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A fé vem pelo ouvir

Quando Deus Tira Tudo e Deixa Cristo | Josemar Bessa

Quando Deus Tira Tudo e Deixa Cristo  | Josemar Bessa

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Legendas automáticas:

Mateus 17 verso 8 diz: "E erguendo eles
os olhos, ninguém viram senão a Jesus
somente
nem todo brilho que nos eleva é o pão
que nos sustenta." Pedro viu Cristo
transfigurado, viu Moisés, viu Elias,
viu o Senhor? o rosto do Senhor
resplandecer como sol, viu as vestes
brilharem como a luz e disse: "Senhor, é
bom estarmos aqui." E era bom, era bom
estar eh no monte, era bom ver a glória,
era bom contemplar o Cristo que por um
instante deixou transparecer a majestade
que sempre habitou nele e eles nunca
tinham visto. Era bom ver Moisés, o
representante da lei, e o representante
dos profetas, aparecendo ao lado daquele
para quem toda a lei e todos os profetas
apontavam. Era bom, mas não era para
sempre. A glória do monte foi real, mas
intensa demais para ser morada
permanente. Aquele esplendor não era
mentira, não era ilusão, não era emoção
fabricada, era revelação, era céu
tocando a terra, era a majestade do
filho amado brilhando diante de olhos
humanos, mas também era
[limpando a garganta] esmagador.
A nuvem luminosa trouxe temor. A voz do
Pai fez os discípulos caírem com o rospo
em terra. O brilho que encantava também
prostrava. A visão que levava também
fazia tremer. Pedro queria permanecer
ali, mas ainda não compreendia
que a vida cristã não é vivida apenas no
cume. O monte existe, mas também existe
a descida, existe a multidão, existe o
menino aflito, existe o demônio que
precisa ser enfrentado. Existem os
escribas discutindo, provocando. Existe
o caminho para Jerusalém.
Existe o Getsêmane,
existe a cruz. E Jesus não chama os seus
apenas para contemplarem sua glória em
momentos raros.
Ele os chama para caminharem com ele
todos os dias.
Deus, em sua bondade, às vezes concede
momentos de altura espiritual.
Há cultos marcantes em que a palavra
parece abrir a alma ao meio. Há
consolações profundas em que o coração
cansado respira como se tivesse eh saído
de um quarto escuro para um campo
aberto. Há leituras bíblicas cheias de
luz quando um texto conhecido se torna
vivo, cortante, doce e necessário para a
alma. Há orações em que a alma parece
tocar as bordas do céu. Há instantes em
que Cristo se torna tão precioso, tão
belo, tão suficiente, que tudo mais
parece pequeno. Esses momentos são dons,
não devem ser desprezados. Não é
espiritualidade fria desprezar o brilho
quando Deus o concede. Não é maturidade
tratar toda a emoção santa com perigo.
Não é sobriedade bíblica viver como se a
alma não pudesse ser profundamente
movida pela glória de Cristo. Há
lágrimas que são bênçãos, há tremores
que são santos. Há consolações que vêm
do espírito. Há horas em que Deus nos
leva ao monte para nos lembrar que o
Cristo que seguimos em fraqueza é o
Senhor da glória. Mas esses momentos são
refrescos, não o centro da vida cristã.
São como sombra no deserto, como água no
caminho, como antecipações da pátria,
como clarões da manhã eterna. mas não
são o alimento diário da fé. A fé não
pode depender de arrebatamentos
constantes.
Uma alma que só consegue crer quando
sente muito ainda precisa aprender a
confiar quando sente pouco. Uma alma que
só obedece quando está tomada por grande
emoção, ainda precisa aprender a
obedecer no dia comum. Uma alma que só
ora quando a oração parece céu, ainda
precisa aprender a dobrar os joelhos
quando tudo parece seco. Porque Cristo
no monte é glorioso, mas Cristo no
caminho também é glorioso. Cristo
resplandescente
é precioso, mas Cristo em vestes comuns
também é precioso. Cristo no êxtase
consola, mas Cristo na rotina sustenta.
E há uma glória profunda nessa
simplicidade. O mesmo Jesus que brilhou
como o sol, caminhou depois com os
discípulos pela estrada. O mesmo Jesus
diante de quem Moisés e Elias
apareceram, desceu para encontrar a
miséria humana. O mesmo Jesus eh
confirmado pela voz do Pai voltou ao
vale, a poeira, à necessidade, ao
conflito e a cruz.
Ele não era menos filho de Deus quando o
brilho visível cessou. Ele não era menos
salvador quando suas vestes voltaram a
aparecer roupas comuns de todos os
homens. Ele não era menos glorioso
quando os olhos humanos já não viam o
resplendor.
A glória essencial de Cristo não depende
da nossa percepção.
Ele não se torna maior quando sentimos
mais. Não se torna menor quando sentimos
menos.
Não está mais presente porque a alma
está arrebatada, nem ausente porque a
alma está cansada. Sua presença é mais
firme que nossos estados
interiores. Sua suficiência não oscila
com nossas sensações. Por isso, a
presença diária de Jesus é mais
necessária que a intensidade ocasional
de experiências extraordinárias.
Muitos querem viver apenas de sensações
espirituais altas.
querem sempre o monte, sempre a nuvem,
sempre a voz, sempre a luz, sempre a
alma em chamas,
sempre o coração elevado, sempre a
emoção rara. Mas Deus, em sua sabedoria
amadurece seus filhos no caminho comum,
subindo com Jesus, descendo com Jesus,
entrando na multidão com Jesus, entrando
em conflito, né, e em conflitos com
Jesus, servindo quando a glória visível
já passou. A santidade cresce quando
ninguém está vendo. Cresce na oração
simples, na palavra lida em dias comuns,
no arrependimento repetido, na
resistência contra tentações antigas, na
paciência dentro de casa, na fidelidade
sem aplauso, na obediência quando não há
vento emocional empurrando a alma. Na
confiança quando o coração não canta com
facilidade, mas canta. É ali que se
descobre se amamos Cristo ou apenas as
sensações que às vezes acompanham
Cristo. Porque há uma diferença entre
desejar o consolo do Senhor e desejar o
Senhor do consolo.
Há uma diferença entre amar os momentos
em que Cristo nos alegra e amar Cristo
quando ele nos conduz por caminhos
comuns ou pelo vale da sombra da morte.
Há uma diferença entre seguir a luz do
monte e seguir Jesus quando ele desce
para o vale. Pedro, ele disse: "Senhor,
é bom estarmos aqui." Mas Jesus não
deixou construir tendas para permanecer
ali. A glória recebida no monte deveria
fortalecê-lo para o caminho, não
substituí-lo. Não substituir o caminho.
A visão deveria fazê-lo ouvir melhor o
filho amado, não fugir da missão. O
esplendor deveria gravar em sua alma
quem Jesus era para que quando viessem a
vergonha, a prisão, a cruz e o aparente
fracasso, ele se lembrasse.
Aquele que sofre é o Senhor da glória.
Desculpa.
Assim também é conosco. Deus nos dá
momento de luz para que caminhemos
melhor quando a luz parecer menor. Dá
consolo para que confiemos quando o
consolo sensível se recolher. Dá doçura
para que saibamos que ele é bom, mesmo
quando o paladar espiritual estiver
fraco.
Da monte para nos preparar para o vale.
Mas o centro não é o monte. O centro é
Jesus.
A pergunta não é apenas: "Tive uma
experiência intensa, mas Jesus permanece
comigo quando a experiência passa?" Essa
pergunta é decisiva, porque experiências
passam, emoções variam, cultos terminam,
lágrimas secam, impressões fortes
enfraquecem. A memória de momentos
santos pode ficar distante, mas Cristo
permanece. Quando a alma desce do monte,
Jesus permanece. Quando a voz já não
troveja de modo audível, Jesus
permanece. Quando Moisés e Elias
desaparecem, Jesus permanece. Quando a
rotina volta, Jesus permanece. Quando o
vale chama, Jesus permanece. Quando a
multidão espera, Jesus permanece.
E a vida cristã madura aprende a dizer:
"Se tenho Jesus, tenho o necessário. Não
preciso viver de nostalgia espiritual.
Não preciso reconstruir artificialmente
os sentimentos de ontem.
Não preciso medir a presença de Deus
pela intensidade
da minha emoção. Não preciso transformar
o extraordinário em vício religioso.
Posso caminhar hoje com Cristo no comum,
no simples, no escondido, no repetido,
no cansativo, no vale, na obediência de
cada dia. Porque Jesus somente não é
pouco. Jesus somente é plenitude.
A glória do monte passa, a presença de
Cristo permanece. Então é isso que
Mateus 17:8 diz. E erguendo ele os
olhos, ninguém viram senão a Jesus
somente. A pior tragédia depois de uma
visão espiritual é levantar os olhos e
não encontrar Cristo. Os discípulos
poderiam ter visto tudo desaparecer sem
Moisés, sem Elias, sem Jesus, sem
mestre, sem pastor, sem Salvador. A
nuvem poderia ter se dissipado, a voz
poderia ter cessado, a glória poderia
ter passado e eles poderiam ter se
encontrado sozinhos no monte, segurando
apenas a lembrança de algo sublime.
Teriam visto os céus se abrir por um
instante, mas desceriam para a terra sem
companhia. Teriam experimentado brilho,
mas não carregariam a presença.
Teriam sentido temor, admiração,
espanto, mas não teriam Cristo ao lado
quando a vida comum voltasse a
chamá-los. E que miséria seria essa?
desceriam do monte vazios, sem instrução
para o caminho, sem defesa contra o
demônio, sem sabedoria contra os
escribas, sem força para enfrentar a
multidão,
sem voz
que dissesse: "Não tenham medo", sem mão
que os tocasse, sem pastor que os
conduzissam
como ovelhas sem pastor, como órfã no
mundo, como homens que profaram por um
segundo o começo de um banquete. E
quando estenderam a mão para se
alimentar, viram a mesa
removida.
Como sedentos que sentiram uma gota fria
na língua e logo depois descobriram que
a fonte secou. Como viajantes que viram
uma luz no horizonte, caminharam em sua
direção e quando pensaram ter encontrado
abrigo, perceberam que era apenas
relâmpago.
Essa é a tragédia de muita religião,
muito cristianismo nominal.
Ela eleva por um momento, mas não deixa
a substância. Ela comoove, mas não
converte. Ela impressiona, mas não une a
Cristo. Ela produz lembranças intensas,
mas não produz comunhão viva.
Alguém pode ouvir um sermão e ser
tocado, pode sentir que a palavra
atravessou a alma. Pode chorar enquanto
ouve sobre o amor de Deus, sobre a cruz,
sobre o pecado, sobre o céu, sobre o
juízo. Pode cantar e se emocionar. pode
participar de uma reunião e sentir algo
profundo. Pode ser movido por uma
leitura bíblica. Pode ter a mente
elevada a pensamentos nobres.
Pode dizer: "Que momento santo, que
palavra forte, que sermão, que culto
marcante." E no entanto, depois tudo se
dissolve. A emoção passa, a lembrança
enfraquece. O coração volta ao mesmo
lugar, a vontade continua presa. A
obediência não nasce, a oração não
permanece. O pecado não é combatido.
Cristo não se torna precioso. A vida não
se curva diante do Senhor ou do
senhorioinho de Cristo. Foi uma visão
esplêndida, mas sem substância. Houve
brilho, mas não houve
um fogo permanente. Houve som, mas não
houve palavra recebida com fé. Houve
lágrimas, mas não houve reinjeção.
Houve temor, mas não houve refúgio.
Houve religião,
mas não houve Cristo. Isso é terrível,
porque a alma pode se acostumar a
confundir impressões espirituais com
vida espiritual.
Pode
colecionar momentos e permanecer morta.
pode admirar o evangelho sem recebê-lo.
Pode gostar de sermões que a sacodem e
continuar sem obedecer a voz de Cristo.
Pode amar o ambiente da fé, a beleza da
linguagem, a solenidade do culto, a
grandeza das doutrinas e ainda assim não
andar com o Salvador vivo. Há pessoas
que se alimentam da lembrança de terem
sido tocadas, mas não se alimentam de
Cristo.
Se lembram de dias em que choraram, se
lembram de noites em que tremeram, se
lembram de palavras que as tocaram, as
comoveram,
mas não tem comunhão presente, não tem
fé atual, não tem obediência viva, não
tem Cristo como amigo, mestre, refúgio e
senhor. E quando descem do monte para a
vida real, descobrem que a experiência
não basta. Porque há demônios no vale.
Há perguntas difíceis, há tentações
antigas, há dores comuns, a pecados
persistentes,
há multidões confusas, há dias secos, há
sofrimento, a morte.
E uma lembrança religiosa não expulsa
demônios. Uma emoção passada não vence o
pecado presente. Um arrepio não controla
a alma no dia da angústia. Uma reunião
marcante não substitui Cristo presente.
Um sermão que impressionou ontem não
sustentará hoje se Jesus não permanecer.
Por isso, a grande
a grande pergunta depois de toda a
experiência espiritual é: Cristo ficou.
Não apenas fui tocado, mas fui levado a
Cristo. Contemplei sua glória.
Não apenas
senti algo, mas creio nele
a todo instante. Não apenas fiquei
impressionado, mas estou andando com o
Salvador vivo. Não apenas a visão foi
bonita, mas Jesus permanece comigo
quando a visão passa.
Há ainda outro perigo, tratar o
evangelho como relíquia histórica.
Moisés como passado, Elias como passado,
Cristo como passado, a cruz como memória
respeitável, a ressurreição como ideia
antiga,
o cristianismo como herança moral.
Há quem fale de Jesus com admiração, mas
não com fé viva.
O respeita como personagem grandioso,
mas não se dobra diante dele como Senhor
vivo. vê o evangelho como uma bela
influência sobre a civilização, como um
momento espiritual, como consolo, como
uma tradição nobre, como um ajudador nas
crises, como uma história digna de
reverência, mas não conhece como o poder
de Deus para salvação, para
santificação. Para esses Cristo veio e
foi, falou e se calou, morreu e ficou no
passado. ressuscitou como doutrina,
mas não reina como realidade.
Está nas páginas, mas não no coração,
fazendo ele arder em afeições santas.
Está nas pinturas, nos cânticos, nos
templos, nos calendários, nas palavras
religiosas, mas não está governando a
vida.
Mas Cristo não é relíquia, não é mito
religioso, não é personagem heróico
distante, não é sombra de uma era
antiga,
não é lembrança piedosa para ser
guardada em museu moral. Ele vive,
reina, intercede, ensina, consola, dá
paz, dá alegria, sustenta, habita em sua
igreja pelo espírito. A igreja não está
sem cabeça. O povo de Deus não segue um
mestre morto. A fé cristã não é devoção
a uma ausência. A vida cristã não é
nostalgia de um Cristo que um dia
caminhou na terra, um dia fez coisas
grandiosas no tempo dos puritanos,
mas comunhão real com Cristo que morreu,
ressuscitou, subiu ao céu, governa todas
as coisas, nos fez nascer nessa época e
está conosco todos os dias até o fim dos
tempos.
Ele é vivo para ouvir, vivo para salvar,
vivo para perdoar, vivo para fortalecer,
vivo para repreender, vivo para guiar,
vivo para sustentar os fracos, vivo para
dar paz, vivo para lidar com ansiedade,
vivo para dar a sua alegria,
vivo para receber pecadores, vivo para
guardar os seus até o fim. Essa é a
diferença entre
evangelho morto e fé viva,
entre religião morta,
ah,
e verdadeiro evangelho.
Religião morta lembra, fé viva caminha.
Religião morta admira, fé viva se rende.
Religião morta fala de Cristo, fé viva
fala com Cristo. Religião morta conserva
memórias, fé viva vive da presença.
Então, a vida espiritual verdadeira não
é sentimentalidade espiritual, não é
apenas lembrar momentos bonitos, não é
preservar emoções passadas como
fotografias de uma viagem sagrada,
querendo de vez em quando repetir uma
experiência. Não é sentir saudade do
monte enquanto se vive sem Cristo no
vale.
A verdadeira vida espiritual é andar com
o Salvador vivo. É descer do monte com
Jesus e entrar no conflito com Jesus.
é enfrentar o cotidiano com Jesus. É
ouvir sua palavra hoje, é depender de
sua graça hoje para
alegria, paz, deleite. É confessar
pecado hoje. É receber perdão hoje, é
segui-lo hoje. Se a visão passa e Cristo
fica, a alma não perdeu nada essencial.
Mas se a visão passa e Cristo não fica,
tudo foi apenas brilho sem vida.
Experiência que não deixa Cristo no
centro.
é brilho que se apaga sem aquecer a
alma.
E
a gente fui chamado para não só eh
aquelas experiências
maravilhosas do monte, mas descer do
monte com Cristo quando tudo mais some
e ir com ele pelo caminho.
Quem vê apenas Moisés pode tremer muito
e ainda assim não encontrar descanso.
Moisés é grande. falou com Deus, recebeu
a lei, conduziu Israel, esteve no monte,
sua face brilhou, foi servo fiel em toda
a casa de Deus, mas Moisés não é Cristo.
A lua não substitui o Sol. O legislador
não substitui o Salvador. A sombra não
substitui a substância. O servo não
substitui o filho. A lei que revela a
culpa não substitui o sangue que remove
a culpa. Seria uma troca terrível se
depois da transfiguração os discípulos
levantassem os olhos e vissem, em vez de
apenas Jesus, vissem apenas Moisés.
Não seria pouca coisa caminhar com
Moisés? Não seria algo comum descer um
monte ao lado daquele que falou com Deus
face a face. A presença dele teria peso,
majestade,
solenidade.
Mas que perda seria não ver Jesus? Seria
a perda total. Porque Moisés pode
mostrar a santidade de Deus, mas não
pode ser nossa justiça.
Pode trazer mandamentos, mas não pode
dar novo coração.
Não pode ser o justificador.
Pode revelar o padrão, mas não pode
produzir vida em mortos. Pode fazer a
alma tremer, mas não pode dizer:
"Com sangue eficaz está consumado."
Há muitos que ainda vivem assim. Vem
Moisés somente. Não porque neguem Jesus
com os lábios. Muitas vezes falam de
Jesus, cantam sobre Jesus, dizem que crê
em Jesus, mas na prática sua religião
gira em torno de sombra, forma, medo,
condenação, lei, desempenho, dever sem
evangelho e culpa, sem descanso.
Há uma forma de ver Moisés somente que
se apega às sombras sem Cristo. Alma se
prende a ritos, rúbricas, vestes,
cerimônias, lugares tratados como mais
santos.
Quem já não ouviu chamar o púlpito da
igreja de altar,
posturas, dias, formalidades,
religião exterior, é a tentativa de
substituir comunhão viva por mecanismo
sagrado. É imaginar que a alma se
aproxima de Deus, principalmente por
meio de formas externas, objetos,
gestos.
roupas, ambientes, costumes antigos,
vozes humanas autorizadas e mediações
que Cristo não instituiu como fundamento
da paz.
Mas as sombras do Antigo Testamento
apontavam para Cristo.
O altar apontava paraa cruz, não pro
púlpito, não é?
O sangue apontava para Cristo, o
sacerdote apontava para Cristo, o templo
apontava para Cristo, o sábado apontava
para Cristo. Os sacrifícios apontavam
para Cristo, as purificações apontavam
para Cristo. E quando Cristo vem, a
sombra cede lugar a substância. Não
porque a sombra fosse má, ela era boa em
seu lugar. Era pedagógica, era
profética, era sinal. Mas sinal não é
destino. Mapa não é terra prometida.
Retrato não é pessoa viva. Sombra não é
corpo. Quando a realidade chega,
agarrar-se a sombra como centro
empobrecer a alma. É como alguém que
tendo o noivo diante de si, prefere
abraçar o convite de do casamento. Como
alguém que, tendo a fonte aberta,
prefere discutir o desenho do jarro.
Como alguém que tendo o pão vivo diante
de si, se satisfaz com o perfume que
vinha da cozinha, só o cheiro.
Voltar às sombras como centro é trocar
comunhão viva por mecanismo religioso
que nunca salvou e nunca salvará. é
falar de Jesus, mas viver como se Moisés
bastasse.
E essa tentação não existe apenas eh
em lugares carregados de de
eh legalismo, eh
como as pessoas veem, não é? Como coisas
inventadas pelos homens. Se você acha
que a lei pode te purificar em alguma
coisa, você é legalista. Ela
também pode aparecer em corações
simples, em igrejas simples, em pessoas
que não usam nada eh eh eh
que você ligasse a algum rito. sempre
que transformamos hábitos, métodos,
formas, tradições, usos, costumes,
preferências, estruturas ou sinais
externos,
em evangelho, começamos a ver Moisés
somente.
Quando pensamos que a lei foi dada para
nos salvar, estamos vendo Moisés
somente. A forma pode ser útil, mas não
salva. A ordem pode servir, mas não
redime. A tradição pode ensinar algo,
mas não substitui Cristo. O culto pode
ser belo, mas beleza sem Cristo é túulo,
pintado, ornamentado.
O segundo modo de ver Moisés somente é
viver de leis sem evangelho.
que a alma não está fascinada por
cerimônias,
eh, roupas, dias,
eh, está esmagada por condenação. Ela lê
a Bíblia e vê mandamentos,
vê dever, vê falhas, vê culpa, vê Sinai,
vê trovão, vê fogo, vê distância, vê
tábuas quebradas, vê um Deus santo, vê a
própria miséria, mas não vê o calvário,
não vê sangue, não vê propiciação, não
vê justiça recebida pela fé, não vê
Cristo cumprindo a lei em lugar dos que
não a cumpriram e jamais a cumpririam.
Essa alma vive fazendo contas com Deus e
sempre termina devedora. É óbvio.
Mede-se pelo padrão santo e descobre que
ficou a quem.
Examina pensamentos, desejos, palavras,
omissões, intenções, afetos e encontra
pecado em tudo. Então, escreve coisas
amargas contra si mesma, chama
condenação de humildade, chama desespero
de sinceridade, chama incredulidade de
reverência, lê promessas e extrai
ameaça, ouve graça e sente apenas juízo.
Transforma mel em absinto.
pega palavras doces e consegue torcê-las
até que goteja fel. Quando ouve vinde a
mim, pensa: "Mas não posso ir". Quando
ouve quem crê tem a vida eterna, pensa:
"Mas minha fé é pequena demais e eu
terei que mantê-la eu mesmo até o último
instantezinho." Quando ouve Cristo salva
pecadores, pensa: "Mas talvez meu pecado
seja diferente". Quando ouve o sangue
purifica de todo pecado, pensa: "Mas
minha mancha parece profunda demais".
Assim mesmo diante do evangelho,
continua vendo Moisés somente
e como sabe que não pode cumprir a lei,
começa a achar que por comparação com
outros, por estar melhor do que alguém
que ela acha para estar abaixo dela, ela
então está ganhando alguma coisa com
Deus. Quando ninguém é justificado pela
lei, a lei condena todo mundo.
A lei é o ai o que leva a Cristo. É bom
ver Moisés se Moisés nos leva a Cristo.
É bom que a lei cale a nossa boca, não
deixe nenhuma justificativa. Não deixe a
gente usar o humanismo secular dando
nomes terapêuticos para o pecado. É bom
que a santidade de Deus destrua a nossa
presunção de que podemos acrescentar
algo à obra perfeita de Cristo e que um
dia estaremos para sempre
com Deus porque nós somamos algo ao que
Cristo fez. É bom que o trovão do Sinai
acorde os mortos. É bom que o mandamento
exponha a corrupção escondida. Não há
quem faça o bem. É bom que a alma pare
de se declarar inocente ou que Deus de
alguma maneira seria injusto com ela se
a mandasse para o inferno ou que
mandasse todos os homens. Mas é terrível
permanecer no Sinai quando Deus nos
chama ao calvário. A lei é santa, mas
não salva. Ela mostra ferida, mas não
derrama o sangue que cura. A lei revela
a culpa, mas não justifica o culpado. A
lei cala a nossa boca, mas não dá vida.
Ela mostra que você deve amar a Deus de
todo coração, alma, força e
entendimento. Isso é a lei. É o resumo
da lei. É o que condena todos os homens,
mas não cria esse amor em você. Ela
ordena pureza, mas não leva não não lava
a impureza.
Ela só condena. Ela exige obediência,
mas não perdoa desobediência. Não existe
essa coisa de a lei perdoar. A lei não
perdoa, a lei condena.
Não há nada que você faça depois que
quebrou a lei que possa compensar o que
foi feito. Seria como você imaginar que
se você matar alguém, você depois
pudesse fazer algo bom para compensar
aquilo. Não é assim. Lei não é assim.
A lei não tem nenhum esquema
depois da desobediência. Ela só condena,
ela aponta o crime, mas não remove a
sentença. Ela diz: "Faça isto e viva.
Faça isto todo tempo, todo instante, na
mente, no coração, na vontade. Se você
não fizer isso assim, então ela condena
e
ela diz: "Faça isso e viva". mas
encontra o homem caído, incapaz de
fazê-lo. A mente natural é inimiga de
Deus, não pode eh agradar a Deus, nem
quer nunca. Cristo, porém, vem como o
cumpridor da lei. Ele obedece onde
falhamos, ama onde fomos frios. Honra o
Pai, onde fomos rebeldes. Cumpre toda
justiça, sofre a maldição, carrega a
condenação, derrama sangue, ressuscita
para nossa justificação. Por isso,
Cristo é o fim da lei para a justiça de
todo aquele que crê.
Não o fim como se a lei fosse
desprezada, mas o fim como alvo,
cumprimento, plenitude e satisfação.
A lei nos mostra a necessidade de
justiça. Cristo é nossa justiça. A lei
nos mostra a gravidade do pecado. Cristo
é nossa propiciação.
A lei nos mostra o padrão santo. Cristo
é nossa obediência perfeita. A lei nos
mostra que merecemos morrer. Cristo
morreu em lugar de pecadores que o Pai
deu a ele. Então, há uma abatida. Pare
de olhar para Moisés como se ele pudesse
terminar a obra que só Cristo começou e
termina. Deixa ali fazer sua obra,
revelar sua culpa,
revelar que não há nenhum bem em você e
que você não pode acrescentar nada a
obra de Cristo e que tudo que for
operado em você é o evangelho, é a graça
operando, não você.
Então, deixe ali fazer sua obra, revelar
sua culpa, destruir sua justiça própria,
calar sua boca e conduzir você ao
Salvador. Mas não faça da lei sua
morada. Não construa uma casa aos pés do
Sinai.
Não faça uma tenda para Moisés. Não viva
aquecendo as mãos no fogo que só pode
consumir você. Vá ao Calvário, olhe para
Jesus somente. Quando eles levantaram os
olhos, viram Jesus somente. Não como
alguém que ignora Moisés, mas como
alguém que vê Moisés cumprido em Cristo.
Não como alguém que despreza a lei, mas
como alguém que encontra em Cristo tudo
que a lei exigiu e tudo que sua alma
jamais poderia produzir.
A lei mostra a ferida. Jesus somente
derrama o sangue que cura.
E
há almas que ficam para sempre na porta
do evangelho e nunca entram e vivem no
meio, numa igreja a vida toda. Elas
chegam perto, ouvem sua voz, sentem o
peso, sabem que precisam de Cristo,
desejam paz, tremem diante do pecado,
reconhece que há salvação, mas
permanecem no limear. Como alguém que
sente o cheiro do pão, vê a mesa aposta,
ouve o convite, mas não se
não se assenta para comer. Essas almas
não estão dormindo em indiferença, não
estão rindo do evangelho, não estão
zombando da cruz, muitas vezes são
sérias, sensíveis, inquietas,
religiosas, conscientes, aflitas. O
problema não é falta completa de
preocupação. O problema é que vivem
apenas em preparação, temor e desejo,
sem repousar de fato em Cristo. Elas vem
Elias somente. Elias é grande, é profeta
de fogo. Tem gente que diz, tem gente
que quando fala de sermão, né, de
pregação, ele gosta de alguém como
Elias, simplesmente
um profeta que fala as coisas.
Então, Elias é grande, é profeta de
fogo, confronta Baal, desafia reis,
chama Israel ao arrependimento, prepara
o caminho, sua voz corta, sua figura é
austera, seu ministério é necessário,
ele aparece como tempestade sobre uma
geração acomodada.
Então, ele derruba falsas seguranças.
Ele pergunta: "Até quando vocês vão
oscilar entre duas opiniões, entre dois
caminhos?"
Ele chama o povo a deixar os ídolos e
voltar ao Senhor. Mas Elias não é
Cristo. O preparador não é o Salvador. O
trovão não é o sangue. O machado, a raiz
não é a cruz. O chamado ao
arrependimento não é por si só descanso
em Cristo. Há um lugar para a
preparação. Há um lugar para a
consciência despertada. Há um lugar para
a percepção
terrível do pecado. Há um lugar para o
temor. Há um lugar para a alma dizer:
"Estou perdido".
Há um lugar para o coração começar a
odiar aquilo que antes amava. Mas esse
lugar não é o destino final, é caminho.
Não é casa, é porta. Não é mesa, é
aurora, é um nascer do dia, não é
meio-dia. Há pessoas que permanecem anos
nesse estado preliminar, sentem pecado,
desejam mudança, sabem que precisam de
Cristo, querem ser salvas ou eh eh
se dizem nominalmente salvas, mas
anseiam por paz, mas ficam sempre
dizendo: "Ainda não estou pronto, não
sinto bastante, não me arrependi como
deveria, não chorei o suficiente, não
fui quebrantado como deveria, não estou
preparado."
assim transformam a própria falta de
preparo em desculpa para não viver para
a glória de Cristo. Isso parece
humildade, mas muitas vezes é só
incredulidade mesmo. Parece reverência,
mas pode ser só desobediência mesmo.
Parece cuidado com as coisas santas, mas
pode ser só recusa em crer na
suficiência do Salvador. Porque Cristo
não disse: "Venham a mim todos os que já
se prepararam de modo adequado. Ele
disse: "Venham a mim todos os que estão
cansados e sobrecarregados."
Ele não chamou os fortes, os prontos, os
suficientemente quebrantados, os que
conseguem medir a pureza do próprio
arrependimento. Chamou os cansados, os
que sabem que não podem continuar, os
que não têm descanso, os que sabem que
não tem nenhuma justiça,
os que precisam receber
senso de necessidade é bom.
Consciência de pecado é muito boa. Ódio
ao pecado é bom. Temor santo é muito
bom. Mas preparação não é salvação.
Desejo de Cristo não é posse de Cristo.
Fome não é alimento. Chorar na porta não
é entrar na casa.
Desespero não é regeneração. Dúvida não
é humildade. Arrependimento sem fé ainda
precisa de arrependimento. Uma pessoa
pode ficar muito impressionada com sua
doença e nunca tomar um remédio. Pode
estudar os sintomas, chorar pelos
sintomas, temer o avanço dos sintomas,
conversar o tempo todo sobre os
sintomas, pedir aos outros que orem por
ela por causa dos sintomas e ainda assim
não se entregar ao médico. Não é assim?
O meu pecado, o meu problema é esse, o
meu problema é aquele. Pode sentir fome
e morrer olhando para o pão. Pode
reconhecer que está suja e nunca entrar
na fonte. pode saber que está perdida e
nunca se lançar nos braços
do pastor.
Por isso,
há um perigo sutil em fazer do quero
crer profundamente um abrigo contra o
próprio ato de crer. Quero vir a Cristo,
então venha.
Quero confiar, então confie. Quero ser
salvo, então olhe para o Salvador.
Quero estar pronto, então venha
despreparado, porque é Cristo quem
recebe pecadores, não candidatos bem
arrumados à salvação.
Os mais preparados para Cristo são
justamente os que sabem que não possuem
preparo em si mesmos.
Essa é a grande ironia da graça. Quem
diz: "Agora estou digno de vir". Ainda
não entendeu a situação do coração do
homem. Quem disse agora? Meu
arrependimento me autoriza, me faz
merecer algo, me diferencia dos outros.
Ainda está usando a si mesmo como
fundamento. Quem diz agora sinto o
suficiente, ainda quer transformar
sensação em porta. Isso não é fé. Mas
quem diz não tenho nada, não sou nada.
Não sinto como deveria. Não me arrependo
como deveria.
Não creio como deveria. Mas Cristo é
salvador de pecadores e eu me lanço
sobre ele.
Esse está no caminho certo.
Não escolha a vela quando o sol já se
levantou. Elias é vela diante de Cristo.
Seu chamado prepara, sua voz desperta,
seu fogo alarma, seu ministério aponta,
mas o cordeiro de Deus já está diante de
você. Não fique preso ao pregador do
deserto quando o Salvador está presente.
Não viva apenas ouvindo. Prepare o
caminho sem jamais caminhar pelo caminho
que já foi aberto. Não permaneça para
sempre tremendo diante do machado.
Quando Cristo já foi levantado no
madeiro e o machado caiu sobre ele. Não
faça de sua falta de preparo uma
desculpa para continuar distante,
racionalizando sua vida.
Venha Jesus somente. Não venha porque
sua preparação é perfeita. Venha porque
ele é perfeito. Não venha porque seu
arrependimento é profundo o bastante.
Venha porque o sangue dele é suficiente.
Não venha porque sua fé é forte. Venha
porque o Salvador é forte. Não venha
porque suas lágrimas são puras. Venha
porque a graça é livre e soberana. A
preparação só cumpre seu papel quando
termina em Cristo.
O temor só é saudável quando nos leva ao
refúgio. A consciência do pecado só é
misericórdia quando empurra a alma para
o sangue. O desejo só é abençoado quando
deixa de eh rodear a porta e entra.
Elias não é a porta. Cristo é a porta.
Elias não é o caminho. Cristo é o
caminho. Elias não é o pão. Cristo é o
pão. Elias não é a vida. Cristo é a
vida. Então você ansioso, pare de
esperar estar pronto para vir. Venha
para ser preparado por ele. Pare de
medir seu quebrantamento como se ele
fosse preso. Pare de observar a própria
fome como se fome salvasse. Pare de
fazer do seu medo uma casa. Use o medo
como estrada. Use a inquietação como
sino. Use a consciência como o dedo
apontando e vá a Cristo. Porque o
caminho preparado por Elias só cumpre
seu propósito quando leva a alma a
Cristo e não
ele mesmo. É um caminho.
Fé.
A fé amadurece quando deixa de precisar
de muitos centros. A primeira vista,
pareceria melhor descer do monte com
Jesus, Moisés e Elias. Moisés pregaria a
lei. Elias chamaria ao arrependimento.
Cristo anunciaria a graça. Moisés
mostraria a santidade de Deus. Elias
despertaria a consciência adormecida.
Cristo consolaria os quebrantados.
A combinação pareceria perfeita, como se
a alma dissesse: "Por que não conservar
os três? Por que não manter a solenidade
de Moisés, o fogo de Elias e a ternura e
mansidão de Cristo lado a lado? Não
seria isso
mais completo? Não será isso mais forte?
Não se isso mais
seguro,
mas Deus deu algo melhor. Jesus somente.
Não porque Moisés fosse mal, não porque
Elias fosse dispensável em sua função,
não porque a lei e os profetas fossem
inúteis, mas porque toda a luz deles
encontra seu cumprimento em Cristo
somente.
Moisés não desaparece como erro. Elias
não desaparece como acidente. A lei não
é apagada como coisa sem valor. Os
profetas não são descartados como vozes
antigas sem propósito.
Eles se recolhem porque o sol nasceu.
Na noite vemos lua e estrelas e a beleza
nelas. A lua ilumina o caminho escuro,
as estrelas consolam o viajante. O céu
noturno não é sem glória. Há muita
glória nele. Mas quando aurora começa,
muitas estrelas desaparecem.
Uma ainda pode permanecer por algum
tempo, como estrela da manhã. Porém,
quando o meio-dia chega,
tudo se retirou. Não porque tenha sido
inútil, não porque nunca brilhou, mas
porque agora o sol domina o céu. Assim é
Cristo. Assim é com Cristo. Quando ele
resplandece plenamente as luzes
preparatórias,
Moisés e Elias se recolhem. Moisés
cumprido em Cristo, a lei honrada em
Cristo, as cerimônias realizadas em
Cristo, os tipos explicados em Cristo,
Elias cumprido em Cristo, as profecias
realizadas em Cristo, a preparação
levada ao fim em Cristo, o cordeiro
apontava para ele, o altar apontava para
ele, como dissemos, o sangue apontava
para ele, o sacerdote apontava para ele,
o tempo apontava para ele, como falamos
O sábado apontava para ele, o maná
apontava para ele, a rocha ferida
apontava para ele, o profeta prometido
apontava para ele, o reino esperado
apontava para ele. E quando ele vem, não
precisamos manter os sinais como se o
sinalizado ainda estivesse ausente.
Cristo não é uma peça acrescentada ao
sistema antigo. Ele é o cumprimento para
o qual tudo caminhava.
Não é apenas mais luz no céu espiritual,
mais luz acrescentada. Cristo não é
isso. Ele é o sol da justiça. Não é
apenas mais um mestre ou um mestre maior
entre mestres.
Ele é a própria verdade. Não é apenas
mais um sacerdote. Ele é o sacerdote
final. Não é apenas mais uma oferta ou
uma oferta maior. É o cordeiro de Deus.
Não é apenas mais o rei. É o rei dos
reis.
Não é apenas mais um profeta, é a
palavra eterna feita a carne. Por isso,
é melhor ver Moisés e Elias em Cristo do
que ver Moisés e Elias ao lado de Cristo
como centros concorrentes.
Quando vemos Moisés em Cristo,
entendemos a lei corretamente. Ela não é
escada para o céu. Ela não pode produzir
justiça nem aceitação diante de Deus.
Ela não é meio de justificação,
ela não é meio de salvação. Ela não é
rival da graça. Ela mostra a santidade
de Deus, revela o pecado, cala a boca do
homem e aponta para a necessidade de
justiça perfeita.
E essa justiça está em Cristo somente.
Quando vemos Elias em Cristo, entendemos
o arrependimento corretamente.
Ele não é uma casa onde a alma deve
morar para sempre. Não é o fim da
jornada, não é o Salvador. O
arrependimento prepara o caminho, mas o
caminho termina no cordeiro.
Qualquer arrependimento que não termina
em deleite em Cristo, não é
arrependimento.
Foi sobre isso que falamos ontem, não é?
O temor desperta, mas o sangue pacifica.
O machado à raiz da árvore alarma, mas a
cruz salva. A ausência de certas coisas
pode indicar maturidade. A criança
precisa de bersário, mas o homem feito
não sente falta dele como morada. O
aluno precisa dos primeiros livros, mas
quando aprende a ler com profundidade
não lamenta por não viver para sempre
repetindo sílabas.
O andime é útil enquanto a construção
está subindo, mas quando a casa está de
pé, o andime é retirado.
A sombra ajuda enquanto o corpo ainda
não apareceu claramente. Mas quando o
corpo está diante dos olhos, ninguém
abraça a sombra como se fosse a
realidade ou mistura sombra e realidade.
Assim também na fé. Não precisamos
voltar ao bersário quando crescemos.
Paulo disse: "Quando eu era menino,
falava com menino, pensava como menino,
sentia como menino, mas eu cresci e me
tornei um homem e deixei as coisas de
menino. Não lamentamos a perda dos
primeiros livros quando chegamos à
substância. Não precisamos viver de
sombra quando temos o corpo. Não
precisamos ter retrato como quando
estamos com a pessoa. Não precisamos
tratar os sinais como se Cristo ainda
não tivesse vindo. Isso não significa
desprezar tudo o que Deus usou no
caminho. Um que estão maduro não é
aquele que despreza a lei, despreza os
profetas, despreza a igreja, despreza a
pregação, despreza a doutrina, despreza
disciplina, despreza sacramentos,
despreza a ordem, despreza serviço. Isso
não é maturidade, é orgulho espiritual
vestido de simplicidade.
É arrogância, egocentrismo.
Eu sou a igreja. A maturidade não
destrói os meios, ela os coloca no lugar
certo. Ela ama a pregação, mas não adora
o pregador. Ama a doutrina, mas não faz
de um sistema o seu salvador. Ama a
igreja, mas sabe que a igreja não morreu
por ela.
A igreja é feita de pecadores
como ela.
Ela sabe que não está numa igreja que é
santa, imaculada, a imagem de Cristo
ainda.
Ama os sacramentos, mas não os
transforma em Cristo. Ama a disciplina,
mas não confunde ordem com vida.
ama o culto, mas não faz eh
daquilo, daquele momento, algo que deve
ser diferente
do que toda sua vida é como vivo
sacrifício.
Ama servir o serviço, mas não faz da
utilidade sua justiça.
qualquer tradição fiel, mas não coloca
os pais da igreja, reformadores,
pregadores ou mestres no trono que
pertence somente ao filho de Deus.
No começo da caminhada, muitas vezes
pensamos muito no instrumento, pensamos
no pregador, na voz, no estilo, no modo
como ele expõe, na maneira como nos
tocou,
no ambiente em que ouvimos. Algumas
pessoas até queriam voltar ao século X.
Talvez elas pensem que a grande bênção
da vida dos puritanos era a época que
eles nasceram. Nunca houve uma época
boa. Todos os homens, em todas as épocas
estavam perdidos, chafurdando no reino
das trevas.
toda a diferença nunca foi uma época,
nunca foi eh cultural, foi regeneração
ou não.
No momento em que fomos despertados,
às vezes ficamos presos naquele dia,
naquele momento, e Deus usa
instrumentos, bendito seja Deus, por
pregadores fiéis, pelos reformadores,
pelos puritanos, por mestres cuidadosos,
por irmãos que nos ajudaram, por livros
que nos orientaram. por igrejas que nos
acolheram, por vozes que nos chamaram de
volta ao caminho. Mas à medida que a
graça amadurece a alma, Cristo cresce
e o instrumento diminui.
Não deixamos de agradecer pelo
instrumento, mas já não o confundimos
com a fonte.
Não deixamos de amar quem nos ensinou,
quem é nosso pai espiritual, mas vemos
que o tesouro não está no vaso. Não
deixemos de ouvir com alegria a voz
humana que anuncia profundamente a
palavra de Deus e nos faz ver o que não
tínhamos visto claramente.
Mas aprendemos a dizer: "Quero ouvir
Cristo nela. Quero ver Cristo por meio
dela. Quero que o instrumento desapareça
atrás da glória do Mestre.
No começo, certas questões secundárias
parecem enormes.
Disputas de forma, preferência,
de método, de estilo,
não é? Bobagem sobre ritmos, som,
instrumentos,
detalhes de governo, ênfase de escola,
diferença de linguagem, modos de
organização, questões que têm seu lugar,
mas não tem o trono. Depois Cristo sobe
e tudo mais toma seu lugar. Não porque
as doutrinas fiquem sem importância ao
contrário. As doutrinas verdadeiras,
elas estão centradas em Cristo
e
elas vão ficando cada vez mais belas
quando elas nos levam orbitar Cristo.
Não porque a igreja fique pequena, pelo
contrário, a igreja se torna mais
preciosa quando a vemos como o corpo de
Cristo, quando havemos como os pecadores
por quem Cristo morreu. Se eles não
fossem tão problemáticos como nós, não
precisariam de um Salvador como Cristo.
Não porque os sacramentos percam valor,
pelo contrário, eles se tornam mais
doces quando apontam e nos fazem ver
mais claramente Cristo. Não porque a
santidade seja diminuída, pelo
contrário, ela se torna verdadeira,
profunda quando brota da união com
Cristo. Só isso é verdadeira santidade.
Não vem de costumes e etc. Quando Cristo
ocupa o centro absoluto, tudo encontra a
sua proporção correta na vida. A lei não
desaparece, ela é cumprida em Cristo. Os
profetas não se calam, eles são
consumados.
A doutrina não diminui, ela cresce, se
expande, porque se curva diante do seu
conteúdo vivo. Tudo sobre Cristo.
Esse é por isso que as doutrinas da
graça estão ali no centro. É tudo sobre
Cristo, tudo sobre a glória de Deus,
tudo sobre sua suficiência.
A igreja não perde beleza. Ela se torna
noiva, não senhora.
O pregador não se torna inútil, torna-se
aquele que é um instrumento, não? Ele
não se torna inútil, ele se torna aquele
que eh eu valorizo mais por amar mais a
Cristo, a quem ele prega profundamente.
E não aprecio qualquer um por qualquer
dons que tenham, que não esteja
glorificando a Cristo totalmente ou
Cristo somente.
Aqueles que querem misturar Moisés,
Elias, Cristo.
Os meios de graça não são desprezados,
tornam-se janelas, não paredes. Mas nada
compete com Cristo. Nada. Nem Moisés,
nem Elias, nem experiências, nem
mestres, nem sistemas, nem formas, nem
tradições, nem dons, nem ministérios,
nem memórias espirituais,
nem épocas
da história da igreja. Tudo que Deus dá
é bom quando nos leva a Cristo. Tudo se
torna perigoso quando começa a disputar
o lugar de Cristo. Por isso, os
discípulos abriram os olhos e viram
Jesus somente. Isso bastava.
Não perderam a lei e encontraram a lei
cumprida
em Cristo. Não perderam os profetas.
encontraram as profecias consumadas e
cumpridas em Cristo. Não perderam
glória, encontraram a glória encarnada
andando no caminho, no dia a dia, nas
coisas comuns. Não perderam companhia.
Ficaram com aquele em quem habita toda
plenitude.
Essa é a beleza da maturidade,
da maturidade cristocêntrica.
Não é uma fé pobre que vê menos, é uma
fé mais elevada que vê tudo em seu
lugar, que não precisa de eh ficar lá no
monte. Não é uma fé estreita que exclui
por ignorância. É uma fé cheia de luz
que entende que todo raio verdadeiro vem
do mesmo sol e volta para ele. O cristão
amadurecido não precisa de muitos
centros, porque encontrou o centro.
Ele pode receber tudo com gratidão, usar
tudo com sabedoria, amar tudo em sua
ordem, mas descansar somente em Cristo.
Quando Cristo enche o horizonte da alma,
até as maiores luzes criadas
aprendem a diminuir.
E isso é fé verdadeira e fé que está
amadurecendo.
Quando eles levantaram os olhos, não
tinha mais Moisés, nem Elias. só viram a
Cristo. Quando restou Jesus, nada
essencial faltou para eles. Os
discípulos estavam com medo. Moisés se
foi, Elias se foi. A nuvem já havia
coberto o monte. A voz do Pai já havia
sido ouvida, a glória visível já havia
passado.
Os representantes da lei e dos profetas
já não estavam diante deles. Mas Jesus
permaneceu. E o que Jesus disse? Não
tenham medo. Isso bastou. Não foi Moisés
quem os levantou. Não foi Elias quem
lhes devolveu a paz. Não foi a lembrança
da visão que acalmou seus corações
aterrorizados.
Foi a presença de Cristo. Foi a voz de
Cristo. Foi o toque de Cristo. Foi o
Salvador que permaneceu quando tudo mais
desapareceu.
Aqui está uma grande lição para a alma
atribulada. Quando Jesus fica, não falta
consolo,
não falta paz.
Todo coração ferido encontra em Cristo o
que precisa. Não vá primeiro à sombra.
Não busque descanso em lei, cerimônia,
homem, sistema, experiência ou memória
religiosa.
Não corra para mecanismos espirituais
que podem ser repetidos como eh uma
máquina, como se eles pudessem carregar
o peso que só Cristo carrega. Não
procure primeiro uma explicação para
todos os seus temores.
Não tente construir pais apenas com
raciocínios. Que dirá com humanismo
secular: "Vá a Cristo". Há medos que não
se curam com argumentos frios. Há
angústias que não se resolvem com
cerimônias nem aconselhos.
Há culpas que não se calam com
distração. Há noites da alma em que
somente a voz do Salvador pode dizer com
autoridade: "Não temas. Cristo é
suficiente para consolar,
porque ele não apenas observa a nossa
dor de longe. Ele entrou na nossa
miséria, em nossa fraqueza. Conheceu
lágrimas, conheceu abandono, conheceu
angústia, conheceu o peso da obediência
em um mundo caído, conheceu o Getsêmane,
conheceu o cálice da ira, conheceu a
cruz. Por isso, quando ele consola, não
consola como alguém que fala de fora da
ferida, mas como o sumo sacerdote
compassivo que sabe se compadecer dos
fracos.
A alma pode perder muitas coisas e ainda
não está perdida. Se Cristo permaneceu,
Cristo sozinho, Cristo somente,
pode perder a alma, pode perder a
sensação de êxtase, pode perder a
companhia de certos instrumentos,
de
pessoas, de irmãos, pode perder apoios
exteriores, pode perder dias de brilho,
pode perder a presença visível de
grandes homens. Mas se Jesus permanece,
o consolo essencial permanece.
Ele também é suficiente como salvador.
Moisés não lava pecado. Elias não
justifica culpados. Nenhum sacerdote
humano remove culpa. Que dirá o
humanismo secular? Nenhuma ordem
religiosa da nova vida. Nenhum rito, por
mais antigo, pode purificar a
consciência. Nenhuma tradição,
por mais solene, pode abrir o céu.
Nenhum homem, por mais piedoso, pode
oferecer a Deus um sangue capaz de
espiar transgressões.
Somente Cristo purifica,
somente Jesus guarda.
Somente Jesus sustenta, somente Jesus
salva. Essa é a glória do evangelho. Não
somos salvos por uma combinação de
Cristo com nossos méritos, Cristo com
nossos ritos, Cristo com nossos
sentimentos, Cristo com nossos
sofrimentos, Cristo com nossas reformas,
Cristo com nossa história religiosa.
Somos salvos por Cristo somente, pela
sua obediência, pelo seu sangue, pela
sua morte, pela sua ressurreição, pela
sua intercessão, perseveramos.
pela sua graça. A alma culpada não
precisa de muitos salvadores pequenos,
precisa de um salvador perfeito.
Moisés pode dizer: "Você pecou". Elias
pode dizer: "Arrependa-se". Mas só Jesus
pode dizer: "Os seus pecados estão
perdoados". Moisés pode mostrar a
mancha.
Elias pode denunciar a idolatria, mas só
Jesus pode lavar o impuro. Moisés pode
condenar a transgressão. Elias pode
fazer a consciência estremecer, mas só
Jesus pode ser propiciação pelos nossos
pecados. Por isso,
quando se trata de salvação,
a palavra somente não empobrece,
ela protege, ela guarda a alma do veneno
de procurar em outro lugar aquilo que
Deus colocou apenas no filho. Jesus
somente não é uma redução do evangelho,
é a pureza do evangelho. É a alma
dizendo: "Não trarei outro fundamento,
não apresentarei outro nome, não
confiarei em outra justiça que dirá a
minha, não me esconderei em outro
refúgio. Ninguém é meu refúgio." E se
Jesus é suficiente para salvar, também é
suficiente para ensinar.
Um só é o nosso mestre. Não precisamos
de chefes de consciência. Não precisamos
de líderes humanos assentados no trono
da alma. Não precisamos de vigários
espirituais. Não precisamos de homens
que se coloquem entre a consciência e
Cristo como se fossem senhores da fé.
Cristo ensina pelo espírito e pela
palavra. Isso não despreza mestres
fiéis. Dá Deus dá pastores fiéis. Deus
dá pregadores. Deus dá irmãos maduros.
Deus dá dons à igreja. Mas nenhum
instrumento pode tomar o lugar do
mestre. O pregador é servo, Cristo é
senhor. O mestre humano aponta para
Cristo. E se não tá apontando para
Cristo, não é mestre. Cristo ilumina. O
mestre humano verdadeiro e só aponta,
mas é Cristo que ilumina. O expositor
abre o texto Cristo abre o teu coração
para ouvir
e ser transformado. O pastor guia como
subpastor. Cristo é o supremo pastor das
ovelhas.
A igreja adoece sempre que coloca homens
em lugares que pertencem a Cristo. A
consciência cristã não deve ser
escravizada por personalidades,
sistemas, tradições humanas ou
autoridade fabricada.
O que a gente ouve a igreja, aprende com
a igreja, se submete à palavra pregada
fielmente na igreja, mas sua fé repousa
em Cristo. Sua obediência final é a
Cristo. Sua consciência pertence a
Cristo. Porque Jesus somente é o mestre
que não erra. Ele conhece perfeitamente
o Pai, conhece perfeitamente o homem,
conhece perfeitamente o caminho, que é
ele mesmo, conhece perfeitamente nossas
trevas, conhece perfeitamente a verdade
que é ele mesmo. Ele não apenas ensina a
doutrina, ele é a verdade. Não apenas
indica o caminho, ele é o caminho. Não
apenas descreve a vida, ele é a vida.
Você vê, ele não é Moisés e Elias
apontando, ele é a vida. E Jesus também
é suficiente como poder.
Os discípulos desceriam do monte para o
mundo real, encontrariam multidão,
encontrariam conflito, encontrariam
fraqueza, encontrariam oposição, mas
tarde enfrentariam perseguições,
prisões, tribunais, açoites, ameaças e
seriam mortos, assassinados.
O que o sustentaria? Não seria o
prestígio religioso, não seria sucessão
inventada, não seriam títulos sagrados,
reverendos, não seria dignidade
emprestada por Moisés, não seria fogo
chamado do céu por Elias, seria Cristo.
Jesus dá o Espírito, Jesus unge, Jesus
capacita
na angústia, no sofrimento. Jesus envia,
Jesus sustenta a sua obra. Ele começa e
termina o que começou. A força da igreja
não está na
na pompa, não está no reconhecimento dos
poderosos, não está no eh eh no
reconhecimento da cultura,
na isso é relevante para a cultura. Não
está em títulos que impressionam homens,
não está em aparência de autoridade
eh externa. Não está em métodos que
substituem dependência somente de
Cristo. Não está em carisma humano, não
está em estrutura
vazia.
A força da igreja está no Cristo vivo,
que derrama seu espírito sobre o seu
povo regenerado.
Quando Cristo envia, ele capacita.
Quando Cristo ordena, ele sustenta.
Quando Cristo abre a porta, ninguém
fecha. Quando Cristo sustenta uma
testemunha, o mundo inteiro pode se
levantar, mas não pode arrancá-la de
suas mãos.
Isso deve consolar a igreja. A igreja
não está sem cabeça. Cristo vive, Cristo
reina, Cristo governa, Cristo supre,
Cristo permanece em união vital com seu
povo eleito. Às vezes
olhamos ao redor e sentimos que Moisés
se foi, Elias se foi, os grandes homens
se foram, os tempos antigos se foram,
certas glórias visíveis se foram, certas
seguranças culturais se foram, certos
apoios
desapareceram. E podemos perguntar: "O
que nos restou?"
Restou Jesus. E quando resta só Jesus,
nada essencial faltou. ou falta.
Ele é suficiente para a alma no medo,
suficiente para o pecador na culpa,
suficiente para o discípulo no caminho,
suficiente para o pregador no
ministério, suficiente para a igreja em
sua missão, suficiente para o fraco na
tentação, suficiente para o cansado no
serviço, suficiente para o moribundo na
última hora. Não precisamos acrescentar
outro mediador. Não precisamos inventar
outro fundamento. Não precisamos
fabricar outro poder. Não precisamos
procurar outro centro.
Jesus somente consola porque sua voz
vence o medo.
Jesus somente salva porque seu sangue
remove a culpa. Jesus somente ensina
porque sua palavra é verdade. Jesus
somente reveste de poder porque seu
espírito vivifica a igreja.
Então, querido, vá a Cristo.
Igreja cansada, volte a Cristo. Pregador
fraco, dependa de Cristo. Crente
temeroso, ouça Cristo. Pecador culpado,
refugie-se em Cristo. Não pergunte
primeiro o que desapareceu.
Pergunte quem permaneceu. Se Jesus
permanece, a alma não está pobre, ainda
que tudo mais desapareça.
Os discípulos aprenderam isso naquele
dia. A alma que viu Jesus somente
encontrou motivo bastante para viver e
para morrer. Há muitos motivos menores
que podem mover um homem por algum
tempo. O medo da punição pode conter
certos pecados. A promessa de recompensa
pode encorajar certos esforços.
A vergonha diante dos outros pode
refrear certas quedas. A disciplina pode
ordenar certos
hábitos.
O dever pode sustentar certos passos,
mas nada disso alcança o centro mais
profundo do coração, como o amor de
Cristo. O medo pode segurar as mãos, mas
não transforma os afetos, não cria
afeições santas. A recompensa pode
estimular a vontade, mas nem sempre
purifica o desejo. A pressão externa
pode produzir conformidade,
mas não cria adoração.
O dever é santo, mas quando está sozinho
pode se tornar pesado. A ameaça pode
despertar, mas não é o alimento mais
alto da obediência. O que realmente
constrange a alma cristã é ver Jesus.
O amor de Cristo nos constrange ver a
cabeça coroada de espinhos, ver os olhos
marcados por lágrimas, ver as faces
feridas pelos homens que ele veio
salvar, ver o coração quebrantado por
dores que não eram suas por culpa, mas
que se tornaram suas por amor.
Ver a cruz suportada por nós. Quando a
alma contempla isso, nasce um motivo
mais profundo que o medo.
Ela começa a dizer: "Como viverei para
mim mesmo se ele morreu por mim? Como
servirei ao pecado que pregou meu Senhor
naquele madeiro? Esse é o caminho da
santidade. Como farei da minha vida um
trono para minha própria vontade se o
filho de Deus entregou a si mesmo por
mim?"
O amor de Cristo constrange. Não apenas
ordena de fora, ele constrange por
dentro. Aperta por dentro. Não apenas
diz você deve, diz você foi amado até o
sangue, até o cálice da ira. Não apenas
ameaça o desobediente, mostra o cordeiro
obediente, sofrendo o castigo que nos
traz a paz até a morte. Não apenas
promete coroa, mostra o rei coroado de
espinhos.
Esse é o maior incentivo da santidade,
Cristo amado. Não apenas dever, não
apenas ameaça, não apenas utilidade, mas
gratidão, amor e adoração.
Uma alma pode tentar ser santa, olhando
apenas para regras, mas logo ficará
cansada ou orgulhosa, ou desesperada, ou
vai começar a se comparar com os outros,
cansada, porque a lei exige, sem dar
força ou poder em si mesma. orgulhosa se
imaginar loucamente que está
conseguindo,
desesperada se enxergar a verdadeira
distância entre o que deve ser e o que
é. Mas quando a alma olha para Cristo, a
santidade deixa de ser apenas obrigação
e se torna resposta. Não resposta
meritória, não pagamento, não tentativa
de completar a cruz, mas resposta de
amor. O amor de Cristo nos constrange. O
cristão passa a dizer: "Eu pertenço
aquele que me comprou, meu corpo, minha
mente, meu tempo, meus desejos, minhas
palavras, meus caminhos, tudo deve ser
colocado aos pés daquele que morreu e
ressuscitou."
Jesus somente é motivo suficiente, mas
ele também é mensagem suficiente. O
mundo
e
o mundo quando está sentado nos bancos
da igreja quer novidades. A época, a
cultura quer desenvolvimentos.
Por isso o humanismo secular tem tanto
espaço. Os homens querem parecer
profundos. Há sempre uma pressão para
que a igreja se envergonhe da
simplicidade do evangelho. Sempre surgem
vozes dizendo que a mensagem antiga é
pequena demais para uma geração tão
avançada, humanista, secular, simples
demais para mentes sofisticadas,
com suas eh neuroses, enfim, repetidas
demais para ouvidos modernos. querem
algo com aparência mais intelectual,
mais novo, mais surpreendente, mais
aceitável, mais adaptado ao gosto do
nosso século, da nossa cultura. Mas a
igreja não recebeu uma mensagem para
reinventar, recebeu um evangelho para
anunciar
Cristo somente, Cristo crucificado,
Cristo ressuscitado, Cristo suficiente,
Cristo para pecadores. Essa é a
mensagem.
Não é pobre por ser antiga, é eterna.
Não é fraca por ser simples, é poder de
Deus para salvação. Não é ultrapassada
porque os homens mudam de linguagem. Ela
permanece porque o pecado humano
continua sendo exatamente pecado. A
culpa continua sendo culpa. Quer o homem
der o nome que queira a ela. A morte
continua sendo morte.
Deus continua sendo santo e Cristo
continua sendo o único salvador.
Quando se altera o evangelho, não se
produz avanço, mas deformidade,
falsidade e heresia. O homem imagina que
está melhorando a mensagem quando remove
o escândalo da cruz. suaviza o pecado
com nomes terapêuticos do humanismo
secular, dilui a cruz, troca
arrependimento por autoaceitação,
troca graça por moralismo, troca Cristo
por espiritualidade genérica.
Troca expiação por inspiração. Eu senti
isso, eu senti aquilo. Troca
ressurreição por símbolo. Troca novo
nascimento por reforma social. Troca
reconciliação com Deus por bem-estar
interior. Mas isso não é progresso, é
perda. É tirar o sangue e deixar apenas
uma ética. É tirar a cruz e deixar
apenas um exemplo. É tirar o Salvador e
deixar apenas um mestre.
é tirar a ressurreição e deixar apenas
uma memória. É tirar o trono e deixar
apenas um sentimento religioso
do ego.
A ver de Cristo permanece acima dos
destroços do tempo. Impérios sobem e
caem, filosofias brilham, sabe?
Sociologias, antropologias, psicologias
brilham e desaparecem.
Modas intelectuais dominam uma geração e
são ridicularizadas pela próxima
geração. Sistemas humanos prometem cura
e envelhecem depressa. Mas o evangelho,
Cristo crucificado permanece. Cristo
morreu pelos nossos pecados. Cristo
ressuscitou. Cristo reina. Cristo salva.
Cristo voltará. A igreja não precisa de
outro centro para sua pregação. Precisa
de mais fidelidade ao centro. que
recebeu ao único que existe. Não
precisamos oferecer ao mundo mensagem
que pareça mais esperta que a cruz,
mais sofisticada que a cruz. Precisamos
anunciar a cruz com lágrimas, clareza,
coragem e confiança, porque ela é um
escândalo
para eh os gregos, né? É uma loucura
para para os gregos, um escândalo para
os judeusmos, mas para os que são
chamados, é o poder de Deus. Não
precisamos tornar Cristo um acessório de
temas humanos. Não retiramos os temas da
cultura, dos problemas atuais.
Precisamos mostrar que todos os temas
humanos em todos os tempos encontram sua
resposta final diante de Cristo. Jesus
somente é nosso motivo. Jesus somente é
nossa mensagem. E Jesus será a nossa
recompensa. No fim, o céu não será
principalmente ausência de dores, embora
nenhuma dor permaneça. Não será apenas
reencontro, embora haja comunhão
perfeita dos santos. Não será apenas
descanso, embora todo cansaço acabe. Não
será apenas esplendor, embora a glória
seja inimaginável.
O céu será estar com Cristo, ver sua
glória, ser semelhante a ele,
contemplá-lo para sempre.
Nenhum outro céu é necessário. Se alguém
pudesse imaginar ruas de ouro, ausências
de lágrimas, música perfeita, corpos
glorificados, pais eternas, paz eterna,
mas sem Cristo, isso não seria céu,
seria apenas um palácio vazio. O coração
redimido não deseja apenas os benefícios
do Salvador, deseja o próprio Salvador,
estar com ele onde ele está, ver o rosto
que foi ferido e agora resplandece.
Contemplar as mãos que foram
traspassadas e agora governam. Ouvir a
voz que disse: "Não tenham medo". E
agora enchem a eternidade de alegria.
Ser transformado plenamente a sua
semelhança. Não mais pecar contra ele.
Maravilha. Isso é o céu. Não mais
duvidar dele. Não mais entristecer seu
espírito. Não mais vê-lo por fé apenas,
mas face a fácil. Jesus somente será a
alegria eterna dos santos.
Aqui muitas vezes precisamos de consolos
misturados, precisamos de promessas,
irmãos, sacramento, pregação,
disciplina, providências, respostas,
sustento. Deus nos dá tudo isso em
bondade, mas na consumação todos os rios
nos levarão ao mar. Todos os dons
encontrarão seu doador.
Todas as luzes se recolherão diante do
sol. Toda a alegria verdadeira será
reunida. em uma só visão, Cristo.
Então, por que viver agora como se
Cristo fosse pequeno?
Por que servi-lo como se ele não
bastasse Cristo somente? Porque pregar
como se ele precisasse de substitutos ou
de somas, coisas para colocar junto?
Porque buscar uma recompensa maior que
ele? A alma que viu Jesus somente
encontrou o eixo da vida. Tem motivo
para obedecer porque foi amada até a
morte. Tem mensagem para anunciar,
porque Cristo é o evangelho. Tem
recompensa para esperar, porque estar
com Cristo é infinitamente melhor. Quem
tem Jesus como motivo, mensagem e
recompensa não precisa de outro centro.
O maior desejo para qualquer alma é que
seus olhos sejam erguidos até ver Jesus
somente.
Não apenas que veja religião, não apenas
que veja doutrina, não apenas que veja
culpa, não apenas que veja experiências,
não apenas que veja pregadores, igrejas,
ritos, memórias, deveres, sentimentos,
fracassos ou esperanças vagas, mas que
veja Cristo, Cristo somente.
Cristo
acima de tudo, Cristo no centro de tudo,
Cristo como sentido de tudo, Cristo como
resposta suficiente para vida, para a
morte e para a eternidade.
Esse é o grande desejo para os crentes,
que mais e mais nossa fé se torne
simples, profunda, viva e cheia de
Cristo. Porque quanto mais viva é
a nossa vida com Deus, mais cheia de
Cristo ela é. Quanto mais madura, mais
simples. Quanto mais elevada, mais
centrada numa única coisa. A alma
infantil precisa de muitos apoios
visíveis.
A alma amadurecida aprende a dizer:
"Dê-me Cristo e eu tenho o necessário.
Eu tenho o suficiente. Eu tenho todo
deleite. Eu tenho o céu." Na tristeza
nada serve como Jesus somente. Há dores
que palavras humanas não alcançam. Há
perdas que explicações não resolvem. Há
noites em que o coração não precisa de
curiosidade teológica, mas de um
salvador presente.
Há momentos em que a alma recua para a
cidadela mais profunda da fé e descobre
que no centro de tudo está Cristo
somente, não a estrutura externa,
não é? Não a lembrança de dias melhores,
não a força de temperamento, não tipos
de temperamento, mas Cristo,
o homem de dores, o senhor compassivo, o
pastor que atravessa o vale com suas
ovelhas. Na tentação, a cidadela, o
refúgio é Jesus somente.
Não vencemos o pecado apenas olhando
para a nossa força ou para a fraqueza.
Se olharmos para nós, encontraremos
apenas fraqueza. Se olharmos para o
pecado, encontraremos fascínio.
Se olharmos para a lei isolada,
encontraremos acusação. Mas quando
olhamos para Cristo, vemos o pecado como
inimigo que o feriu. Vemos a cruz como
preço da nossa libertação. Vemos o
sangue como purificação. Vemos o Senhor
ressuscitado
como poder nova vida.
A alma tentada precisa fugir para
Cristo, não para promessas vazias de
autocontrole, não para orgulho moral,
não para desespero, para Cristo,
nos gozos espirituais mais altos, como
eh naquele momento no monte, o centro é
Jesus somente.
Há alegrias santas na vida cristã. Há
dias de louvor, respostas de oração,
comunhão doce, entendimento da palavra,
vitória sobre pecados. antigos, consolos
inesperados,
mas até as alegrias mais puras se tornam
perigosas se separam de Cristo. O gozo
cristão mais profundo não é apenas
sentir-se bem espiritualmente, é
deleitar-se no próprio Salvador. É
dizer: "Minha alegria não é apenas que
recebi algo dele, mas que tenho ele."
No trabalho árduo, a força vem de Jesus
somente. Quem serve de verdade cansa.
Quem ama de verdade se desgasta. Quem
prega, cuida, ensina, aconselha, ora,
suporta, corrige e persevera, descobre,
depressa que entusiasmo inicial não
basta. Métodos não bastam,
reconhecimento
não basta, personalidade não basta. A
obra de Deus exige força que vem de
Deus. E essa força está em Cristo.
Trabalhamos olhando para ele, servimos
por causa dele. Dependemos do espírito
que ele derrama
somente porque ele reina reina. Nós
temos isso
e fazemos o que fazemos. Semeamos porque
ele reina. Ele reina sobre os corações,
ele reina sobre tudo. Perseveramos
porque ele nos sustenta, Cristo somente
no sofrimento
paciente, o nosso alimento e paz é
Cristo somente.
Não há paciência cristã sem alimento
cristão. A alma que sofre precisa de
mais que conselhos genéricos. precisa
ver o Cristo que sofreu sem pecado, que
entregou a si mesmo ao Pai, que suportou
vergonha, que aprendeu a obediência
pelas coisas que sofreu, que foi
exaltado depois da humilhação.
Ao olhar para ele, o sofrimento do
crente deixa de ser absurdo, sem rosto e
passa a estar nas mãos do Salvador.
Na oração perseverante, o argumento é
Jesus. Somente não temos outro
argumento. Não oramos apoiados na beleza
das nossas palavras. Não entramos diante
de Deus porque nossos sentimentos são
puros. Nossa fé é forte, nossa semana
foi digna ou o nosso coração está
suficientemente aquecido. Entramos por
Cristo, pedimos somente em nome de
Cristo. Somos recebidos somente por
causa de Cristo. Nossa ousadia não está
em nós, mas naquele que vive para
interceder por nós. Quando a alma não
souber o que dizer, ainda pode
apresentar este argumento: "Pai, olha
para teu filho. Na luta contra o pecado,
a arma é o sangue de Jesus somente.
A culpa não se vence fingindo que ela
não existe ou que ela é menor ou dando o
nome terapêutico
do humanismo secular para ela. O pecado
não se derrota chamando por nomes
suaves. A consciência não encontra paz
varrendo sujeira para debaixo do tapete
com o humanismo secular. O pecado
precisa ser confessado, odiado, levado à
luz e colocado diante da cruz. O sangue
de Cristo não apenas perdoa,
ele também purifica. Não apenas remove
condenação, também quebra o domínio do
pecado. Não apenas cobre a culpa, também
ensina a alma a odiar aquilo que custou
tão caro
ao Salvador.
Na aprendizagem dos mistérios
celestiais, o mestre é Jesus somente. A
mente cristã não amadurece apenas
acumulando informação,
ouvindo
grandes sermões.
Ela amadurece quando aprende Cristo.
Todas as doutrinas verdadeiras apontam
só para Cristo, para mais nada. Nunca
carregam eh nenhuma tipo de sabedoria
humana.
A eleição nos leva à graça em Cristo. A
criação nos leva à glória dele. Aquela
nos leva à total necessidade dele.
Aliança nos leva à promessa nele. A lei
nos leva ao cumprimento nele. Os
profetas nos levam à esperança nele,
apontam para ele. A cruz nos leva ao
amor dele. A ressurreição nos leva ao
poder dele. A consumação nos leva à
visão biatífica, a visão dele. Tudo que
se acrescenta a Cristo
diminui a alma. Mas tudo que se coloca
ao redor de Cristo, em submissão a
Cristo, apontando para Cristo, serve a
alma.
Agora, há também aqueles que ainda não
creem
e o desejo é o mesmo, que vejam Jesus
somente.
Ah, hoje as pessoas passam mais tempo
falando da igreja do que de Cristo, não
é? Eh,
os cristãos sentem uma necessidade de
falar mal da igreja como se isso de
alguma maneira vai purificá-los. Hã?
E o desejo verdadeiro da igreja para o
mundo, não é que olhem detidamente para
a igreja, olhem para Cristo, para Cristo
somente.
Você quer ver seus pecados? Veja-os em
Cristo crucificado.
Nada humilha tanto quanto ver o pecado
lançado sobre o Salvador. Você pode
tentar sentir o peso do pecado olhando
para si mesmo ou paraa dignidade humana,
examinando sua consciência, medindo seus
erros, lembrando suas quedas. Isso tem
seu lugar. Mas a visão mais profunda do
pecado aparece na cruz. Ali você vê o
que o pecado merece.
Ali você vê que ele não é pequeno.
Ali você vê que não bastava um conselho,
uma reforma, uma emoção, experiências,
métodos,
racionalizações.
Foi necessário o sangue, sangue santo,
sangue de Deus. Foi necessário
substituição. Foi necessário que o filho
de Deus
clamasse no meio das trevas.
Veja sempre seus pecados ali, na cabeça
coroada de espinhos, nas mãos
traspassadas,
no lado ferido, no cordeiro esmagado,
no justo sofrendo pelos injustos. E você
odiará o pecado mais profundamente do
que odiaria olhando apenas para sua
própria miséria.
Você quer sentir necessidade?
Olhe para a plenitude de Cristo. A visão
do pão desperta fome. A visão da fonte
aumenta a sede. A visão do Salvador
revela a necessidade da salvação. Muitos
ficam olhando para dentro, esperando
sentir necessidade suficiente para vir.
dizem: "Eh, meu coração é duro, minha
percepção é pequena, minha fome é fraca,
minha sede é quase nenhuma". Mas olhar
apenas para a própria falta pode prender
a alma em um círculo sem fim. Olhe para
Cristo. Veja quem ele é. Veja o que ele
oferece. Veja a sua beleza, sua
plenitude, sua graça, sua suficiência,
sua prontidão para receber pecadores.
A visão dele despertará aquilo que você
tenta fabricar olhando para si mesmo.
Você quer saber se tem direito a Cristo?
Não olhe para dentro. Em si mesmo nenhum
homem tem. Olhe pra promessa. Cristo
veio salvar pecadores,
os piores pecadores. Você é pecador?
Então, há evangelho sendo pregado para
você.
Quem crer será salvo. Você pergunta:
"Mas minha fé é fraca?" A questão não é
a força da mão, mas a força daquele em
quem ela se agarra ou que agarra ela.
Você pergunta: "Mas meus sentimentos são
pobres?" A questão não é a riqueza dos
sentimentos, é a riqueza de Cristo. Você
pergunta: "Mas minha história é
manchada?"
A questão não é a sua história, mas o
sangue que purifica todo pecado.
Desvie o olhar de si mesmo. Olhe para
Cristo. Não para Moisés como se a lei
pudesse salvar. Não para Elias como se
preparação fosse salvação. Não para
experiências como se emoções fossem
fundamento. Não para preparo, como se
você pudesse se tornar digno antes de
ver.
Não para sentimentos como se eles fossem
sua justiça,
não para méritos, como se ainda restasse
algo em você que pudesse comprar
misericórdia. Olhe para Jesus.
Ele basta para o crente triste, para o
crente tentado. Basta para o servo
cansado, basta para o sofredor paciente,
basta para o que ora, basta para o que
luta contra o pecado.
Ele basta para o que busca entendimento.
Cristo basta para o pecador culpado,
basta para o coração vazio. Cristo basta
para a consciência ferida. Cristo basta
para vida.
Cristo basta para morte. Cristo basta
para a eternidade.
Que este seja o lema da nossa vida.
Jesus somente, só os Cristos.
Que esta seja a nossa esperança na
morte, Jesus somente. Que esta seja
nossa alegria eterna, Jesus somente na
vida, na morte e na eternidade. A alma
segura só precisa de uma coisa. A alma
segura só precisa de um nome, Jesus.
Somente
peçam [música] e será dado. [canto]
Busquem encontrarão.
[música] Batam na porta certa,
ela se abrirá então. [música]
Pois quem pede recebe, [música]
quem busca vai achar. E aquele que
[canto] bate a porta se abrirá.
Deus [música] conhece o melhor, a
[canto] bênção para nos dar. Se não é o
que [música] pedimos, é o que irá nos
guiar.
Sua graça é perfeita, nos ensina [canto]
a esperar. Mesmo no silêncio, Deus sábio
que a [canto] nos amar. Na fraqueza,
poder. Na espera a direção. [canto]
[música] Sua vontade é boa.
A melhor solução. [canto]
O tempo que parece [canto] longo
pra mente [música] impaciente [canto]
é o exato [música] momento
pra resposta que é crescente.
[música] Se a [canto] oração não vê
resposta,
olhe bem [canto]
com atenção.
[música] Deus já pode ter agido [canto]
fora da contemplação. [música]
Sua graça é perfeita,
[canto][música] nos ensina
a esperar.
Mesmo no silêncio,
Deus [canto] sabe o que é nos amar.
Na fraqueza, poder, na espera, direção.
Sua vontade é boa,
a melhor solução. [canto]
Paulo [canto] lorou e clamou.
O [música] espinho não saiu,
mas a graça [canto]
foi maior.
Em sua [canto] dor, ela surgiu.
Que possamos [canto] aprender
com fé e submissão. [canto]
A vontade do Senhor [canto]
é sempre a melhor lição. [música]
Peçam e será dado. Busquem encontrarão.
Batam na porta [música]
certa, ela se abrirá. Então,
[música] sua vontade [canto]
é boa.

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