Somente a Semente Traz o Reino Nascente – Mateus 13.31,32 | Luiz Sayão | IBNU
05/08/2026
Somente a Semente Traz o Reino Nascente – Mateus 13.31,32 | Luiz Sayão | IBNU
Comunidade Saudável. Cidade melhor!
Contribua para os projetos IBNU:
Chave PIX (CNPJ): 08.802.770/0001-60
Banco Bradesco
Ag. 1445-1
CC. 35400-7
Conheça mais:
[email protected]
Siga-nos:
https://www.instagram.com/ibnusaopaulo/
https://www.facebook.com/ibnusp
Fonte: Com IBNU
Legendas automáticas:
Somente a semente [música] traz o reino nascente. Saião, o que que você tá dizendo pra gente? Pois é, que a palavra de Deus vai nos [música] ensinar como é que a gente entende o que ela nos ensina na nossa caminhada [música] de fé. Não perca essa mensagem pro seu coração e não se esqueça, seja você também [música] um amigo da IBNU. Então, inscreva-se no canal, aperte o sininho, divulgue para os amigos e nos ajude aí a proclamar a palavra das escrituras [música] para a vida de todo mundo. Muito obrigado, aquele abraço. >> [música] >> A palavra de Deus sempre traz luz para a nossa vida, ilumina o nosso coração e dirige a nossa jornada com sabedoria, bom senso e um jorrar de bênçãos muito especial. Portanto, nós vamos aqui prestar atenção a uma pequena parábola que Jesus nos traz lá em Mateus, capítulo 13. E nós vamos pensar, ah, no seguinte: somente a semente traz o reino nascente. >> [roncando] >> E pra isso, eu queria aqui olhar o texto de Mateus, capítulo 13, quando o texto nos fala, a partir do verso 31, o seguinte: "E contou-lhes outra parábola. O reino dos céus é como um grão de mostarda que um homem plantou em seu campo. Embora seja a menor entre todas as sementes, quando cresce, torna-se uma das maiores plantas e atinge a altura de uma árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer os seus ninhos em seus ramos. Olha só que coisa muito interessante olhar aqui essa parábola de Jesus. E a gente pensa, por que que faz sentido pensar e refletir sobre um texto como esse? Não faz tanto tempo assim, conversando com uma pessoa, percebi que essa pessoa estava assim, participando de um momento de celebração, de adoração num ambiente cristão evangélico, mas a pessoa parecia muito preocupada. Sabe quando todo mundo está cantando e a pessoa está com aquele olhar perdido, assim, sem eh, abrir a boca, sem se envolver com nada. E aí, eh, depois tendo a oportunidade de conversar, a pessoa diz: "Olha, para mim não faz sentido, eu não consigo fazer isso, porque a gente olha para o mundo de hoje com tanto problema, tanta eh, notícia ruim, eh, guerra, é conflito, é massacre de pessoas, eh, é corrupção, maldade, tráfico humano, tanta coisa horrorosa que às vezes transborda até para os ambientes religiosos e cristãos. Então, quando eu entro assim, eu vejo o pessoal, tipo, cantando, louvando, adorando, a gente fala: "Puxa, isso aí não parece não fazer muito sentido, né? Por que que a gente vai cantar contente se a gente parece que nem chegou esse reino nascente que tem a ver com essa semente saião. Como é que a gente entende isso? Então vamos tentar refletir com base na palavra de Deus para pensar sobre esse assunto tão delicado. Em primeiro lugar, é importante a gente olhar aqui o livro de Mateus, né? Se você eh olhar direitinho, Mateus é um texto muito claramente organizado e estruturado para mostrar para o povo judeu, naquele contexto do primeiro século, que Jesus era o Messias prometido nas escrituras hebraicas. Então toda a organização de Mateus, ela é profundamente voltada para esse ambiente judaico. Então, por exemplo, você tem Mateus cinco mensagens principais ou cinco discursos, se nós quisermos ah falar com mais exatidão. E esses cinco discursos existem porque nós temos cinco livros da lei, né? A Humashia, Torá, o Pentateuco, né? Ah Jesus é apresentado ali desde o começo com uma genealogia que mostra que ele é filho de Abraão e que ele é filho de Davi. Inclusive a genealogia de Jesus tem 14, 14, 14, né, dos nomes que aparecem ali, porque 14 é um número que se tem no hebraico para a palavra David. Então, você tem tudo bem pensadinho, né? Então você tem, por exemplo, né, o o o monte eh das bem-aventuranças, o lugar elevado em relação ao mar da Galileia, que é paralelo do monte Sinai. Você tem Moisés, você tem Jesus, você tem os 10 mandamentos, você tem as oito bem-aventuranças. Então Mateus é tudo costurado assim. E aí quando você estuda o evangelho como um todo, que tem 28 capítulos, você chega no capítulo 13, você pode assim observar lá que você tá num ponto central do evangelho do ponto de vista literário, né? Você tem o que a gente chama de uma estrutura quiástica em Mateus, uma estrutura bem desenhada e o ponto básico, a coluna assim maior, tá exatamente aí. Esse capítulo 13 é um capítulo cheio de parábolas. Essas parábolas que aparecem aqui, elas são muito interessantes. Você vai ver a parábola do semeador, a parábola do joio e do trigo, a parábola do grão de mostarda e na sequência do fermento e depois vem as explicações, hã, a explicação da parábola do joio, parábola depois do tesouro escondido, da pérola de grande valor, né? Parábola da rede que é lançada ao mar e depois termina falando que um profeta não tem honra e reconhecimento na sua própria terra. Então, tudo isso é muito vital aí no evangelho de Mateus. E aí quando a gente chega nesses versículos que nós lemos, você tem essa parábola do grão de mostarda. E aí a gente pergunta: que coisa interessante é essa, né? Primeiro, vale a pena a gente ter uma ideia, né, do que que é um grão de mostarda. Então, você vai poder ver aí na figura. Veja o tamanho de um grão de mostarda, como ele é minúsculo. E você pode até perguntar: mas é verdade que ele é a menor semente que existe no planeta? É claro que não, né? Mas por que que Jesus diz isso, então? Porque Jesus tá falando isso num contexto onde o grão de mostarda é a menor semente conhecida, no contexto da terra de Israel na época de Jesus na região. Essa é a menor semente e tanto é que havia ditados na época usados especialmente nos ambientes rabínicos falando da semente de mostarda como uma coisa muito pequena e até mesmo como uma coisa desprezível. A gente tem referências rabínicas falando de uma coisa semelhante a um grão de mostarda assim comparando com coisas muito negativas. E aí você pensa, mas espera aí, e que que então tá acontecendo aqui? E para entender isso a gente precisa ah compreender como Jesus era absolutamente espetacular na sua maneira de comunicar o que ele pretendia dizer. Quando a gente lê as parábolas até os textos bíblicos sem a compreensão do pano de fundo da época, do ambiente cultural, histórico, a gente acaba não entendendo muita coisa, né? Mas assim, quando Jesus começa uma parábola e no caso é o caso dessas aqui, dessa parábola também, ah as pessoas param para ouvir tudo porque Jesus começa falando uma coisa muito inusitada. Quer ver um exemplo? Quando Jesus vai falar, por exemplo, do filho pródigo, ah ele começa dizendo: "Um pai tinha dois filhos e de repente o mais novo chega e fala: Escuta, eu quero a a minha parte da herança". Só que isso não existe. Ninguém fazia isso. Se o alguém, um filho pedisse a parte da herança, ele tava basicamente dizendo assim: "Eu quero ver o meu pai morto. Eu tô, né?" Porque isso só era dividido após a morte do pai. Então todo mundo ficava chocado com isso e imediatamente passava a ouvir: "Pera aí, do que que ele tá falando?" Então quando Jesus começa a falar aqui e ele vai fazer a referência do reino dos céus, né? Essa expressão que aparece em Mateus, né, onde se usa a palavra uranos, que traduz o termo hebraico shamayim, né, malchut hashamaim, [roncando] o reino dos céus. Aí é mais caracterizado ainda do ambiente judaico, né, porque Mateus evita falar reino de Deus, como aparece em outros evangelhos, por respeito maior ao nome de Deus, então prefere-se se dizer reino dos céus. E aí ele diz um negócio assim muito estranho: "O reino dos céus é semelhante, é como um grão de mostarda que um homem plantou no seu campo". Então, qual é a questão que tá aí? Pessoal, tá preparado? Pode escutar? Ninguém plantava mostarda ah, no seu campo. Isso simplesmente não era uma realidade. E é até importante, você vai agora ver a figura aí do que que é um campo de mostarda que você tem, por exemplo, em Israel hoje. Essa é a mostarda, digamos, silvestre que existe ali, né, e que era utilizado, mas assim, não não era ah, absolutamente ah, razoável alguém ter um um um um campo de mostarda. Isso não existia, né? Você podia pegar a mostarda que nasce aqui num canto, num lugar ou outro, mas eh, isso não era possível. E não era possível por quê? Porque em primeiro lugar, as colheitas realmente significativas e importantes eram exatamente trigo, cevada, aquilo que era vital para o sustento da população. E como acontecia, a lei judaica, ou melhor, a lei bíblica que nós temos lá em Levítico, capítulo 19, proibia colocar duas sementes plantadas no mesmo campo. E alguém vê isso e fala: "Nossa, que lei mais sem noção". É uma lei eh parece uma superstição da época, mas não é bem o caso, né? A gente sabe, né, quem entende um pouquinho de agricultura que quando você coloca duas plantas no mesmo solo, elas têm a necessidade de absorção de nutrientes muito diferentes uma da outra. E além disso, elas não têm a mesma época de colheita, então você acaba prejudicando as duas, na verdade, porque não funciona muito bem assim, plantar ao mesmo tempo duas sementes, por isso a lei era sábia. E particularmente naquele ambiente semiárido à volta e até mesmo desértico, isso era muito importante e vital. E além disso, como você viu, a mostarda não é, como algumas versões apresentam, uma hortaliça, né? E não é exatamente uma árvore, ela é uma planta que alguns chamam como se fosse uma planta de jardim, como eh se fosse uma planta aí mediana, né? Só que ela era conhecida por ser uma planta que enraizava e se multiplicava rapidamente. A gente até poderia, olhando para essa mostarda, dizer: "Isso aqui funciona como uma erva daninha". Por isso ela era tão mal falada nos ditados e desprezada. Aí você imagina, chega Jesus afirmando ser ele o profeta, o Messias. E aí ele vai falar do reino de Deus esperado. Que reino é esse? É um reino do filho de Davi, um reino do Messias. Ele vai derrotar os romanos, ele vai colocar o mundo em ordem, ele vai fazer as coisas de tal maneira que a gente vai poder louvar e adorar de novo. Lembra do meu amigo lá que não conseguia cantar? Pois é, agora ele poderia. Aí Jesus começa a falar: "Olha, esse reino é igual um indivíduo que tem um campo que ele plantou, diz o texto, né, semente de mostarda, um grão de mostarda. Aí o pessoal, tipo assim, pera aí, deixa eu esfregar os meus olhos e abrir bem meus ouvidos para ver se eu tô escutando alguma coisa que faz sentido, que que esse homem tá dizendo lá. Esse rabino da Galileia já é muito estranho e ainda ele começa a dizer essas coisas. Então, de onde vem essa ideia? Então, olha que coisa interessante. Esse negócio de um grão plantado que vai se tornar uma árvore grande e que vai ter desdobramentos e, como a gente leu no texto, que as aves vão se aninhar e se refugiar ali, essa é a história mais antiga do que a gente conhece. Para entender o que Jesus tá falando, a gente precisa ir lá atrás e olhar, por exemplo, o que alguns textos do Antigo Testamento falam a respeito desse tema. Ah, no livro de Ezequiel, capítulo 31, tem uma palavra dada da parte de Deus pelo profeta para o faraó, o rei do Egito. E aí, ele começa a dizer: "Escuta, ó faraó, veja só o que aconteceu no passado". Ele diz no verso 3: "Considere a Assíria, outrora um cedro no Líbano, com belos galhos que faziam sombra à floresta, era alto, seu topo ficava acima da espessa folhagem". Um costume, uma figura literária comum, quando você tinha um poder assim, né, imperial, forte, dominador, especialmente nessa região que tem tantas áreas desérticas e precisa tanto da fertilidade, era comparar isso a uma árvore muito alta. E assim, ele vai dizer, por exemplo, no verso 10, né, que ele se ergueu tão alto, alcançando o seu topo acima da folhagem espessa, e como ficou orgulhoso da sua altura. E é interessante que o texto vai dizer para a gente, né, ah, na sequência, o seguinte, no final do verso 12: "Todas as nações da terra saíram da sua sombra e a abandonaram". E o verso 13 diz: "Todas as aves do céu se instalaram na árvore caída e todos os animais do campo se abrigaram em seus galhos". "Por isso, nenhuma outra ave junto às águas chegará a erguer-se orgulhosamente tão alto". Ou seja, Deus afirma com clareza que essa árvore, que era a Assíria, que era tão alta, e que tinha, servia de refúgio ali para animais e para aves e para pássaros, ela caiu e tá anunciando ao rei do Egito: "Olha, fique esperto, faraó, porque a mesma coisa vai acontecer com você. Você pode correr o mesmo risco". O verso seis do capítulo 31 é emblemático: "Todas as aves do céu se aninhavam em seus ramos, todos os animais do campo davam à luz debaixo dos seus galhos, todas as grandes nações viviam à sua sombra". Então, você percebe? Aqui aparece a ideia, a Assíria foi o grande poder imperial que destruiu, inclusive, o reino do norte, e que, na época do rei Ezequias, quase destrói o reino do sul. Ezequiel tá falando mais na frente, ele escreve o seu livro a partir ah, do ano 593 antes de Cristo, né, na época da invasão babilônica, mas ele tá falando o seguinte: "Olha, veja o exemplo lá atrás da grande árvore onde estavam refugiadas as aves, como elas caíram. E para a gente perceber como isso tem impacto e é significativo, a gente também tem uma história semelhante no livro de Daniel capítulo 4. O livro de Daniel capítulo 4, nós vamos ter uma referência ao sonho do rei Nabucodonosor, que é o rei que destruiu, né, Jerusalém e o templo do Senhor na invasão que ele teve lá. Ele disse, né, que ele teve um sonho no capítulo 4 de Daniel verso 5, e nesse sonho que ele estava lá, ele sonhou e que ele estava vendo uma grande árvore. E ele até menciona diretamente, né, ah, no verso 10, "Estas são as visões que eu tive quando eu estava deitado em minha cama. Olhei diante de mim estava uma árvore muito alta no meio da terra. A árvore cresceu tanto que a sua copa encostou no céu. Era visível até os confins da terra. Numa dificuldade muito grande, ele, então, sem saber o que fazer, vai procurar a interpretação do sonho. E finalmente, o único que pode interpretar o sonho é o profeta Daniel, que é um exilado que se encontra ali cativo nas mãos do poderoso Nabucodonosor. E lá no verso 20, Daniel diz o seguinte: "A árvore que viste, que cresceu e ficou enorme, cuja copa encostava no céu, visível em toda a terra, com belas folhas e muitos frutos, na qual havia alimento para todos, abrigo para os animais do campo e morada para as aves do céu nos seus galhos, essa árvore, ó rei, tu. Tu te tornaste grande e poderoso, pois a tua grandeza cresceu até o alcançar o céu e o teu domínio se estende até os confins da terra. E depois Daniel anuncia o juízo que cairá sobre Nabucodonosor e o que, de fato, ah, acaba acontecendo na sequência do próprio livro de Daniel. Que, aliás, vai nos mostrar, por exemplo, que no capítulo dois, que a grande estátua que representa os reinos e os domínios deste mundo, que ela depois é derrubada por uma pedra lançada sem a ajuda de mãos humanas. E aí fala-se do reino de Deus que acabaria durando para sempre. Então, a gente começa, né, entendendo a realidade do que nós temos aí, porque ah, o texto então diz, né, ah, claramente que na época desses reis, Daniel 2:44, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará, mas esse reino durará para sempre. Esse é o significado da visão da pedra que se soltou de uma montanha sem o auxílio de mãos, pedra que esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro. Aí a gente começa a entender. A própria realidade do Antigo Testamento diz: "Olha, o mundo teve os seus impérios com os seus poderosos que se consideravam donos de toda a situação e construíram os seus reinos que são exatamente marcados por essa metáfora da árvore, onde os pássaros vêm se aninhar. Que são pássaros? São as nações, os outros povos que se tornam satélites, se tornam dependentes, se tornam completamente numa condição debaixo do poder desses reinos. E aí o texto diz, olha, quer saber de uma coisa? A Assíria foi embora, Babilônia foi embora, agora nós estamos na época do domínio romano, desse outro reino similar, mas um outro texto impressionante aparece para nos dar luz ao que está acontecendo aqui. E esse texto aparece em Ezequiel capítulo 17, que está explicando mais uma vez o que está acontecendo nesse cenário de domínio estrangeiro, nesse caso, desse império babilônico que ah, conquista a terra de Judá, Jerusalém e destrói o templo do Senhor. Aí o texto de Ezequiel 17, verso 22, diz o seguinte: "Assim diz o soberano, o Senhor: Eu mesmo apanharei um broto bem alto de um cedro, ah, e o plantarei e arrancarei um renovo tenro de seus ramos mais altos e o plantarei no monte alto e imponente. Nos montes altos de Israel, eu o plantarei. Ele produzirá galhos, dará frutos e tornará um cedro viçoso. Pássaros de todo tipo se aninharão nele". Olha de novo os pássaros aqui. "Encontrarão [roncando] abrigo à sombra de seus galhos. Todas as árvores do campo saberão que eu, o Senhor, faço cair a árvore alta e faço crescer bem alto a árvore baixa. Eu resseco a árvore verde e faço florescer a árvore seca. Eu, o Senhor, falei e eu o farei". Aí a gente começa a entender o que está acontecendo em Mateus capítulo 13. Por que que Jesus vai contar essa parábola desse jeito? Qual é a ligação que nós temos entre uma coisa e outra? Que que tá todo mundo esperando? Que Jesus num momento desse vai dizer o seguinte: "Pessoal, vocês lembram de Ezequiel capítulo 17? Vocês lembram que Deus diz lá que a coisa mais maravilhosa que existe, a árvore mais imponente que é o cedro, o famoso cedro do Líbano. Aliás, cedro tão importante que ele fez parte da construção do templo de Salomão na época. Exatamente da aliança de Salomão com o rei Hirão lá da Fenícia. E aí nós temos esse momento espetacular. Então era para Jesus dizer o seguinte: "Pessoal, não demora a hora quando o reino dos céus vai se tornar realidade, conforme Ezequiel que diz que foi colocado lá um tenro broto que vem da árvore elevada do cedro nos montes de Israel, no monte elevado que tá lá, que é uma referência ao monte do templo, ao monte Sião em Jerusalém. E aí sim, ele vai florescer e a árvore alta é derrubada e Deus faz levantar a árvore baixa, ou seja, tá claro, Deus derrubou a Síria, Deus derrubou a Babilônia. Deus derruba os poderes que são dominadores e opressores e ele construirá seu reino a partir do que ele tá construindo na história de redenção no contexto de Israel. E aí Jesus chega e diz o quê? "Pessoal, sabe o reino dos céus? Aí que é o negócio interessante. Ele é parecido, ele é como um grão de mostarda que um homem plantou no campo. Aí o pessoal fala: "Pera aí, eu tava esperando o cedro. Eu tava esperando, olha, lembra? O reino dos céus é semelhante a um cedro do Líbano que nos faz lembrar da glória e do templo de Salomão e por isso ele vencerá os inimigos e nós seremos felizes e aí sim, nós poderemos louvar e adorar a Deus e fazer festa porque é a vitória do reino". Mas o que que Jesus vai dizer? Ele vai nos surpreender. Primeiro, ele vai dizer: "Pessoal, não pense que o reino de Deus vem com cara de cedro. Não, ele vem de uma maneira que é grão de mostarda". Ou seja, ele é absolutamente inesperado. A maneira que Deus age na construção da sua redenção não tem nada a ver com planos humanos. Não tem nada a ver com a nossa expectativa, não tem nada a ver com a organização da nossa lógica. É aquilo que o famoso literato britânico, o C. S. Lewis falou: "Olha, o evangelho, depois de estudar a literatura do mundo anglo-saxão e de vários outros grupos ah do mundo, ele chegou a dizer: "Olha, o evangelho é contraintuitivo. Aquilo que a gente entende lá, você não encontra paralelo em cultura nenhuma. Parece uma coisa que nunca veio da cabeça humana". Então, nesse sentido, o evangelho é por definição surpreendente, inusitado e inesperado. E é isso que Jesus começa a dizer: "Olha, todos vocês tão achando que Deus vai agir numa lógica que vocês tão esperando, vocês tão achando que a solução pra gente é de natureza política, vocês tão achando que a nossa solução é de natureza militar, natureza econômica e vocês querem um reino de Davi, um reino que evoca um momento positivo dos macabeus e asmoneus. O reino de Deus chega de uma maneira totalmente inesperada. Segunda coisa que chama a atenção é que esse reino de Deus aparece como uma coisa extremamente pequena. É absolutamente desprezível. Para quem está esperando alguém aqui que se apresenta como profeta, como rei e que depois vai eh ter conotações sacerdotais em relação a ao pecado humano e que vai se apresentar como inclusive o Emanuel, né, o Deus conosco, ah, chegar para reinar, a gente espera que vai ser um reino assim absolutamente vencedor e avassalador, mas ele chega de uma maneira em que nós temos a menor das sementes. A gente não pode acreditar que isso aqui vai ter resultado muito significativo. E você olha bem para a proposta do reino de Deus. Como é que Deus age na construção da história da redenção? Por que que a gente deve, mais do que admirar isso? Porque ele vem com um indivíduo só, que é o próprio Jesus, que no contexto da época, ele é um rabino de terceira categoria, que não está no radar dos mais importantes e valiosos que dominam o cenário religioso de Jerusalém, que está lá acompanhado de uns pescadores, de um e de um ah, cobrador de imposto detestado por todo mundo e ele está lá na beira do lago da Galileia, num lugar absolutamente secundário. Então, [roncando] realmente, esse reino começa pequeno. E tão pequeno que exatamente a partir dessa sementinha é que ele vai crescendo vagarosamente sem aparecer com qualquer tipo de algo que mereça atenção e holofote. Por isso que na sequência, inclusive, o texto vai dizer no verso 33 que o reino de Deus é semelhante ao fermento que uma mulher tomou, misturou numa grande quantidade e depois toda a massa ficou fermentada. Então esse reino inesperado, esse reino totalmente imprevisível, inusitado, também é um reino minúsculo. É um reino absolutamente pequeno. Mas o que chama atenção é que quando, né, essa sementinha cresce, ela se torna uma das maiores plantas. Uma frase, uma uma expressão, a palavrinha do grego que chama atenção porque ela às vezes é traduzida em muitas versões por hortaliça. É, mas de fato, né, o a semente a mostarda, que essa mostarda que a gente viu aí, que é chamada mostarda preta, que é a mostarda comum que existe na região, essa mostarda, ela não é assim uma hortaliça. É que a palavra pode significar isso, né? Mas assim, de modo geral, é é como se [roncando] fosse uma planta de jardim, planta não exatamente uma planta ornamental, mas uma planta de quintal, vamos assim dizer, né? E aí essa planta, ela cresce, ela se desenvolve, e em relação à sua semente, ela cresce, cresce bastante. Ela pode chegar a 1,5 m, às vezes pode crescer até 1,80 m, tal. Mas aí, de repente, você vê uma coisa meio estranha, né? Porque o texto vai dizer que essa árvore, ela que essa planta, ela atinge a altura de uma árvore. Aí você tem a palavra árvore, aí que é a palavra dendron. E é árvore mesmo, né? E isso é raro, né? Ela não não acontece isso, é muito difícil. Por que a palavra árvore aparece aqui? A palavra árvore é colocada não porque o texto pretenda ser uma aula de botânica e as pessoas que leem a Bíblia de com olhos errados e falam: "Ah, não, Jesus está falando que é a menor semente, mas não é a menor do mundo". E na verdade ela não é exatamente hortaliça, não, mas ela não se torna como uma árvore, mas ela não é árvore, então a questão não é essa. A questão é parabólica e metafórica. Por que Jesus usa exatamente a árvore? Por causa das profecias que nós temos no Antigo Testamento. Por causa dos textos de Ezequiel e Daniel e especialmente por causa dessa expectativa que vocês estão esperando. Pessoal, vocês estão esperando a árvore, né? Vocês estão esperando esse reino que floresce como uma árvore que atinge os céus. Ah, OK, beleza. Beleza, é isso mesmo. Só que isso não acontece do jeito que vocês pensam. A maneira como Deus procede tem a ver com o grão de mostarda e agora eu vou dizer que árvore é essa porque tem relação com o que aconteceu lá atrás. E esse reino é essa planta que se torna praticamente uma árvore. E o que que é importante? Que as aves do céu vão vir anihar-se nos seus ramos. Ou seja, as aves do céu são as nações, os povos. Então Jesus num momento desses, especialmente quando ele está sendo em Mateus cada vez mais resistido, especialmente pela liderança religiosa, vai começar um momento de intolerância e depois de rejeição e até a sua morte, condenação, isso ganha um contorno muito particular e especial. E aí o que que a gente descobre de especial nesse reino dos céus que chega com o Messias Jesus? É que essa semente, esse grão de mostarda ele é, conforme a sua planta, tremendamente invasivo. Isso chama atenção, porque esse é o problema da mostarda com facilidade ela se espalha por toda a parte. Ela vai de uma maneira e essa é uma razão porque, num certo sentido, as pessoas da época tinham ditados tão negativos, porque era como uma erva daninha. Então o reino que é inesperado, imprevisível, inusitado que é minúsculo, que é tão pequeno, ele também é altamente poderoso para ser disseminado. Ele é tremendamente invasivo e invasivo de maneira silenciosa. Tem tudo a ver com o que acontece na sequência do texto. Quando o texto vai falar que o reino de Deus é como o fermento. O fermento também deixou lá, dormiu a noite, de manhã o fermento fez o efeito e ninguém viu como foi, em que velocidade, como é que aconteceu. Tudo acontece em silêncio. Por quê? Porque o reino de Deus funciona de maneira diferente. Funciona como aconteceu na história. O poder, a semente somente essa semente que traz o reino nascente acontecendo no coração do indivíduo, na vida do outro, uma transformação aqui, uma mudança e isso vai se multiplicando até atingir todas as nações. E por que que isso é tão valioso e importante? É que apesar das aparências, assim como na época antiga o pessoal achava que a Síria era tudo e que eles iam dominar para sempre e achavam que a Babilônia também era invencível e poderosa, assim como acharam que Roma também nesse momento e todos os grandes poderosos impérios e opressores da história, é uma questão de tempo, mais cedo ou mais tarde eles irão embora e o reino de Deus permanece para sempre. O reino de Deus vai crescendo vitoriosamente até que gente de todo o povo, tribo, língua, raça e nação vai se refugiar e vai aninhar na grande árvore que veio da pequena semente. Quando a gente olha isso e a gente olha para o cenário a nossa volta, a gente olha para tanta coisa terrível, tanta coisa com cara de Assíria, de Babilônia, de Roma antiga e todas essas coisas, a gente olha para a sementinha e a gente vê ela brotando aqui, nascendo ali. Eu tenho visto cada coisa tão bonita na minha vida, gente que saiu do ambiente terrível de destruição, que era refém do ambiente de tráfico, que tinha a sua vida destruída por um contexto de promiscuidade, de vícios ou mesmo de um buraco existencial profundo na sua vida ou que estava numa situação totalmente inesperada ou gente que até estava desesperadamente perdido na sua riqueza, na sua intelectualidade, no seu caminho aparentemente promissor e ao mesmo tempo vazio quando a semente bate no coração e o [roncando] grão de mostarda germina e silenciosamente invade, toma o coração a gente começa a ver esse crescimento de transformação. Por isso é que como seguidores de Jesus a gente não pode ser jamais uma pessoa negativa. Achando que as coisas vão de mal a pior e que o mundo não tem mais o que fazer, porque olha o que aconteceu não sei aonde e ficar nessa ladainha problemática que simplesmente não reflete aquilo que você vê da celebração do cristianismo bíblico primeiro que você vê por exemplo no livro de Atos cheios do Espírito Santo e de alegria. Portanto, quando a gente entende isso, que o reino de Deus, o reino dos céus, tão poderosamente saindo do menor grãozinho, cresce e se torna a grande árvore exuberante onde os pássaros irão se aninhar, aí sim, a gente começa a cantar. Aí sim, a gente começa a louvar. Aí sim, a gente sai desse centro de preocupação desnecessária e começa a transbordar de amor, a servir ao Senhor e iniciar o grande momento de louvor. Deus abençoe a sua vida. Abençoe o seu coração na sintonia com a mensagem da palavra de Deus que mostra a vitória daquele que trouxe a salvação. >> [música]