ZELO SEM BURNOUT – PAULO VALLE | PODCAST VIDA NOVA #96
22/07/2026
ZELO SEM BURNOUT – PAULO VALLE | PODCAST VIDA NOVA #96
🎙️ Já está no ar mais um episódio do Podcast Vida Nova!
Neste episódio, conversamos com Paulo Valle sobre o livro Zelo sem Burnout, de Christopher Ash.
Ao longo da conversa, exploramos os desafios do ministério pastoral e a importância de cultivar uma vida equilibrada e saudável, abordando questões como:
🔥 O que é o burnout e por que tantos líderes cristãos enfrentam esse desafio?
🛌 Como conciliar zelo pelo ministério com descanso, limites saudáveis e cuidado pessoal?
⛪ Quais são os sinais de que o excesso de trabalho está comprometendo a saúde emocional e espiritual de um pastor?
❤️ Como servir a Deus com fidelidade sem permitir que as demandas do ministério levem ao esgotamento?
Uma conversa essencial para pastores, líderes e todos os que servem na igreja, mostrando que o chamado ministerial não exige uma vida de exaustão, mas uma dedicação que caminha lado a lado com sabedoria, descanso e dependência de Deus.
Adquira o livro: https://www.vidanova.com.br/livros/zelo-sem-burnout
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Fonte: Edições Vida Nova
Legendas automáticas:
E aí, eu sou Saor Lucena e seja bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. Você já se deparou com o termo burnout? Já ouviu falar disso? Você já passou por isso? Afinal de contas, o que é o burnout e como é que nós podemos lidar com ele? Quais as principais causas? [música] Como o ministério pastoral é tantas vezes afetado por esse problema? E não somente ele, mas também outros tipos de trabalho são também alvos dessa questão, levando pessoas de diversos ambientes a ter essa dificuldade em sua vida. Se você quer entender sobre como manter uma vida zelosa e dedicada ao Senhor e ao mesmo tempo não se desgastar ao ponto de cair num burnout, você vai tirar bom proveito da leitura desse livro aqui e também da conversa de hoje com o Paulo Vale. Então, se você gosta de conversas assim, se inscreva aí na sua plataforma preferida de podcast, deixe seu like, comentário para nos dar um feedback e após terminar o episódio, nos ajude compartilhando com outras pessoas. Vamos então à nossa conversa de hoje. Paulo, seja muito bem-vindo ao podcast da editora Vida Nova. É um prazer ter você aqui com a gente mais uma vez, meu irmão. >> Ah, prazer é todo o meu sabor poder estar junto contigo novamente nessa nessa tarefa e eu espero que [música] tenhamos um tempo aí bastante agradável e e edificante. >> Maravilha. Com certeza. Se Deus quiser, se Deus estiver aqui nos conduzindo, vai ser sim. E meu irmão, eu queria que você começasse se apresentando pro pessoal, porque ainda que já seja, eu já até perdi a conta, Paulo, terceiro, quarto podcast que a gente tá gravando, você sabe dizer que eu mesmo já perdi, >> acho que três ou quatro aí, né? Três ou quatro. >> Pois é, muitas conversas boas gravadas já pro pessoal ouvir. >> Mas diante disso, eu queria que você se apresentasse, porque ainda assim às vezes é alguém que tá chegando pela primeira vez. Então, fala um pouco aí do que é que você tem feito, meu irmão. >> Tá, Joia. Eu sou Paulo Vale, a pastora, 34 anos. casado comis e pai de três filhos, né, e também já dois netos e mais um a caminho. Ah, tenho servido há mais ou menos aí 21 anos e meio eh, na que hoje é Igreja Batista do Redentor aqui na cidade de Volta Redonda, ah, que é fruto de um de uma plantação que Deus eh nos permitiu eh começar a nesse período, né, nesse tempo há 21 anos e meio atrás. Ah, tem sido um prazer servir aqui a igreja de Cristo a aqui em nossa cidade, mas também de alguma maneira servir a igreja de Cristo no Brasil. Ah, Deus me tem dado também a bção, né, o privilégio de lecionar teologia já há alguns anos e nos últimos 14, 13, 14 anos, lecionando ali também no seminário Marter, eh, disciplinas relacionadas a a ao Novo Testamento, né, como Introdução às epístolas e o grego. Então tem sido h um tempo bom que Deus me tem concedido de poder servir. E eu sou muito grato a Deus por esse privilégio e grato, obviamente, por poder servir através aqui do podcast da Vida Nova, né? Ah, de maneira que outros irmãos mais sejam também abençoados por aquilo que a gente considera aqui. >> Amém. Amém. E vamos falar desse assunto que é muito pertinente. Pertinente para mim, pertinente para os que estão nos ouvindo, pertinente para alguém com 34 anos de ministério. Muita coisa aí, né, de história. Muito legal. Então, vamos falar desse livrinho curtinho, né? Um livro pequeno que tamanho da da minha mão, curtinho, poucas páginas, mas muito eficiente em suas palavras. Ele não nos causa um burnout na leitura, né? Não, não corre esse risco. É bem é bem tranquilo. Mas justamente eu acho que essa é a pergunta inicial. Ainda que tenha sido um termo que se popularizou nos últimos tempos, muitos ainda não sabem exatamente o que é o burnout. E como o título do livro é Zelo sem burnout, a primeira pergunta que eu quero fazer a você é: o que é que é esse burnout? Qual é o problema sobre o qual o livro está falando aqui? Então, burnout, na verdade, tem sido conceituado, definido como uma síndrome, né? ah, que possui naturalmente aí um conjunto de sinais e também de sintomas e que basicamente se evidencia ah pela exaustão extrema, não é, ou pelo esgotamento que pode ser tanto físico quanto mental, embora obviamente não dê para determinar quem puxa o quê, >> se o esgotamento físico puxa o esgotamento mental ou se o esgotamento mental puxa o esgotamento físico. O que se sabe é que esse esgotamento ou essa exaustão, ela é provocada pelo stress ligado, por exemplo, a atividade profissional, ao trabalho, né? >> Uhum. E [limpando a garganta] normalmente as pessoas que são hã acometidas dessa síndrome tendem a se distanciar, por exemplo, emocionalmente eh de outras pessoas e até mesmo do próprio trabalho em si, da atividade, vamos dizer assim, e acabam também vivendo a debaixo de uma sensação de improdutividade profissional. E no caus no caso do do zelo sem burnout, do Dr. ele acaba tratando a do desse problema, desse esgotamento, dessa exaustão no contexto do ministério pastoral, embora obviamente possa ser aplicado a outros serviços cristãos, a outros ministérios cristãos, mas a o foco do autor é o ministério pastoral, demonstrando que esse esgotamento eh inclusive é muito mais comum do que a gente pode imaginar entre os pastores, né? Então o burnout seria basicamente esse esgotamento de caráter físico e emocional ligado à atividade profissional. >> Sim, até porque como você falou, uma das principais causas é o stress em geral. E se tem um trabalho que a gente tem que ter cuidado com os níveis de preocupação e estress a vida ministerial. Não é verdade? A gente tem que ter cuidado com isso. Inclusive, meu irmão, você já passou por algo semelhante, por algo que poderia ser classificado como um burnout ou conhece a história de pastores que passaram por isso? Então, Saur e e irmãos, eu no ano de 2018, eh, embora eu não tenha recebido um laudo, vamos dizer assim, técnico, né, profissional, por exemplo, de um psiquiatra que atestasse o burnout, eu experimentei muitos desses sintomas que hoje estão ligados ao burnout e que à época era já eram apresentados inclusive como como evidência de burnout por muitos muitas linhas de estudos. da psiquiatria, né? Por exemplo, eu tinha a na minha rotina eu dormia poucas horas, então de três a 4 horas por noite. Eh, e isso durou ah durou muitos meses, muitos meses. E aí, obviamente, como eu não descansava devidamente à noite, eu vivia cansado durante o dia e a produtividade era baixíssima, né? Isso ligado a a a ao Ministério Pastoral também, já que nessa época eu também exercia docência eh num contexto de escola, né? Eu era professor também. Ah, e de alguma maneira eu estava afetado, né? De de de modo que ah eu cheguei inclusive a perder o senso do sentido do trabalho de acordo com o ensino das escrituras, né? O trabalho como uma bênção de Deus. ah, o trabalho passou a ser um peso enorme para mim, né? Ah, eu não tinha satisfação naquilo que eu fazia, nem mesmo no que respeitava as questões ligadas ao ministério. Eu fazia porque, de fato, eu precisava fazer. Eu tinha demandas, eu tinha exigências e eu precisava cumprir com as demandas e com com as exigências naturais do próprio ministério. Então, eu não queria me furtar do dever ministerial, mas eu não estava bem. Eh, eu passei um um período h muitos meses eu não estava realmente bem, né? Embora volto a dizer, eu não tivesse atestado ali nenhum laudo que que comprovasse o meu burnout. Mas assim, as evidências elas eram eh enormes. Eh, eh, e aquilo que me acompanhava como esses conjuntos de sinais e sintomas que pertencem ao burnout, eles estavam eles eram claramente vistos na minha própria experiência. E aí, consequentemente foram muitos meses de de luta contra o burnout, mas também, graças a Deus, com o passar do tempo, as coisas foram se reajustando e e aquele aquele vigor que eu não tinha, aquela expectativa que eu já não tinha, eh, passam a ser reajustadas e as coisas começam a tomar um bom rumo eh novamente. Mas não apenas eu eh tive essa experiência, mas eu também conheço eh muitos pastores que enfrentam ou que enfrentaram esse esse esgotamento. Conheço até alguns que deixaram o ministério para cuidar da própria saúde, né? É claro que alguns desses, alguns poucos desses que deixaram o ministério para cuidar da saúde retornaram, estão aí à frente de igrejas, estão pastoreando, outros estão auxiliando pastores no contexto da igreja. Eh, mas outros, talvez a maioria, ah, preferiram buscar aí alternativas a voltar, no caso, pro ministério pastoral, né? Porque no caso desses, ah, os estragos provocados pelo burnout foram estragos enormes, né, com desdobramento não somente na saúde física, mas também na saúde familiar, ah, nas questões familiares propriamente dita, né? Então assim, a os últimos anos demonstram claramente para mim, mas tenho certeza que não somente para mim, ah, como o Bornout eh a capacidade que o Bornout tem de realmente fazer com que a gente pare e que a gente ah deixe de produzir, vamos dizer assim, mais efetivamente, conforme aquilo que o próprio evangelho de Cristo ah propõe para nós pastores, né? >> Olha só que coisa, né, irmão? Eu acho que é importante esse testemunho aqui para mostrar que o burnout não é só uma coisa de ah, um pastor desconhecido que a gente viu num livro de um contexto americano. Esse livro é pertinente porque ele não é só para pessoas distantes de nós. Muitas vezes é para nós mesmos, ele é para pessoas que estão ao nosso lado. E às vezes não é nenhum algo que a gente já experimentou. Por exemplo, eu nunca experimentei o burnout em si, mas eu lembro de ter lido a versão inglês desse livro ainda antes dele ser lançado pela Vida Nova. Eu li em 2020 e eu tava indo mais nessa eh nesse espírito da de passar 3 4 horas só dormindo e dar conta de filho pequeno e trabalho e igreja e família e você começar a se sentir esgotado. Esgotado. Exatamente assim. Eu não entrei nesse final de ficar sem energia, mas acho que Deus usou muito esse livro, inclusive para abrir meus olhos sobre alguns princípios importantes sobre os quais, inclusive vamos falar aqui ao longo dessa conversa. E eu espero que esse livro seja bênção, né? E essa conversa também seja bênção na vida de outras pessoas, da mesma forma que foi para mim esse esse livrinho aqui. Eh, agora, uma coisa que algumas pessoas podem pensar é que a causa do burnout é o stress por um zelo, certo? Então, a questão é como é que dá para ter esse zelo sem o burnout? O zelo, a pergunta então é, é o zelo que é um problema? Se sim, como conciliar quando a gente vê a escritura nos chamando ao zelo? O Senhor nos chamando a ser zelosos. A Bíblia nos dizendo para oferecer a nossa vida como sacrifícios vivos, né? Santo e agradável eh ao Senhor. Como é que nós podemos fazer isso? Dá para fazer isso sem cair num burnout? >> Ah, eu eu acredito que a o zelo em si, ele jamais será o problema. ser zeloso não significa eh eh que isso nós estamos gerando um problema, por exemplo, como bornout, né? E um ponto que também eu julgo importante é que muitas pessoas têm enormes dificuldades de entender eh essas doenças, né, que são de caráter emocional, eh como se fossem problemas espirituais. Então são duas questões que eu acho que a gente precisa considerar. A a experiência do burnout, ela não é uma experiência simples, ela é uma experiência dolorosa para quem passa pelo burnout, bem como também por aqueles que convivem com pessoas que estão passando pela experiência do burnout. A família sofre e e a igreja eventualmente também sofre quando ah temos, por exemplo, líderes que estão experimentando burnout. Mornout não é de fato uma brincadeira, não é coisa da cabeça de pessoas espiritualmente fracas, é uma doença, é uma descompensação química que precisa ser tratada. E acho que esse ponto é extremamente importante porque talvez agora a gente esteja passando de uma fase de conceituar essas doenças psíquicas como problemas espirituais e parece que nós estamos começando a entender que na verdade são doenças eh eh emocionais que se desdobram na nossa vida. Então, ah, particularmente com relação ao zelo, se a gente quiser aí uma precisão conceitual, eu eu particularmente acho que a ele jamais será um problema, porque quando ele se torna um problema, ele se torna um problema exatamente pela falta de zelo, exatamente por não se ter o zelo, né? Ah, pensando, por exemplo, na nossa vocação ministerial, a gente pode admitir que Deus quer que nós sejamos zelosos e ele quer que nós realizemos adequadamente o serviço ao qual a gente foi chamado realizar, a obra do ministério propriamente dito, né? Agora, é claro, a gente não pode fazer esse serviço, a gente não pode, de fato, servir ao Senhor e à Igreja de qualquer maneira ou a partir das nossas ideias, dos nossos achismos, né? De fato, a gente precisa empregar tudo o que Deus nos dá para servi-lo, mas não nos esquecermos de que nós somos pessoas limitadas. Nós temos limitações e e como bem lembra o Dr. Ash aqui na na sua na sua obra, nós somos pó. Nós somos pó. Eh, Deus é Deus, mas nós somos pó. E como pó, naturalmente, nós somos limitados, né? Isso nos faz lembrar que temos limites e quando agimos agimos de maneira a extrapolar esses limites, nós pecamos contra Deus e deixamos de lado o zelo. Então o zelo, ele jamais pode ser entendido como uma coisa que vá ah, vamos dizer assim, ser responsável pela questão do Bornutico. Se nós entendemos o que é o zelo bíblico, aquilo que o evangelho nos ensina sobre o zelo cristão, ele jamais jamais nos a a nos levará ou criará o ambiente ah próprio ah para o burnout. Ah, o que eu particularmente penso é que a ausência do zelo é que provoca todas essas questões naqueles que eventualmente experimentam aí o burnout. >> Uhum. Isso é isso é interessante, né? Esse lado do zelo, como também esse cuidado para continuar servindo ao Senhor, não é verdade, né? de usar bem os recursos do Senhor e não esgotá-los de uma vez, de uma maneira que a gente não possa continuar investindo no Senhor, no serviço ao Senhor, no serviço aos outros. Ah, o livro inclusive vai falar, né? A gente mencionou o sono, por exemplo, você falou de dormir 3, 4 horas. Ah, mas não é só ele. Eu até quero falar um pouco mais sobre esse aspecto em específico depois, mas ele fala do sono, do descanso, do corpo, das emoções, ah, como temas que, por mais que sejam muito comuns, como temas que são profundamente espirituais. E como é que esses temas são espirituais? Essa é a questão. Porque tem gente que acha que a vida cristã se resume a se você tá orando e lendo a Bíblia. E como essas questões tão comuns são espirituais também. >> Uhum. Então, ah, nós precisamos entender que ah, de acordo com as escrituras, inclusive, né, o sono e o descanso são bênçãos de Deus. Deus nos dá essas bênçãos. E quando nós insistimos em, por exemplo, não dormir, como por exemplo, os mais jovens gostam de fazer, né? não dormir, gastar aí horas durante a madrugada, eh, vendo coisas, assistindo coisas, enfim, nós deixamos de receber os benefícios que o próprio sono e o descanso trazem, né? A gente não pode esquecer que a o sono e o descanso são de fato reparadores, são bênçãos reparadoras, né, que Deus nos dá. Eu particularmente gosto de vez em quando de lembrar aí pelo menos de duas passagens bíblicas, né? Ah, por exemplo, a primeira lá no salmo eh, capítulo 3, do verso 5, que diz: "Eu me deito e durmo e torno a acordar, porque o Senhor é quem me sustém". Ah, um outro salmo também importante, também conhecido, né? Salmo de número 127, lá no verso 2, ele vai dizer as seguintes palavras: "Será inútil levantar cedo e dormir tarde, trabalhando arduamente por alimento. O Senhor concede o sono àqueles a quem ele ama." Então, observe que o sono, do ponto de vista bíblico, é de fato uma bênção que Deus nos concede, né? E se o nosso sono eh eh não for um sono adequado, ajustado, conforme as nossas necessidades pessoais, isso vai afetar tudo mais. Por exemplo, vai afetar o nosso descanso. O nosso descanso estará descontrolado, consequentemente, o nosso corpo será afetado e em decorrência disso tudo, as nossas emoções também serão afetadas. Então, ah, quando a gente pensa no sono, no descanso, no corpo, nas emoções, eu diria que o sono é o grande, a grande bênção ou grande a o grande vilã ou a grande vilã dessa história, né? Porque o o sono ele pode uma vez reparador, ele vai trazer benefícios do descanso, de uma saúde e das emoções também ajustadas. Mas se o sono não for ajustado, isso vai desencadear uma série de questão questões, né? Ou seja, se todas essas coisas, uma vez ajustadas, elas servem também para honrar a Deus. Porque se Deus dá o sono a quem ele ama e nós somos amados por Deus, nós precisamos entender, então, que ao dormirmos nós estamos honrando a Deus a partir da bênção que ele nos dá. >> Estamos recebendo o presente com alegria, né? não es >> com alegria e como bons mordomos, como bons administradores daquilo que Deus dá, porque talvez um um grande desafio nosso é de fato sermos bons mordomos ah do sono. >> Uhum. >> Do sono, né? O problema é que você disse bem no início, a nós eh configuramos vida espiritual com oração e leitura da Bíblia ou ir à igreja, né? E que basicamente as pessoas pensam, né? E esse é um problema, porque julgamos que apenas essas coisas são coisas espirituais. Ah, mas não somente elas são espirituais. O descanso, ah, o sono também são coisas espirituais, principalmente porque fazem parte da própria criação. Da própria criação. A Bíblia é clara em nos mostrar que, por exemplo, depois de seis dias de trabalho criativos, Deus descansou. >> Uhum. E esse é o fundamento para o que para o que Deus vai revelar ao povo de Israel por meio de Moisés, falando do sábado, né, do descanso do sétimo dia, né, e lembrando que o descanso foi dado antes do pecado entrar no mundo, né? Então você tem esse esse princípio ali biblicamente estabelecido. E o sono, obviamente, tem um poder reparador. >> Com certeza. >> Uma pessoa cujo sono é adequado leva grande vantagem em relação a quem não dorme bem. >> Sim, com certeza. é de fato um grande antídoto contra o burnout, por exemplo. >> Uhum. >> Por isso, pastores precisam dormir. >> Uhum. >> Pastores precisam dormir. >> E qualquer coisa diferente disso, Sim. E qualquer coisa diferente disso é sacrifício sem sentido. >> Sim. >> Eh, não, não, não faz sentido, né? E aumenta inclusive as limitações pastorais que já são naturais em todo em todo o ser humano, né? Com certeza. O sono é uma bção, mas é um o sono, uma vez não administrado adequadamente, vai desencadear aí >> é >> uma uma série de de problemas pra gente. >> Com certeza. E eu acho que é importante a gente enfatizar que nós não estamos aqui estimulando a preguiça, que é algo que a escritura também condena. ou não aproveitar a bção do sono, mas condena a preguiça. >> Agora, o problema é quando a pessoa não entende o quanto que ela precisa do sono dentro do que é padrão, dentro do que é um adequado para que ela consiga servir. E alguns até podem estar dizendo: "Não, mas a pastor Paulo aí falou de 3, 4 horas, eu durmo 3 4 horas e eu me sinto bem. Eu já ouvi pessoas falarem algo parecido." Só que aqui, pastor, eu até eu até falo uma coisa, sabia? Eh, e eu não lembro, eu confesso, eu li em 2020 o livro, né? Então eu não lembro tão recente assim, se foi ele ou se foi em outro local que me despertou para um princípio, que é às vezes, não tô dizendo que todo mundo é assim, mas grande parte eh está acostumado a dormir pouco e diz: "Não, mas eu tô acostumado. Eu me sinto bem. Eu durmo 4 horas, 5 horas e eu estou bem". A questão é que é como se fosse aqueles celulares. Você pega, por exemplo, um iPhone, ele tem a questão da saúde da bateria, né? E aí você põe ele para carregar e pronto, ele chegou a 100% da bateria. OK? Mas ele já tá com a bateria gasta, ele tá agora chegando a 80%, então quando você chegou a 100, ele tá a 80. na verdade tá com 80 do que era o padrão. >> E aí o princípio foi quem tá dormindo 5 4 horas por dia e dizendo que tá bem, é porque agora se acostumou a, na verdade, carregar a só até 80, achando que é tudo que tem para oferecer. Ele nem sabe mais o que é estar realmente 100% revigorado, porque ele não dorme regular normalmente. >> Então isso foi uma coisa que me acordou, inclusive, porque eu tinha essa tendência de, ah, eu vou dormir só 5 horas para conseguir ler mais, produzir mais, aconselhar mais, né? [limpando a garganta] >> É. O E o problema também, Saur, é que eh normalmente nós vamos ouvir isso de pessoas mais jovens. >> Aham. Normalmente você não escuta, por exemplo, uma pessoa que regula idade comigo na casa dos 50, né, já partir dos 60, eh, dizendo que 3 4 horas de sono vão ser são suficientes. Eu, por exemplo, eu eu consigo descansar bem e eu acho que isso tem um pouco a ver com até mesmo a minha fase, né, da minha idade, eu consigo descansar bem entre 6 e 7 horas de sono. Eu acordo bem, eu acordo bem, 6 a 7 horas de sono, já não durmo mais. Ah, como eu dormia 8 horas e na adolescência 10 horas, 12 horas, né? Sente [risadas] dó. >> É adolescente. >> Isso não não cabe mais para mim, né? Não cabe mais para mim. De 6 a 7 horas de sono para mim, ah, de fato tem sido suficientes, né? Ah, agora a reincidência de uma pessoa mais jovem de pouco tempo de sono, eh, vai chegar uma hora que a conta vai vai chegar a conta, sabe? vai ter um momento em que a ponta vai chegar, que é quando o próprio corpo ele vai denunciar algumas coisas que hoje não são tão claras para aquele que dorme 3, 4 horas e a princípio, de acordo com os padrões que ele utiliza, a produtividade. Então é um risco que a gente precisa precisa, precisa correr. E um ponto importante aqui que a gente não precisa correr, na verdade, né? Um ponto importante aqui, Saul, é que eu não mencionei naquele período de burnout e que posteriormente desencadeou ali uma um transtorno de ansiedade, é que a minha a minha a a minha experiência, na minha experiência, o sono, o reajuste do sono foi curativo. Curativo. Eu eu eu eu Você pode depois a eu te passo o número da da, por exemplo, da minha esposa e dos meus filhos, os números, para que você ligue para eles e pergunte: "O que ocorreu comigo quando eu consegui, pela graça e bondade de Deus e ajuda de irmãos, a regular o meu sonho?" Eh, reajustou toda a minha vida. E graças a Deus, desde 2019, 2000, talvez, talvez um pouco mais à frente, 2020, 2021, eu consigo dormir bem. Eu consigo dormir bem, coisa que eu não tinha antes. E eu atribuo, eh, materialmente, eu atribuo ao sono o reparo da minha saúde emocional. Eh, como eu falei, eu não durmo muito de 6 a 7 horas, mas o suficiente para manter bem o meu dia, para viver bem o meu dia. Eu acordo bem >> e e graças a Deus por isso. Então, o sono tem um papel muito importante e ele tem um papel reparador que muita gente ignora. >> Ah, até pra gente pensar, né, numa questão que, ah, não é espiritual, mas é a ver com a nossa vida. Nós somos espírito, mas nós somos o corpo também, né? Eh, os atletas, se tem uma coisa que atleta tem que fazer, é se exercitar com zelo, >> mas descansar com igual zelo. Eles têm que dormir bem, eles têm que dormir bastante >> porque senão não recupera, porque senão não não dá conta, não se desenvolve, até perde o resultado que deveria vir por aquele zelo todo dedicado na academia ou em algum outro treino. Se não dorme, não recupera, o corpo não se desenvolve, ele atrofia ao invés, né? Então o sono realmente é é parece algo tão assim, né? Talvez alguém até diga: "Meu Deus, vocês vão passar a conversa toda falando sobre sono?" Não, a gente tem outras coisas para falar também, >> mas é muito importante enfatizar isso porque eu estou extremamente acostumado a pessoas no meio pastoral. E lembrando que essa conversa ela foca no meio pastoral, mas ela é para qualquer pessoa que tem tentado equilibrar a vida entre um zelo e também não cair no burnout. Mas eu lembro na época do seminário, eu lembro de hoje conversas com irmãos, inclusive uma conversa recente com pastores, as pessoas dizerem: "Não, eu vou dormir pouco para que eu consiga produzir mais". Eu ouvi recentemente, Paulo, uma conversa de um pastor que disse: "Olha, para mim o sermão tem que se produzir em pelo menos 25 horas. Tem que ser 25 horas de estudo para produzir o sermão". Eu digo: "Meu irmão, pera aí, você aconselha o pessoal? Você tem família? Ele faz tudo isso, mas eu durmo 3 horas por noite. Aí eu meu irmão, por cara louvável, por um lado, ele tá gastando 25 horas para produzir um sermão louvável, zelo, dedicação. Mas a questão é que nesse zelo, na pregação, ele está deixando de zelar pelo corpo que o Senhor deu a ele para usar no serviço aos irmãos e às pessoas a glória do Senhor. Inclusive ele falou que reconhece e que tá tentando melhorar, que tá lutando com as consequências já, na verdade dessas poucas horas. >> Então é muito comum. É muito comum. E aí o que a gente falou e ele mesmo concluiu é melhor você acabar gastando, né, sei lá, vamos dizer 10 horas na preparação de um sermão em invés de 25, né? E aqui a gente não tá advogando quanto tempo deve ser para um sermão, mas >> é melhor 10 horas na preparação de um sermão do que 25, mas dormindo suficientemente bem para você se recuperar e conseguir, né, servir e cuidar da sua saúde. Eu acho que essas coisas são por da gente ter gastado tanto tempo falando sobre sono aqui. Não é brincadeira o quanto as pessoas pensam: "Hum, preciso fazer mais, vou dormir menos". Preciso fazer mais, vou dormir menos, não é verdade? >> Sacrifica-se o sono sempre. Sacrifica-se o sono sempre, né? >> Só que o o sono, volta a dizer, é uma bênção que Deus dá a quem ele ama. Isso está expresso claramente no Salmo 127, verso 2. É uma bênção que Deus dá quem ele ama. Eu não vou desperdiçar. Eu não posso desperdiçar essa bção. >> Exato. >> E ao desperdiçá-la, eu estou pecando contra aquele que nos dá a bênção, que é Deus, >> que nos fez >> pessoas que precisam do descanso. >> Precisam, nós precisamos do descanso. Verdade. É verdade. É até uma espécie de orgulho em algum sentido, né? Porque acho que o livro, isso aqui, eu acho que vem do livro mesmo, se eu não me engano, ele fala sobre isso, da de como é eh o sono. É uma maneira de nos lembrar de quem Deus é, de quem nós somos. Deus não precisa dormir. Ele não dorme, >> mas ele nos faz dormir para que nós reconheçamos o quanto temos que confiar nele e dormirmos, sabendo que ele continuará a obra que é dele, né? Sim. >> Então, o dormir é um passo de fé, é um passo de confiança em que eu digo: "Senhor, eu trabalhei com zelo, >> mas agora chegou o meu momento de descansar como o Senhor fez para que eu descanse e eu descanso sabendo que o Senhor fará frutificar, o Senhor continuará avançando sua obra. O mundo será sustentado não pelos meus olhos acordados, mas pelos seus, né? Então, acho que isso é isso é maravilhoso. >> Uma das uma das uma das primeiras palavras que eu já há anos digo quando abre os olhos é: "Senhor, obrigado ah por um novo dia e porque o senhor velava por mim enquanto dormia." >> Quem nos guarda é Deus. Quem provê para nós é Deus enquanto a gente dorme. >> E a gente só precisa confiar nele, né? Só, eu sei que é uma palavra só, é uma palavra complicada, mas mas a gente só precisa confiar de fato nele que prove confiança, >> solo sono, >> né? [risadas] É solo confiar em Deus. A gente precisa confiar em Deus. >> Amém. Amém. Amém. E lembrando, não estamos advogando a preguiça longe, o zelo está aí, mas precisamos falar também que o zelo não deve eh desprezar o descanso. E aí, meu irmão, inclusive falando de descanso, um outro ponto, vamos mudar agora, não é só sono, vamos falar de um outro conceito importante do livro, que é o princípio do descanso sabático. >> E é interessante porque esse termo ele pode significar algumas coisas, né, a depender de quem está usando, ele pode trazer alguns significados. O que é que o autor quer trazer com a ideia do descanso sabático como importante para que nós sejamos capazes de manter o zelo sem o burnout? Então, sobre o descanso sabático, o Dr. Ash nos lembra que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo, isto é, no sábado, né? [limpando a garganta] >> Uhum. Ah, esse princípio deveria, né, ser observado não apenas pelos crentes, mas pela humanidade de uma maneira geral, porque eh foi ato da criação ou pós imediatamente pós criação que Deus descansou. E isso foi, claro, obviamente a instituído na na vida do povo de Israel quando o próprio Deus revela Moisés e exige do povo aquele descanso sabático, né? Então, em um tempo, por exemplo, eh como nosso, em que a gente tá discutindo, por exemplo, a escala 4x3, né? Tá aí a os políticos discutindo 4x3, nós devemos lembrar que Deus estabeleceu a escala 6 por1. >> É isso aí. >> Essa [risadas] escala que está na própria escritura, né? E nós não precisamos de três dias de descanso, nós precisamos de um dia de descanso. >> O problema, Saur e demais irmãos, é que nós não descansamos no dia do descanso e e às vezes não descansamos por causa da nossa incredulidade quanto a providência e a provisão divinas. Então, se nós observássemos o descanso semanal, como o próprio Deus estabelece na sua palavra, e descanssemos conforme os padrões daquele que nos criou, as coisas seriam muito diferentes em relação às coisas que a gente vive, que que a gente experimenta, né? Nós esquecemos que podemos descansar um dia da semana exatamente porque Deus vela por nós. Então, o descanso é também uma bênção. E e você tem já eh enfatizado e eu e eu quero eh dizer assim, amém ao que você tá dizendo, que nós não estamos aqui de maneira alguma eh fazendo uma apologia pela preguiça, por exemplo, né, ou pela procrastinação. Não é não é disso que nós estamos falando. Nós estamos falando apenas de observar leis que Deus estabeleceu na criação para humanidade. E o descanso é uma lei que Deus estabeleceu na humanidade. E nós, agora falando nós como, eu não posso falar, não vou falar dos incrédulos, não vou falar dos ímpios, eu vou falar dos crentes. Nós temos que tomar o cuidado para nós não sermos incrédulos em relação à provisão divina, porque a gente acha que o muito trabalhar e que o o muito produzir em termos até mesmo para a obtenção de recursos, de finanças, vai nos trazer aquilo que a gente precisa quando na verdade não irá nos trazer, não vai nos trazer. O que nós precisamos é aprender a confiar no Senhor, na provisão do Senhor, no cuidado do Senhor, de que ele vai nos dar tudo o que nós precisamos e isso eh trará honra, glória e louvor ao nome dele. Quando nós burlamos o descanso que Deus estabeleceu para a humanidade, nós estamos pecando contra o Senhor e possivelmente estamos fazendo isso. E agora eu digo, possivelmente em termos de causa, por causa da nossa incredulidade na provisão divina e também no cuidado divino. Então, o descanso sabático, né, vamos dizer assim, o descanso semanal, ele é extremamente importante também para nós, no sentido de que nós precisamos ter um tempo ah junto à família, um tempo ah vamos dizer assim, um pouco mais robusto em relação à família, e em relação à igreja, né, ao serviço e ao louvor ao Senhor. Tudo isso entra nesse nesse descanso sabático. Então, o o pressuposto, né, o fundamento que o Dr. H trabalha no livro, ah, está fundamentado exatamente nesse princípio da própria criação, de algo que Deus mesmo é o exemplo a ser seguido. Ele trabalhou seis dias e descansou no sétimo. Nós também devemos trabalhar seis dias e descansar no sétimo. E eu acho que é importante até falar com o pessoal aqui, né? Porque ainda que a ideia do nome seja sabático, seja seis e o sétimo e tal, nós não estamos falando aqui simplesmente do sábado, né? como o dia de descanso, não é? Exato. Mas ah, por exemplo, no nosso contexto cristão, desde que Cristo ressuscitou no domingo, desde que a igreja começou a se reunir no domingo, a gente tem eh visto isso muito mais no nosso contexto, como o domingo, como o dia do Senhor, o dia que ele ressuscitou, o dia mais apropriado pra gente ter esse tempo de dedicação aos irmãos, dedicação à obra do Senhor e também um pouco mais de repouso, né? Então, a mais do que a ideia do sábado em si, é o princípio do que o nome significa, né? O xabá como descanso, >> né? Então eu acho que é importante a gente enfatizar isso pro pessoal também para que eles também não distorçam nossas palavras nesse sentido. Mas sim, é importante a gente guardar esse princípio, essa lógica do seis dias bem trabalhados com zelo e então um dia que a gente pode descansar mais e também não é um descanso completo, não é uma qualquer coisa, mas é um descanso bem utilizado, intencional de vamos dormir, vamos deitar, mas também vamos servir em outras coisas que nós durante a semana não conseguimos dedicar tanto tempo, mas vamos servir ao Senhor, vamos servir ao próximo, né? Isso, isso é muito relevante. E eu lembro que na época que eu li o livro, eu tava indo para um oposto. Por mais que ainda soubesse esses princípios e tudo mais, eu tava nessa ideia de eu tenho que produzir mais, eu tenho que produzir mais. Eu tava dando aula em seminário, eu tava eh trabalhando com uma outra empresa, ah, podcast, família, filhos pequenos, igreja. Então, como é que dava conta? Tinha que trabalhar todos os dias 100%. E aí foi esse livro que me acordou para o princípio de pera aí, eu tenho que tentar me organizar melhor. E inclusive nisso eu consegui produzir mais. E eu acho que tudo isso, né, você falou dessa questão da incredulidade que muitas vezes motiva a pessoa a trabalhar todos os dias sem descansar, eh, tem a ver com a gente deixar de pregar para nós mesmos algumas passagens que são centrais nesse aspecto, como por exemplo Mateus 6, quando Jesus vai falar do priorizar o reino de Deus e a sua justiça, e o resto será acrescentado como o que comer, o que vestir, o que nós precisamos pro nosso sustento. Tudo isso o Senhor nos dá. Então a gente trabalha, a gente faz, mas a gente descansa sabendo que o Senhor continuará fazendo frutificar. O nosso sustento não vem pela força do nosso braço. O nosso sustento vem pelo Senhor, as suas bênçãos fazendo frutificar, ainda que a gente vá trabalhar, mas sem precisar eh levantar cedo, dormir, né, de de madrugada, aí o Senhor ele faz frutificar. Esse é são coisas importantes a gente lembrar, não é verdade? >> Sim, com certeza. Com certeza. E aí, mais uma vez, a gente volta ao ponto, né? Eh, quando nós queremos ou quando nós pensamos que, eh, eh, pela força do nosso braço que a gente vai se manter, nosso coração é incrédulo, né? E o orgulhoso ao ponto de fazer de nós mesmos o eixo de todas as coisas, o centro de todas as coisas e, obviamente, aquele que vai resolver todas as coisas, deixando de lado de fato aquele que cuida de nós, que é o próprio Deus, né? É isso. Agora, ainda que a gente tem enfatizado muito a questão do trabalho como uma que muitas vezes nos tira o descanso ou nos leva mais facilmente a um burnout, a gente vê que o livro fala também de outras esferas que podem nos levar a esse tipo de de cansaço, né, dessa falta de descanso. Mais ou menos. O que é que seria essa ideia, né, eh, que que o livro vai trazer? Então, a a o excesso do trabalho eh é uma das coisas mais importantes ligadas ao burnout, não é? Mas não é só isso. A gente pode, até o próprio livro, ele ele sugere dois dois outros eh caminhos, né, que precisam ser considerados, que tem a ver com a renovação do homem interior e a necessidade de bons relacionamentos pessoais, não é? A gente precisa de bons relacionamentos pessoais. Ah, com relação à à renovação do homem interior, essa é uma necessidade para todo crente, não é? O evangelho tem essa capacidade renovadora e e o apóstolo Paulo deixa isso muito evidente ali na na carta aos Romanos, capítulo 8, e também segunda aos Coríntios, capítulo 4. Ah, o fato é que nós precisamos cuidar da nossa mente e também cuidar do nosso coração. Ah, nós precisamos suplicar a Deus que nos ajude a diante das nossas limitações, das circunstâncias que nos afetam de tal maneira. que podemos entrar inclusive num colapso eh emocional, mas a gente também precisa de relacionamentos pessoais saudáveis, né? Nós precisamos de amigos, ah, companheiros de jornada que nos ajudem, que nos aconselhem, que riam e que chorem conosco nas muitas circunstâncias da própria vida, né? Fato é que na vida cristã, aliás, na vida de uma maneira geral, isso serve obviamente pra vida cristã, não é possível viver sozinho. Não é possível andar sozinho, né? Ah, inclusive amigos podem nos proteger do burnout. Ah, amigos podem ser instrumentos nas mãos de Deus para nos favorecer. Ah, a família pode ser um caminho para nos favorecer. A igreja de Jesus, que é uma família estendida, também pode nos ajudar a lidar com essas questões relacionadas ao ao burnout. Então, é claro que o esgotamento ministerial muitas vezes vem pelo excesso de trabalho ou pela falta de zelo para usar ali aqueles conceitos iniciais que a gente tratou, né? Mas não é só isso. Às vezes termos ali ao nosso lado pessoas, companheiros de jornada e também termos uma uma uma clareza com relação à nossa mente, ao nosso coração e quem nós somos diante de Deus, eh, quem Deus nos fez a partir de Cristo, eh, podem pode ser extremamente significativo pra gente poder lidar com essas tensões. Nenhum crente está privado e obviamente nenhum pastor está privado, né? Ou está blindado ao ponto de não ah passar pela experiência do Bout. Mas se a gente se acercar das coisas que realmente vale a pena, que é o zelo no trabalho, bons companheiros de caminhada, a renovação do homem interior, certamente nós teremos aí algum algum grau de resistência contra problemas, como, por exemplo, o próprio Bornout, né? Então o o livro nos ajuda a enxergar isso. O Dr. Ash nos ajuda a compreender eh que esses caminhos, essas alternativas são alternativas brilhantes paraa gente poder lidar com o problema do Wornout. >> É verdade. Agora, ainda que o livro enfatize tanto esse papel da amizade, é muito mais comum no ministério a gente ter alguns colegas, ou mesmo na vida, nós termos alguns colegas ao invés de verdadeiros amigos, né? Eh, qual é a diferença entre um amigo e um colega nessa ajuda em relação ao burnout? Faz diferença eh esse nível ou não da amizade para amizade? >> Faz diferença. Faz diferença. Faz diferença. Completa diferença. Colegas. Vamos dizer assim, são graus, né? Eu diria que os amigos eles estão num num grau muito mais elevado do que os colegas. Nós até podemos compartilhar algumas coisas com colegas, não tem problema algum, até porque nós temos um serviço comum, nós temos um dom comum, nós temos uma atividade comum e nós podemos ser úteis na vida de alguns colegas à medida que nós compartilhamos as nossas experiências e eles também são úteis para nós à medida que eles compartilham algumas de suas experiências. Então, essa é uma bção que o evangelho nos dá, eh, inclusive no ministério pastoral, né, lidando aí com vários pastores, lidando com colegas de ministério que eventualmente passam ou passaram por situações que nós estamos passando ou já passamos, né? Então, colegas são úteis, eles são bênçãos de Deus também na caminhada da fé e no exercício ministerial. Mas amigos, amigos eu diria que são aqueles que ah vão, chegam a um lugar que os colegas não chegam, né? Os amigos são aquelas pessoas com as quais a gente compartilha a vida. Ah, os amigos são aquelas pessoas com os com os quais a gente compartilha os nossos dilemas, as nossas dificuldades, os nossos sofrimentos, as nossas dores, a a as nossas ah fraquezas, né? Aquilo que a gente enfrenta, aquilo que a gente ah passa, né? >> Sim. Então, a amigos, ah, também têm uma vocação comum e podem ser úteis em nos ajudar de uma maneira um pouco mais profunda eh em relação às nossas dificuldades. Eu diria que colegas nós podemos ter muitos, muitos, muitos colegas. Quanto mais, até melhor. Mais amigos são pouquíssimos, né? Eu diria que os pastores vão ter aí amigos mesmo no sentido pleno da palavra de dois quando muito três amigos. E não vão extrapolar esse número. Alguns só tem um. né? Alguns vão ter apenas um, mas um é suficiente também é suficiente, né? Mas dois ou três homens com com quem podemos compartilhar a vida, com quem podemos compartilhar os nossos dilemas, as nossas lutas, as nossas imperfeições, os nossos pecados são realmente ah homens importantes nessa tarefa, né? E e a gente precisa também entender que um pastor que decide caminhar sozinho, ele vai capotar. pastor que decide caminhar sozinho, ele vai capotar, se é que já não capotou, né? Eh, porque, infelizmente, alguns desses não desejam caminhar juntos de outros por julgarem autossuficiente. E nós sabemos que toda a autossuficiência tem dentro de si um pecado terrível, que é o próprio orgulho, né? Então, nós precisamos de bons companheiros, né? E e a gente usando aí o a história de um peregrino, né, de John Ban. Nós precisamos de um fiel aos nossos ao nosso lado, né? Precisamos de um fiel ao nosso lado, alguém que caminhe conosco, né? Então, a amigos são fundamentais na caminhada do ministério, embora ter muitos colegas também sejam uma enorme bênção. >> Interessante. O próprio livro de Eclesiastes fala sobre isso, né? Que a melhor serei em dois do que um, porque quando um cai o outro levanta, né? Até que você falou, pastor sozinho, ele vai cair. O problema é não ter alguém para o erguer, né? Eh, isso isso faz todo sentido. >> Porém, ainda vem uma questão. Como é que eu vou me manter zeloso dando conta das minhas responsabilidades na igreja, que muitas vezes são várias para diversos pastores e pessoas em geral, de novo, ainda que a gente esteja focando em pastores, isso vale para você, não importa a sua profissão. Eh, como é que a gente ainda vai conseguir arranjar tempo para ter amigo sem deixar de dormir, por exemplo, e acabar caindo num burnout porque não descansou, né? Eh, recentemente eu vi um vídeo aqui, Paulo, eu lembrei agora, que era de um videozinho aleatório de algum rapaz na faculdade de medicina e aí era ele tentando fazer a matemática das coisas, né? Eh, tirar boas notas, mas ir à academia, não ter amigos, que não tem tempo para os amigos. a tirar a boas notas e ter amigos igual a não ter tempo paraa vida social, né? Eh, ter boas notas, ter tempo pros amigos e e ainda fazer essas outras coisas. Soma, você fica sem tempo para dormir, né? Então, [risadas] é, é sempre esse dilema. Como é que a gente faz essa matemática para não cair no burnout e ainda ter tempo para os amigos? Pois é, eu diria assim uma vou dar aqui uma uma sugestão bem prática, né, que de alguma maneira eu procuro fazer, tive que aprender a fazer, né? Convide os amigos pastores para pregarem nas igrejas que você é pastor. >> Olha aí uma estratégia. >> Convide. Por quê? Isso possibilitará, por exemplo, um final de semana juntos, né? Você vai poder trazer o seu amigo paraa sua casa junto a junto com a família. você eventualmente poderá ir à casa deles também para passar ali um final de semana pregando na igreja. E fazendo isso, a gente acaba criando uma espécie de cenário ideal para cumprir as nossas responsabilidades e ter tempo pros amigos, né? Então, um final de semana juntos sempre é bastante útil para boas conversas. Eu não vou dizer que a gente vai fazer isso todo mês. Não é possível, né? A gente não vai sair convidando um pregador a cada mês para estar na nossa casa. Mas a gente pode criar circunstâncias para convidar amigos, pastores, né? E aí eu tô participando do pressuposto que é o pastor que tem um amigo pastor. >> Ambos são pastores, né? Então eles têm ali um grau de confiabilidade enorme um no outro, de confidências, inclusive, de confissões, ah, enfim. Ah, então convídeo para pregar na sua igreja, né? Ah, para passar um tempo juntos, né? e e e eventualmente se falarem, trocarem experiências. E e eu eu diria que um sábado e um domingo juntos, ah, na verdade são dois dias muito produtivos quando existe um vínculo da própria da própria amizade. Eh, então, fazendo essas questões, a gente acaba conseguindo tempo pros amigos e a gente consegue também eh de alguma maneira cumprir as nossas responsabilidades, né? Sim, >> hoje a gente tem também bons caminhos aí da tecnologia, né, que hoje a gente pode eh fazer contato com os nossos amigos distantes ou com o nosso amigo distante e podemos nos falar eventualmente ali uma vez por semana, ah, ou de 15 em 15 dias, trocar uma conversa. Isso é sempre muito útil, não é? E esse é um bom exercício, né? E e quando há amizade, existe um elemento da cobrança também. Rapaz, olha, não esqueça de mim, ó, você tá esquecendo de mim, paz, me coloca na sua agenda aí, vamos bater um papo. Então, tudo isso é fundamental. Então, assim, o meu encorajamento, né, sobretudo aos pastores, mas não apenas aos pastores, é que a gente crie a o o contexto, o ambiente eh oportuno para que a gente consiga cumprir responsabilidades e também conviver aí de maneira bem próxima com os nossos amigos. Isso é bastante útil. >> Muito bom. Muito bom. Inclusive chamando o pastor para pregar ali no domingo, é menos um sermão para preparar, né? Aí dá mais tempo para [risadas] >> para dedicar ao descanso também pra glória de Deus. É isso aí. >> Inclusive, uma outra coisa que eu tenho visto também muito boa, é você encaixar os amigos na sua própria rotina, né? ou tentar se adaptar um pouco à rotina deles. Por exemplo, eu gosto de correr, de malhar, enfim, e eu já vou fazer aquilo mesmo. Então, quando dá para encontrar a uma oportunidade de chamar alguém para est ali comigo, eu não tô perdendo tempo, não tô gastando tempo a mais, eu não tô tendo que dormir menos para fazer aquilo, mas eu estou ali com uma outra pessoa, inclusive fica muito mais prazeroso cumprir aquela aquela coisa. Então, vai correr com um amigo, vai malhar. Esses dias eu tive um rapaz aqui da igreja que eh eu tava, gosto muito dele, inclusive queria aconselhá-lo e a gente eh já malhou junto, disse: "Ó, vamos malhar amanhã, vamos." Marcamos, malhamos juntos, conversamos. Isso pode variar para várias outras coisas, né? Isso aí pode ser às vezes e pensando até a gente falando de novo de pastores, mas vamos pensar uma mulher, né? vai fazer eh atividade física também, a mesma coisa. Pode chamar, vai fazer alguma, vai sair com as crianças, pode chamar ali, tá junto, vai fazer compras ao mercado. No mercado, gente, dá para para eu chamar aí junto. Então, a gente encaixa as pessoas, são formas aí. Agora, diante de tudo isso, então a gente viu que é possível, né? a gente pode pensar estratégias que cada um vai ter como analisar sua própria realidade para incluir amigos, para incluir descanso, né, para ainda dar conta das responsabilidades. E o problema é que ainda assim é difícil a gente diferenciar certos sacrifícios que um cristão fiel deve fazer às vezes com um desgaste desnecessário, imprudente ou até espiritualmente perigoso, né? Quais são alguns sinais de alerta de que o zelo saudável está começando a se transformar em esgotamento? Que que você diria desses sinais? >> A gente precisa lembrar, ah, Saur e irmãos, que nós pastores também somos pecadores, né? a gente não pode esquecer desse desse princípio. Eu sei que isso parece bastante óbvio, mas às vezes parece que a gente se esquece disso. Eu recentemente estava na companhia de dois outros pastores, só para ilustrar o que eu quero dizer. Nós estávamos à mesa, estávamos partilhando algo enquanto conversávamos e nós falávamos exatamente sobre isso, sobre como nós pastores acabamos eh pelo nosso suposto sacrifício, né, pelo pelo nosso trabalho, né, ah, às vezes imprudente e até mesmo espiritualmente perigoso, nós acabamos dando munição para que os problemas surjam no contexto da igreja. Então, ah, claro que a gente com isso, ao ao conversar sobre isso, a gente não estava isentando os membros das igrejas, mas admitindo que muitas vezes nós pastores somos os responsáveis por muitos dos problemas que a igreja passa. E isso é irônico porque, ah, uma vez que, por um lado, a gente não se dá conta disso, por outro lado a gente sofre os desgastes causados por nós mesmos, não é? E isso é um problema. E aí nós, veja, vamos perder o sono por causa dos problemas, vamos viver cansados, vamos perder o desejo de fazer o que nos compete fazer, vamos pensar em desistir, vamos criar inimigos imaginários, porque a nossa mente é fértil para criar inimigos imaginários. E esse basicamente é o percurso feito por todos aqueles que entram na rota do esgotamento. O esgotamento não nos permite ver as coisas como as coisas realmente são. O esgotamento ele faz com que a gente [limpando a garganta] olhe a caricatura das coisas e não as coisas propriamente ditas. E você sabe, né, caricatura e é é é uma linguagem de exagero, né? A caricatura ela é cômica, ela é ela é legal exatamente por causa dos exageros que a caricatura traz. Então assim, nós estamos olhando paraas caricaturas das coisas e não necessariamente para as coisas propriamente ditas. Então nós criamos problemas para nós mesmos, né? Então, quando a gente eh eh pensa no tal sacrifício cristão fiel, ah, nós temos que tomar cuidado exatamente para não entrarmos na rota do desgaste e muitas vezes um desgaste que nós mesmos criamos, em que nós mesmos geramos dificuldades. Quero ver uma coisa? Um exemplo simples que talvez você, Saú, e talvez outros pastores, já tenham passado por isso ou já ouviram alguém falar. por exemplo, eh, pastores que, eh, eh, para manter o grupo coeso, eles não entram pela rota da pregação do evangelho autêntico. Eles buscam alternativas ao evangelho e oferecem alternativas ao evangelho. Só que essas alternativas chegam uma hora que elas cansam e elas não têm a capacidade para, eu diria, satisfazer o coração do homem, as necessidades humanas. E aí o que que vai acontecer com esse pastor? Ele vai precisar buscar uma alternativa, a alternativa que ele criou em relação ao evangelho. E aí ele vai viver de alternativa em alternativa, né? Isso não é zelo saudável. Ah, isso não é sacrifício saudável. Isso, na verdade é entrar por uma rota de esgotamento em que ah nós geramos, criamos problemas, dificuldades com as quais nós mesmos vamos ter que lidar e que vão se tornar problemas para nós. Então, eu diria que a distinção de um sacrifício cristão fiel a para o desgastes necessário, imprudente, até mesmo espiritualmente perigoso, a a e eh tem uma linha muito tênue. E a gente precisa tomar muito cuidado para que nós mesmos não criemos problemas para nós mesmos e consequentemente paraa congregação onde a gente serve a Deus. Sim. a esses atentar para essas coisas, eu julgo que é eh é é um exercício extremamente importante para todos nós, para todos os nossos pastores. >> Certeza, com certeza. Eu acho que quando a gente começa a observar um cansaço que parece que nunca é superado, um uma inclinação cada vez mais constante ao estress, a ira, >> menos capacidade de foco no estudo ou mesmo numa conversa, menos interesse em ouvir as pessoas. Claro que isso tudo tem muito de características pecaminosas por trás, muitas vezes, mas muitas vezes é esse burnout chegando de você eh não estar descansando por causa dos sacrifícios. E aí, por causa da sua dedicação muito grande, você acaba sem ter no final das contas como oferecer. E uma frase que eu tava até querendo me lembrar, eh, que é muito importante, é do Robert Murray McChain, né, que foi um pregador importantíssimo ali, prolífico, mas que ao mesmo tempo morreu com 29 anos de idade e no seu leito de morte ele trouxe uma frase que ficou muito conhecida, que é Deus me deu uma mensagem para entregar e um cavalo para montar. Infelizmente eu matei o cavalo e agora não posso entregar a mensagem. Essa frase é muito impactante. É muito impactante porque é isso que a gente precisa pensar. Se a gente não dá descanso, se a gente não descansa, pronto, não vai conseguir pregar depois. Vai pregar tudo em um dia e depois não tem mais condição de pregar. Então, >> a experiência de Marta e Maria Sa. Sim, verdade. >> É o contínuo risco que eu corro, que você corre e qualquer outra pessoa corre de priorizar o que não deve ser priorizado e aquilo que deve ser priorizado ser colocado em segundo, terceiro ou até quarto planos, né? Então, esse é um risco com o qual a gente tem que lidar a todo momento. A gente pode cometer exatamente o mesmo erro que Marta eh eh cometeu ah tendo Jesus dentro da sua casa, sentado na sala da sua casa, né? Eh, instruindo os presentes enquanto ela estava ocupada com coisas legítimas. Veja, ela estava ocupada com coisas legítimas. verdade, >> mas que não naquele momento não cabiam porque tinham coisas mais importantes e eternas com as quais ela precisava se precisava lidar. >> É verdade. E aqui eh existe uma questão, Paulo, que é OK. Marta estava cuidando de coisas legítimas. Ela não tava ali, sei lá, assistindo a novela da sete, né? Ela tava trabalhando, arrumando as coisas, inclusive pensando em Jesus, os discípulos e tal. >> Uhum. Ainda assim, ela não estava, vamos dizer, eh, gastando muito do seu esforço, pregando o evangelho ou lendo a Bíblia ou orando, ou indo à igreja. O que é que eu quero dizer com isso? Deixa eu explicar. É que muita gente vai olhar para tudo isso e dizer: "Tá, mas se eu amo a Deus dessa forma, como é que eu não vou buscar fazer mais para pregar o evangelho? Se eu amo as pessoas e eu quero ver o Senhor alcançá-las pelo evangelho e salvá-las, como é que eu vou parar e vou dormir aqui tranquilamente ao invés de me levantar e pregar porque há pessoas perecendo? E e é uma verdade >> nesse sentido. >> E isso traz uma certa culpa, porque não é uma questão de a gente tá falando só de um trabalho ali ou de algum outro a fazer. A gente tá falando da pregação do evangelho e pessoas zelosas têm essa inclinação e e existe algo de muito bom nisso, de quererem fazer mais pelo Senhor, de servir. Mas aí elas ouvem tudo isso, pera aí, pera aí, você tem que descansar. E elas falam: "Mas como eu vou descansar se eu preciso servir ao meu Senhor?" E aí vem uma culpa, elas não conseguem resolver, vem o cansaço. Cara, como a gente pode lidar com isso de um modo bíblico? >> Uhum. [limpando a garganta] Ah, há muito legalismo, né, no nos arraiás da fé cristã. >> É verdade. >> Ah, e consequentemente também é muito orgulho, né? Muito orgulho também. Ah, infelizmente, como a gente considerou já minutos atrás, boa parte dos problemas que a gente acaba enfrentando no contexto da igreja local eh se dá basicamente por nossas imprudências pessoais, né, e até mesmo como como pastores. Por exemplo, nós achamos que nós temos a capacidade de fazer as coisas acontecerem. >> Uhum. >> Né? Ah, então, por exemplo, ah, nos irritamos quando alguém age de uma maneira diferente daquela maneira que eu acho que ela deveria agir, né? E isso acaba desencadeando uma série de problemas, pois a gente acaba empregando forças ou ah desperdiçando energias naquilo que apenas Deus pode fazer. Há coisas que só Deus pode fazer, não é? Isso não significa e nem é uma justificativa para nós tirarmos o nosso corpo fora eh em relação à nossa responsabilidade claramente revelada nas escrituras, por exemplo, de anunciar o evangelho, [limpando a garganta] de pregar o evangelho, de testemunhar do evangelho, de servir as pessoas, de apoiar as famílias, de aconselhar, de eventualmente visitar os órfãos, as viúvas e e fazermos o trabalho pastoral como convém e como é recomendado. pela própria escritura. A escritura não ah não tolera. A escritura não estabelece a a a preguiça ou mesmo a procrastinação como elementos plausíveis e possíveis ah que com com os quais a gente não precisa se preocupar. A Bíblia é clara com relação à preguiça, a Bíblia é clara com relação também à procrastinação. Ah, mas a gente muitas vezes acha que a gente vai realizar as coisas pela força do nosso braço ou porque nós temos a ideia que vai revolucionar o contexto que a gente está. Também, por outro lado, há pastores que acham que se esgotarem suas forças no serviço ministerial, o seu trabalho subirá como uma espécie de cheiro suave às narinas do Senhor, né? Pode ser. Quanto maior sofrimento, quanto mais sofrimento, mais cheirosa é a gordura da carne. Irmãos, sinceramente, não deve ser assim. E não é assim. >> Hum. >> É verdade que não podemos ser preguiçosos, visto que a preguiça, volto a dizer, a própria procrastinação pecados. pecados, isso é claro, mas nós precisamos saber qual é a nossa tarefa de acordo com o chamado que nós recebemos do Senhor. Mas a gente comete um grande erro quando a gente acha que o amor de Deus pode ser medido pelo quanto eu faço. E quando a gente acha que o amor de Deus pode ser medido por nós pelo quanto nós fazemos, nós estamos descartando o evangelho de Jesus. Então veja, não cabe a preguiça, não cabe a procrastinação, mas ah também não cabe sacrifício imprudente, sabe? Não não cabe ah irresponsabilidades, ah, não cabe ah a um falso zelo, não é? Não cabe eh, por exemplo, ah, trilhar caminhos espiritualmente perigosos que, que podem trazer de fato desdobramentos eh pesados para todos nós. Então, eu diria que ah quando alguém lida ou tem que lidar com essa culpa, que é uma espécie de culpa espiritualizada mesmo, né? Então, se eu amo a Deus, eu preciso fazer mais. Ele, na verdade, está ah ah cometendo um equívoco que para mim particularmente, né, eh, não sei, eh, cá comigo, né, com os meus botões, eu imagino que seja uma falta de compreensão da real tarefa que nós precisamos realizar no contexto da igreja de Jesus Cristo, né? Então, nós temos um chamado e nós precisamos atender ao chamado divino de acordo com os princípios e as regras que o próprio Deus estabelece na sua santa palavra. Por exemplo, nós pastores, isso para não falar de outras obras do Novo Testamento, nós temos três livros, três livros que mostram pra gente como exercer o ministério pastoral. É só acessar lá, primeira Timóteo, segunda Timóteo e Tito. São três livros que tratam da nossa vocação e daquilo que Deus na sua palavra exige dos pastores, né? Então, se a gente trilhar o caminho que o próprio Deus estabelece pra gente, obviamente que o sofrimento será bem menor. >> Sim, com certeza. Eh, quando a gente vê tudo isso, a gente vê que, é claro, existe a culpa do próprio pastor. A gente não pode negar que ele poderia, por exemplo, tentar dizer não impor limites, mas a gente vê que muitas vezes a igreja de alguma maneira, infelizmente, contribui para isso, né? E de que formas isso é mais comum? como é que a gente vê mais a igreja contribuindo para o esgotamento dos líderes, mesmo sem perceber às vezes, né, expectativas ah irreais que as igrejas às vezes colocam sobre os pastores. Ah, como é que a gente vê isso assim? >> Então, a os membros da das igrejas, eles precisam cumprir com as suas responsabilidades pessoais e familiares, né? Isso é um princípio eh da maturidade cristã. E eu até diria que nós pastores, de alguma maneira, nós precisamos ajudá-los nisso, né, a amadurecerem, a crescerem, né, a fim de que tenham a, vamos dizer assim, uma uma maturidade suficiente para viverem o evangelho no cotidiano, lá no lugar em que nós pastores, por exemplo, não acessamos, mas que é onde eles vivem a as vidas deles, dentro do lar, ah, no ambiente de trabalho, na sociedade, de uma maneira geral. E quando a os membros das igrejas colocam sobre seus pastores responsabilidades que cabem aos membros, eles acabam contribuindo para o esgotamento do acúmulo de coisas. É, é mais ou menos assim para ilustrar, tá? >> É só para uma ilustração. É chamar o Corpo de Bombeiros para tirar o gatinho do galho da [risadas] água, sabe? Ah, que é basicamente o que muita gente faz em relação ao Ministério Pastoral. É verdade. >> Só que a gente tem um problema, tem pastor que gosta disso também e alimenta isso, que não é bom para ele >> e obviamente não é bom para quem o suceder, >> porque esse pastor ele tem dia e hora marcados para deixar o ministério de uma determinada igreja e esse dia e hora marcados foram estabelecidos pelo Senhor e virá alguém após ele. E aí dependendo do que ele deixou ah ele estará deixando um enorme problema para quem o suceder. >> Sim. Então assim, a esse é um ponto importante. Nós pastores precisamos ajudar os membros das igrejas a lidar com essas questões. Talvez o problema esteja na falta de clareza do que é ser pastor, não só dos pastores, mas também dos membros da igreja. Há muitos membros que não sabem com clareza o que significa o ofício pastoral. Não tem uma consciência bíblica do que a Bíblia ensina, obviamente sobre o exercício do ministério pastoral. Ah, por exemplo, eu conheço pastores, muitos pastores até, que são tratados como empregados de suas igrejas. São empregados de suas igrejas. Alguns desavisados na membresia chegam a dizer que pelo fato dele ter um salário pago pela igreja, ele tem que fazer aquelas coisas, né? E não é bem assim, né? Além das atividades pastorais de estudar a palavra de Deus para pregar, de estudar para poder ensinar, a aconselhar formalmente as pessoas, visitar os órfãos e e as viúvas, muitos desses pastores têm que comprar a torneira do lavatório, sabe? Muitos desses pastores têm que estar à disposição para todos os eventos realizados pelos membros da igreja, do aniversário de um ano até, sei lá, o aniversário de 80 anos, né? a inauguração do comércio, isso quando nos chama para orar a casa. Então, todos esses esse esses elementos vão assoberbando de fato eh o o pastor, né? Então, o pastor tem que resolver o problema do documento da igreja, o pastor tem que dirigir o carro da igreja e tem que inclusive buscar as pessoas idosas pro culto. Então, assim, a gente tá lidando com uma série de questões que não dizem respeito ao ministério pastoral. Ah, e e e é muito natural que esse pastor adoeça. O problema é que esse pastor vai adoecer. E, e, e eu lhe garanto que diante de tanta coisa a fazer, o mais importante sempre vai ser sacrificado, que é o ensino e a pregação da palavra de Deus. Note com clareza que quando, assim como nós, seres humanos, para eh mantermos o nosso padrão de leitura, o nosso padrão de pesquisa, o nosso padrão de sermão, eh às vezes vamos lá sacrificar o sono, não é? Que a gente conversou há instantes atrás, muitos pastores vão sacrificar a pregação e o ensino da palavra de Deus. Se tem alguma coisa que vai perder, é o tempo necessário para pregar e ensinar a palavra de Deus ao povo. E aí você sabe, olha, olha o ciclo vicioso que se cria. O evangelho não pregado vai gerar mais problemas na igreja que vão e vai exigir mais do pastor, que não vai poder pregar o evangelho, que vai gerar mais problemas, que vai exigir do pastor, que não vai. E aí, olha, olha a loucura em que a igreja entra. Então, nós pastores temos o dever de instruir a igreja, de mostrar para os membros da igreja a o que a escritura afirma sobre a vocação ministerial e sobre o ofício pastoral e fazê-los entender que se nós pastores cumprimos adequadamente a obra do ministério, os maiores beneficiados serão os membros das igrejas onde nós servimos. Eles vão crescer, eles vão amadurecer, eles terão em si mesmos a formação da imagem de Cristo a partir da palavra de Deus. Então, é uma bênção paraa vida da igreja. Então nós pastores temos que eh tomar o nosso cuidado, mas os membros da igreja, os líderes, os demais líderes na igreja precisam contribuir também para que esse esgotamento não chegue aos seus pastores à medida que eles acabam criando aí expectativas irreais sobre o que significa o próprio ministério pastoral. Agora, por outro lado, como é que a gente poderia ver a igreja contribuindo para evitar esse burnout, né? Ou seja, se a gente falou do problema da igreja contribuir para causar o burnout e ela contribuindo para evitá-lo, que ações uma igreja poderia fazer para cuidar de um pastor e evitar que ele caia nisso e assim ele continue eh cuidando dela, né? que como você falou, a igreja investindo no pastor, cuidando dele, ela tá acabando cuidando de si, porque ela tá deixando ele em condições de continuar cuidando dela, né? >> É. E seguindo o padrão de um bom sermão expositivo, nós chegamos então ao momento das aplicações. [risadas] >> Muito bom. Vamos lá, sermão expositivo. Então, >> falar um pouco sobre isso, né? Isso aí. >> Então, eh, o que que o que que eu tenho pensado, né, desde que a gente pensou aí nessa nesse nesse podcast? Primeiro, eu acho que uma coisa muito importante e bíblica é que a igreja de Jesus não pode ser a igreja de um pastor só. >> Boa, boa. Verdade. >> Não pode ser, né? Provérbios, inclusive diz, Provérbios 11 diz que na multidão de conselheiros há sabedoria. E isso serve paraa igreja no que respeita também à pluralidade de pastores, >> né? >> Pluralidade de presbíteros, né? Como algo essencial para o amadurecimento da igreja. >> Uhum. ah, os pastores precisam eh ter consigo a ali no contexto da igreja outros pastores que caminhem lado a lado eh na obra do ministério. >> Sim, >> eu penso também que pastores precisam eh ah veja, nós pastores precisamos confiar em Cristo da mesma maneira que qualquer crente precisa confiar em Cristo. Ah, e você fez alusão há momentos atrás sobre o texto de Mateus 6 e a necessidade que nós temos de confiar em Cristo para o que comer, o que beber, o que vestir, para as coisas que são realmente necessárias para esta vida, né? E que Deus promete em Cristo nos dar na medida que nós eh eh eh agimos da maneira como ele deseja que nós eh eh façamos as coisas, né? Buscar em primeiro lugar o reino para que as demais coisas sejam sejam eh vamos dizer assim, concedidas pelo próprio Deus. Mas eu eu diria também que nós pastores ou os pastores de uma maneira geral precisam eh ter algumas garantias ah que não tragam preocupação ou que pelo menos atenuem as suas preocupações humanas, por exemplo, com a sua família, ah, e as necessidades que a sua própria família, a família tem. Ah, nós pastores precisamos de igrejas que nos amem e que amem também as nossas famílias e que cuidem de nós, né? E às vezes um olhar compassivo, misericordioso, será extremamente importante para um pastor ser olhado com compaixão e com misericórdia. Uma outra coisa também que que nós podemos considerar que é vital no contexto da igreja é que Deus concede aos membros do corpo habilidades para servi-lo, bem como também para servir a igreja. Se os crentes eh resolverem servir a Deus conforme o Novo Testamento estabelece, isso vai ser uma bênção pra vida da igreja e consequentemente será uma bção pros pastores, né? Certo? >> Temos pessoas ali no contexto da igreja que servem a Deus, que vivem para a glória de Deus e que a partir das habilidades e capacidades dadas por Deus, ah, trabalham no contexto da igreja e abençoam a igreja com as suas capacidades concedidas pelo Espírito Santo. Então, são caminhos que a gente tem para a questão do burnout, né? dividir, ah, se aproximar do pastor, fazer aquilo que você como um cristão pode fazer e que ah ah ah e deixar o pastor fazer aquilo que ele somente ele pode fazer, somente ele pode realizar, não é? Ah, sobre nós está a tarefa de ah pregar o evangelho, ensinar a palavra de Deus. Sobre nós está a tarefa de aconselhar os irmãos, as famílias formalmente, quero dizer, está sobre nós o dever de visitar os órfãos, as viúvas, encorajá-los, discipular pessoas, a formar liderança. Então, deixe a gente fazer aquilo que a palavra de Deus diz que a gente precisa fazer. E se há algo que precisa ser feito, que pode ser feito por uma outra pessoa tão ou mais competente do que o pastor >> nessas questões, então que elas façam paraa glória de Deus. Isso é uma bção pro corpo >> e é uma bção paraa igreja de Jesus. >> Perfeito. É como você falou, os membros agindo, lembrando que inclusive quando as escrituras dizem: "Aconselhem uns aos outros, instruindo, né, a louvando, tudo isso é algo que não é simplesmente para os pastores, mas para os membros cuidando um do outro, né? Então, é algo que eu sempre busco lembrar a igreja. Eh, nós precisamos cuidar uns dos outros. Não sou só eu. Eu não tenho como cuidar de todos. Nós precisamos cuidar juntos, né? E aqui, Paulo, até falando mais diretamente a quem nos ouve, se você me permite, mas eu acho que é relevante porque eu concordo plenamente com você que uma igreja saudável deve buscar ter a pluralidade de presbíteros, pluralidade de pastores, mas muitas vezes isso exige certas dificuldades. Eu experimento isso na pele, né? Eu plantei aqui a IBRJ, Igreja Batista Reformada de Jundiaí. E o maior problema da nossa igreja é que até hoje a gente não tem outros pastores. Então eu quero compartilhar um pouco da minha experiência de como tentar aplicar certas coisas que nos ajudam a lidar com isso. Então, em primeiro lugar, oração pedindo ao Senhor para nos capacitar e confiar nele, porque a gente vai fazendo, priorizando o reino dele e ele vai acrescentando que é importante. Outra coisa, amigos, ter eh outros pastores com quem a gente busca conselhos, com quem a gente ora, com quem a gente conversa. pegando instruções, lidando com casos difíceis, é algo que eu sempre busco fazer. Surge algum caso mais complicado, entro em contato com outros pastores para eh pensarem juntos comigo, ainda que eu não tenho um pastor aqui na igreja. Ainda nesse sentido de amigos, aquilo que você também falou anteriormente, chamar para pregar, né? outros pastores pregando, nutrindo a igreja. Um dia que uma semana que você não tem que preparar um sermão, que você pode se dedicar a algumas outras coisas importantes. Isso também ajuda. Um outro aspecto é um paliativo que eu aprendi também com outros irmãos de igrejas, que é, olha, enquanto não há outros presbíteros, outros pastores, tentar criar ali, enquanto se organiza o presbitério, tentar criar ali irmãos, chamar irmãos que são um pouco mais maduros, né? e espiritualmente e também teologicamente para ajudar a pensar a igreja, tomar decisões. Aqui na nossa igreja, por exemplo, nós chamamos de conselho ministerial, justamente porque foi uma nomenclatura que a gente bebeu de outros irmãos aí e tem sido bênção, né? Hoje mesmo eu tava conversando com um desses irmãos que tem me ajudado, não sendo presbítero, não tendo poder de eh eh decisão de conselho para o que a igreja vai trazer, mas que pensam junto comigo a igreja e me ajudam a aconselhar a igreja. Então isso é um paliativo muito interessante. Às vezes não tem um presbítero em si, mas tem um irmão que, por mais que não queira ser pastor, ele é maduro e ele tá ajudando. E neste sentido, para terminar, o outro aspecto é continuar orando para que Deus envie outros pastores e fazendo o que é possível para treinar pessoas na igreja para se tornarem pastores. quando nós vamos encontrando ali as características de um presbítero, inclusive priorizando muito mais encontrar características de caráter do que necessariamente de habilidade, né? Porque uma coisa, a habilidade é muito mais fácil de ensinar do que a transformação do caráter. Mas então, eh, é algo que a gente tem experimentado, inclusive tenho feito discipulado, treinando pessoal, a gente vai pro seminário esse ano e eu sei que esse é o caso de muitas outras igrejas que vão sendo plantadas e às vezes não tem isso. E eu concordo com você, o certo é ter mais pastores, é algo que eu ensino pra igreja, que eu tô buscando, que outros têm buscado. Mas se é o seu caso que está aí nos ouvindo e você quer lidar com isso, né? Essas são algumas dicas de como eu tenho feito, que eu espero que sejam boas para você continuar sendo zeloso, mas evitando um burnout. >> Agora, e a sua experiência, desculpa, desculpa, mas a sua experiência ela é muito muito muito próxima da nossa realidade aqui. >> Uhum. Eh, como eu disse no início, né, e a a igreja que a Igreja Batista do Redentor aqui em Vol da Redonda, ela é fruto de uma plantação, como vocês aí, né? >> Sim. >> Ah, fruto de uma plantação. E ah, durante 18 anos, desses 21 anos e meio, aproximadamente, durante 18 anos, a nossa igreja foi a igreja de um pastor só. >> Olha só, >> né? do ponto de vista de um, não é, de um pastor só, nós tivemos uma, uma tentativa frustrada a talvez há uns, ah, 15 anos atrás, né? E isso trouxe ah muitas dificuldades posteriores paraa igreja, né? Mas graças a Deus a igreja ela seguiu e a hoje nós somos dois pastores na igreja, né? Eu tenho, nós somos dois aqui no contexto da igreja, mas uma coisa que a gente experimentou, esse pastor está conosco há mais ou menos uns 3 anos e meio, né? Ele tá com a gente aqui 2 anos e meio, 3 anos, perdão. >> Sim. >> Ah, mas uma coisa que nós experimentamos foi exatamente isso que aqui nós chamávamos de equipe pastoral. >> Sim. Sim. >> Que eram homens, membros da igreja maduros. Ah, alguns deles com alguma formação teológica, mas não eram pastores porque não tinha uma vocação pastoral para o exercício, para o ofício pastoral. E a nós, eu me acertei deles e nós fizemos, construímos aí o que nós chamamos de uma equipe pastoral, >> sim. >> Que eram os homens com os quais eu conversava, eu compartilhava questões do ministério, pedia conselhos, pedia as orações para que então decisões fossem tomadas. E eles não tinham poder decisório, como você disse há instantes atrás, as decisões eram tomadas por mim, >> mas sempre após consultá-los. E sabe o que é interessante? mesmo depois da chegada de um novo obreiro para um contexto da igreja, esse obreiro ele veio de fora de uma outra igreja para a nossa igreja. A equipe pastoral ela está mantida. >> Sim. >> Para você ter ideia, a gente se reúne toda segunda-feira à noite, onde a gente compartilha ali um tempo de 15 a todas as semanas a gente se reúne, né? Numa semana é só oração. Então nós oramos uns pelos outros e oramos pela igreja. Na semana seguinte a gente estuda o capítulo de um livro, um livro, uma leitura que eventualmente o grupo esteja fazendo. E isso a gente já faz há mais ou menos um ano e meio, embora a equipe pastoral funcione já talvez há uns 5 ou se anos. Então isso é um caminho maravilhoso. O que você viveu aí e compartilhou e e graças a Deus por ter compartilhado é é uma bção pro contexto das igrejas locais. Se a igreja não tem condições ainda de ter um outro obreiro junto do principal, do pastor Ceni, que ela busque, né? eh, homens capazes, tementes a Deus, né, que consequentemente amem o Senhor e a sua palavra para cumprirem esse essa tarefa e esse ministério. Isso é uma uma bênção na vida da igreja de Jesus Cristo. >> Amém. Amém. Legal saber também dessa parte da sua experiência. Essa parte eu não conhecia. Foi bom também conhecer esse aspecto. Que legal. Que legal. E orar para que Deus também mande aqui um um outro pastor para me acompanhar no ministério, assim como aconteceu com você também. Agora eu queria terminar aqui que a gente já se alongou, mas foi uma ótima conversa. Eu queria terminar com uma pergunta muito pertinente que é: OK, falamos muito do como evitar o burnout, mas e quando o burnout já tá instalado? Você passou por isso, né, Paulo? E seria muito interessante você compartilhar com a gente um pouco de como foi a sua experiência de vencer o burnout e o que você traz de conselhos para aqueles que nos ouvem, que talvez estejam nesse estágio e precisem de ajuda. >> Eh, eu diria assim que ah eh para quem passa, não somente pela experiência do Bornout, mas outros transtornos aí que a gente tem hoje, é sempre uma tarefa muito difícil. E talvez o primeira primeira questão que a gente precisa considerar é que isso não significa necessariamente um problema de caráter espiritual. Ah, eu não tenho coragem de dizer que não possa haver pessoas que sofram por questões espirituais, exatamente por ah não obedecerem como convém a própria palavra de Deus e entrarem por rotas que vão gerar o desgaste, o esgotamento e o estresse. Mas nem todo nem todo o problema de burnout ele é de caráter espiritual nesse sentido, né? Então, a gente primeiro precisa ter uma consciência de que o burnout é uma enfermidade e a gente precisa tratar uma enfermidade, não é? No meu caso, já que você pediu aí uma uma experiência, a minha experiência, né? No meu caso, assim, cometi um erro, Sauror, que eu não recomendo ninguém cometer, que é um erro de achar que não precisa de ajuda para lidar com essas questões. Não é que não precise de ajuda, mas não precisa de ajuda para lidar com essas questões. Eu demorei um pouco, isso aqui inclusive é uma confissão pública de pecado. Ah, eu demorei um pouco para entender que eu precisava recorrer a ajuda de alguém. ajuda de alguém. E chegou o momento em que eu recorri à ajuda de um amigo muito querido, né? No processo, antes da procura da ajuda, Deus ele ele ele foi gracioso comigo, ele foi bondoso comigo no sentido de que ele me concedeu bênçãos por meio de algumas atividades que eu fazia. Então, por exemplo, foi uma época em que eu ah me dediquei a ler os Salmos de uma maneira como eu nunca tinha lido antes na minha vida. e descobrir que os salmos eles têm um papel importante na nossa vida, porque ali estão registrados não apenas os triunfos dos servos do Senhor, mas as tristezas, as os lamentos, as limitações, a escassez, a dúvida, o perigo, a perseguição, a dor, o luto, tudo isso está nos salvos. E isso me fez lembrar que os servos de Deus também sofrem, podem passar por sofrimentos e que eventualmente eh a nossa vida não será uma vida de de vento em popa sempre, né, ou de glória em glória, no sentido de que nós não vamos ter sofrimentos, dores e e dificuldades. Ah, mas os salmos me ajudaram muito e consequentemente a oração também me ajudou muito a buscar ao Senhor e buscar em Deus o apoio. Mas chegou obviamente um momento em que eu disse: "Eu não tenho condições, eu por mim mesmo não tenho condições". E aí eu eu vivi uma experiência muito muito interessante com a um irmão muito querido, eu não tenho problema algum de dizer o nome dele, pastor Gilson Santos. >> Uhum. >> Que foi durante muito tempo pastor Batista da Graça, né? Hoje tá em Portugal. >> Um irmão querido, um irmão querido. >> Gravamos recentemente com ele aqui, inclusive. E acho que foi o penúltimo podcast. É. Ótimo. Excelente. Gilson é um é um irmão querido. E e eu lembro que numa manhã eu disse já esgotado, já no meu limite, a ponto de estourar, a ponto de explodir, eu disse, mandei uma mensagem pro Gilson assim, disse assim: "Gilson, eu preciso de ajuda." E Gilson nunca leu uma palavra dessa escrita por mim. [risadas] Uhum. >> Nós nos conhecemos há décadas, mas eu nunca disse para ele assim: "Gilson, eu preciso de ajuda". E obviamente que quando ele leu isso, ele disse: "Rapaz, esse cara precisa de ajuda mesmo". >> Aham. E aí ele me respondeu e disse assim: "Vamos conversar e agendamos pro outro dia." E sabe qual é a coisa interessante? de manhã cedo, mais ou menos 7:30, se eu não me engano, eh entramos numa numa dessas plataformas, ah, e ali nós começamos a conversar e eu expus para ele tudo que eu tava vivendo, as dificuldades, as dores, enfim, tudo, tudo, tudo, tudo. E aí o Gilson disse assim para mim, dentre tantas coisas que ele disse assim, Paulo, ele disse assim: "Paulo, você precisa dormir eu disse, Gilson, tá bom, eu sei que eu preciso dormir, mas como é que eu durmo? Como é que eu faço para dormir? E aí Jesus começou a me acompanhar ali, sabe? Eh, e eu lembro que eu naquele dia, Saur, irmãos, minha esposa é testemunha, eu fiz, eu fiz o que Gils pediu para fazer. Eu fiz o que Gils pediu para fazer. Lembra que eu falei que eu dormia 3 horas por noite? >> Aham. >> Eu fiz o que Gilson mandou. Eu fui dormir. Quando eu acordei era dia claro. Naquela noite eu dormi aproximadamente umas 7 horas direto, coisa que eu não experimentava, talvez há anos. >> Olha só. >> E eu lembro que a minha esposa estava deitada do meu lado e quando eu vi pela fresta da janela a luz do dia, eu sabia que já não era madrugada como tava acostumado a acordar. >> Aham. Era amanhã cedo e eu acordei numa alegria acordando a minha esposa e dizendo: "Eu dormi, eu dormi, eu dormi, eu [risadas][limpando a garganta] consegui dormir." >> Que bção, hein? >> E a partir desse momento, as coisas começaram a a tomar um rumo na minha vida e reajustar. Então, quando eu falo do sono, quando a gente estava falando do sono, eu tava falando de uma coisa que para mim é muito cara. A minha é muito cara, que passou meses e até anos sem conseguir dormir, sem conseguir descansar. Eu hoje, graças a Deus, já são anos que eu consigo dormir. Eu não tenho problema de insônia, eu durmo bem à noite, graças a Deus. Então, o sono teve um papel importante, né? Mas eu tive ajuda da minha família, né, da minha esposa, dos meus filhos. Eu tive ajuda de irmãos da igreja. Eu eu cheguei a ficar, por exemplo, três meses sem poder servir a igreja em casa, fechado, trancado, mas eles com alto grau de compaixão, de misericórdia, me apoiaram, me ajudaram, oraram por mim, ah, me visitaram, me aconselharam. Então, a família estendida aqui a igreja foi uma bção na minha vida. Então, a qual é o meu encorajamento aqueles que eventualmente estão vivendo uma situação dessa? Se você é um crente em Jesus Cristo, não se desapegue da palavra do Senhor. Não se desapegue da vida de oração. Eu tenho, não tenho dúvidas de que as coisas vão contribuir, entre aspas, para que você abandone a oração, para que você abandone a leitura da palavra de Deus. Mas não racionalmente não abandone. Continue orando, continue buscando ao Senhor, lendo a sua palavra, nela meditando e pedindo graça. E peça ajuda. Talvez você conheça algum colega, algum irmão, algum amigo que pode ser aquele, aquela pessoa que vai te ajudar, que vai te orientar, que vai te encorajar, que vai te ouvir, que vai orar com você, que vai ler a Bíblia com você. Eu tive isso. Então, ah, eu sou muito grato a Deus por todos aqueles que me deram essa, essa bênção da companhia quando eu mais precisei. Então, o meu encorajamento é que a ah a se você está vivendo tempos assim, que você não desanime, racionalmente, não desanime. E aí, lembre-se dos Salmos, dos Salmos 42 e 43, né? Ah, quando o salmista diz para si, ele está enfrentando dificuldades, ele tem problemas, ele tá sofrendo na pele, mas ele mesmo diz para ele, o lado que conhece a Deus diz ao seu coração, a sua mente diz ao seu coração, porque estás abatido a minha alma, porque te perturbas dentro de mim, espera em Deus, pois ainda o louvarei a ele que é o meu auxílio e reino. diga para si mesmo: "Por que estás abatido a minha alma?" Essa expressão é a expressão de alguém que está passando por tempo de abatimento, mas que conhece o Deus que está acima dos abatimentos. Então, eventualmente nós podemos enfrentar o burnout, mas nós temos um Deus que está acima do burnout. Então, diga para si porque estás abatida, ó minha alma? Porque te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda larei. É uma questão de confiar no Senhor, confiar na sua bondade, confiar na sua graça. E busque ajuda. Não tem problema nenhum buscar ajuda. Buscar ajuda uma bção e tá tudo bem. Buscar ajuda, isso não é sinal de fraqueza, pelo contrário, é realmente o sinal de alguém que sabe que pode ser abençoado mediante a vida de outras ou as vidas de outras pessoas, né? Isso é muito importante na caminhada da fé quando a gente precisa de bons companheiros. Amém. Amém. É pregar para si mesmo e ter pessoas próximas que vão pregar para nós, que vão nos acompanhar, que vão estar ali com a gente, vão orar pela gente. Isso aí, né? E esse livrinho, inclusive, tá aqui, um livrinho que não vai eh ser difícil de ler, pelo contrário, uma escrita tranquila, curtinho e que é uma bção, traz princípios bíblicos, alguns óbvios, como a questão do sono, mas que ainda assim ele traz de uma maneira muito pertinente que a gente precisa ouvir e outros que não são às vezes tão óbvios, mas a gente também precisa. Então, livrinho que vai ajudar quem tá assistindo é um excelente livro. Vale a pena. Vale muito a pena. Muito bom, meu irmão. Muito obrigado pela conversa, Paulo. Que Deus continue abençoando sua vida, abençoando você com o sono que ele dá aos que o amam e as aos que ele ama. >> E que ele continue lhe capacitando a ser zeloso, mas sem cair mais no burnout, meu irmão. >> Amém. Amém. Obrigado, meu irmão. Obrigado mais uma vez pelo convite, pelo privilégio de de compartilhar desse livro, né, maravilhoso que escrito aí por pelo Dr. Christopher Ash, ah, que é uma bênção para para as nossas vidas. Então, louvado seja Deus por esse material que tá disponível agora em língua portuguesa. >> Muito bom, meu irmão. E você aí de casa que ouviu, ficou interessado em aprender mais, o livro com certeza vai ser bção na sua vida, enfatizando. Esse esse podcast falou muito para a vida pastoral, porque é um dos socos do livro, tem muito a ver com grande parte da nossa audiência, mas isso aqui não vale só para quem é pastor. Os princípios que nós discutimos aqui valem para pessoas de diversas profissões. você é advogado, se você é um empresário, se você é um funcionário, se você não importa a sua função, se você é um estudante, enfim, ainda assim, princípios que estão aqui são retirados da escritura, desenvolvidos por um homem que é pecador, mas é piedoso, que busca trazer a palavra de Deus, com certeza vão ser bênção na sua vida. E se você conhece pessoas que estão caminhando para isso, presente elas com esse livrinho. Esse livrinho simples, com certeza vai ajudá-las nessa caminhada. Converse, recomende, compartilhe esse podcast com essas pessoas e eu espero que Deus abençoe cada um de vocês nesse sentido. Se você gostou dessa conversa, você gosta de conversa assim, então se inscreva aí na sua plataforma de podcast preferida para não perder nenhum episódio novo dos podcasts da Vida Nova. [música] Veja as dezenas de episódios que nós já temos gravados e também fique de olho nos próximos que vem por aí. É isso aí, até a próxima. Valeu,