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A fé vem pelo ouvir

Somente a Semente Traz o Reino Nascente – Mateus 13.31,32 | Luiz Sayão | IBNU

Somente a Semente Traz o Reino Nascente – Mateus 13.31,32 | Luiz Sayão | IBNU

Somente a Semente Traz o Reino Nascente – Mateus 13.31,32 | Luiz Sayão | IBNU

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Legendas automáticas:

Somente a semente [música] traz o reino
nascente. Saião, o que que você tá
dizendo pra gente? Pois é, que a palavra
de Deus
vai nos [música] ensinar
como é que a gente entende o que ela nos
ensina na nossa caminhada [música] de
fé. Não perca essa mensagem pro seu
coração e não se esqueça, seja você
também [música] um amigo da IBNU. Então,
inscreva-se no canal, aperte o sininho,
divulgue para os amigos e nos ajude
aí a proclamar a palavra das escrituras
[música] para a vida de todo mundo.
Muito obrigado, aquele abraço.
>> [música]
>> A palavra de Deus sempre traz luz para a
nossa vida,
ilumina o nosso coração e dirige a nossa
jornada com sabedoria,
bom senso e um jorrar de bênçãos muito
especial.
Portanto, nós vamos aqui prestar atenção
a uma pequena parábola que Jesus nos
traz lá em Mateus, capítulo 13.
E nós vamos pensar, ah, no seguinte:
somente
a semente traz o reino nascente.
>> [roncando]
>> E pra isso, eu queria aqui
olhar
o texto de Mateus, capítulo 13,
quando o texto nos fala, a partir do
verso
31, o seguinte: "E contou-lhes outra
parábola.
O reino dos céus é como um grão de
mostarda que um homem plantou em seu
campo.
Embora seja a menor entre todas as
sementes, quando cresce, torna-se uma
das
maiores plantas
e atinge a altura de uma árvore, de modo
que as aves do céu vêm fazer os seus
ninhos em seus ramos. Olha só que coisa
muito interessante
olhar aqui essa
parábola de Jesus. E a gente pensa, por
que que
faz sentido pensar e refletir sobre um
texto como esse?
Não faz tanto tempo assim, conversando
com uma pessoa,
percebi que essa pessoa estava
assim, participando de um momento de
celebração, de adoração num ambiente
cristão evangélico, mas a pessoa parecia
muito preocupada. Sabe quando todo mundo
está cantando e a pessoa está com aquele
olhar perdido, assim, sem
eh,
abrir a boca, sem se envolver com nada.
E aí, eh, depois tendo a oportunidade de
conversar, a pessoa diz: "Olha,
para mim não faz sentido, eu não consigo
fazer isso, porque
a gente olha para o mundo de hoje com
tanto problema, tanta
eh, notícia ruim, eh, guerra, é
conflito,
é massacre de pessoas, eh, é corrupção,
maldade, tráfico humano, tanta coisa
horrorosa que às vezes transborda até
para os ambientes religiosos e cristãos.
Então, quando eu entro assim, eu vejo o
pessoal, tipo, cantando, louvando,
adorando, a gente fala: "Puxa, isso aí
não
parece não fazer muito sentido, né? Por
que que a gente vai cantar
contente se a gente parece que nem
chegou esse reino nascente
que tem a ver com essa semente saião.
Como é que a gente entende isso? Então
vamos tentar
refletir
com base na palavra de Deus para pensar
sobre esse assunto tão
delicado. Em primeiro lugar, é
importante a gente olhar aqui o livro de
Mateus, né? Se você eh olhar direitinho,
Mateus
é um texto muito claramente organizado e
estruturado para mostrar
para o povo judeu, naquele contexto do
primeiro século,
que Jesus era o Messias prometido nas
escrituras hebraicas. Então toda a
organização de Mateus, ela é
profundamente voltada para esse ambiente
judaico. Então, por exemplo, você tem
Mateus
cinco mensagens principais ou cinco
discursos, se nós quisermos
ah
falar com mais exatidão. E esses cinco
discursos existem porque nós temos cinco
livros da lei, né? A Humashia, Torá, o
Pentateuco, né?
Ah Jesus é apresentado ali desde o
começo com uma genealogia que mostra que
ele é filho de
Abraão e que ele é filho de Davi.
Inclusive a genealogia de Jesus tem
14, 14, 14, né, dos nomes que aparecem
ali, porque 14 é um
número
que se tem no hebraico para a palavra
David. Então, você tem tudo bem
pensadinho, né? Então você tem,
por exemplo, né, o o o monte eh das
bem-aventuranças, o lugar elevado em
relação ao mar da Galileia, que é
paralelo
do monte Sinai. Você tem Moisés, você
tem Jesus, você tem os 10 mandamentos,
você tem as oito bem-aventuranças. Então
Mateus é tudo costurado assim.
E aí quando você estuda o evangelho como
um todo, que tem 28 capítulos, você
chega no capítulo 13,
você pode assim observar lá que você tá
num ponto
central do evangelho do ponto de vista
literário, né? Você tem o que a gente
chama de uma estrutura quiástica em
Mateus, uma estrutura
bem desenhada e o ponto básico, a coluna
assim maior, tá exatamente aí. Esse
capítulo 13 é um capítulo cheio de
parábolas. Essas parábolas que aparecem
aqui,
elas são muito interessantes. Você vai
ver a parábola do semeador,
a parábola do joio e do trigo,
a parábola do grão de mostarda e na
sequência
do fermento e depois vem as explicações,
hã, a explicação da parábola do joio,
parábola depois do tesouro escondido, da
pérola de grande valor, né?
Parábola da rede que é lançada ao mar e
depois termina
falando que um profeta não tem honra e
reconhecimento na sua própria terra.
Então, tudo isso é muito vital aí no
evangelho de Mateus. E aí quando a gente
chega
nesses versículos que nós lemos, você
tem essa parábola do grão de mostarda.
E aí a gente pergunta: que coisa
interessante é essa, né? Primeiro,
vale a pena a gente ter uma ideia, né,
do que que é um grão de mostarda. Então,
você vai poder ver aí na figura.
Veja o tamanho de um grão de mostarda,
como ele é minúsculo. E você pode até
perguntar: mas é verdade que ele é a
menor semente que existe no planeta?
É claro que não, né? Mas por que que
Jesus diz isso, então? Porque Jesus tá
falando isso num contexto
onde o grão de mostarda é a menor
semente conhecida, no contexto da terra
de Israel na época de Jesus na região.
Essa é a menor semente e tanto é
que havia ditados na época usados
especialmente nos ambientes rabínicos
falando da semente de mostarda como uma
coisa muito pequena e até mesmo
como uma coisa desprezível. A gente tem
referências rabínicas falando
de uma coisa semelhante a um grão de
mostarda assim comparando com coisas
muito negativas. E aí você pensa, mas
espera aí, e que que então tá
acontecendo aqui?
E para entender isso a gente precisa ah
compreender como Jesus era
absolutamente espetacular na sua maneira
de comunicar o que ele pretendia dizer.
Quando a gente lê as parábolas até os
textos bíblicos sem
a compreensão
do pano de fundo da época, do ambiente
cultural, histórico, a gente acaba não
entendendo muita coisa, né? Mas assim,
quando Jesus começa uma parábola e no
caso é o caso dessas aqui, dessa
parábola também,
ah as pessoas param para ouvir tudo
porque Jesus começa falando uma coisa
muito inusitada. Quer ver um exemplo?
Quando Jesus vai falar, por exemplo, do
filho pródigo,
ah ele começa dizendo: "Um pai tinha
dois filhos e de repente o mais novo
chega e fala: Escuta, eu quero a a minha
parte da herança". Só que isso não
existe.
Ninguém fazia isso. Se o alguém, um
filho pedisse a parte da herança,
ele tava basicamente dizendo assim: "Eu
quero ver o meu pai morto. Eu tô, né?"
Porque isso só era dividido após a morte
do pai. Então todo mundo ficava chocado
com isso e imediatamente passava a
ouvir: "Pera aí, do que que ele tá
falando?"
Então quando Jesus começa a falar aqui e
ele vai fazer a referência do
reino dos céus, né?
Essa expressão que aparece em Mateus,
né, onde se usa a palavra uranos, que
traduz
o termo hebraico shamayim, né, malchut
hashamaim, [roncando]
o reino dos céus.
Aí é mais caracterizado ainda do
ambiente judaico, né, porque Mateus
evita falar reino de Deus, como aparece
em outros evangelhos, por respeito
maior ao nome de Deus, então prefere-se
se dizer reino dos céus.
E aí ele diz um negócio assim muito
estranho: "O reino dos céus é
semelhante, é como um grão de mostarda
que um homem plantou no seu campo".
Então, qual é a questão que tá aí?
Pessoal, tá preparado? Pode escutar?
Ninguém plantava
mostarda
ah, no seu campo.
Isso simplesmente não era uma realidade.
E é até importante, você vai agora ver a
figura aí do que que é um campo de
mostarda que você tem, por exemplo, em
Israel hoje. Essa é a mostarda,
digamos, silvestre que existe ali, né,
e que era utilizado, mas assim, não não
era ah, absolutamente
ah, razoável alguém ter um um um
um campo de mostarda. Isso não existia,
né? Você podia pegar a mostarda que
nasce aqui num canto, num lugar ou
outro, mas eh, isso não era possível. E
não era possível por quê? Porque em
primeiro lugar,
as colheitas realmente significativas e
importantes eram exatamente trigo,
cevada, aquilo que era vital para o
sustento da população.
E como acontecia, a lei judaica, ou
melhor, a lei bíblica que nós temos lá
em Levítico, capítulo 19, proibia
colocar duas sementes plantadas no mesmo
campo. E alguém vê isso e fala: "Nossa,
que lei mais sem noção". É uma lei
eh parece uma superstição da época, mas
não é bem o caso, né? A gente sabe, né,
quem entende um pouquinho de agricultura
que quando você coloca duas plantas no
mesmo solo, elas têm a necessidade de
absorção de nutrientes muito diferentes
uma da outra.
E além disso, elas não têm a mesma época
de colheita, então você acaba
prejudicando as duas, na verdade, porque
não funciona muito bem assim, plantar ao
mesmo tempo duas sementes, por isso a
lei era sábia.
E particularmente naquele ambiente
semiárido à volta e até mesmo desértico,
isso era muito importante e vital.
E além disso, como você viu, a mostarda
não é, como algumas versões apresentam,
uma hortaliça, né?
E não é exatamente uma árvore, ela é uma
planta que alguns chamam como se fosse
uma planta de jardim, como
eh se fosse uma planta aí mediana, né?
Só que ela era conhecida por ser uma
planta que enraizava e se multiplicava
rapidamente. A gente até poderia,
olhando para essa mostarda, dizer: "Isso
aqui funciona como uma erva daninha".
Por isso ela era tão mal falada nos
ditados e desprezada. Aí você imagina,
chega Jesus afirmando ser ele o profeta,
o Messias.
E aí ele vai falar do reino de Deus
esperado.
Que reino é esse? É um reino do filho de
Davi, um reino do Messias. Ele vai
derrotar os romanos, ele vai
colocar o mundo em ordem, ele vai fazer
as coisas de tal maneira que a gente vai
poder louvar e adorar de novo. Lembra do
meu amigo lá que não conseguia cantar?
Pois é, agora ele poderia.
Aí Jesus começa a falar: "Olha, esse
reino é igual
um indivíduo que
tem um campo que ele plantou, diz o
texto, né, semente de mostarda, um grão
de mostarda.
Aí o pessoal, tipo assim, pera aí, deixa
eu
esfregar os meus olhos e abrir bem meus
ouvidos para ver
se eu tô escutando alguma coisa que faz
sentido, que que esse homem tá dizendo
lá.
Esse rabino da Galileia já é muito
estranho e ainda ele começa a dizer
essas coisas. Então, de onde vem essa
ideia? Então, olha que coisa
interessante.
Esse negócio de um grão plantado que vai
se tornar uma árvore grande
e que vai ter desdobramentos e, como a
gente leu no texto, que as aves vão
se aninhar e se refugiar ali, essa é a
história mais antiga do que a gente
conhece. Para entender o que Jesus tá
falando,
a gente precisa ir lá atrás e olhar,
por exemplo, o que alguns textos do
Antigo Testamento falam a respeito desse
tema.
Ah, no livro de Ezequiel, capítulo 31,
tem uma palavra dada da parte de Deus
pelo profeta
para o faraó, o rei do Egito. E aí, ele
começa a dizer: "Escuta, ó faraó, veja
só o que aconteceu no passado". Ele diz
no verso 3:
"Considere a Assíria, outrora um cedro
no Líbano, com belos galhos que faziam
sombra à floresta, era alto, seu topo
ficava acima da espessa folhagem". Um
costume, uma figura literária comum,
quando você tinha
um poder
assim, né, imperial, forte, dominador,
especialmente nessa região que tem
tantas áreas desérticas e precisa tanto
da fertilidade, era comparar isso a uma
árvore muito alta.
E assim, ele vai dizer, por exemplo, no
verso 10, né, que
ele se ergueu tão alto, alcançando o seu
topo acima da folhagem espessa, e como
ficou
orgulhoso da sua altura.
E é interessante
que o texto vai dizer para a gente, né,
ah, na sequência, o seguinte, no final
do verso 12: "Todas as nações da terra
saíram da sua sombra e a abandonaram". E
o verso 13 diz:
"Todas as aves do céu se instalaram na
árvore caída e todos os animais do campo
se abrigaram em seus galhos".
"Por isso, nenhuma outra ave junto às
águas chegará a erguer-se orgulhosamente
tão alto". Ou seja,
Deus afirma com clareza
que
essa árvore, que era a Assíria, que era
tão alta,
e que tinha, servia de refúgio ali para
animais e para aves e para pássaros, ela
caiu e tá anunciando ao rei do Egito:
"Olha, fique esperto, faraó,
porque a mesma coisa vai acontecer com
você. Você pode correr o mesmo risco". O
verso seis do capítulo 31 é emblemático:
"Todas as aves do céu se aninhavam em
seus ramos,
todos os animais do campo davam à luz
debaixo dos seus galhos, todas as
grandes nações viviam à sua sombra".
Então, você percebe? Aqui aparece a
ideia, a Assíria foi o grande poder
imperial que destruiu, inclusive, o
reino do norte,
e que, na época do rei Ezequias, quase
destrói o reino do sul. Ezequiel tá
falando
mais na frente, ele escreve o seu livro
a partir ah, do ano 593 antes de Cristo,
né, na época da invasão babilônica, mas
ele tá falando o seguinte: "Olha,
veja o exemplo lá atrás da grande árvore
onde estavam refugiadas
as aves, como elas caíram. E para a
gente perceber como isso tem impacto e é
significativo,
a gente também tem uma história
semelhante no livro de Daniel capítulo
4. O livro de Daniel capítulo 4, nós
vamos ter uma referência ao sonho do rei
Nabucodonosor, que é o rei
que destruiu, né, Jerusalém e o templo
do Senhor na invasão que ele teve lá.
Ele disse, né, que ele teve um sonho no
capítulo 4 de Daniel verso 5,
e nesse sonho que ele estava lá,
ele sonhou e que ele estava vendo uma
grande árvore. E ele até menciona
diretamente, né,
ah, no verso 10, "Estas são as visões
que eu tive quando eu estava deitado em
minha cama. Olhei diante de mim estava
uma árvore muito alta no meio da terra.
A árvore cresceu tanto que a sua copa
encostou no céu.
Era visível até os confins da terra.
Numa dificuldade muito grande,
ele, então, sem saber o que fazer, vai
procurar a interpretação do sonho. E
finalmente, o único que pode interpretar
o sonho é o profeta Daniel, que é um
exilado que se encontra ali cativo nas
mãos do poderoso Nabucodonosor. E lá no
verso 20, Daniel diz o seguinte:
"A árvore que viste, que cresceu e ficou
enorme, cuja copa encostava no céu,
visível em toda a terra,
com belas folhas e muitos frutos, na
qual havia alimento para todos,
abrigo para os animais do campo e morada
para as aves do céu nos seus galhos,
essa árvore, ó rei, tu.
Tu te tornaste grande e poderoso, pois a
tua grandeza cresceu até o alcançar o
céu e o teu domínio se estende até os
confins da terra. E depois
Daniel anuncia o juízo que cairá sobre
Nabucodonosor e o que, de fato,
ah, acaba acontecendo na sequência
do próprio livro de Daniel. Que, aliás,
vai nos mostrar, por exemplo, que no
capítulo dois, que a grande estátua que
representa os reinos e os domínios deste
mundo,
que ela depois é derrubada por uma pedra
lançada sem a ajuda de mãos humanas. E
aí fala-se do reino de Deus que acabaria
durando para sempre. Então, a gente
começa, né, entendendo
a realidade do que nós temos aí,
porque ah, o texto então diz, né,
ah, claramente que
na época desses reis, Daniel 2:44,
o Deus dos céus estabelecerá um reino
que jamais será destruído e que nunca
será dominado por nenhum outro povo.
Destruirá todos os reinos daqueles reis
e os exterminará, mas esse reino durará
para sempre. Esse é o significado da
visão
da pedra que se soltou de uma montanha
sem o auxílio de mãos, pedra que
esmigalhou o ferro, o bronze, o barro, a
prata e o ouro.
Aí a gente começa a entender.
A própria realidade do Antigo Testamento
diz: "Olha,
o mundo teve os seus impérios com os
seus poderosos que se consideravam
donos de toda a situação
e construíram os seus reinos que são
exatamente marcados por essa metáfora da
árvore, onde os pássaros vêm se aninhar.
Que são pássaros? São as nações, os
outros povos
que se tornam satélites, se tornam
dependentes, se tornam
completamente numa condição debaixo do
poder desses reinos. E aí o texto diz,
olha, quer saber de uma coisa? A Assíria
foi embora,
Babilônia foi embora, agora nós estamos
na época do domínio romano, desse outro
reino similar,
mas um outro texto impressionante
aparece para nos dar luz ao que está
acontecendo aqui.
E esse texto aparece
em Ezequiel capítulo 17, que está
explicando mais uma vez o que está
acontecendo
nesse cenário
de domínio estrangeiro, nesse caso,
desse império babilônico que
ah, conquista a terra de Judá, Jerusalém
e destrói o templo do Senhor.
Aí o texto de Ezequiel 17, verso 22, diz
o seguinte: "Assim diz o soberano, o
Senhor: Eu mesmo apanharei um broto bem
alto de um cedro,
ah, e o plantarei e arrancarei um renovo
tenro de seus ramos mais altos e o
plantarei
no monte alto e imponente.
Nos montes altos de Israel, eu o
plantarei. Ele produzirá galhos, dará
frutos e tornará um cedro viçoso.
Pássaros de todo tipo se aninharão
nele". Olha de novo os pássaros aqui.
"Encontrarão [roncando]
abrigo à sombra de seus galhos. Todas as
árvores do campo saberão que eu, o
Senhor, faço cair a árvore alta e faço
crescer bem alto a árvore baixa.
Eu resseco a árvore verde e faço
florescer a árvore seca. Eu, o Senhor,
falei e eu o farei".
Aí a gente começa a entender
o que está acontecendo em Mateus
capítulo 13. Por que que Jesus vai
contar essa parábola desse jeito? Qual é
a ligação que nós temos entre uma coisa
e outra?
Que que tá todo mundo esperando?
Que Jesus num momento desse vai dizer o
seguinte: "Pessoal, vocês lembram de
Ezequiel capítulo 17?
Vocês lembram que Deus diz lá que a
coisa mais
maravilhosa que existe, a árvore mais
imponente que é o cedro, o famoso cedro
do Líbano.
Aliás, cedro tão importante que ele fez
parte da construção do templo de Salomão
na época.
Exatamente da aliança de Salomão com o
rei Hirão lá da Fenícia. E aí nós temos
esse momento espetacular. Então era para
Jesus dizer o seguinte: "Pessoal, não
demora a hora
quando o reino dos céus vai se tornar
realidade, conforme Ezequiel que diz que
foi colocado lá um
tenro
broto que vem da árvore elevada do cedro
nos montes de Israel, no monte elevado
que tá lá, que é uma referência ao monte
do templo, ao monte Sião em Jerusalém.
E aí sim,
ele vai florescer e a árvore alta é
derrubada e Deus faz levantar
a árvore baixa, ou seja, tá claro, Deus
derrubou a Síria, Deus derrubou a
Babilônia.
Deus derruba os poderes
que são dominadores e opressores e ele
construirá seu reino a partir do que ele
tá construindo na história de redenção
no contexto de Israel.
E aí Jesus chega e diz o quê? "Pessoal,
sabe o reino dos céus?
Aí que é o negócio interessante.
Ele é parecido,
ele é como um grão de mostarda que um
homem plantou no campo. Aí o pessoal
fala: "Pera aí, eu tava esperando o
cedro. Eu tava esperando, olha, lembra?
O reino dos céus é semelhante a um cedro
do Líbano que nos faz lembrar da glória
e do templo de Salomão e por isso ele
vencerá os inimigos
e nós seremos felizes e aí sim, nós
poderemos louvar e adorar a Deus e fazer
festa porque é a vitória do reino".
Mas o que que Jesus vai dizer? Ele vai
nos surpreender. Primeiro,
ele vai dizer: "Pessoal, não pense que o
reino de Deus
vem com cara de cedro. Não, ele vem de
uma maneira
que é grão de mostarda". Ou seja, ele é
absolutamente inesperado. A maneira que
Deus age
na construção da sua redenção não tem
nada a ver com planos humanos.
Não tem nada a ver com a nossa
expectativa, não tem nada a ver com a
organização da nossa lógica. É aquilo
que o famoso literato britânico,
o C. S. Lewis falou: "Olha, o evangelho,
depois de estudar a literatura do mundo
anglo-saxão e de vários outros
grupos ah do mundo, ele chegou a dizer:
"Olha, o evangelho é contraintuitivo.
Aquilo que a gente entende lá, você não
encontra paralelo em cultura nenhuma.
Parece uma coisa que
nunca veio da cabeça humana".
Então, nesse sentido, o evangelho é por
definição surpreendente, inusitado e
inesperado. E é isso que Jesus começa a
dizer: "Olha, todos vocês tão achando
que Deus vai agir numa lógica que vocês
tão esperando, vocês tão achando que a
solução pra gente é de natureza
política, vocês tão achando que a nossa
solução é de natureza militar, natureza
econômica e vocês querem um reino de
Davi, um reino que evoca um
momento positivo dos macabeus e
asmoneus.
O reino de Deus chega
de uma maneira totalmente inesperada.
Segunda coisa que chama a atenção
é que esse reino
de Deus aparece como uma coisa
extremamente
pequena.
É absolutamente
desprezível.
Para quem está esperando alguém aqui que
se apresenta como profeta, como rei
e que depois vai eh ter conotações
sacerdotais em relação
a ao pecado humano e que vai se
apresentar como inclusive o Emanuel, né,
o Deus conosco,
ah, chegar para reinar, a gente espera
que vai ser um reino assim absolutamente
vencedor e avassalador, mas ele
chega
de uma maneira
em que nós temos a menor das sementes. A
gente não pode acreditar que isso aqui
vai ter
resultado muito significativo. E você
olha bem para a proposta do reino de
Deus. Como é que Deus
age na construção da história da
redenção?
Por que que a gente deve, mais do que
admirar isso? Porque ele vem com um
indivíduo só, que é o próprio Jesus, que
no contexto da época, ele é um rabino de
terceira categoria,
que não está no radar dos mais
importantes e valiosos
que dominam o cenário religioso de
Jerusalém, que está lá acompanhado de
uns pescadores, de um e de um
ah,
cobrador de imposto detestado por todo
mundo e ele está lá na beira do lago da
Galileia, num lugar absolutamente
secundário.
Então, [roncando]
realmente, esse reino começa pequeno. E
tão pequeno que exatamente a partir
dessa sementinha é que ele vai crescendo
vagarosamente sem
aparecer
com qualquer tipo de algo que mereça
atenção e holofote.
Por isso que na sequência, inclusive, o
texto vai dizer no verso 33 que o reino
de Deus é semelhante ao fermento que uma
mulher tomou, misturou numa grande
quantidade e depois toda a massa ficou
fermentada. Então esse reino inesperado,
esse reino totalmente imprevisível,
inusitado, também é um reino minúsculo.
É um reino absolutamente pequeno.
Mas o que chama atenção é que quando,
né, essa sementinha cresce, ela se torna
uma das maiores plantas. Uma frase, uma
uma expressão, a palavrinha do grego
que chama atenção
porque ela às vezes é traduzida em
muitas versões por hortaliça.
É, mas de fato, né, o a semente a
mostarda, que essa mostarda que a gente
viu aí, que é chamada mostarda preta,
que é a mostarda comum que existe na
região,
essa mostarda, ela não é assim uma
hortaliça. É que a palavra pode
significar isso, né? Mas assim, de modo
geral, é é como se [roncando] fosse uma
planta
de jardim, planta não exatamente uma
planta ornamental, mas uma planta de
quintal, vamos assim dizer, né?
E aí essa planta, ela cresce, ela se
desenvolve,
e em relação à sua semente, ela cresce,
cresce bastante. Ela pode chegar a 1,5
m, às vezes pode crescer até 1,80 m,
tal.
Mas aí, de repente, você vê uma coisa
meio estranha, né? Porque o texto vai
dizer
que essa árvore, ela que essa planta,
ela atinge a altura de uma árvore. Aí
você tem a palavra
árvore, aí que é a palavra dendron.
E é árvore mesmo, né? E isso é raro, né?
Ela não não acontece isso, é muito
difícil. Por que a palavra árvore
aparece aqui? A palavra árvore é
colocada não porque o texto pretenda
ser uma aula de botânica e as pessoas
que leem a Bíblia de com olhos errados e
falam: "Ah, não, Jesus está falando que
é a menor semente, mas não é a menor do
mundo".
E na verdade ela não é exatamente
hortaliça, não, mas ela não se torna
como uma árvore, mas ela não é árvore,
então a questão não é essa.
A questão é parabólica e metafórica. Por
que Jesus usa exatamente a árvore? Por
causa
das profecias que nós temos no Antigo
Testamento. Por causa dos textos de
Ezequiel e Daniel e especialmente por
causa dessa expectativa que vocês estão
esperando. Pessoal,
vocês estão esperando a árvore, né?
Vocês estão esperando esse reino que
floresce como uma árvore que atinge os
céus. Ah, OK, beleza. Beleza, é isso
mesmo.
Só que isso não acontece do jeito que
vocês pensam. A maneira como Deus
procede tem a ver com o grão de mostarda
e agora eu vou dizer que árvore é essa
porque tem relação com o que aconteceu
lá atrás.
E esse reino é essa planta que se torna
praticamente uma árvore. E o que que é
importante?
Que as aves do céu
vão vir
anihar-se
nos seus ramos. Ou seja, as aves do céu
são as nações, os povos. Então Jesus num
momento desses, especialmente quando ele
está sendo
em Mateus cada vez mais resistido,
especialmente pela liderança religiosa,
vai começar um momento
de intolerância e depois de rejeição e
até a sua morte, condenação,
isso ganha um contorno muito particular
e especial. E aí o que que a gente
descobre de especial nesse
reino dos céus que chega com o Messias
Jesus? É que
essa
semente, esse grão de mostarda
ele é, conforme a sua planta,
tremendamente invasivo.
Isso chama atenção, porque esse é o
problema da mostarda
com facilidade ela se espalha por toda a
parte.
Ela vai de uma maneira e essa é uma
razão porque, num certo sentido, as
pessoas da época tinham ditados tão
negativos, porque era como uma erva
daninha.
Então o reino que é inesperado,
imprevisível, inusitado
que é minúsculo, que é tão pequeno, ele
também é altamente poderoso para
ser disseminado. Ele é tremendamente
invasivo
e invasivo de maneira silenciosa. Tem
tudo a ver com o que acontece na
sequência do texto.
Quando o texto vai falar que o reino de
Deus é como o fermento. O fermento
também deixou lá,
dormiu a noite, de manhã o fermento fez
o efeito
e ninguém viu como foi, em que
velocidade, como é que aconteceu. Tudo
acontece em silêncio. Por quê?
Porque o reino de Deus funciona
de maneira diferente. Funciona como
aconteceu na história. O poder, a
semente
somente essa semente que traz o reino
nascente acontecendo no coração do
indivíduo, na vida do outro, uma
transformação aqui, uma mudança
e isso vai se multiplicando até atingir
todas as nações. E por que que isso é
tão valioso e importante? É que
apesar das aparências, assim como na
época antiga o pessoal achava que a
Síria era tudo e que eles iam dominar
para sempre e achavam que a Babilônia
também era invencível e poderosa, assim
como acharam que Roma também nesse
momento e todos os grandes poderosos
impérios e opressores da história, é uma
questão de tempo, mais cedo ou mais
tarde eles irão embora
e o reino de Deus permanece para sempre.
O reino de Deus vai crescendo
vitoriosamente até que
gente de todo o povo, tribo, língua,
raça e nação vai se refugiar
e vai aninhar na grande árvore que veio
da
pequena semente. Quando a gente olha
isso e a gente olha para o cenário a
nossa volta, a gente olha
para tanta coisa terrível, tanta coisa
com cara de Assíria, de Babilônia, de
Roma antiga
e todas essas coisas, a gente olha
para a sementinha e a gente vê ela
brotando aqui, nascendo ali. Eu tenho
visto cada coisa tão bonita na minha
vida, gente que saiu do ambiente
terrível de
destruição, que era refém
do ambiente de tráfico, que tinha a sua
vida destruída por um contexto de
promiscuidade, de vícios ou mesmo de um
buraco existencial profundo na sua vida
ou que estava numa situação
totalmente inesperada ou gente que até
estava desesperadamente perdido
na sua riqueza, na sua intelectualidade,
no seu caminho aparentemente promissor e
ao mesmo tempo vazio
quando a semente bate no coração e o
[roncando] grão de mostarda germina e
silenciosamente
invade, toma o coração
a gente começa a ver
esse crescimento de transformação. Por
isso é que como seguidores de Jesus a
gente não pode ser jamais uma pessoa
negativa.
Achando que as coisas vão de mal a pior
e que o mundo não tem mais o que fazer,
porque olha o que aconteceu não sei
aonde e ficar nessa ladainha
problemática que simplesmente não
reflete
aquilo que você vê da celebração do
cristianismo
bíblico primeiro que você vê por exemplo
no livro de Atos cheios do Espírito
Santo e de alegria. Portanto,
quando a gente entende isso,
que o reino de Deus, o reino dos céus,
tão poderosamente
saindo do menor grãozinho,
cresce e se torna a grande árvore
exuberante onde os pássaros
irão se aninhar,
aí sim,
a gente começa a cantar.
Aí sim, a gente começa a louvar. Aí sim,
a gente sai desse centro de preocupação
desnecessária e começa a
transbordar de amor, a servir ao Senhor
e iniciar
o grande momento
de louvor.
Deus abençoe a sua vida. Abençoe o seu
coração
na sintonia
com a mensagem da palavra de Deus que
mostra
a vitória daquele que trouxe
a salvação.
>> [música]

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