda carregamos desejos que precisam
ser disciplinados pela graça. O crente
não é salvo por dominar seus apetites,
mas o Deus que salva também começa a
santificar. seus apetites.
A graça que perdoa é a mesma graça que
reordena o coração, os desejos, os
afetos,
cria novas afeições.
E essa reordenação não acontece apenas
por proibição, acontece por adoração. O
coração não abandona ídolos simplesmente
porque alguém disse que eles são ruins.
O coração abandona ídolos quando começa
a enxergar a glória superior de Deus. Um
prazer menor só perde o domínio quando
um prazer maior, mais santo e mais
profundo toma seu lugar. A alma não é
curada apenas ficando vazia. Ela precisa
ser preenchida por aquilo para o qual
ela foi criada.
E por isso que a resposta gula não é
apenas comer menos. Alguém pode comer
menos e continuar idólatra, ou seja,
continuar no pecado da gula. Pode
controlar a dieta e adorar o controle.
Pode vencer o excesso de comida e se
tornar escravo da aparência.
Gula pode abandonar um prazer grosseiro
e substituí-lo por um prazer socialmente
respeitável
e ficar dependente. Gula. Pode trocar
gula por eh vaidade,
indisciplina, por orgulho, compulsão,
por superioridade moral. O coração é
capaz de transformar até vitórias
externas em ídolos internos. Por isso o
evangelho vai mais fundo.
Ele não pergunta apenas quanto você
come, ele pergunta: "Quem você adora?
O que
seus apetites contam sobre você?" Não
pergunta apenas: "Você tem controle?"
pergunta a quem pertence o seu corpo.
Não pergunta apenas você consegue dizer
não? Pergunta qual sim governa a sua
vida? Porque a santidade bíblica não é
apenas ausência de excesso, é presença
de adoração verdadeira. Não é apenas
negar apetites desordenados, é entregar
o corpo, a mente, o desejo e a mesa ao
Senhor. Nesse sentido, a primeira cena
de Seven continua nos confrontando.
Aquele homem morreu diante de uma mesa,
mas sua morte aponta para uma realidade
maior. O homem pode se perder não apenas
em coisas claramente mais, mas também em
coisas boas usadas de forma errada.
Ele pode se destruir com dádivas quando
tenta transformá-las em deuses.
Pode afundar não apenas no que Deus
proibiu, mas no que Deus permitiu, criou
e deu quando recebe sem gratidão e
consome sem submissão.
Essa é uma das sutilezas do pecado. Ele
nem sempre começa nos convidando a odiar
Deus. às vezes começa nos convidando a
desfrutar as coisas de Deus sem Deus.
Comer sem gratidão, beber sem
reverência, descansar sem confiança,
comprar sem contentamento,
desejar sem limites,
viver sem referência à glória divina, se
relacionar com alguém sem referência à
glória divina.
Então, os próprios desejos estão
controlando
os próprios apetites
e estão prometendo, óbvio, algo maior do
que Deus. Por isso a pessoa está
disposta a seguir os apetites.
Então, pouco a pouco a alma vai sendo
treinada a buscar no mundo, nas coisas,
aquilo que deveria buscar no Senhor. O
apetite fica mais forte, a consciência
mais fraca, a gratidão desaparece, o
limite parece opressão.
O limite que Deus estabelece parece
opressão. O desejo começa a suar como
voz de autoridade.
É o que eu sou, é o meu temperamento. E
quando percebemos, já não estamos apenas
usando uma dádiva, estamos servindo a um
Senhor. Ah, isso é são os processos do
meu corpo.
Essa é a grande questão.
O apetite não é o problema final. O
senhorio é quem manda na mesa, quem
manda no corpo,
quem manda no prazer, quem manda na
fome, quem manda quando o desejo grita?
Quem manda quando a alma está vazia?
Quem manda quando o coração quer
compensar dor com excesso
ou com um prazer? Quem encontrar um
descanso em algum prazer desses?
Quem manda quando Deus diz basta, mas o
apetite diz mais? A resposta a essas
perguntas revela se a dádiva continua
sendo dádiva ou se já se tornou ídolo. E
o evangelho nos chama de volta à ordem
correta. Deus, acima de tudo,
deleite nele. A criação recebida com
gratidão, o corpo entregue em santidade,
o prazer submetido à glória divina. A
mesa transformada novamente em lugar de
reconhecimento, não de escravidão.
Porque em Cristo o homem não é salvo
para desprezar a criação, mas para
finalmente recebê-la de modo certo. O
pecado nos faz consumir como órfã
desesperados, como se não houvesse pai,
como se a última migalha fosse nossa
única esperança. como se cada prazer
precisasse carregar o peso da salvação.
Mas a graça nos ensina a receber tudo
como filhos.
Filhos não precisam transformar pão em
Deus. Filhos recebem o pão das mãos do
Pai. Filhos agradecem, filhos confiam.
Filhos aprendem a dizer não porque sabem
que o Pai é melhor do que o apetite.
Filhos aprendem a dizer sim, sem culpa,
quando a dádiva é recebida. em
santidade. Filhos aprendem que a criação
é boa, mas não é suprema. E talvez
seja exatamente isso que torna a gula
tão reveladora. Ela mostra o que
acontece quando o homem esquece que é
filho ou se recusa a ser criatura
dependente e tenta fazer do mundo criado
sua fonte final de vida.
A mesa de Sevem é uma mesa sem pai, uma
mesa sem gratidão,
uma mesa sem glória, uma mesa onde o
alimento deixou de ser sinal da bondade
divina e se tornou instrumento de
condenação.
Mas a mesa cristã aponta para outra
realidade. Ela nos lembra que o pão vem
de Deus, que o corpo pertence a Deus,
que o prazer deve voltar para Deus, que
tudo até comer e o beber deve ser feito
para a glória de Deus. E quando essa
ordem é restaurada, a comida volta a ser
comida apenas. O corpo volta a ser
corpo, o prazer volta a ser prazer, a
dádiva volta a ser dádiva.
E Deus volta a ocupar o lugar que jamais
deveria ter sido entregue a qualquer
apetite. O Salvador, o que dá paz, o que
satisfaz.
Essa é a liberdade que a gula destrói. E
essa é a liberdade que a graça começa a
restaurar.
Como eu disse, a gente vai precisar
continuar falando ainda sobre gula um
dois ou três vídeos, não é? E vamos
fazer assim com cada um desses pecados.
Nós vamos ver como eles estão
amaranhados em toda a nossa vida e como
eles mostram
o que o evangelho tem feito ou o que nós
não temos experimentado da verdade de
Deus em nossos corações.
Então nós ainda vamos olhar para a gula.
Amém. Queridos. Santo Deus, eu [canto]
me aproximo sem defesa, sem razão.
Tu me vês nos detalhes, [canto]
no segredo do coração,
nos pequenos [música] pensamentos,
nas palavras que eu soltei. [canto]
Teu espírito [música]
me chama,
confessa.
E eu confessei,
não escondo [canto] minha culpa,
não [música] maquio minha dor.
Contra ti eu pequei [canto]
contra [música] o teu santo amor.
Mas que atos [canto] minha raiz,
um querer desalinhado.
[música] Eu preciso de limpeza. Eu
preciso [canto]
ser
lavado.
[música]
Cordeiro, minha justiça,
fim do meu tribunal.
Eu largo a autojustiça, [canto]
me rendo ao teu final.
Jesus,
tem [canto] misericórdia. [música]
Jesus,
vem me [música][canto] purificar.
Teu sangue fala mais alto [canto] que o
meu pecado a gritar. [grito]
Minha [música] única defesa [canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça.
[canto]
Eu descanso no teu amor. [música]
>> Tua misericórdia é [canto]
melhor.
[música]
Tua misericórdia [canto]
é meu lar.
>> Rei dos reis, eu me [música] prostro.
Tu [canto] és luz e eu sou pó.
Quando [música] eu tento ser meu dono,
eu não terco em mim só.
Autonomia é mentira, [canto]
autossuficiência [música]
também.
Tu és [música] fonte, tu és vida.
[canto]
Sem ti nada me sustém.
Eu
não [música][canto] venho com rico,
venho com mãos sem ter. Não confio no
meu choro, [canto]
nem o meu vou vencer. [música]
Eu confio na firmeza [canto] do teu
pacto, ó [música] Senhor.
Tua aliança é selada no cordeiro [canto]
redentor.
[música]
Restaura [canto] minha alegria,
[música] tua salvação em mim.
Sustenta-me [música] com espírito
[canto]
pronto até o fim.
[música] Jesus
tem misericórdia. [canto]
Jesus
vem me purificar.
Teu sangue fula mais alto que [música] o
meu pecado a gritar.
A minha única [música]
defesa [canto]
é a cruz, é o teu favor. Eu adoro a tua
graça. [canto]
Eu descanso no teu [canto]
amor. [música]
Inclina o [canto] meu coração. [música]
Ensina-me a obedecer.
D um espírito.

Tags: