Land (Terra) – Maggie O’Farrell
08/10/2026
Land (Terra) – Maggie O’Farrell
Fonte: OUTRA IGREJA
Legendas automáticas:
Hoje falando sobre o livro Terra de Maggie O'Farrell, Land. Eu acho que já foi traduzido para o português em Portugal. Não sei quando chega no Brasil ou se já chegou no Brasil. Maggie O'Farrell é, que escreveu o o livro Hamnet, do filme que ganhou o Oscar mais tarde. Então se você chorou no filme, vai chorar com o livro. Achei Hamnet incrível e quando eu vi que a Maggie O'Farrell tinha um lançamento, eu coloquei na minha lista, minha esposa me deu de aniversário, leu antes de mim e gostou. Eu já tô lendo o próximo livro do mês de outubro, The Things We Never Say. Não sei se tá traduzido para o português, mas vou falar sobre ele depois, de Elizabeth Strout. Já tô amando. Mas vamos ao ao livro Land, ter terra, de Maggie O'Farrell. É, que jornada. Eu acho que esse livro, ele levantou sentimentos, emoções, perguntas que eu tenho carregado dentro de mim é, nos últimos anos, principalmente nos últimos dois anos, ainda mais nesse último ano sobre lugar. Acho que muito semelhante ao ao último livro que eu que eu que eu falei sobre aqui no canal, o To a God Unknown, ao Deus Desconhecido, ao Deus Desconhecido do Steinbeck. Essa preocupação com o lugar. Aonde é o meu lugar? Aonde devemos criar raízes? Qual é a minha relação com meu lugar? Eu acho que Land, ele pega essa temática. Então você tá sendo incrível, inclusive, ler esses livros nessa sequência, né? O Steinbeck, ao Deus Desconhecido, e depois ler esse daqui. Então para quem tá me tá acompanhando o canal eu a minha maneira de ler, acho que eu já vou dar um parênteses aqui, talvez. A minha maneira de ler é é exatamente essa. Eu eu não não eu faço uma lista de livros que gostaria de ler durante o ano, mas mas eu não tenho uma lista, tipo, formada de esse que eu vou pegar depois desse. Eu vou é é praticamente uma, um, um aspecto artístico misterioso, né? Tipo, você vai reaching, você vai tentando alcançar, buscar algo e os livros vão aparecendo. Para mim, a minha relação com livros carrega um pouco desse elemento artístico, é, misterioso e eu tenho várias histórias sobre como os livros me encontraram ao longo da minha vida, em momentos certos e e a minha leitura deles foi, foi transformadora por causa disso, porque não foi só o livro, foi o contexto em que o livro apareceu e enfim. Então, a sequência dos livros fechando o parênteses, que eu tenho lido nesse último mês agora de setembro e agora outubro é, carregam essa temática de lugar, nossa relação com lugar. Qual é e o que faz da nossa relação com o lugar o que ela é? Mas o livro Terra é um livro sobre desencontros, né? O personagem principal, Tomás o livro começa com ele, com o filho dele, Liam, e a história, não vou dar muito spoiler, porque se eu abrir mais a família vai, vai gerar spoilers, é começa com ele, o Liam, o, o Tomás, o pai, ele, ele é, ele, ele cria mapas, ele trabalha para o império, pro, pros, poderes superiores e ele obedece ele é simplesmente um trabalhador que é, fazem descaso dele, porque ele é do, local e ninguém leva ele a sério, por mais que ele é extremamente talentoso, brilhante. Então, o trabalho dele é fazer mapas para os poderes, é, os colonizadores, vamos dizer assim. E é poderosíssimo esse argumento que ela faz no livro, né? De que criar um mapa é uma maneira de você reter poder, é uma maneira de você estabelecer poder. Então, a luta dentro do Tomás é, uma das grandes lutas no livro todo, é como é que a gente se relaciona com esses poderes superiores, como é que a gente pode viver uma vida de fato plena, livre, é, significativa, se a gente sempre tem que responder a autoridades superiores que nos desumanizam. E nesse livro existem várias autoridades superiores, da Igreja Católica ao é, que é um símbolo da religião como um todo, ao ao poder colonialista, eh, colonizador, às autoridades, eh, dentro da casa, patriarcais, matriarcais, quem é que tem autoridade, quem e essa autoridade ela humaniza, ela liberta ou ela desumaniza? Essa é uma das grandes questões desse livro por completo. Então, Tomás é esse, essa figura e como eu disse, esse livro é um livro sobre desencontros. Tomás ele não lembra muito bem de onde ele veio. O livro ele vai abordar o, a história de origem dele, ele, ele não tem raiz, ele é um homem desraizado e a busca no livro dele é de encontrar raízes, não só para ele, mas para a família dele e a luta dos membros da família dele também lidando com essa questão de raízes, né? No, diante das inseguranças do pai, quem somos nós, né? Nessas mudanças. Então, um outro tema desse livro é a importância da decisão, o peso de uma decisão, como uma decisão muda a trajetória de vida não só para quem toma a decisão, mas para todo mundo envolvido ao redor. Acho que a minha família lidou muito com isso ao longo dos anos, né? De de decidir deixar o Brasil para estudar nos Estados Unidos e depois voltar para o Brasil para, para lecionar e depois decidir ir embora mais uma vez de, e agora lidando com essas tensões, esse, esse sentimento de não ter mais raiz, de, de, de quem somos nós, né? Dentro dessa terra que não nos pertence e mesmo se a gente voltar para uma terra que a gente pode chamar de nossa, que terra é essa? Né? A gente vai ser, eh, vai ser aceito, vai, vai sentir que a gente pertence? Então, acho que esse livro explora todas essas questões lindas de pertencimento, de, de lugar e de quem nós somos e de como a gente responde a essas forças que nos desumanizam na trajetória de uma vida toda e o quanto dessas decisões que a gente toma no dia a dia são decisões em como lidar com essas forças que, que, que, que nos formam e nos deformam na medida que a vida vai avançando. Então, acho que é isso, eh, uma, uma das que, fora as perguntas que eu já levantei, outras perguntas que o livro levanta para mim é que como podemos encontrar a melhor versão de nós quando a gente tem tão pouca liberdade para decidir fazer nesse mundo, né? Qual é a melhor versão de quem nós somos? Onde ela floresceria, né? Floresceria por causa do quê? Acho que é uma das grandes questões que o livro levanta. Quem nós somos em relação com o lugar e de como é que essa relação acontece e o que que essa relação facilita. Muito semelhante à questão que que também o livro do Steinbeck levanta. Eh, e daí outra pergunta seria quando pessoas com poder ou igreja ou autoridades determinam o horizonte do que é possível para viver, como é que a gente pode, né, viver ou buscar essa melhor versão de nós? Essa versão bonita, essa versão ideal de nós, eh, diante de todas as pressões que existem ao nosso redor. Então é isso. Desencontros, desencontros com o lugar, desencontros com pessoas, desencontros com nós mesmos. Eu acho que Terra é um livro sobre desencontros. Como lidar com eles? Como lidar com uma vida que é repleta de desencontros? E de como nesse mundo de desencontros a gente, eh, poderia abrir espaço para possibilidade de se reencontrar com o lugar, com nós mesmos, com os outros ao nosso redor. É possível diante de todos os pesos que a gente carrega? Não é possível? Não sei. Então esse é Land de Maggie O'Farrell, Terra. Achei um livro interessante, achei um livro bom. Eh, e de novo, não sei se esse vai ser um livro para você porque tem vários elementos, eh, surreais e mágicos no livro que que não se não necessariamente fecham ou se completam. Então se você quer uma história que se conecta todos os pontinhos certinho, eu não sei se esse vai ser o livro para você. Mas esse é Land de Maggie O'Farrell. E agora, como eu disse, estou lendo The Things We Never Say, As Coisas Que Nós Nunca Dizemos ou Falamos. Achei incrível. Estou achando incrível já e estou na página 60. Então quando eu terminar este aqui com certeza vou falar, mesmo que seja só da introdução do livro para vocês. Incrível. Só isso aí. Paz e bem.